Tuesday, December 27, 2016

Maria Perigosa, de Luís Jardim X Sagarana




Andei relendo Maria Perigosa, do Luís Jardim, escritor e ilustrador pernambucano de Garanhuns, como Lula.

Tenho a segunda edição, de 1959, revista e aumentada, lançada vinte anos depois da primeira, ambas pela José Olympio. Exemplar com dedicatória, para um certo Bernardelli, com quem, depreende-se, Luís Jardim teria tido alguma relação por causa do Citybank. Jardim identifica-se como "o correntista" e ao livro chama-o "este livrinho sem perigo nenhum".

Também acho. Não tem perigo nenhum. Trata-se de um regionalismo muito ao gosto da primeira metade do século passado. Em alguns momentos é bom e interessante, em outros cansa pelo excesso de cor local. Em outros ainda, cansa pela pieguice, como no conto homônimo. Prefiro Bernardo Élis (aqui).

Mas este livro foi o pivô de uma grande polêmica na literatura brasileira, quando ainda havia polêmicas na literatura brasileira. Em 1938 a José Olympio promoveu um concurso de contos, o Prêmio Humberto de Campos, com a seguinte comissão julgadora: Dias da Costa, Graciliano Ramos, Marques Rebelo, Peregrino Júnior e Prudente de Moraes Neto. 

Maria Perigosa, adivinhem, ganhou. Em segundo, sob o pseudônimo Viator, ficou Sagarana, do Guimarães Rosa.

Sagarana, todos o sabemos, só viria a ser publicado sete anos depois, em 1946. Graciliano morreu dizendo que aquela edição publicada era bem diferente da do concurso. É possível. Enfim.

Esta segunda edição da Perigosa é fartamente (bem) ilustrada pelo próprio autor.





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