Saturday, September 14, 2019

Quadrinha para o Procurador que só Ganha 24 MIL



Ele só ganha 24.000
Toma anti-depressivo, é muito miserê
Leonardo Azeredo é a cara do Brasil
Mas a culpa, claro, é do PT

Monday, September 09, 2019

Haikaizinho de final de agosto


o pai se apavora
a pentelheira do Dante
lentamente aflora

Thursday, August 29, 2019

Will be kids

Lobo Leite-MG
Para este segundo trimestre, desenvolvi com os alunos queridos do 3o Ano um projeto fotográfico. Cada coisa linda: a luta pelos cabelos crespos, Frida, Vasco, invisibilidade, alunos negros, o corpo feminino, o aluno multiinstrumentista, o nascer do sol, família em diversas facetas & todos lindos

Entrei na onda e aqui o meu: (Kids) will be kids, que sempre gostei de fotografá-las, desde a distante exposição Por Dentro e por Fora, Menino, que fiz nos pilotis da PUC-Rio em 1994.

Agora me dei conta: 25 anos. Fique este pequeno apanhado, de viagens recentes, para lembrar

Atotonilco, México

Barra do Piraí-RJ

Bhaktapur, Nepal

Brejo dos Padres-PE

Conceição dos Gatos-BA

Cuzco, Peru

Céu, Marajó-PA

Essaouira, Marrocos
Milho Verde-MG

Morretes-PR

Novo Airão-AM

Oaxaca, México

Parcão-RJ

Praça XV-RJ

Quilombo São José-RJ

Quilombo São José-RJ
Quilombo São José-RJ

Rio Tupana-AM

Rio Tupana-AM

Varanasi, Índia

Vale do Capão-BA

Viscri, Romênia

Viscri, Romênia



Thursday, August 22, 2019

Tungar ~ Verbo Transitivo



Há soneto em Voo sem Pássaro (2012) que inventaria meus herdados do pai: perder-se na leitura, habitar espaços imaginados, errar sob a chuva, calçar sapatos velhos, improvável brilho verde no olhar e, por fim, o desacerto para (quase) todas atividades manuais.  

Faltou o hábito da tunga, hábito tão arraigado que faz da média com pão e manteiga uma das refeições preferidas de todos os tempos. Lembro do pai dizer que tungaria mesmo em presença do presidente da República. Claro, pai, também eu tungaria em presença da Dilma, nossa última presidente / presidenta.

Aí descobre-se que o Dante também dá as suas tungadas. Assim do nada, ninguém ensinou.

O meu pai habitava os flamboyants
que já o habitavam bem antes que ele,
só, habitasse a casa em que as manhãs
vinham surpreendê-lo. Esse hábito --
o de perder-se na leitura -- herdei-o
bem como o de habitar espaços
que imagino e cultivo enquanto leio.
Dele também terá nascido o errar
sob a chuva, o calçar sapatos velhos
e improvável brilho verde no olhar
quando na face incide luz oblíqua.
Dele, por fim, o sem jeito das minhas
mãos: casa cheia de livro e o desespero
para abrir uma lata de sardinhas

 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Na quinta-feira fria
O velho Dante tunga
O pão da padaria
No morno guaravita

Wednesday, August 21, 2019

As 10 mais do progressivo sueco Pós-70


Passada a fase "áurea" do movimento, que na Suécia, ainda mais que na Itália, estava visceralmente ligada a questões políticas, continuou-se a fazer ótimo rock progressivo no país. Continua-se. Coloco áurea entre aspas porque felizmente não sou como aqueles apegados a numerologia ou que consideram o rock progressivo um "estilo de época", como o Arcadismo.

Não foi nada fácil fazer esta lista, escolher apenas uma de cada. Há grande variedade, mas percebe-se como a galera é chegada a um mellotronzinho. 

Tenho um carinho muito especial pelo Anglagard, principalmente o segundo disco. Não ligo muito para o Beardfish, embora tenha quase tudo. O Moon Safari é um tesouro, o Liquid Scarlet eu toco em sala de aula. "Flora Majora" me é tão especial que a usei como trilha-sonora para um vídeo que fiz para as pessoas que amo neste mundo. Do disco do Ritual podia fechar os olhos e pegar qualquer. Mas esta é fueda.

ANEKDOTEN - "Wheel"

ÄNGLAGÅRD - "Kung Bore"

BEARDFISH - "The stuff that dreams are made of"

FLOWER KINGS - "Flora Majora"

GÖSTA BERLINGS SAGA  - "Svarta hål och elljusspår"

LIQUID SCARLET - "Lines are drawn again" 

MOON SAFARI - "Methuselah's children"

MORTE MACABRE - "Symphonic Holocaust"

ØRESUND SPACE COLLECTIVE - "Rumble"

RITUAL - "Infinite Justice"







Monday, August 19, 2019

As 10 mais do progressivo sueco dos anos 70


Era segunda-feira e chovia, eu já corrigira as provas e Dante e Pampi foram ao Méier de compras.

Ou seja, nada a fazer senão uma lista das melhores músicas de uma das cenas que mais amo: a sueca. Anos 70. Depois vem outra com a ainda riquíssima cena contemporânea

Como toda lista, é defeituosa, revela mais o que falta do que o que tem nela, e é, sobretudo, idiossincrática. Com orgulho. Mas tem aqui o maior solo de guitarra de todos os tempos, tem a música que me fez querer ter o Dante, tem a música que me levou à Camila

Algarnas Tradgard - Almond Raga

Blakulla - Idolen

Flasket Brinner - Tangon

Kaipa - Sist Pa Plan

Kebnekajse - Frestelser I Stan

Kultivator - Novarest

Life - Sailing in the sunshine

Mr. Brown - Liv I stad utan liv

Tretioariga Kriget - Krigssang

Turid - Valkomme hus



Sunday, August 18, 2019

"Seu Faleiros, o senhor sempre me tenha muito amor..."



Corpo de Baile não poderia terminar de maneira mais grandiosa: fechando o segundo volume, as duzentas páginas desta obra-prima que é "Buriti". Um romance, de fato. Parece trocadilho trivial, mas este conto / romance só poderia ser assim: grande, grosso, Buriti-Grande, que tudo aqui é fálico.

É aqui que o Miguilim, do conto inicial mais lindo da literatura, retorna, Miguel, moço crescido, formado, em busca (ai) de um amor.

Tudo aqui é fálico.

Os avós de Glorinha, pais de Iô Liodoro, são Vovô Faleiros (é tudo fálico) e Vovó Maurícia, que pedia ao marido: "-- Seu Faleiros, o senhor sempre me tenha muito amor...". Pois bem, esta Vovó Maurícia, que gostava de vinho (de buriti?) é irmã daquela velhinha querida, a Rosalina, Lina, que já aparecera, com destaque, em "A Estória de Lélio e Lina".

E, arrá, a riqueza que é Guimarães Rosa, o mais legal é que Maurícia é... o nome científico do buriti. Tudo fálico, tudo buritis.

O buriti da foto é da Ilha do Combu, em Belém. Logo pertinho tem uma senhora samaúma de muitos séculos. Amei o samaúma, amei o buriti, que estes sempre.

Ponho-me a escrever teu nome / Com flores de chichá



Contei seis chichás aqui no Antigo Zoológico, o Recanto do Trovador, parque tão bonito quanto abandonado e vandalizado. 

Mas resistem os chichás, dois ladeiam o belo portão de ferro da entrada. Chichá-fedorento (sterculia foetida), com fruto de nome xixá, mesmíssima palavra mas de grafia diferente. Em tupi, xixá é "punho fechado". E a florzinha, de fato fedorenta, faz tapetes na terra. Então pode-se reconhecer o chichá pelos tapetes ou pelo cheiro. Ou pelos punhos fechados.

Peguei punhado dessas florzinhas e escrevi o nome do Dante, menino já tão cheiroso (e amoroso e teimoso) que equilibra bem o que de fétido houver no dia




Saturday, August 17, 2019

Cerveja Nevada : A Melhor do Brasil



Se o meu avô paterno inventou as Balas Juquinhas (aqui), meu materno (aqui) foi publicitário, em época que essa palavra sequer existia. Quando fui enterrar minha avó, que para estupefação geral não pôde ficar ao seu lado no Caju, vi a profissão que lhe imputaram, cousa que eu jamais vira. Devia ter escrito, não escrevi, tinha a cabeça cheia de outras coisas.

Mas é dele o "Quem bebe Grapette repete". Pelo menos no folclore confuso dos von Sydow.

Então baixou esse avô aluado, também pianista, romântico e leitor de Dante, pois lá no Pará fiz meus reclames para as cervejas locais.

Na hora foi divertido


Friday, August 16, 2019

Ocupando nossos espaços


Tínhamos acabado de chegar na pracinha, mais tarde que o usual, depois das 5, Dante de guaravita na mão, quando aquele moço, do outro lado da grade, me cumprimenta e meu cérebro demora seus décimos para reconhecer ali o Luiz Fernando, autor de um dos livros mais lindos e sinceros sobre o autismo (aqui). Atrás dele, claro, o Henrique. Dão-se as mãos para atravessar a rua.

E já devidamente instalado num dos balanços estava o Gabriel, também autista, empurrado por sua incansável mãe. Como o Dante, ele é louco por balanços e sempre me pareceu muito calmo e dócil. Sua mãe diz que não.

Então ali, num pequeno raio de alguns metros, éramos os três autistas e seus pais e mães, ocupando nossos espaços, balanços, pracinhas e ruas. De mãos dadas


(Esta postagem aqui também)

Thursday, August 15, 2019

Já não sei que esgar me resta


E como encarar a irmã
em meio ao nosso jantar
bebem-se vinho e cerveja
com risadas e clichês
E como encarar a irmã
falar da feira, netflix
fofocar da velha tia
E como encarar a irmã
durante o fondue de inverno
o fontina derretido
naco de pão que ora cai
(ah quem? pagará prenda?)
E como encarar a irmã
a noite nos é tão cálida
e a música não é má
sempre as conversas de sempre
sempre as piadas de sempre
E como encarar a irmã
que votou pelo fascismo
e não se arrepende?
Pois eu já não tenho olhos
não sei se odeio a irmã
não quereria odiá-la
odeio o fascista virtual
que xingo dou pontapés
todos eles virtuais
a irmã não, está aqui
tão próxima mesmo sangue
mesma infância mesmas fotos
e escolheu o fascismo
e não se arrepende
mata-se o garoto negro
a caminho de sua escola
e pra família no carro
oitenta tiros bem dados
e morre o gay espancado
e morre o índio queimado
Evandro, você não quer
mais um copo de cerveja?
Ó, não vai beber demais
preocupa-se minha irmã
tão ciosa do meu fígado
mata-se a trans a pauladas
fazemos o vídeo
(ela vestia calcinha!)
reforme-se a previdência!
que já há velhos demais!
professor e lavrador
só querem parar bem cedo
corrigir as distorções
e como te encaro, irmã,
já não sei que esgar me resta
já não sei que olhar me sobra
minha irmã aqui em frente
preocupada com meu fígado



Wednesday, August 14, 2019

A Feira de Açaí de Belém


O Ver-O-Peso é conhecido e louvado no mundo inteiro, a Feira de Açaí, que acontece nas madrugadas de Belém, é ainda um dos best-kept secrets da cidade. Assim permaneça, amém.

Parei por lá depois de levantar tempraníssimo para conseguir passagens para Marajó. Havendo dúvidas se se está no caminho certo, é ver paraenses sorrindo de orelha a orelha com sacolas carregadas com os preciosos frutinhos.

Mas a feira é mesmo para os atacadistas. Para os restaurantes, para as lanchonetes, para os quiosques e locais sem-conta que servem o açaí, salgado, rascante, roufenho.

Para quem ama feiras, TOP 5. Os vendedores, tão feirantes, ficam jogando açaís um nos outros, isso antes de envolverem-se num campeonato mundial de purrinha.

Pinto no lixo, tomei ainda um baratíssimo (só no preço!) mingau de tapioca. Fechei os olhos, de gozo, e, ao reabri-los e colocá-los no rio, jurei estar em Varanasi