Tuesday, August 23, 2011

Piadinha Progressiva





Serão cerca de 108 os preconceitos contra o rock progressivo, porém poucos tão repetidos (e repetitivos) quanto o que reza que todas as músicas de rock progressivo são longas. Não apenas longas, são longuíssimas intermináveis suítes que, nos shows, deixam choca nossa cerveja. O que, convenhamos, é cousa muy grave.


Reparem: todas as músicas. O preconceito é assim, monolítico e totalizante. Se confrontado com a realidade... bem, deixa pra lá, o preconceito odeia esse confronto e dele foge como o Pastor Malafaia da cruz.


Ainda bem que, em 1977, o punk chegou com suas músicas de dois acordes e dois minutos, restaurando a essência do rock. Aqueles jovens de cabelo moicano e cadeados, que apregoavam We're not interested in music but in chaos eram, pois, essencialistas.


Mas daí (falta coesão entre este parágrafo e o anterior, darn in) ocorreu-me uma piadinha esta manhã, enquanto dava água de coco ao Dante, que chamo, carinhosamente de coquinho. A água, não o menino.


Percebe o professor um aluno com fone de ouvidos em sua aula. Gentil, solicita-lhe que o guarde, ao que o aluno replica: "Professor, só mais uma musiquinha...".




Mal sabia o mestre que a música era a Echoes, de 23:31. Ou, pior, a Scheherazade, de 28:48. Ou, ainda pior, a Karn Evil 9, de 29:38!!!!




Ou, horror dos horrores, a Garden of Dreams, do Flower Kings, de 59:57.



Foi mal, não teve graça, eu sei. Mas pelo menos foi curta. Só dois minutos. Menos de dois acordes.

Monday, August 22, 2011

Sssshhh! Silêncio! O Steve vai cantar!



Sites e blogs e fóruns da vida não costumam divergir muito quanto ao conceito geralmente dado ao Space Shanty (1972), obra única da banda inglesa Khan: o disco goza de excelente reputação, com o que concordo inteiramente. Em alguns fóruns, costuma haver certa discordância quando se pretende listar o trabalho junto às fileiras da escola de Canterbury: há quem ache que, sim, é Canterbury, ao passo que outros, como eu, acham que sua sonoridade pouco tem da escola canterburyana, apesar da passagem de Steve Hillage e Dave Stewart, antes e depois do Khan, por bandas claramente de estilo Canterbury (Hillage: Arzachel e Gong; Stewart: Arzachel, Egg, Hatfield & The North).

Uma coisa, porém, é certa: se, por um decreto, Space Shanty tiver que ser considerado Canterbury, não tenho dúvidas: para mim seria o melhor de todos, embora jamais um representante realmente exemplar do estilo.

Mas este post quer é falar de outra coisa. São vários os elogios a toda a banda, em especial ao ótimo tecladista Dave Stewart e ao excepcional guitarrista Steve Hillage (este álbum e o Fish Rising, seus melhores trabalhos, NMHO). Mas não me lembro jamais de ter lido ou ouvido elogios à sua voz... Ora, Mr. Hillage é um vocalista de cordas vocais cheias (rsrs, fica esquisito falar em vocalista de mãos cheias...). Se tiveram um dia difícil, se a conexão está caindo, se o seu time perdeu ou a unha encravou, ouçam o começo, basta a entrada dos vocais, de “Mixed Up Man of the Mountains” (que entra muito bem depois de “Stranded”); “Driving to Amsterdam” e, principalmente, “Hollow Stone”. Putz, é bom demais...

Sunday, August 21, 2011

O diabo na rua, no meio do rodamoinho



A primeira vez que tomei a La Biere du Demon foi num café ali em Paris. Já havia tomado umas duas cervejas, mas decidi arrematar com ela. Tiro e queda, ou melhor, ascenção. Levantei-me da mesa como que por vespa picado e saí desembestado pela Rive Gauche, contemplando o Sena, aspirando delicioso oxigênio gelado, derretendo-me todo por aquele casario insuperável. Ao chegar nos bucanistas, mais prazer. Com um bigodudo em especial, especializado em mapas, outra coisinha que desgosto, topo a falar o francês que sei e que eu não sei para, só depois, descobrir que o monsieur era, na verdade, italiano!




Não com pouco prazer descubro que esta cerveja diabólica se encontra no Brasil. Com teor alcoolico chegando às duas casas decimais (12%!), a diabinha se autointitula, já no rótulo, la biere blonde la plus forte du monde. Não sei, pode ser. Verdade é que desde que as cervejarias descobriram que teor alcoolico era algo passível de propaganda, surgiu um bocado de cervejas com teor chegando ao whisky, como a Utopias e Sink the Bismarck.




Mas isso não tira a veracidade de um outro seu segundo slogan, também presente no rótulo, 12% de Plaisir Diabolique. É tomá-la e receber o Capeta, sair por aí falando línguas ou usá-las em outras atividades não menos prazerosas.

Sunday, August 14, 2011

Pastel de Feijoada



Comemorar o Dia dos Pães com... pastel de feijoada, do Bar Manhães!



Nada poderia lembrar mais meu pai e a gulodice dos Domingues. Peço um, ligeiramente temeroso. Provo, aprovo, mais um, que me sabe ainda melhor, e daí ainda um outro. Esgoto o estoque.



No pastel, como na pizza e no risotto, vale de tudo, até mesmo bizarrices como queijo e carne moída. Mas no caso do de feijoada... parece que ele foi inventado mesmo pra isso.

Saturday, August 13, 2011

Habemus Pataniscas


Descobri pataniscas do lá de cá da poça, cousa que, convenhamos, é digna de relato. Elas são servidas na Noi, em São Francisco. A comparação com as eternas pataniscas do Pavão Azul são incontornáveis e, registro, as do boteco de Copacabana são bem melhores. De qualquer modo, para um pataniscófilo araribóia em crise de abstinência na madrugada, as da Noi mais do satisfazem. E com uma (grande) vantagem: na Noi pode-se escolher dentre sete chopes artesanais, desde uma pilsen premium a uma dunkel, passando por uma ale com aveia e mel de laranjeira, enquanto que no Pavão só temos aquela aguinha da Brahma. De modo que, noves fora, empate.



Bia comeu de garfo e faca; eu, com as mãos. O que muito me lembra Salvador Dalí e Gala. Guardadas as proporções, claro, que não tenho um bigode daqueles.



(Ela gostou tanto que depois deitou-se no chão)