Monday, May 16, 2016

E nem dá tempo de ficar escuro

do lado de cá do túnel


Os dias não estavam bons.

Não há negociação possível ou razoável com a mãe do meu filho. Dante amorna-se em febres circadianas, alunos podem ser bastante desdenhosos, golpistas triunfam e tenho que sair para trabalhar na tarde do sábado.

No meio disso tudo, a companheira a meu lado no ônibus que pega o Túnel Velho. Apenas para que ela diga: "Este túnel é tão pequeno que nem dá tempo de ficar escuro".

Algo sorri dentro e fora de mim. Impossível não lembrar do Criança diz cada uma, do Pedro Bloch, livro que o Rosa adorava, não por tratá-la paternalisticamente como a uma criança, não é isso. É que a frase poderia mesmo ter saído do livro e saiu da companheira que estava ao meu lado durante a curta travessia do Túnel Velho, aquele que liga o cemitério São João Batista ao Bairro Peixoto.

E já não estou no túnel.

1 comment:

Ivo Korytowski said...

Túnel Velho, pertinho da minha casa. Pequeno de ônibus, a pé é maior! Interessante você ter lembrado do Criança Diz Cada Uma do Bloch, uma compilação maravilhosa que caiu no esquecimento. Bloch foi meu fonoaudiólogo quando eu era criança.