Sunday, July 08, 2012

esta tarde me sabe a figos frescos





esta tarde me sabe a figos frescos
roxos, carnudos, úmidos, sensuais
e se alinho adjetivos como afrescos
de nave de capela abandonada
o desejo na língua se refaz
e neste excesso funda a sua sede

vem-me nua e dize Tenho sede
sussurra-me a sede por tua pele
faze-me ouvi-la à parede do olvido
e cose-me teu corpo contra a parede

não fique desta tarde vã memória
lembrar é dor, o sêmen, a saliva
o suor formem um silente Letes
que em nossos corpos flua sem história

5 comments:

Josimar said...

Esse Ewando anda tão saidinho....

Raul Agostino said...

Belle de Jour, eu diria!

Kika Borrachuda said...

Esta manhã me sabe a chocolate... meio doce...meio amargo...

Raul Agostino said...

Voltei! PQP, este poema é do balacobaco!

Marcela said...

Muito sensual e apetitoso seu poema dantesco!