Thursday, August 01, 2013

Gênesis :: Sebastião Salgado

Qualquer exposição de Sebastião Salgado em qualquer cidade do mundo, de Milho Verde a Chicago, passando por Berlim e São Gonçalo do Rio das Pedras, há de se tornar imediatamente o seu destaque realmente imperdível, daqueles que devem ser vistos inda que o viajante só disponha de um dia.

Uma exposição de Sebastião Salgado é sempre um acontecimento e ser seu contemporâneo e poder acompanhar-lhe os projetos, um privilégio.

Lembro-me de uma a que assisti quando ele não era ainda a sumidade internacional que se tornou, lá por 87, 88 na Sala Funarte, como lembro de Êxodos no Planetário, mais de dez anos depois.

As 245 fotos desta Gênesis são, em sua maioria, indescritíveis e, vá lá o surrado chavão, falam por mil palavras. As palavras que as acompanham, aliás, nada mais são que um suporte didático às imagens, quando poderiam, em alguns seletos casos, ir um pouco além, destacando, aqui e ali, aspectos do grande artista plástico que Sebastião Salgado é. 

Aprendemos algo acerca dos bosquímanos do Sudão e dos pinguins das Ilhas Sanduíche do Sul, mas a atenção do espectador nunca é direcionada para um jogo de luz, um ponto de fuga, um punctum, um grafismo. Salgado, artista combativo, talvez seja o primeiro a se insurgir contra este meu pedido, mas, hélas!, limitar o seu trabalho a fotojornalismo, à função referencial, é negar o seu grande talento. Não digo que as palavras neguem nada. Mas elas tampouco lançam luz sobre aspectos mais propriamente artísticos das fotos.

A junção fotografia / música foi tão absurdamente feliz em Êxodos (e pegaram pesado, já que 90% da trilha era Mahler) que a experiência poderia ter sido repetida aqui. Penso em Tangerine Dream, fase White Eagle, Cyclone, Tangram, sobretudo para as fotos de natureza.

Mas como assim, "fotos de natureza"? Nunca o homem foi tão natureza quanto nessas fotos, jamais braços, dorsos, rostos estiveram em tanta simbiose com o espaço ao redor. E a proposta do projeto era exatamente mostrar isso: o equílbrio que se mantém, às vezes prestes a desaparecer.





1 comment:

Daniele Domingues said...

Genial mesmo!