No delicioso mercado de Montes Claros (aqui), um dos botecos tem um painel de montesclarenses ilustres. Muito justo. Estão lá Beto Guedes, Darcy Ribeiro, Zé Coco do Riachão e outros três que eu não conhecia e agradeço por poder conhecer.
Mas como assim não tem o Cyro dos Anjos? Montesclarense ilustre que, para além de sua pequena mas consistente obra ficcional, escreveu Explorações do Tempo, memórias onde escondeu Montes Claros sob o nome de Santana do Rio Verde, para não ter problemas com a família mas mesmo assim teve.
Montes Claros frequenta as páginas de Guimarães Rosa como a Pasárgada das muitas prostitutas bonitas para a gente namorar. Basta lembrar que Doralda, a ex-prostituta hoje casada com Soropita de "Dão-Lalalão", veio de lá.
Montes Claros! Casas mesmo de luxo, já sabidas, os cabarés: um paraíso de Deus, o pasto e a aguada do boiadeiro.
Mas eu seria injusto se em postagem sobre a cidade não citasse também aquele que faltou no painel do botequim:
Diziam os antigos da terra que fazia gosto, verdadeiramente, ouvir missa cantada na Matriz, quando as coristas não haviam atingido a idade provecta em que as conheci e o Maestro Boanerges ainda não era perseguido pelas vozes que a certa altura da vida começaram a acompanhá-lo em casa, na rua, na igreja, por toda a parte, enfim.
As ditas vozes -- comentavam alguns -- nasciam das muitas voltas que durante cinquenta anos a branquinha dera no sótão do maestro. Para outros, seriam artes do Sujo.
Enfim, se é para falar desses Montes Claros: é de lá também um dos discos de músicas para crianças (e não apenas) mais bonitos, de 1979.



































































