Monday, September 12, 2016

Conheço poucas vozes de pássaros



Para meu grande desconsolo, conheço poucas vozes de pássaros assim como conheço poucas árvores. Identifico um gavião, o clássico bem-te-vi, a choca (para a qual já escrevi o poema aqui e a explicação aqui), o sabiá.

Quando estava na Galícia em 1988 estudando galego, certa vez recebemos a visita de poetas locais que vieram recitar seus poemas. Uma colega do curso, alemã, encrencou com o uso da palavra 'lobo' por um deles. Acaso ainda existiam lobos na Galícia? Os moços ficaram desconcertados e hoje acho a pergunta tola, a não ser, claro, que se pense que o poeta é um historiador-etnógrafo-ornitólogo e que não existem lobos atemporais em nosso imaginário.

Anyway. Quando escrevi o soneto 'Os teus cabelos lentamente afago' (aqui), este mesmo que o Pedro Ferreira recém musicou (aqui), eu, bom etnógrafo-ornitólogo que sou, me referia aos reais sabiás que cantam no escuro do fim da noite grajauense, antes de ele ser tingido pelos dedos róseos da aurora.

O vídeo recentíssimo prova-o.

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