Aquela história de sempre: nos quase vinte anos em que morei em Niterói frequentei a Gruta de Capri com a assiduidade de um verdadeiro araribóia, amiúde fazendo a dobradinha filme na UFF e depois pizza. Às vezes show na UFF e depois aquela pizza, que nada tem de DOC, quase tão caseira quanto a que minha avó fazia com fermento Fleischmann para comermos com arroz nos aniversários.
A pizza era boa assim, pedíamos o molhinho da casa e ele vinha por fora, sem custo adicional.
Eu me mudei, a Gruta mudou, perdeu o ar de cantina do Bixiga para ganhar ares modernex, mas, graças, houveram por bem deixar o grande painel de azulejos na mesma parede onde tudo observa há 55 anos.
A história de sempre: nunca me preocupei em registrar o grande trabalho de 200 peças porque estava sempre ali, tão à mão. Verdade que eu não ligava tanto para azulejos assim.
Seguem registros da bela obra assinada por Angelo Toledano de certa M. Artes / Rio. Encanta pela linda combinação de azul com amarelo, lembrando que a gruta de verdade atende por Grotta Azzurra. Há certeiro realismo na representação dos barquinhos que só podem ser ocupados por, no máximo, três pessoas. E há atmosfera onírica de grande beleza na representação das estalactites e estalagmites e, sobretudo, da luz.
Camila viu aqui alguma semelhança com a obra pictórica de Blake. Fiquei com vontade de dizer que ela anda lendo o poeta demais. E concordei.








1 comment:
Beleza, eu ia nessa gruta de Capri no início dos anos 1970, eu era universitário no Largo de São Francisco e tinha um professor amigo meu que morava em cima do Cinema Icaraí, às vezes jantávamos na Gruta, eu não tinha dinheiro, ele pagava... Velhos tempos, não sabia que ainda existia.
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