Friday, November 18, 2011

O Miguel Ângelo dos Botequins II

Neste post sobre o Nilton Bravo, fiei-me no Jaguar, que contabilizara apenas três quadros restantes do nosso Miguel Ângelo dos botequins. Sou amigo do Jaguar, mas sou mais amigo da verdade. Tem muito mais Nilton Bravo por aí!


Em passeio pelo Cachambi (que passeio!: restaurante Evandro's, Cachambeer, cerveja artesanal no Suingue Brasileiro, rua Vasco da Gama e, last but not least, um Bravo legítimo!), descobri belíssimo painel do Bravo no Café e Bar Brasília. Do Bravo não, dos Bravos... A simpaticíssima Dona Margarida, de claros olhos transmontanos, e interessada pelo meu interesse, revelou-me que o grande painel, feito num dia, foi pintado metade pelo Bravo pai e metade pelo Bravo filho.... Não tem o Bruegel the Elder e Bruegel the Younger?, então temos nosso Bravo Pai e Bravo Filho.

Na periferia do Grajaú, em frente ao antigo zoológico, descobri também um no Café e Bar Canto do Minho que, pelo estilo (vejam o flamboyant / ipê), tem grande chance de pertencer ao catálogo dos Bravo.

Suspeita semelhante nutro em relação a pintura encontrada no Flor do Bairro, localizado no bairro de Vasco da Gama.

E eis que um leitor do blog, o Rixa, descobriu um Bravo na Matacavalos, dentro de um... açougue! Faço questão de reproduzir a foto que ele me mandou como forma de agradecimento.

Mas o que esqueci de mencionar é que tinha esta cidade um autêntico museu do Nilton Bravo no bar Arco Teles, localizado no Arco dos Teles e atualmente fechado. Neste bar havia nove (!) painéis do artista, o maior acervo reunido. Os azulejos eram azuis e pretos, rara combinação. Cheguei a frequentá-lo, mas, infelizmente, não tirei nenhuma foto. A que reproduzo é foto da foto que se encontra no Rio Botequim 1999. O local se encontra em obras e sempre que por lá passo (e mesmo quando não passo) sou assaltado por temores em relação aos quadros.


Se o novo dono os retirou com o intuito de mudernizar o bar, é um ignorante. Se tentar comercializá-los, é bom que saiba que um quadro do Nilton Bravo só tem valor em um botequim. Fora dali, revelará tão-somente as limitações de um pinto naïf. Se os destruiu, é um iconoclasta, um criminoso. Meu temor, percebe-se, é justificado, haja vista a uglification of the world que grassa por aí.


Bar Brasília, no Cachambi:





Bar Canto do Minho, no Grajaú:



Flor do Bairro, em Vasco da Gama:




O açougue na Matacavalos:




O finado Arco Teles:

4 comments:

Luis Araujo said...

Espero que esteja em razoável estado. O que será um milagre. Está há uns 6 anos fechado e abandonado.

Conceição Silva de Araújo said...

Poxa... Queria entrar lá e ver... :(

Ivo Korytowski said...

Caro amigo,
Mantenho há dez anos um blog (Literatura & Rio de Janeiro) que procura mostrar o lado histórico, a arquitetura, a arte ambiente (grafites, painéis) etc. e ultimamente uma de minhas manias tem sido o Nilton Bravo, daí eu ter chegado ao seu blog. Venho "colecionando" os painéis do nosso Miguel Ângelo num álbum em https://plus.google.com/u/0/photos/116512154409646075610/albums/6146647157775554129 que por enquanto ainda tem pouca coisa. Você se incomodaria em me dizer mais detalhadamente onde se situa o 105 Pontes no Maracanã, o Flor do Bairro no Vasco da Gama e o açougue da Matacavalos (Riachuelo)? Uma correção: o Canto do Minho chama-se Costa do Minho. Este está no meu álbum. Você já percorreu a Zona da Leopoldina atrás de painéis? Lá ainda deve ter alguma coisa perdida. Por favor, responda para ivokory@gmail.com Abraço, Ivo

Ivo Korytowski said...

PS. Esse Flor do Bairro não seria na verdade o Rosa do Bairro, no encontro da São Januário com General Argolo?