Sunday, June 03, 2018

Arroz-de-Coco


Em Etiópia Oriental, obra de Frei João dos Santos de 1891, lê-se:

"Do miolo do coco fresco se tira leite com que cozem arroz, ralado com um ralo e bem lavado em duas ou três águas, e espremido entre as mãos, de modo que lhe façam lançar toda a umidade que tem. E desta maneira fica o coco tão seco e miúdo, como farelo de pau, e pelo contrário a água em que foi lavado fica tão grossa, que parece leite de vacas muito alvo, ou de amêndoas, e com esta água se faz o arroz de leite tão bom que fica mais saboroso que pudera ficar, se fora cozido com qualquer outro leite".

É este o primeiro registro do arroz-de-coco, que sempre quis fazer. Enfim. Poderíamos ter usado o leite de coco industrializado e mesmo as lascas igualmente industrializadas, mas optamos pelo coco seco, que se quebra arremessando ao chão e com a ajuda mesma de martelo. A diferença é como a de um queijo ralado pronto e a do parmesão fragrante ralado na hora.

Uma vez partido, do coco usamos toda a carne e também a água, que entrou no cozimento. Não era para ficar doce! Não ficou, que pusemos sal, gengibre e cebolinha.

"Com leite de coco, come-se areia!", ensina Cascudo. Mas, à falta desta, foi com uns camarõezinhos que encontramos por aí, com pápricas doce e picante, sendo esta lá do país dos magiares.





1 comment:

Jorge Frew said...
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