Friday, July 10, 2015

Quem tem medo do Vaz Lobo Mau?



A Rua Macunaíma fica lá. O que talvez explique como o bairro conseguiu preservar o seu velho cinema de rua, que era uma pedra no caminho da Transcarioca do Paes. Debaixo do prédio avoengo, o Café e Bar Cine, cheio de Sãos Jorges, alguns a roçar os capacetes no teto de sanca muito vermelho. Isso talvez também explique o desvio da Transcarioca. Em outro café e bar dois rivais convivem em harmonia. De resto algumas casinhas achalesadas vão se aguentando como podem.

Que seja, pois, metonimicamente, um bairro sem nenhum caráter, no sentido rapsódico do termo. Mas não seja um bairro descaracterizado.

Não tem estação de trem nem metrô, equidistante entre Vicente de Carvalho, que já foi a parada final da linha 2, e Irajá, onde Greta Garbo descansa em paz. Se você pergunta aqui ou ali como se chega a Vaz Lobo, te responderão que fica muito longe e que é melhor pegar um ônibus. Fui andando e cheguei num instante.












Thursday, July 09, 2015

Paisagens Humanas em Botequins :: Fregueses III

Bar e Leiteria Brasil-Portugal - Olaria


Desta feita a série sai desfalcada, com fregueses mas não donos e funcionários. Com efeito, sempre mais complicado registrar estes últimos, mais desconfiados que aqueles. Sem contar que fregueses estão a beber e, portanto, relaxados.

Não é todo dia que se encontra punk em botequim. Inda mais se este for o primeiro punk de Alagoas, com quem se pode conversar também sobre Van der Graaf Generator e de progressivo italiano. O do Ferro de Engomar se distraía com a outra, o do Café e Bar Saudade era só risos e sorrisos, bem os da Veneza, notórios falastrões. De nota também o raríssimo padrão de azulejos branco-verde piscina.

As duas primeiras da série aqui e aqui.


Bar Ferro de Engomar ou Taco Torto - Olaria

Bar Carluís - Olaria

idem

Café e Bar Loreal - Vaz Lobo

idem

Café e Bar Cine - Vaz Lobo

Bar Souza de Irajá - Vaz Lobo

Café e Bar Saudade - Bonsucesso

Padaria e Confeitaria Veneza - Bonsucesso



Sunday, July 05, 2015

Gozando Junto ::: 20 Vezes Gozando Junto



Esta nova série de gozando junto é mistureba, miscelânica, já que ando organizando arquivos por aqui. Tem coisa de quase três anos, Ingá, Grajaú, Sampa, CAp, Bernardo (!) e mesmo dois registros não feitos por mim, pois estou lá, autografando livros...













Thursday, July 02, 2015

Edifício São Geraldo ::: Garagem-Galeria em Olaria



Meu presente de aniversário chegou um pouco atrasado e foi melhor assim. Decidi flanar por Olaria não apenas para prestar homenagens ao seu centenário time, mas também tomado pela forte certeza de que encontraria mais um Bravo. A mesma certeza que tive em Vitória, quando disse :: Subamos esta escadaria, meu amor, que lá no seu topo encontraremos botequim com painel de azulejos (ver aqui). Não acredito nessas coisas e talvez continue não acreditando, pois se em Vitória deu certo, em Olaria, não. Nada de Bravo.

Nada de Bravo, mas cousa tão incrível quanto. Ou mais. Na garagem do edifício São Geraldo, deparo-me não com um ou dois (ninharia), mas cinco paineis azulejares do Antonio Félix Igrejas, datados de 1987 (ver a graça que ele faz com os números). Cada um com cinquenta azulejos, com sua característica moldura laranja e em notável passepartout de pastilhas cor de vinho (conforme este de Celino aqui). Enquanto quatro deles retratam seus cenários idílicos habituais, um outro nos apresenta um robusto moinho batavo! Zaanse Schans na Leopoldina! Um verdadeiro sensacional museu Igrejas a céu aberto!

E não bastasse, nesta mesma garagem, quatro afrescos (não assinados) a óleo! Três abstratos, naturalmente inspirados nas colagens de Matisse, e um a lembrar Carybé. Inacreditável. É mesmo de se perguntar se tanto assim foi originalmente concebido apenas para enfeitar uma garagem. Mais provável que a área não houvesse sido pensada como tal, mas sim como área de lazer comum que, posteriormente, expulsou crianças e suas dentes-de-leite e passou a albergar carros.... De qualquer modo, desde já o achado do ano.












Wednesday, July 01, 2015

Hoje o Olaria faz 100 anos! Viva o Olaria!


Hoje o Olaria Atlético Clube, o Azulão da Rua Bariri, faz 100 anos, juntando-se aos recentes centenários Bonsucesso e Madureira. Quando o Bonsuça conseguiu o acesso à série A em 2011 (veja aqui), e sua torcida parou o trânsito da Teixeira da Castro, vi torcedores e bandeiras do Olaria em meio à festa, o que achei justo e digno: era a união dos clubes da Leopoldina.

O Olaria revelou Romário e nele encerraram a carreira Garrincha e Pedrinho. Não é pouco. Há alguns anos amarga a série B do estadual, batendo na trave para subir, assim como a Portuguesa. 

Sua maior conquista foi a Taça de Bronze (atual série C) em 1981. Nos jogos finais meteu 4 no Santo Amaro em Marechal Hermes (onde o Botafogo treinava à época) e lá em Pernambuco perdeu de 1, conquistando um título nacional. O jogo de que muitos falam, no entanto, foi a semifinal contra o São Borja (atualmente licenciado). Parece que a partida no sul foi daquelas épicas batalhas gaúchas. O troco haveria de ser dado no Maraca, curiosamente na preliminar (!) de um Vasco X Fluminense! E aqui há uma discordância curiosa: enquanto alguns dizem que vascaínos e tricolores apoiaram o Azulão, há quem diga (e aqui incluo jogadores do São Borja) que a torcida carioca se dividiu, com vascaínos apoiando o Olaria e tricolores empurrando a gauchada. Acho a segunda hipótese mais versossímil, principalmente pela parceria histórica entre Vasco e o time da Leopoldina. No final, o Olaria venceu por 1X0. Gol de pênalti aos 47 do segundo tempo, em lance discutido até hoje. Pena não existir (ao menos não encontrei) vídeo desse jogo....









Padaria Ajax

Bar Ferro de Engomar ou Taco Torto