Friday, November 08, 2013

Teacher, Teacher / The Hero's Return ::: Pink Floyd



Então, conforme relatei aqui: ouvindo esses takes do The Wall, dou de ouvidos com a versão inicial da "The Hero's Return" que, como sabemos, ficou para o Final Cut.

A música é e não é a mesma. O início impactante está já aqui, bem como a interpretação teatral (e antológica) do Roger. A letra é completamente diferente! Era, inicialmente, outra canção para lidar com a ditadura dos professores. Creio que, ao perceber que o recado já fora sobejamente bem dado com "The Happiest Days of our Lives" e "Another Brick in the Wall pt. 2", Roger a deixou de lado.

A letra, não a música! Roger Waters, como Prokofiev, sabia que boas ideias não devem ser descartadas assim e, para exasperação do David ("Se a música não era boa pro The Wall, como assim ficou boa agora?"), ela vem à tona no The Final Cut, este disco estupendo.

A letra é um dos momentos altos deste que, com Hammill, é dos maiores poetas do rock progressivo. Bastava a segunda estrofe... Brrrrrr...

"Sweetheart sweetheart are you fast asleep? Good.
'Cause that's the only time that I can really speak to you"

TEACHER, TEACHER

Schoolboy, schoolboy, did you hear what I said?
How am I supposed to make you see the light?
It's hard enough to sleepwalk through the day
Without some creepy little boy like you
Bombarding my lonely shell
Glimpses of half open doors
Gleams in the night that I might well have followed myself

Teacher, teacher, you might as well be dead
All those years you tried to suck my brain away
It was hard enough to drag myself from bed
Without some crazy lunatic like you
Bombarding my still soft shell
Sticks and stones that you found lying around
In the pile of unspeakable feelings you found

When you turn back the stone
Turned over the stone
Of your own disappointment
Back home

THE HERO'S RETURN

Jesus, Jesus, what's it all about?
Trying to clout these little ingrates into shape.
When I was their age all the lights went out.
There was no time to whine or mope about.
And even now part of me flies over
Dresden at angels one five.
Though they'll never fathom it behind my
Sarcasm desperate memories lie.

Sweetheart sweetheart are you fast asleep? Good.
'Cause that's the only time that I can really speak to you.
And there is something that I've locked away
A memory that is too painful
To withstand the light of day.

When we came back from the war the banners and
Flags hung on everyone's door.
We danced and we sang in the street and
The church bells rang.
But burning in my heart
My memory smolders on
Of the gunners dying words on the intercom.


Este vídeo torna a questão mais complexa, de vez que traz as duas partes da música. Assim saiu no compacto. A versão do oficial do disco e depois CD vai só até 2:43.

Messi, Asperges, Autismo, a Ditadura da Superação e o velho preconceito de sempre



Não sou leitor do Dia, que sempre desprezei. Confesso que se tenho que esperar minha vez no barbeiro, às vezes passo os olhos, mas credito isso à minha fobia de ficar sem nada para ler (uma palavra pra isso, Lina?)

Fazendo uma busca sobre Asperger e Messi, deparo-me com esta pérola assinada por Alysson Cardinali, publicada no dito jornal.

Assim como escrevi aqui, é de estarrecer. No segundo parágrafo lemos que "seus inúmeros fãs não devem se assustar. A Síndrome de Asperger, diferentemente do autismo clássico, não acarreta em nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo". Ou seja, se acarretasse atrasos, se fosse autismo clássico, os fãs deveriam se assustar e naturalmente procurar outro ídolo? Justin Bieber tá aí pra isso.

Em segundo lugar, o título idiota "Vítima da Síndrome de Asperger, Messi derrota a doença para vnecer na vida" é típico do discurso eufórico da superação. Só ganha bala quem supera! Só ganha atenção e amor e quinze minutos de fama que derrota a doença. Vamos lá, gente, vamos se esforçar.

Para terminar, a jóia oferecida pela presidente (!!) da Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Santa Catarina, Giselle Zambiazzi:: “Acham que o autista é um débil mental. Não é isso. Messi é um exemplo de superação”.

Tá bom, meu amor, o autista não é um débil mental, Messi não é um débil mental.

E com os débeis mentais que não se superam a gente faz o quê?

A Face de Deus




Meus conhecimentos teológicos têm a profundidade de um pires, quase todos aprendidos menos nos anos passados no S. José do que na mania de visitar igreja velha.

Em recente visita a Santos vi a face de Deus e, até onde sei, isso não é muito comum, é? O próprio velho barbudo em carne e osso. Lembro-me de ter visto, muitos anos, em uma capelinha em Tiradentes, a Capela do Bom Jesus, o Espírito Santo e o Padre Eterno na pintura do forro do despojado interior. Parece que em outra capela há imagem dele.

Na Igreja  de Santo Antônio do Valongo, de resto já excepcional por ter paredes revestidas com azulejos portugueses salpicados de espelhinhos (!!), Deus está no altar (hum, quite appropriate, rite?), amparando filho e espírito.

Deus é de fato barbudo. Ao contrário da imagem de Tiradentes, não veste mitra. Tem olhos tristes como os de boi na chuva.

Não tive medo de encará-lo. Não lhe pedi nada. Apenas segui vagaroso, de mãos pensas.

Thursday, November 07, 2013

The Wall :: o Pink Floyd é uma banda de canções



Quisera escrever série de posts sobre o filme The Wall, que comecei a assistir há 30 anos. (O bom entendedor entenderá que ainda não terminei). As minhas perplexidades, o meu desespero ao sair do cinema num domingo à noite em 1983. Esses posts virão, por ora alimento o blog com o que me vem à mente ao som do Final Cut.

Para tanto, voltei a ouvir seu "work in progress", os diversos takes das músicas antes das versões definitivas (existem?). Para quem se liga em crítica genética, prato cheio, transbordante.

O que há de mais belo em The Wall disco são "Mother", "Hey you", "Comfortably numb", quando a banda inicialmente tão underground que até as minhocas precisavam olhar para baixo atinge o amálgama perfeito da transgressão com alguns modelos da música pop, sem jamais, jamais escorregar na banalidade. 

Fãs tolos de rock progressivo (e os há em profusão, seu nome é legião) talvez torçam o nariz, mas o Pink Floyd sempre foi banda que melhor se sai no formato canção. Seu álbum mais famoso, o The Dark Side, visceralmente conceitual, é um punhado de canções maravilhosas, quase todas se sustentando por si próprias, embora, claro, o melhor seja ouvi-las em sequência.

A banda que começara com o psicodelismo naïve e depois embarcou no psicodelismo hardcore sempre foi uma banda de... canções. O que Atom Heart Mother tem de melhor são as 3 primeiras do lado B. Wish you were here é falho, a ponto de A canção aqui ter se tornado hit (insuportável) de acampamento. Animals é todo ele ótimo, mas não o seria sem a voz / violão básicos das "Pigs on the Wing" que o abrem e fecham qual parênteses.



Empório Sagarana


Só pelo nome já vale, né? Sagarana: à moda das sagas, hibridismo inventado pelo Guima, juntando tupi com nórdico. Não muito diferente do tupi tangendo o alaúde e mesmo que ele não o tangesse, alguma coisa havia de fazer: tocar, arranhar, arrancar as cordas, ficar com a cabaça, fazer da cabaça um puçá. Assim o regionalismo:: universal.

O Empório Sagarana fica na Lapa e tem uma carta de cerveja de fazer Maria Behú gozar. Não encontrei outras muitas referências ao João senão no avental das moças, que reproduz gravura de Poty. Provei a Jupiter IPA, a primeira cerveja brasileira produzida com a técnica da lupulagem contínua. E como ao meu lado eu tinha não a Behú mas a Maria da Glória, cheguei asinha ao nirvana, que em sagaranês atende por Buriti-Grande.

Maria da Glória dizia: "nossas estrelas daqui, nossas..." Em tudo o que dizia, decerto em tudo quanto pensava, ela era rica. De nascença, recebera aquela alma, alegria e beleza: tudo dum dom só. (...) Maria da Glória ainda não aprendera a sabedoria de recear, ela precisava de viver teimosamente.




Tilápia defumada ::: queijo da serra

Wednesday, November 06, 2013

Viva a Diferença! (Mas longe daqui, please...) Parte 1



Lembram da revista Mad? Eu tinha coleção e como as lia e relia intensivamente, algumas piadas e ilustrações ficaram. 

Lembro-me desta :: dizia: você se diz... / até que..... Algo assim, as reticências preenchidas de diversas maneiras. Uma era: Você se diz defensor da igualdade de direitos dos negros / Até que sua filha lhe apresenta o namorado negão. E na ilustração que acompanhava, um negro de aspecto desleixado de cabelo black power de mãos dadas com uma branca e o pai desta de olhos esbugalhados saltando da poltrona.

A piadinha tem seu quê de politicamente incorreto, já que o negro é apresentado de maneira estereotipada (e também o pai), mas se ela se faz lembrar é por seu mérito de atacar a hipocrisia. (Não, não direi "da classe média").

Isso é tão verdade, e o sinto em especial hoje menos em relação ao racismo que em relação à inclusão de indivíduos portadores de necessidades especiais. Como é bacana, como virou lei, abracemos a causa, com a convicção dos bêbados que escrevem poemas nas coxas.

Neste ano, em minha escola, tive um licenciando que, me parece, integra o complexo espectro autista. Asperger talvez, dadas suas claras dificuldades de socialização. Ele estava lá, sempre solícito, pontual, prestativo, participante como podia. Por causa de um disse-me-disse no seu estágio em português, a Direção responsável pela licenciantura foi implacável: SEM QUALQUER DIÁLOGO COM O ALUNO, bateu o martelo: não faz mais estágio aqui.

Mas o martelo não chegou a ser batido (não se diz em inglês, there's many a sip between cup and lip?), fui comunicado do caso poucos segundos antes e fiz o que pude para que ele ao menos terminasse o estágio em inglês, comigo, e fui além: que termine também em português.

Não escrevo isso para posar de herói, nem um pedaço. Escrevo, chocado, para mostrar que a mesma Direção que passa o dia nos mandando convites acerca de congressos colóquios falas mesas-redondas palestras apresentações grupos de estudos sitcoms entrevistas seminários o diabo que tiver a palavra inclusão é, sim, muito a favor da inclusão e está muito interessada em acolher ....... Mas, por favor, longe daqui, tá?

Monday, November 04, 2013

O Monte Ararat num Painel de Azulejos em Pinheiros

Um azulejo é pouco, dois é bom, três é bom demais. Seiscentos e sessenta, então? Inda mais se encontrados de surpresa?

Bem, a surpresa não foi no momento do registro (exceto, claro, se considerarmos que o contato com o belo será sempre uma surpresa afinal a thing of a beauty is a joy forever ou não é?), de vez que atopei com o painel ao passar pela rua, de carro. Mais uma vantagem de não dirigir: como falo pouco, vou que nem cachorro na janela olhando tudo, o vento nas orelhas, assim já descobri tanto desde a casa da Heta Pandit em Goa até o Café e Bar Brasília em Cachambi.

Agora, este excepcional painel de 660 azulejos à entrada de edifício em Pinheiros chamado Armênia. A informação não é excrescência :: o painel retrata o Monte Ararat (sim, aquele mesmo onde a arca do beberrão Noé aportou para esperar o baixar das águas), símbolo da luta armênia contra o imperialismo e tirania turcos.

Porque o Ararat hoje pertence à Turquia. Eu que sempre simpatizei com a causa armênia, hoje inda mais.

Voltando ao painel, assinado por Emilio Oxpaur: como que feito com canetinha hidrocor, às vezes um pontilhismo digno do melhor Seurat e Signac, uma idealização da natureza de fazer poeta árcade pular do aquário, um céu de tantas cores que me faz querer morar ali.








Gozando Junto IIIIII

Gozando junto em Santos, com todos os Santos. Elogio em boca própria é vitupério, pero, perdoem-me os santarrões, uma da série aqui parece-me particularmente muy muy buena...







Tuesday, October 29, 2013

Epigrama do Dia

Epigrama do Dia

Etnocentrismo ::: tentar entender o Dante a partir dos nossos conceitos.


2 anos

Sunday, October 27, 2013

Emílio de Menezes, esse satírico desconhecido





Na livraria gentil onde enfim me dão direções de como chegar ao Centro Cultural Andrade Muricy, coneço quadro em que os poetas curitibanos Emílio de Menezes e Paulo Leminski bebem juntos. Na verdade, apenas Emílio bebe, embora, na ilustração, Paulo já tivesse idades para tal e com certeza não faria desfeita.

Nessa chatice que é a vida real nunca beberam juntos. 44 anos separam Emílio de Paulo em idade de cervejadas.


Em recente entrevista, o poeta incômodo cego e sadomasoquista e soneteiro recordista mundial Glauco Mattoso respondeu que gostaria de convidar Emílio de Menezes para um café, Na verdade, não para um café (é que perguntaram assim), mas para um banquete dionisíaco e uma bacanal homérica.

Cito, respeitano-lhe a ortografia:

"Emílio de Menezes, o curytibano gordão e politicamente incorrecto ue Machado de Assis não queria na ABL por causa da vida bohemia, que os collegas invejosos criticavam por causa da vocação "mercenaria" de fazer annuncios publicitarios em verso, que os modernistas desprezavam  por causa do supposto obsoletismo parnasiano, que os criticos moralistas condemnavam por causa da veia fescennina ou que os nutricionistas actuaes censurariam por causa da gluttoneria, mas cuja poesia é magistralmente exemplar, seja a serio ou fazendo humor."

Emílio me diverte largamente. Leio, sorrio, rio rios. Na minha humilde avaliação, a poesia satírica sobrevive melhor que a "séria", indelevelmente datada. 

Mas mesmo da satírica, o seu legado parece reduzido ao trocadilho. A praga do trocadilho, que acomete mesmo poetas bons. Gente que escreve coisas como (acabei de inventar, para a ocasião): "Oh o sertão / como pode / ser tão" e chama de haikai, chama de poesia.

Emílio, Deus o tenha em um tonel de cerveja, é mais do que isso. Seguem dois exemplos.

[ALCOOLISMO (II)]

Viram? O caso até parece peta!
Quem leu acaso, ao lado, o outro soneto,
Vê que, comigo, está fazendo um dueto
A séria e severíssima GAZETA.

Se, de um lado, lhe veio hoje à veneta
Mostrar do vício o fúnebre esboceto,
De outro lado vai dando, em tom faceto,
"Reclame" à clara, à escura, à mista, à preta!

É que não tem razão a velha rixa
De quem, às claras, bebe por capricho,
Com quem, ocultamente, escorropicha:

Do barril de bom chope, ao claro esguicho,
Depois de salgadíssima salsicha,
Deixem lá que é bem bom matar o bicho!...


DEDICATÓRIA (numa página de livro)

Não fora o medo de uma rima em igre
E, nela, eu moldaria este soneto.
Mas vejo o caso preto, mas tão preto,
Que a própria tinta preta mais denigre.

Eia! Alma à larga! O medo, dela, emigre
Pois lá acima, já está, pronto, um quarteto,
E eu creio bem que, dando um tom faceto,
Alcanço um D. Xiquote e amanso um tigre.

Bem! Vou ver se consegue este terceto
Que o verbo "denigrar" para ele imigre
(O "denegrir" já foi metido a espeto).

Que um não denigra e que outro não denigre
A intenção de ofertar este folheto
Ao talento sem par do Bastos Tigre.



Saturday, October 26, 2013

Gazel. Segundo Gazel

گـل در بر و می در کف و معشوق به کام است
سلـطان جهانـم بـه چـنین روز غلام است
گو شـمـع میارید در این جمع که امـشـب
در مـجـلـس ما ماه رخ دوست تمام اسـت
در مذهـب ما باده حـلال اسـت ولیکـن
بی روی تو ای سرو گـل اندام حرام اسـت
گوشـم هـمـه بر قول نی و نغمه چنگ است
چشمـم همـه بر لعل لب و گردش جام است
در مـجـلـس ما عـطر میامیز کـه ما را
هر لحظه ز گیسوی تو خوش بوی مشام اسـت
از چاشـنی قـند مـگو هیچ و ز شـکر
زان رو کـه مرا از لـب شیرین تو کام اسـت
تا گـنـج غـمـت در دل ویرانه مقیم اسـت
هـمواره مرا کوی خرابات مـقام اسـت
از نـنـگ چـه گویی که مرا نام ز ننگ اسـت
وز نام چـه پرسی که مرا ننـگ ز نام اسـت
میخواره و سرگـشـتـه و رندیم و نـظرباز
وان کس که چو ما نیست در این شهر کدام است
با محـتـسـبـم عیب مـگویید کـه او نیز
پیوسـتـه چو ما در طلب عیش مدام اسـت
حافـظ مـنـشین بی می و معشوق زمانی
کایام گـل و یاسـمـن و عید صیام اسـت

Poema de forma fixa, o gazel obedece ao seguinte esquema rimático: AA / BA / CA / DA e assim indefinidamente. A manutenção de uma rima por todo o poema pode conferir-lhe grande musicalidade. E / ou um grande enjoo também.

A tradução para o árabe tunisiano devo-a ao meu amigo imaginário Meheda Kalam Hafiz.

GAZEL PARA PAMPI

Vem, escuta meu amor
o gazel em teu louvor.

Já te fiz muitos sonetos
até coube algum rigor.

Já te fiz uns limeriques
pintadinhos de humor.

Esta a estação dos gazeis
gazel, gazela e flor.

Não venham Chico ou Caetano
dar as deles de censor.

Eu te roubo a biografia
e publico sem pudor.

Eu te roubo a tua boca
e te sorvo qual licor.

Minha Nossa Senhorazinha
deixa eu ser o teu pastor,

inventar riminhas bobas
como se fora inventor.

E nada te peço em troca
senão único favor:

pendura a tua calcinha
na linha do Equador

me aquieta o coração
que grita que nem tambor

vem e deita sobre mim
se dissolve em meu suor.

Não há nada nada que
se compare ao teu sabor.

Curitiba, Araucatiba

Fiquei mesmo com a leve impressão de que são os curitibamos levemente ciosos de suas araucárias. Isso depois de encontrá-las em paineis de azulejos, em vitrais, em pedras portuguesas.

Mas foi apenas impressão. Não se dê crédito a poetagens, inda mais depois de se engolir um jacaré.





Este aqui é um Poty

Friday, October 25, 2013

Da janela de onde o anjo se lançou



da alta janela de onde o anjo se lançou
hoje crescem samambaias
já quase atingem o chão
samambaia essa plantinha ordinária
era tudo o que ele queria
naquela noite de 12/08/2012
pra mais delicadamente descer por elas
Rapunzel
e atingir seus sonhos

Thursday, October 24, 2013

Gazel em Louvor de Pampi



Escuta o gazal que fiz
Manuel


Sob este jacarandá
me pergunto onde andará

a moça dos olhos ternos
que me causa desgovernos

a moça por quem eu fiz
gazel como fez Hafiz

assim o meu gazel, a
cantar loas pra gazela

mas, só, resta-me pensar
e na sua ausência sonhar

na triste tarde deserta
com a sua flor entreaberta.


Wednesday, October 23, 2013

Botequins de Sampa V - Bar Chorão aka da Moedinha



Em termos gastronômicos, São Paulo está sempre esteve a anos luz do Rio. Se você não é chato como eu, em termos de botequins, também estará. Mas se você é um chato interessado obcecado por botequins antigos e corre atrás de itens descritos neste post aqui, o Rio leva a palma nesta disputa. Como também já escrevi neste post aqui, quase todos botecos paulistanos sofreram reformas pra lá de descaracterizadoras. 

Embora a praga da descaracterização, da homogeneização das lajotas brancas, da mudernidade, de uma assepsia pra inglês ver já se alastre por aqui, ainda temos nestas plagas cariocas casas dignas. 

Mas é questão de tempo. E dia haverá que até o Flor doTâmega terá azulejos de hospital e servirá hambúrgueres (tá certo o plural, Pasquale?). Mas até lá, espero, já terei cruzado o Estige.

Bem, este aqui encontrei quando procurava o Bar del Mar. Atirei no que vi, acertei no que não. Depois achei o Del Mar também, comi as lulas recheadas. Mas este aqui é botequim pé-sujo autêntico imaculado, com geladeiras de madeira em funcionamento.

O nome de pia é Café e Bar Chorão. Conhecido por Bar do Alemão. Também Bar da Moedinha porque colam moeda de real no balcão para enganar tolos como eu. Dia de sábado colam na entrada pra fazer a alegria dos frequentadores. Bem, programa de paulista. =)








Tuesday, October 22, 2013

Assim queria a casa :: plural


Também (ver aqui) quero fazer poema inspirado em Brennand. E inspirado por aquilo que Brennand inspira.





assim queria a casa :: assim plural
de asa plural de nuvens e desejos
uma casa equilibrada em abismo
talhada nas cerâmicas em pânico
assim a casa em permanente risco
rabisco de criança ensimesmada
assim a casa em permanente atraso
a dar azo para a irrisão dos homens
a dar azo para a compreensão dos pássaros
uma casa instalada no acaso
oca atemporal em seu próprio espaço
a casa em que o negrume dos teus óleos
se confundisse aos olhos das manhãs ::

a casa entressonhada por Brennand

Poemas para Brennand

Exposição Brennand :: outubro de 2013


Francisco Brennand sempre me perturbou horrores, sua oficina me perturba e intriga até hoje e a visita à exposição no Museu Afro-Brasil não poderia ser diferente.

O Quintana de "Todas as artes são manifestações diversas da poesia -- inclusive, às vezes, a própria poesia" que julguei aplicar-se tão bem à Casa da Flôr (e aqui), também quase aqui.

Digo quase porque a arte de Brennand não é manifestação da poesia, mas a própria, em cerâmica viva e latejante.

Redundante portanto poesia em uma exposição do mestre? Não, porque de Brennand a arte do excesso, dele os barroquismos fantasmagóricos, dele as alucinações desmedidas dos oroboros.

Dois belos poemas para Francisco. O soneto "A Solidão e sua Porta", de Carlos Penna Filho, é a ele dedicado. O de João Cabral chama-se apenas "a Francisco Brennand".


A SOLIDÃO E SUA PORTA

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar,
(nem o torpor do sono que se espalha).


Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha


a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida


com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.


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a Francisco Brennand

fechar na mão fechada o ovo
a chama em chamas desateada
em que ele fogo desateia
e o ovo ou forno tem domadas
então
prender o barro brando no oco
de não sei quantas mil atmosferas
que o faça fundir no útero fundo
que devolva a terra à pedra que era


Monday, October 21, 2013

Gozando Junto IIIII




Este finde em São Paulo rendeu muitos gozos juntos, em diversos contextos. A menina no interior da Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos é simplesmente impagável. A família sob a frondosa árvore no parque é linda. A galera que colocou a câmera profissa no tripé no automático não fica atrás.











Florescem os Jacarandás em São Paulo



Meninos, eu vi. Os jacarandás-mimosos florescem em São Paulo e não só em meio às colegas do Ibirapuera, não. Eles irrompem do solo com a força lhana de suas raízes e, com certeza, eles que sempre estiveram ali, querem dizer coisas. É vê-los para ouvir.

E tem quem diga que por aqui a primavera nada é senão um nome na folhinha. É um nome na folhinha, mas também em cada uma das flores roxas e fluorescente, em cada dente dos fósforos acendidos.









Um cronista português -- cronista, sociólogo e político (plé) -- é tão afeito a eles que seu blogue se chama assim :: http://o-jacaranda.blogspot.com.br/