Passada a fase "áurea" do movimento, que na Suécia, ainda mais que na Itália, estava visceralmente ligada a questões políticas, continuou-se a fazer ótimo rock progressivo no país. Continua-se. Coloco áurea entre aspas porque felizmente não sou como aqueles apegados a numerologia ou que consideram o rock progressivo um "estilo de época", como o Arcadismo.
Não foi nada fácil fazer esta lista, escolher apenas uma de cada. Há grande variedade, mas percebe-se como a galera é chegada a um mellotronzinho.
Tenho um carinho muito especial pelo Anglagard, principalmente o segundo disco. Não ligo muito para o Beardfish, embora tenha quase tudo. O Moon Safari é um tesouro, o Liquid Scarlet eu toco em sala de aula. "Flora Majora" me é tão especial que a usei como trilha-sonora para um vídeo que fiz para as pessoas que amo neste mundo. Do disco do Ritual podia fechar os olhos e pegar qualquer. Mas esta é fueda.
Cheguei aos 50 sem jamais ter parado para ouvir ELO (Electric Light Orchestra), e não por acaso, pois eu nutria preconceitos contra uma banda cujo nome irritantemente me lembrava ELP e que eu lembrava vagamente de ter um álbum com Olivia Newton John. Não perdoava. Tanto que quando noticiaram num fórum de rock progressivo a trágica morte de um integrante sob um monte de feno (!), apenas me ocorreu, caramba, que triste, mas por que falar disso aqui? Não considerava rock progressivo, nem de longe.
E pouco fiz neste último mês senão ouvir obsessiva e ininterruptamente Out of the Blue (1977).
E continua sem ser rock progressivo. Se é para etiquetar, um art rock da melhor qualidade, tipo Queen, tipo Bowie, tipo... Beatles. Beatles, claro! Não por acaso o John era um entusiasta da banda, que chamou de "filhos dos Beatles", que continuaram de onde os próprios haviam parado. Percebo também influências da obscuríssima (e por mim amada) Family Tree e seu Miss Butters, de 68.
Os pontos fortes: as vocalizações harmônicas, a orquestração, a influência Beatles (67-68), a facilidade absurda para as melodias (baixou Schubert aqui).
"Mr. Blue Sky" tem um pouco disso tudo. Eles soam mais Beatles que os próprios Beatles, mais realistas que o rei, mais papistas que o papa, mais cristãos que os goeses mais cristãos.
Um doido gosta tanto dessa música que fez um vídeo no Youtube com o mesmo take tocado over & over. Então você pode ouvir "Mr. Blue Sky" por uma hora. E ainda achar pouco.
Escrevi nesta postagem aqui sobre os shows do Roger Waters a que assisti, recapitulando os anos: 2001, 2007, 2012, 2013. E agora, 2018.
Qual o melhor?, perguntou-me uma aluna querida hoje, que foi ao show também. Bem, nunca mais ouvi ele tocar "Money" (música que até então eu não gostava) como em 2001, nem nunca a cachorrada latiu tanto como em 2007 (em um bis!); o The Wall inteiro será sempre o The Wall inteiro, como em 2013 e uma ópera ópera mesmo só em 2013, com Ça Ira.
Mas foi só ontem que ele falou sobre a Marielle Franco. Que vestiu a camisa, que dividiu palco com a família -- filha, irmã e viúva. Foi o único não apenas dentre os shows que fui, mas dentre as suas milhares de apresentações em seis décadas.
Como todos sabemos, a banda italiana Goblin notabilizou-se pelas suas trilhas-sonoras, em especial para os filmes de terror / suspense de Dario Argento. Se causa estranhamento seu aparecimento relativamente tardio (1975), esclareça-se que eles já existiam, porém com o nome de Cherry Five, prog sinfônico de ótima fatura, em outra pegada.
Das trilhas é consenso destacar Profondo Rosso (1975) e Suspiria (1977).
E agora a razão de ser desta postagem: e não é que este último foi 'refilmado' por Luca Guadagnino (Me chame pelo seu nome)?
Um dos últimos vinis que comprei, eu que tanto os comprara nos últimos 5 anos: por incrível que fosse, Alturas de Machu Picchu, de 1981, da banda chilena Los Jaivas, saíra em edição nacional que adquiri no primeiro semestre de 1985.
Lembro-me bem do contexto: nosso pequeno apartamento no Andaraí, que muito em breve deixaríamos, e nele temporariamente minha irmã, pois sua filha Karolina acabara de nascer.
Lembro também de comentar do disco com um amigo de colégio, o Rico, e de ele ter destacado justamente as duas músicas que eu não curtia por achar um horror de piegas.
Alturas de Machu Picchu, sétimo trabalho desta que é uma das primeiras bandas do cenário progressivo MUNDIAL, recebeu as audições merecidas. E nem bastavam tantas para perceber o que havia de maravilhoso em "Del Aire al aire", "Águila Sideral", "Antigua América" e, claro, "La Poderosa Muerte". No final de 85 ganhei de Natal o Canto Geral, do Neruda, e aí pude acompanhar melhor as letras.
Agora, tendo enfim visitado Machu Picchu, tudo fica ainda mais bonito. Incluindo aquelas duas músicas com pegada folclórica de que meu amigo gostava mas eu não.
( Contei toda a história desta postagem para Camila no Peru. E no mesmo restaurante que já presenciara a coincidência sobrenatural da música do Elton John (aqui), começou a tocar "Amor Americano", uma daquelas duas músicas de que o Rico gostava. Mas eu não ) Amei como nunca.
Na pequena cena progressiva tcheca / tcheco-eslovaca dos anos 70, reprimida por um daqueles odiosos governos 'comunistas' de então (bem, um mérito ao menos aqueles burocratas do estadão têm: não permitiam que se cantasse em inglês! =) ), sobressai fácil o Modry Efekt, com seu virtuoso Radim Hladik.
Já definido como uma mescla do melhor Akkerman com o melhor Santana, Hladik é capaz de uma sonzeira diabólica e um lirismo doce e terno. Ele tocava numa banda obscura da Europa Oriental. Fosse Inglaterra.... gente, quem seria Jeff Beck na fila do pão?
Por estes dias descobri que faleceu em 2016, aos 70.
Henry David Thoreau, leitura tão indispensável para resistir no Brasil hoje, postou no início do Walden:
I do not propose to write an ode to dejection, but to brag as lustily as
chanticleer in the morning, standing on his roost, if only to wake my
neighbors up.
Não foi outra coisa que Manfred Mann fez no início de The Good Earth, trabalho de 74, que tinha a responsabilidade de suceder Solar Fire: postou o canto de um chanticleer para acordar os vizinhos para a ecologia, então incipiente, para a injustiça na sua África do Sul e para a beleza de uma banda que começara beat e que agora fazia um progressivo da melhor qualidade.
Que disco maravilhoso. Lamentável que até hoje muitos só lembrem desta banda por causa dos covers de Dylan e Bruce Springsteen. Maravilhoso de fio a pavio. Começa apenas rock and roll e na mesma música de abertura (são 8 minutos) se transforma. E ainda tem todo o lado B, com as duas partes de "Earth Hymn" que recebem entre elas "Sky High" e "Be Not to Hard" (obra-prima sobre a qual escrevi aqui).
Prestigie os artistas comprando seus trabalhos e indo aos seus shows. Posto o link para que conheçam.
Existem poucas bandas que eu ame tanto quanto o Harmonium (aqui e aqui). É um pouco, sim, aquela história da sua banda, já que, se eu perguntar no ponto de ônibus, quase ninguém deve conhecer. Mas não é só isso, ou não seriam Beatles e The Who das mais amadas também.
Do Harmonium já se escreveu que o Si on Avait besoin d'une Cinquième Saison é a obra-prima (d'accord) e que o primeiro, homônimo, é o tal do disco ainda incipiente, trabalho mais folk e que, para padrões progressivos, apenas de canções. Isso é certo e errado. Já a primeira música, homônima ao quadrado, de vez que se chama... Harmonium, tem aquela mudança de tempo lá pelos 4 minutos para um solo de flugelhorn, que em português atende pelo delicioso nome de fliscorne. Ou seja, não é só a coisinha folk, à la Peter Seeger, mas algo verdadeiramente prog.
Bem, quem ouvir, gostar e quiser mais exemplos de fliscorne no rock, tem a impagável "Uncle Albert / Amiral Halsey", do Paul.
Usando um pouco da autoajuda que aprendi lendo Richard Bach na oitava série (atual nono ano) em 1982: a gente ensina melhor aquilo que ainda precisa aprender.
Então segue uma tradução muito despretensiosa mesmo, juro, de "Be Not Too Hard", do poeta Christopher Logue. "Be not too hard": eu que quase estourei de stress neste mês de maio.
Poema musicado por Donovan, que Ken Loach usou logo no começo de seu Poor Cow, 1967. No mesmo ano, Joan Baez eternizou sua versão. Reparem: Donovan, Loach, Baez.
Em 1974 foi a vez do Manfred Mann fazer a sua, linda linda, no álbum The Good Earth.
Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
Be not too hard when he is sold or bought
For he must manage as best he can
Be not too hard when he blindly dies
Fighting for things he does not own
Be not too hard when he tells lies
Or if his heart is sometimes like a stone
Be not too hard for soon he'll die
Often no wiser than he began
Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
And nothing is given to man
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
José, deixa disso, a vida é curta
nada é dado ao homem ou à mulher
Não seja tão duro quando ele é vendido e comprado
Ele faz o melhor que pode
Não seja duro quando ele morre às cegas
Lutando pelo que não tinha
Não seja assim tão duro quando ele mente
Ou quando o seu coração vira pedra
Não seja, não seja assim tão tão duro
Daqui a pouco ele morre
(Mais sábio do que ao nascer?)
Não seja tão duro, a vida é curta
e nada, nada é dado aos homens
nada é dado aos homens
Música tem seu aspecto de religião, religião no sentido bonito: revelação, transcendência, amparo. Já fui salvo uma e outra vez, me lembro em especial de uma manhã de um 1o de janeiro em que me sentei no chão, encostei-me num poste e fiquei olhando o mar ali onde a Praia de Icaraí se encontra com a das Flechas. Eu estava muito confuso e triste. Olhando o mar e ouvindo o Still Life, do Van der Graaf Generator, devo ter ouvido "Pilgrims" dez vezes. Quando me levantei, olhos molhados de sal lágrimas mar e peregrinos, já era outro. Morri ali e levantei e toquei a vida pra frente, mesmo porque era só um primeiro de janeiro.
Não será coincidência que uma das músicas mais maravilhosas do progressivo italiano se chame "Canto Nomade per un Prigionero Politico", do Banco. Não será coincidência que ela comece, na voz eterna de Francesco, descrevendo um outono: "In questi giorni è certo autunno giù da noi.
E termine:
Non sprecate per me una messa da requiem,
io sono nato libero.
Aqui um pequeno clip feito pelo fã-clube do Banco apenas para a música (editada) em questão. Um pouco piegas (bem, também o fui nesta postagem), mas vale.
A relação de grupos de rock com seus empresários pode ser bastante tumultuosa, principalmente quando o assunto é dindim. Imagine uns cabeludos em seus 20 anos, interessados apenas em fazer música -- eu disse 'apenas'?, bem, e em todos os dividendos que essa música pode gerar -- e uns engravatados sequiosos por lucrar ao máximo com o trabalho dos sujeitos. Nem toda banda tem a sorte de ter um ex-aluno de Economia em suas fileiras, como foi o caso do Stones. Aí você imagina. Pense um Allen Klein.
O consolo, como nas dores de cotovelo, é que os imbróglios podem gerar músicas maravilhosas.
Sem guglar, a clássica "You never give me your money" (1969), dos Beatles, evidente em suas intenções já desde a portada: "You never give me your money / You only give me your funny paper".
O Black Sabbath, injustamente pouco lembrado por suas letras, tem em "The Writ", fechando o maravilhoso Sabotage (1975), exemplo amargo e eloquente:
"What kind of people do you think we are?
Another joker who's a rock and roll star for you, just for you
(...)
You bought and sold me with your lying words"
Por fim, já que falou-se em injustiça ( e em ratos), toda a suíte "Mister Ten Percent", o lado B do lindo Illusions on a Double Dimple (1973), do Triumvirat, que conta a história de um empresário inescrupuloso que, no fim, leva um pé na bunda. O trecho que cito é a última das seis partes da suíte, como a do lado A. Um show de Hammond, um vocal emocionado, um arranjo perfeito. Fez-se destre trecho um single. (Por exigência do empresário??)
"Hands off, mister ten percent!!
We've got a gig tonight! Yeah!
Do you think we're gonna pay your rent?
Working for you 'til the end of our life!
At first you took ten, tomorrow it's twenty!
The more we give the more you want, ha!!
How could you think that you're still a friend?
It might be fifty in the end!
Who's going to work for you
For the rest of your life?"
Alguns alunos queridos já ansiosos para o show "Us and Them", do Roger Waters em outubro no Maracanã, uma já dizendo que é o show da sua vida. Será (j'espère) o da minha também. Outro.
Prometi-lhes mostrar os programas dos shows anteriores e consegui reunir todos: "In the Flesh" (2001, na Apoteose), "The Dark Side of the Moon" (2007, Apoteose), "The Wall" (2012, Engenhão). De quebra, a joia da coroa: a sua ópera Ça Ira, assistida em São Paulo em maio de 2013, com direito à sua emocionante subida ao palco no final.
Estes são tempos para se ouvir Roger Waters e sua mensagem antifascista. Ça Ira! - Há Esperança!
Foi Camila quem me aproximou do Traffic, que eu conhecia apenas perfunctoriamente, enquanto ela, bem pelo contrário, tinha o Steve Winwood na conta de muso-mor do seu panteão progressivo, ao lado do Carl Palmer. Houve mesmo junho em São Pedro d'Aldeia, em 2013, que teve The Low Spark of High-heeled Boys como trilha-sonorade sexta a domingo. Entre tantas audições, reparo numa música com um lindo mellotron e daí vou direto à bíblia Planet Mellotron para descobrir que são pelo menos quatro as canções em que o Tron brilha: três do primeiro disco de 67 ("House for Everyone", "No Face no Name no Number" e "Coloured Rain") e outra do último, sete anos depois, "Dream Gerrard".
Em todas elas o mellotron é de enfartar. Em "Dream Gerrard" o suingue é mais traffic que nunca, embora fosse já o Schwanengesang da banda.
PS: Com esta postagem inaugura-se oficialmente a 'tag' mellotron!
Como assim Bacalov se foi, no final do ano passado, e ninguém falou nada? Bastante conhecido por suas trilhas-sonoras, tanto as de faroeste espaguete quanto a de coisas como O Carteiro e o Poeta (1995), este argentino radicado na Itália interessa de perto a este blog por sua participação no rock progressivo italiano, qual seja: em 1971, o Concerto Grosso com o New Trolls, no ano seguinte, Preludio Tema Variazioni e Canzona, com o Osanna, e em 1973, Contaminazione com Il Rovescio della Medaglia. Não é pouco.
Sua participação nestes álbuns vai ao encontro de certas aspirações de vanguarda de não apenas fazer 'música de aventura', aqui unindo o erudito ao popular, como de trabalhar com traços próprios da música daquele país, no caso, o barroco.
Se parte dessa produção hoje pode soar datada e mesmo por demais melosa (crítica não raro imputada ao RPI), o esforço é genuíno e os resultados, nove fora, ainda emocionam. Aliás, nada aqui fica atrás de outras experimentações progressivo / erudito, ELP incluído.
Assim como acontecera com o I Giganti, também a banda beat I Dik Dik, bafejada pela onda de vanguarda e experimentação que corria pelo Bel Paese, lançou um álbum dentro do estilo rock progressivo: o interessanteSuite per una donna assolutamente relativa (1972). Quando comprei, ouvi muito, chapei. O tempo ajustou um pouco o parecer: um álbum muito válido, indeciso entre a canção italiana (que é o que faziam), melosa e datada, e o progressivo com ênfase nos teclados. Ousaram menos que I Giganti.
Mas o que me faz escrever esta postagem é que as letras são de Herbert Pagani, aquela artista múltiplo e inquieto, que teve trabalhos de arte comprados por Fellini, que ilustrou Admirável Mundo Novo, do Huxley, e compôs uma ópera. Morreu cedo.
Não sem antes legar-nos uma carta aos presidentes. Que cabe bem ao temer, ainda que este poltrão usurpador filho da puta sequer mal possa ser chamado de um.
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
e per la primavera che cede i suoi profumi
al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
in certe lavatrici intorno al Quirinale
che puzzano d’inganni di sangue e di miliardi
mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
dai cieli crocefissi da antenne di tivù
quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l’urlo del pallone che vomita la radio
coprendo altre urla nei vostri mattatoi
prima che ci stendiate sull’erba di uno stadio
signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
e che circonderete di mille militari
finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
e per aver ridotto la libertà e la pace
a tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
perché vendete armi al meglio compratore
e per i vostri amori imposti ai rotocalchi
perché la gente creda che voi c’avete un cuore
Io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
la musica era bella e le parole no
ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
e finché ci sarete, così io canterò”.
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Redescobri esta joia turca, turco-francesa que canta em inglês, nesta semana de carnaval.
Sei que a Turquia tem uma forte cena psicodélica, sobre a qual já vi até filme. Tenho um CD por aqui que nunca me impressionou muito.
Mas este Between Flesh and Divine, do difícil ano de 1980, impressiona pela qualidade do prog sinfônico. Que soa também um bocado como neoprog, o que faria deles um dos precursores do estilo. Script for a Jester's Tear, clássico do Marillion, viria apenas três anos depois.
"Lost in a Dream Yell" tem um dos solos de flauta mais bonitos
Aqueles que amam o mellotron de verdade sabem que, durante ou depois de uma crise de abstinência, deve-se apagar as luzes (ou desligar o sol) e deixar que Spring, Morte Macabre, Änglagård, The Virgin Suicides, "Watcher of the Skies" ou "Mysterious Semblance at the Strand of Nightmares" pingue lentamente em nossa pele de modo a restabelecer alguma normalidade.
Bem, segue agora outra dica: a banda bretã Flamen Dialis, que em 1979 lançou o álbum Symptome-Dei.
Algo como Magma meets Wapassou, para ficarmos só entre os franceses.
Não digo que seja tão bom quanto Magma ou Wapassou. Ou quanto os demais citados. Mas que vai aplacar qualquer fissura por mellotron, mon Dieu....
Progheads costumam considerá-lo o álbum da virada : uma banda mais rock e blues goes prog, nada incomum naquele ano de 1973. O disco seguinte, Solar Fire, já seria o da plenitude progressiva, e é bastante emblemático que ele abra com uma canção completamente reformulada, completamente outra canção, do Bob Dylan, de quem Manfred Mann já vinha fazendo covers desde sempre (aqui).
Também aqui há um cover de Dylan, fato interessante, a música just fine.
Voltando ao Messin': um discaço, que deixa tatuada no acetato a sua condição mestiça de disco de transição. (Mas todo o rock progressivo é mestiço.) Um lado A bem mais prog, um lado B mais blues-rock. Era bom poder dar sentido à história de dois lados. Vide Felona e Sorona, vide outros tantos, the medium is the message, aqui não sei se intencional, como no caso do Le Orme, o que pouco importa, pois a message cabe a nós dar sentido.
Destaques:
A primeira música, que dá título ao álbum: ótima, politizada e com três minutos de um dos mais lindos solos de guitarra ever.
"Buddah": bluesão pesado. Lots of moog.
"Cloudy Eyes": ótima instrumental.
Do Lado B, a "Black and Blue", sobre a qual escrevi aqui. É notável que num blues eles insiram um bocado de moog lá no final. Transição é isso. E no álbum seguinte, seria mellotron. Transição é isso.
Quem curtir o som deveria comprar o álbum, de modo a prestigiar o artista. Ainda que quarenta anos sejam passados.
Em 1973 Chile e Uruguai começariam seus odiosos regimes ditatoriais, pesadelo que o Brasil já vivia há nove anos e o Paraguai há 19. O da Argentina começaria em três anos.
Odiosas ditaduras com todo o seu pacote de repressão, arbítrios, tortura, censura, controle da imprensa, lavagem cerebral, falso crescimento econômico, falsa sensação de segurança.
E o país que em 1973 teve uma simples canção de um disco de rock vetada, canção escondida na terceira faixa do lado B foi.... acertou quem cravou NDA, pois trata-se dos Estados Unidos, terra da oportunidade e liberdade que houve por bem substituir o blues "Black and Blue" do disco do Manfred Mann Messin' por uma outra de nome "Pretty Good".
Pretty Good.
A letra de "Black and Blue" não entoa loas ao marxismo ou critica a guerra do Vietnã, resumindo-se a dar voz a um prisioneiro que sofre maus tratos.
Bem, se pensarmos na quantidade de presos políticos dos países do Cone Sul citados que sofriam maus tratos por culpa das ditaduras plantadas e adubadas pela CIA, talvez a proibição nem seja tão esquisita assim.
I been working so hard my backs near broke
My brows are wet and my throat's a choke
You sent me here for ten long years
I miss my whiskey I miss my beer
Ain't seen a gal since I don't know when
And the way you treat me won't see one again
Well, you can beat me
You can try to break me
Still I'll say to you
You'll never break my spirit
When my body's black and blue
Well in my arm there's a dreadful pain
It's hard digging ditches with a ball and chain
You broke my back cause I spat on a guard
That don't make me no better, that just makes me hard
Your water it stinks 'cause it comes from a bog
And the food you serve me ain't fit for a dog
You can beat me
You can try to break me
And still I'll say to you
You'll never break my spirit
When my body's black and blue
Dos casos em que o cover supera em muito a versão 'original' (não acredito em versão original), creio ser emblemático "Me and Bob McGee", escrita por Kris Kristofferson e imortalizada pela Janis, que a cantou poucos dias antes de morrer, a voz maravilhosa como nunca.
(Também não precisavam ter vaiado o Kris no Festival da Ilha de Wight, que dó assistir àquilo)
Outro caso: a faixa que abre o excelente Solar Fire (1973) da Manfred Mann's Earth Band, "Father of Day, Father of Night" é um cover de uma canção de Bob Dylan de 1970. A música do Nobel de Literatura é uma canção folk na voz dele. Fine. A versão do Manfred Mann -- um épico progressivo com todos os ingredientes que o mágico ano do nosso senhor jesus cristo de 1973 permitia, incluindo, por óbvio, um mellotron acachapante -- faz a ""versão original"" parecer uma paródia de uns colegiais bêbados num porão de Oklahoma.