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Monday, May 23, 2022

E mais para muito amar, sem gozo de amor :: Itacambira

Há quinze dias fiz postagem sobre Itacambira, onde Diadorim nasceu e foi batizada (aqui). Batizada Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins, nascida "para o dever de guerrear e nunca ter medo, e mais para muito amar, sem gozo de amor". Itacambira já merece visita por tantas razões e desrazões, sendo esta, a do batismo, a primeira. A pia batismal ainda está lá. E tem mais

A Matriz de Santo Antônio de Itacambira, vetusta senhora tricentenária muito bem conservada, tem um altar absolutamente sui generis, não apenas para os padrões dos gerais mineiros, mas para os padrões de todo o barroco mineiro. Pensando bem, um altar ímpar em todo o barroco brasileiro e, por que não dizer, mundial. Basta ver essa torre ladeada por duas escadas. Meu Deus

E, não bastassem pia de Diadorim e altar, a igreja é ainda conhecida pelas múmias descobertas na década de 1950. Guimarães Rosa, sempre atento, incorporou-as ao Grande Sertão ao falar da igreja: "onde tem tantos mortos enterrados"

















Tuesday, October 12, 2021

Os Azulejos de Paudalho

 


Meu destino era São Severino de Ramos, como que distrito (não é) de Paudalho. Então, depois de conhecer aquele, percebi que dava para conhecer esta, afinal me conduzia taxista paciente.

Eu já pesquisara sobre o patrimônio histórico de Paudalho. Gostei. Mas não esperava fosse encontrar,  ao alcance de poucos passos, tanta casa azulejada. Era uma sexta-feira agitada, com filas de carros e pedestres para vacinação, e eu lá, sem roteiro prévio e ao fim, ao que parece, rapidamente capturei o que havia de capturável: nove edificações revestidas de azulejos, alguns raros, incluindo um sobrado e o mercado municipal.

A coincidência, sempre presente, fica por conta do seguinte: animado lá com os achados, pensei 'Caramba, tenho agora que comprar aquele livro sobre azulejaria civil em Pernambuco que deixei passar num sebo de Pinheiros'. Pois bem: ao voltar, comprei o livro, que chegou em dois dias. E em que pesem tantos azulejos maravilhosos em Recife e Olinda, o que está na capa? Justamente as peças que mais me encantaram nesta pequena cidade da Zona da Mata pernambucana. Que visitei meio por acaso, pois meu destino era São Severino de Ramos. Talvez fosse ele já -- o Severino -- operando milagres.


Dois padrões distintos, exclusivos


Raros azulejos franceses


Raros portugueses emolduram linda janela


Outro padrão raro, só repetido numa casa em Olinda



Idem. Padrão só repetido em Boa Vista, Recife







Thursday, November 19, 2020

Gruta de Capri

 Estrategicamente situada na Miguel de Frias, quase dando para dizer que Praia de Icaraí, a Gruta de Capri foi por muitos anos o principal vértice do triângulo etílico-gastronômico de que também faziam parte o Chalé (bom para empadas e chope em pé) e o Ponto Jovem (bom para sanduíches). A Gruta era boa para as massas e para a pizza, que os habituês pediam com o molho da casa.

Muitos já assistiram a filmes e a shows e concertos na UFF -- confessai! -- mais pensando na pizza que viria depois. Muitos mesmo às vezes só iam ao Maracanã para poder, na volta, descer ali de 703 e pedir a napolitana. Com o molho da casa.

Havia dois ambientes e se o salão ao lado era mais reservado e tinha o garçom mais simpático, o principal nos brindava com o soberbo painel azulejar do Angelo Toledano, sobre o qual já escrevi aqui. Para que televisão se podíamos repousar ali nossas retinas tão fatigadas? O imenso painel era como as pinturas de Nilton Bravo nos botequins: em meio a uma e outra garfada, um e outro gole, o devaneio por entre ipês e castelos e, aqui, pela atmosfera onírica de estalactites e estalagmites. Para que televisão?

A Gruta fechou. Não é pequeno o risco de o imóvel ser vendido ou alugado para mais uma drogaria que irá tapá-lo com as estantes de Rivotril ou simplesmente cobri-lo com mãos de tinta. Seu tombamento, portanto, é tão urgente quanto imperioso.


Saturday, October 24, 2020

Café e Bar Primazia, Ramos

Tímida e cautelosamente, nestes tempos ainda pandêmicos, fiz pequeno giro etnográfico em Ramos, já com objetivo preciso: Café e Bar Primazia, na Rua Operário Fortes, onde, segundo informação do blogue O Rio que o Rio não vê, haveria belas pinturas.

Com efeito, não fosse a ótima dica, nunca teria chegado a elas, uma vez que o "café e bar" passou por uma reforma descaracterizadora para transformar-se num restaurante a quilo anódino. Ou seja, numa andança típica -- e já fiz várias pelo bairro de Ramos -- eu jamais teria entrado.

Critiquei a reforma, mas fique o sincero elogio: ao menos mantiveram as pinturas: arte naïf em estado bruto, com imagens bucólicas e nostálgicas: a moça e seu cântaro, o bom gaúcho, sereias, naus portuguesas, ninfas e crianças.

Vê-se em dois lugares a assinatura de um Castelão. Segundo o blogue citado, trata-se do artista português Cesar Augusto Castelão, nascido em 1922. Julgo enxergar o número 70 debaixo de uma delas.

Pela quantidade, lembram as dos Façanha, no hoje fechado Tâmega, bem como as do Souto, em Quintino.

Um verdadeiro patrimônio do subúrbio que, a exemplo de alguns Nilton Bravos, deveria ser tombado e  preservado a todo custo












Sunday, August 30, 2020

A esta Chapada falta sobrenome

A esta Chapada falta sobrenome, não é nem Diamantina nem Veadeiros nem Guimarães. Apenas Chapada, distrito do distrito, aos pés da Serra do Trovão, pluviosa Serra do Trovão

Capela dedicada à Santana traz no frontispício medalhão em pedra-sabão tão fascinante quanto desproporcional. Lindo

O arruamento é o mesmo de trezentos anos e há trilhas para cachoeiras. Mas chovia, chovia muito, então o que fiz foi me ensopar até os ossos e, pedindo à vovó do Menino que não gripasse, tomei uma cerveja na vendinha. Pensando na vida e na mulher que amo, então na distante Londres, cuja neblina, ah, não chega nem aos pés da Chapada