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Monday, October 15, 2018

Athos Bulcão : Quantas coisas as pessoas podiam fazer e não fazem


Uma festa para os olhos a exposição do centenário de Athos Bulcão no CCBB de São Paulo. Veio de Brasília, deve chegar ao Rio, então verei novamente, mesmo porque me interessa ver possíveis diferenças entre as montagens.

Estavam lá os azulejos, claro, ou não seria. Mas estavam também muitas pinturas, antigas e recentes, croquis, depoimentos (ótimos; iluminam, acalmam), peças de roupa, uma sala só para as fotomontagens, e aí é impossível não lembrar de Jorge Lima. Estava lá capa de disco para os poemas de Vinícius e Paulo Mendes Campos. Estava lá imenso cubo, todo ele azulejos athos bulcão, em redor do qual meninas brincam e se escondem.

Sabe-se que Athos incentivava os pedreiros / operários a colocar os azulejos como bem quisessem, de modo que uma elipse que começa aqui não termina necessariamente ali, talvez nem termine, talvez seja outra que comece. Há uma parede no Sambódromo assim. Pesadelo para os pacientes de TOC de organização. Paraíso para crianças e andorinhas.

Eu gostei muito de Brasília. Fiquei hipnotizado com aquela falta de paisagem, o céu, esta vastidão. (...) Eu acredito muito em disciplina, no vai lá e faz alguma coisa. Eu fico imaginando quanta coisa as pessoas podiam fazer e não fazem.

Só foi mais complicado acertar como começar. Depis ficou fácil. É só colocar tudo invertido. Espero que fique bom. ( João Alves dos Santos, pedreiro responsável por assentar os azulejos na sede da Fiocruz, em Brasília-DF )
























Thursday, July 05, 2018

Arte Belga :: Exposição



Não é provocação. 

No início de junho estive em São Paulo e, grande sorte, lá estava a exposição 100 Anos de Arte Belga : do Impressionismo ao Abstracionismo. São belgas dois dos meus pintores diletos: Ensor e Paul Delvaux. Isso para ficarmos nos modernos, senão entram também os Bruegel amados. E, claro, no coração mora também Matisse, tão associado aos meus livros do Jorge de Lima.

Brinquei que, sem ler legendas, encontraria as obras dos dois. Nada difícil.

E lá estavam também Rysselberghe, De Saedeleer, Smits e De Smet (tão Di!). Soberbo é pouco. (Os abstratos me disseram pouco ou nada.)


Minha vida divide-se em A.D. e D.D. Num distante ano A.D. estava eu só em Bruxelas visitando o Museu de Arte Moderna. Eu já bebera Maresouds e Mort Subite, as galerias estavam vazias. Eu me deitava em frente às pinturas, em frente aos Ensor, Matisse e Paul Delvaux e contemplava. Cochilava e então acordava com aqueles sonhos / delírios à minha frente. Que experiência.







Tuesday, November 07, 2017

Gozando Junto :: A Exposição



Gozando Junto é uma 'série' aqui no blog, alcançando já 28 postagens. Não chega a ser uma tag (está dentro de Fotografia), mas é série algo persistente, que vai desde maio de 2013 (aqui) a agosto de 2017 (aqui). Seriam mais postagens, houvesse mais disciplina. É um projeto, dos muito pessoais e inúteis, como o dos botequins velhos, das serralherias, patrimônio em geral. O dos botequins velhos virou exposição (aqui), itinerante e ainda circulante, então o Gozando Junto virou também.

Não é bem uma seleção das melhores fotos, foi o que deu pra fazer, entre Dante, aulas, inventário e os mesmos sem roteiro tristes périplos.

Para quem ainda não conhece  a Gozando Junto, trata-se de registrar desconhecidos tirando fotos. A exposição tem 31 registros que vão de um botequim em Maria da Graça a um templo na Tailândia, de uma mesquita em Marrocos a um museu em São Paulo, de São Januário a Istambul, da África do Sul ao Grajaú, dentre outros lugares e situações.

 A fotógrafa e gentil colega Fátima Vollu escreveu a apresentação :


Olhar o outro, pelo outro.


Um olhar a partir de trinta e um olhares.


O olhar do outro passa a fazer parte do seu olhar, do seu recorte.


Evandro nos mostra em imagens o ato de fotografar. Registra o espaço / tempo que as pessoas escolheram para guardar em imagem algo significativo para elas, tal como Barthes aborda em A Câmara Clara.


O espaço é ressignificado com olhar singular. Evandro não o vê de forma isolada, mas inclui cenas, histórias vivas e registros que se tornarão memória dessas pessoas anônimas.


Se apropria das narrativas desses anônimos e cria novas. Ao fazer isso, se aproxima destas pessoas e de suas histórias, com imagens que nos trazem referências visuais dos fotógrafos / fotografados: roupas, poses, escolha do local e do enquadramento para o click. Mas entre estas percepções e a leitura de quem as observa há muito espaço para imaginação e narrativas diversas que serão construídas na relação com o público.


É isso que as imagens da exposição trazem: oportunidades para viajar junto com os olhares de Evandro. Instigam o público a investigar cada detalhe, onde fotógrafo, fotografados e espaço interagem.

Sunday, December 11, 2016

Por Dentro e por Fora, Menino :: Exposição I

"Nada fui senão menino / Por dentro e por fora, menino" :: Alberto da Costa e Silva :: Juazeiro do Norte - CE


Em 1994 fiz uma exposição de fotos nos Pilotis da PUC chamada "Por dentro e por fora, menino", nome retirado de um poema do Alberto da Costa e Silva. A ideia, aliás, era unir as imagens -- no caso aqui crianças do Brasil profundo em fotos tiradas de 1987 a 1994 -- a trechos de poemas.

Se o Brasil não era o Rio nem São Paulo, os poemas não eram nem Drummond, nem Bandeira nem Cecília, mas Audálio Alves, Carlos Nejar, Paulo Mendes Campos, dentre outros. Entrou alguma prosa também, mas sempre poesia.

As fotos ficaram expostas sem muita proteção. Uma delas foi roubada. Para minha grande admiração. Digo, consternação.

Meu pai sempre teve predileção pela foto de Mariana, predileção que compartilho. É das fotos mais antigas, de 87. Antes, bem antes, da tragédia. A de Biribiri também é de 87 e um pouco mais antiga: é de julho de 87. Ou seja, 7 de 87. Eu, que pouco me importo para numerologias e afins, voltei a Biribiri 7 meses e 7 anos depois em busca daquelas crianças. Estavam quase tal qual eu as deixara.

Esta é a parte I.

"Lembro um menino repetindo as tardes naquele quintal" :: Manoel de Barros >> Cavalcante-Go

"Um menino que salta do poente / e bebe toda a luz que ao sol desce" :: Audálio Alves :: Juazeiro do Norte-CE

"Mas fazer de conta era tudo que eu sabia fazer :: Bartolomeu Campos Queirós :: Pindoretame - CE

"Será que todo mundo tinha nascido criança na vida?" : Bernardo Élis : Pindoretama-CE
 
"Tudo é ritmo na infância, tudo é riso, / Quando pode ser onde, onde é quando" :: Paulo Mendes Campos : Biribiri-MG

"Eu brincava na rua, procurando o além dos olhos" :: Bartolomeu Campos Queirós :: Mariana-MG

"A verdade / É que as meninas sabem mais do que sabem" :: Mário Quintana : Pindoretama-CE

"Mas a criança é quem nos vê mais longe" :: Carlos Nejar :: Tabuleiro-MG


"Atrás da irreparável espessura, corre uma infância" :: Abgar Renault :: Lobo Leite-MG

Monday, October 31, 2016

Morro do Castelo ::: Fotos Inéditas



Ainda na ressaca da eleição de ontem: votei no Freixo e torci muito contra o Crivella, não apenas por ser ele o adversário do meu candidato, mas por ele representar o que representa.

Sem bom-mocismo, não torcerei, no entanto, para que o governo do bispo seja catastrófico.

Aliás, o esforço de muitos de nossos alcaides em tornar a vida por aqui insuportável é de tal modo denodado que seria muito difícil conferir a alguém o título de pior.

Carlos Sampaio (1920-1922), com a destruição do Morro do Castelo, será sempre fortíssimo concorrente.

Para os interessados, como eu, nesse episódio tão fascinante quanto trágico de nossa cidade, a atual exposição "Lentes da Memória -- A Descoberta da Fotografia de Alberto de Sampaio", no Centro Cultural Correios, é imperdível. Traz fotos do Castelo jamais antes vistas pelo grande público.






O simpático Alberto com uma sopeira

A simpática Camila