Aubade, nome dado ao poema
de despedida dos amantes quando vem a
aurora e seus dedos rosas
Shakespeare rocorreu à cotovia
Larkin escreveu o pavor da morte
Soft Machine fez música leve e linda
todos ingleses ingleses entranhas inglesas
desconheço se há nome em português
eu queria fosse teus lábios em minha nuca
Cheguei aos 50 sem jamais ter parado para ouvir ELO (Electric Light Orchestra), e não por acaso, pois eu nutria preconceitos contra uma banda cujo nome irritantemente me lembrava ELP e que eu lembrava vagamente de ter um álbum com Olivia Newton John. Não perdoava. Tanto que quando noticiaram num fórum de rock progressivo a trágica morte de um integrante sob um monte de feno (!), apenas me ocorreu, caramba, que triste, mas por que falar disso aqui? Não considerava rock progressivo, nem de longe.
E pouco fiz neste último mês senão ouvir obsessiva e ininterruptamente Out of the Blue (1977).
E continua sem ser rock progressivo. Se é para etiquetar, um art rock da melhor qualidade, tipo Queen, tipo Bowie, tipo... Beatles. Beatles, claro! Não por acaso o John era um entusiasta da banda, que chamou de "filhos dos Beatles", que continuaram de onde os próprios haviam parado. Percebo também influências da obscuríssima (e por mim amada) Family Tree e seu Miss Butters, de 68.
Os pontos fortes: as vocalizações harmônicas, a orquestração, a influência Beatles (67-68), a facilidade absurda para as melodias (baixou Schubert aqui).
"Mr. Blue Sky" tem um pouco disso tudo. Eles soam mais Beatles que os próprios Beatles, mais realistas que o rei, mais papistas que o papa, mais cristãos que os goeses mais cristãos.
Um doido gosta tanto dessa música que fez um vídeo no Youtube com o mesmo take tocado over & over. Então você pode ouvir "Mr. Blue Sky" por uma hora. E ainda achar pouco.
Lançada como single em 1972 e depois incluída em algumas antologias, "Join Together" é provavelmente a pior música do The Who. Um Slade piorado, com refrão chiclete de resto agravado pela redundância gramatical ("Join together with the band").
Há um vídeo de uma apresentação em playback que nos remete à segunda fase dos programas do Chacrinha na Globo, quando ele conseguiu ser pior do que fora até então.
Salva a música a jew's harp, mas que muitos podem achar tão irritante quanto o kazoo de "Corporal Clegg" do Pink Floyd (a respeito do qual escrevi aqui).
Foi com esta música tola e detestável que Alan Veste encerrou a apresentação de Tommy ontem no Rio. Explico: depois do Tommy completo (versão filme do Ken Russel e não a do disco original de 69), a banda toca "Won't Get Fooled Again", "Baba O'Riley" "Behind Blues Eyes", "Who are You" e, cereja do bolo, "Join Together" (sem jew's harp).
Cantei a plenos pulmões. Depois de Tommy e dos clássicos, caiu bem demais.
Ontem gravei um trecho, que hoje pela manhã mostrei à Camila. Ela disse: "Ficou bom, mas tem um pessoal aí que desafina, hein?". "Sou eu", respondi e rimos a bandeiras despregadas, como então se dizia.
Aeroportos me estressam um bocado mas, uma vez no avião, adoro. Adoro viajar de avião, por longo seja o tempo. Se nas condições ideais, então, quais sejam: os lugares do canto, apenas Camila e eu, de modo que podemos conversar quilômetros e criar um espaço todo nosso, todo ninho, todo útero, uma coisa meio Bachelard, esperar a comida, beber vinho, acordar de noite e ouvir vrum-vrum dos motores. Ou de quem dorme ao lado.
No longo voo sobre a China assisti a duas obras-primas cazaques (aqui). Neste mais curto e diurno voo de volta do México conheci o quinteto do Shostakovich.
Como eu, que sou apaixonado pelos quartetos do Shostakovich desde os dezoito anos, só vim a conhecer o seu quinteto agora? Foi preciso um voo de volta do México.
E como o Dmitri escreve, em 1940, um allegretto destes?
Acho esses meninos coreanos talvez um pouquinho presto demais. Mas a interpretação é genial, anyway.
Inspirado ainda pela visita de ontem à destilaria Amázzoni e, confesso, também pelos gins-tônicas que descem bem no verão e que como nos transportam para os jardins lindos e leves de Mr. Gatsby, pensei numa antologia da presença da bebida no rock and roll. Sem guglar, sem pesquisa alguma, lembrei logo de três músicas, das três bandas mais importantes.
São elas: "Corporal Clegg", (1968), do Pink Floyd; "Rocky Racoon" (1968), dos Beatles e "Doctor Jimmy" (1973) , do The Who.
Da primeira já falei mais extensamente aqui. Um velho casal -- ele um veterano da 2a Guerra -- encharca-se de gim, de modo a preencher o imenso vazio. É ambíguo, no entanto, se ela também bebe ou apenas o serve:
"Mrs. Clegg, you must be proud of him
Mrs. Clegg, another drop of gin".
Na pouco falada canção de Paul McCartney (mas que eu amo desde que ouvi o disco pela primeira vez, com 9 anos), quem bebe gim é o médico lá do faroeste, que chega para cuidar do Rocky que levou um balaço do Dan, que roubou sua amada, a Magill, que se chamava Lil e era conhecida por Nancy.
O verso é: "Now the doctor came in, stinking of gin", rimazinha interna sensacional, como outras na mesma música.
A cereja do bolo (ou devo dizer a casca do limão siciliano?) fica por conta do The Who, uma das últimas do épico, primus inter pares, Quadrophenia. O gim aqui não é circunstancial: para um derrotado da vida como o Jimmy, é justamente através da bebida que ele encontra um outro lado de si:
Doctor Jimmy and mister Jim
When I'm pilled you don't notice him
He only comes out when I drink my gin.
Há também, claro, a relação já desde o próprio nome: Jim / Gin.
Camila lembrou ainda de uma outra: "Cold Gin" (1974), do Kiss, banda que normalmente dispenso. Mas a letra, despretensiosa, é interessante justamente por explicitar que tanto aqui como nas três canções acima, o gim não tinha absolutamente nada de glamuroso, nada de Gatsby, nada da artesania do Amázzoni. Pelo contrário: é a bebida barata, do riff-raff.
Cold gin time again
You know it's the only thing
That keeps us together, ow
(...)
It's time to leave and get another quart
Around the corner at the liquor store
Haha, the cheapest stuff is all I need
Bar Don Juan (1971) , romance de Antônio Callado que tematiza a malograda tentativa de um grupo desunido para pôr fim à ditadura então mais violenta que nunca, é divido em três partes, em que se espraiam 12 capítulos.
A serendipity aqui é que comprei o livro (a primeira edição numa rua do Leblon) justo quando ouvia muito Bernstein, pelo centenário.
E as epígrafes são justo retiradas de The Age of Anxiety (1947), de W. H. Auden, que Bernstein musicou já no ano seguinte na peça que seria a sua segunda sinfonia.
E tudo tão ligado a novembro de 2018, a era da ansiedade.
Parte1
"When the historical process breaks down... when necessity is associated with horror and freedom with boredom, then it looks good to bar business"
Parte II
"I must go away with my terrors
until I have taught them to sing."
Parte 3
But we mustn't, must we? Moses will scold
If we're not all there for the next meeting
At some brackish well or broken arch,
MAHLER GROOVES pichado na pilastra de um viaduto em Washington D.C. impressionou tanto um jovem que por ali passava todos os dias no ônibus da escola que ele cresceu e tornou-se respeitado crítico de música erudita. Foi só pelo grafite? Claro que não mas que Alex Rossi é mahleriano dos bons isso pode ser comprovado neste seu texto aqui para a New Yorker de 1995.
Todos sabemos do revival de Mahler nos EUA -- e de lá para o mundo -- no final dos anos 60 e começo dos 70. O curioso é que o grafite / pichação em questão era do final dos 70, bem no ano em que a disco music dava as caras.
Se a intenção do grafiteiro Zach Smith era chamar a atenção dos passantes para o atormentado compositor, bem.
Muitos anos depois, já estamos no século XXI, pichações semelhantes aparecem em Toronto, espero que no caminho de ônibus escolar.
Eu mesmo fiquei com ganas de fazer uma aqui no Grajaú, este bairro que vota fascista, mas enquanto não me vem a coragem, faço esta postagem.
Como todos sabemos, a banda italiana Goblin notabilizou-se pelas suas trilhas-sonoras, em especial para os filmes de terror / suspense de Dario Argento. Se causa estranhamento seu aparecimento relativamente tardio (1975), esclareça-se que eles já existiam, porém com o nome de Cherry Five, prog sinfônico de ótima fatura, em outra pegada.
Das trilhas é consenso destacar Profondo Rosso (1975) e Suspiria (1977).
E agora a razão de ser desta postagem: e não é que este último foi 'refilmado' por Luca Guadagnino (Me chame pelo seu nome)?
Existem poucas bandas que eu ame tanto quanto o Harmonium (aqui e aqui). É um pouco, sim, aquela história da sua banda, já que, se eu perguntar no ponto de ônibus, quase ninguém deve conhecer. Mas não é só isso, ou não seriam Beatles e The Who das mais amadas também.
Do Harmonium já se escreveu que o Si on Avait besoin d'une Cinquième Saison é a obra-prima (d'accord) e que o primeiro, homônimo, é o tal do disco ainda incipiente, trabalho mais folk e que, para padrões progressivos, apenas de canções. Isso é certo e errado. Já a primeira música, homônima ao quadrado, de vez que se chama... Harmonium, tem aquela mudança de tempo lá pelos 4 minutos para um solo de flugelhorn, que em português atende pelo delicioso nome de fliscorne. Ou seja, não é só a coisinha folk, à la Peter Seeger, mas algo verdadeiramente prog.
Bem, quem ouvir, gostar e quiser mais exemplos de fliscorne no rock, tem a impagável "Uncle Albert / Amiral Halsey", do Paul.
Usando um pouco da autoajuda que aprendi lendo Richard Bach na oitava série (atual nono ano) em 1982: a gente ensina melhor aquilo que ainda precisa aprender.
Então segue uma tradução muito despretensiosa mesmo, juro, de "Be Not Too Hard", do poeta Christopher Logue. "Be not too hard": eu que quase estourei de stress neste mês de maio.
Poema musicado por Donovan, que Ken Loach usou logo no começo de seu Poor Cow, 1967. No mesmo ano, Joan Baez eternizou sua versão. Reparem: Donovan, Loach, Baez.
Em 1974 foi a vez do Manfred Mann fazer a sua, linda linda, no álbum The Good Earth.
Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
Be not too hard when he is sold or bought
For he must manage as best he can
Be not too hard when he blindly dies
Fighting for things he does not own
Be not too hard when he tells lies
Or if his heart is sometimes like a stone
Be not too hard for soon he'll die
Often no wiser than he began
Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
And nothing is given to man
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
José, deixa disso, a vida é curta
nada é dado ao homem ou à mulher
Não seja tão duro quando ele é vendido e comprado
Ele faz o melhor que pode
Não seja duro quando ele morre às cegas
Lutando pelo que não tinha
Não seja assim tão duro quando ele mente
Ou quando o seu coração vira pedra
Não seja, não seja assim tão tão duro
Daqui a pouco ele morre
(Mais sábio do que ao nascer?)
Não seja tão duro, a vida é curta
e nada, nada é dado aos homens
nada é dado aos homens
A relação de grupos de rock com seus empresários pode ser bastante tumultuosa, principalmente quando o assunto é dindim. Imagine uns cabeludos em seus 20 anos, interessados apenas em fazer música -- eu disse 'apenas'?, bem, e em todos os dividendos que essa música pode gerar -- e uns engravatados sequiosos por lucrar ao máximo com o trabalho dos sujeitos. Nem toda banda tem a sorte de ter um ex-aluno de Economia em suas fileiras, como foi o caso do Stones. Aí você imagina. Pense um Allen Klein.
O consolo, como nas dores de cotovelo, é que os imbróglios podem gerar músicas maravilhosas.
Sem guglar, a clássica "You never give me your money" (1969), dos Beatles, evidente em suas intenções já desde a portada: "You never give me your money / You only give me your funny paper".
O Black Sabbath, injustamente pouco lembrado por suas letras, tem em "The Writ", fechando o maravilhoso Sabotage (1975), exemplo amargo e eloquente:
"What kind of people do you think we are?
Another joker who's a rock and roll star for you, just for you
(...)
You bought and sold me with your lying words"
Por fim, já que falou-se em injustiça ( e em ratos), toda a suíte "Mister Ten Percent", o lado B do lindo Illusions on a Double Dimple (1973), do Triumvirat, que conta a história de um empresário inescrupuloso que, no fim, leva um pé na bunda. O trecho que cito é a última das seis partes da suíte, como a do lado A. Um show de Hammond, um vocal emocionado, um arranjo perfeito. Fez-se destre trecho um single. (Por exigência do empresário??)
"Hands off, mister ten percent!!
We've got a gig tonight! Yeah!
Do you think we're gonna pay your rent?
Working for you 'til the end of our life!
At first you took ten, tomorrow it's twenty!
The more we give the more you want, ha!!
How could you think that you're still a friend?
It might be fifty in the end!
Who's going to work for you
For the rest of your life?"
Foi Camila quem me aproximou do Traffic, que eu conhecia apenas perfunctoriamente, enquanto ela, bem pelo contrário, tinha o Steve Winwood na conta de muso-mor do seu panteão progressivo, ao lado do Carl Palmer. Houve mesmo junho em São Pedro d'Aldeia, em 2013, que teve The Low Spark of High-heeled Boys como trilha-sonorade sexta a domingo. Entre tantas audições, reparo numa música com um lindo mellotron e daí vou direto à bíblia Planet Mellotron para descobrir que são pelo menos quatro as canções em que o Tron brilha: três do primeiro disco de 67 ("House for Everyone", "No Face no Name no Number" e "Coloured Rain") e outra do último, sete anos depois, "Dream Gerrard".
Em todas elas o mellotron é de enfartar. Em "Dream Gerrard" o suingue é mais traffic que nunca, embora fosse já o Schwanengesang da banda.
PS: Com esta postagem inaugura-se oficialmente a 'tag' mellotron!
Sou um grande entusiasta de música erudita: compro, prestigio, ia a concertos quando havia no Rio de Janeiro.
Já não sou tão fã assim da junção rock progressivo / música erudita. Aliás, sou fã, sim, sou entusiasta de todas as experimentações, só acho que a maioria gorou e envelheceu mal.
Emerson, Lake & Palmer sempre fizeram isso, chegaram a criticar o Keith por se apropriar demais de música clássica. E quem criticou o viu ao vivo?
Anyway. Lá pro fim dos anos áureos (1977) fizeram a "Fanfare for the Common Man", do compositor norte-americano Aaron Copland, de quem, by the way, já haviam reescrito 'Hoedown', com a qual abriam concertos.
"Fanfare" é mais do que um cover. Porque é simplesmente MUITO melhor que a obra do Copland. A versão 'single' dos primeiros três minutos fez sucesso na Inglaterra. Mas é depois disso que a quebradeira começa. Este vídeo é fantástico, emblemático. Dos melhores prog ever.
Conheci Martha através de um disco em que ela toca Rachmaninoff e Ravel com o Nelson Freire. Depois assisti aos dois no documentário sobre Nelson, fantásticas as conversas, ele mineiro tímido como Drummond. Meu conhecimento dela limita-se a isso e ao youtube. Só pra dizer que nunca a vi ao vivo, sonho acalentado, está na lista com o Nyman e o Mertens. (Philip Glass, Paul, os progressivos italianos e o Van der Graaf já tiquei).
Martha tem três filhas, uma de cada casamento. Este documentário é da caçula. Linda a cena do trem, ela acordando, seus muxoxos com o empresário (a gente sabendo que ele responderia 'You are my life'). Também as deusas ficam nervosas, deprimidas e às vezes já não veem sentido nas rotinas.
Para todos os efeitos, tocando como nunca e, como as indianas, mais bonita, posto que a beleza cresce com o cumprimento de uma vida (aqui)
Como assim Bacalov se foi, no final do ano passado, e ninguém falou nada? Bastante conhecido por suas trilhas-sonoras, tanto as de faroeste espaguete quanto a de coisas como O Carteiro e o Poeta (1995), este argentino radicado na Itália interessa de perto a este blog por sua participação no rock progressivo italiano, qual seja: em 1971, o Concerto Grosso com o New Trolls, no ano seguinte, Preludio Tema Variazioni e Canzona, com o Osanna, e em 1973, Contaminazione com Il Rovescio della Medaglia. Não é pouco.
Sua participação nestes álbuns vai ao encontro de certas aspirações de vanguarda de não apenas fazer 'música de aventura', aqui unindo o erudito ao popular, como de trabalhar com traços próprios da música daquele país, no caso, o barroco.
Se parte dessa produção hoje pode soar datada e mesmo por demais melosa (crítica não raro imputada ao RPI), o esforço é genuíno e os resultados, nove fora, ainda emocionam. Aliás, nada aqui fica atrás de outras experimentações progressivo / erudito, ELP incluído.
A Nonesuch, gravadora maravilhosa que tem em seu catálogo artistas como o Quarteto Kronos, lançou em 1995 um Village Music of Yugoslavia, em realidade gravações de 1968 de danças e canções da Croácia, Macedônia e Bósina e Herzegovina.
Sabemos todos que quando o disco foi lançado aquele país de nações eslavas encontrava-se em estilhaços. Há mesmo no encarte um pequeno e emocionante texto de Martin Koening, o sujeito que fizera as gravações há quase trinta anos, lamentando o fim de todo um mundo musical. Não acho que tenha sido ruim que Croácia, Sérvia, Montenegro etc. tenham querido existir enquanto nações independentes. Sei que foi de fato terrível a maneira como isso se deu.
Meu CD estava perdido. Perdido em casa. Reencontrá-lo e poder reouvir uma canção em especial -- a croata "Sinoć mi je lane moje dolazio Mile", que se me colara à alma -- foi um dos pontos altos da semana.
Assim como acontecera com o I Giganti, também a banda beat I Dik Dik, bafejada pela onda de vanguarda e experimentação que corria pelo Bel Paese, lançou um álbum dentro do estilo rock progressivo: o interessanteSuite per una donna assolutamente relativa (1972). Quando comprei, ouvi muito, chapei. O tempo ajustou um pouco o parecer: um álbum muito válido, indeciso entre a canção italiana (que é o que faziam), melosa e datada, e o progressivo com ênfase nos teclados. Ousaram menos que I Giganti.
Mas o que me faz escrever esta postagem é que as letras são de Herbert Pagani, aquela artista múltiplo e inquieto, que teve trabalhos de arte comprados por Fellini, que ilustrou Admirável Mundo Novo, do Huxley, e compôs uma ópera. Morreu cedo.
Não sem antes legar-nos uma carta aos presidentes. Que cabe bem ao temer, ainda que este poltrão usurpador filho da puta sequer mal possa ser chamado de um.
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
e per la primavera che cede i suoi profumi
al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
in certe lavatrici intorno al Quirinale
che puzzano d’inganni di sangue e di miliardi
mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
dai cieli crocefissi da antenne di tivù
quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l’urlo del pallone che vomita la radio
coprendo altre urla nei vostri mattatoi
prima che ci stendiate sull’erba di uno stadio
signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
e che circonderete di mille militari
finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
e per aver ridotto la libertà e la pace
a tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
perché vendete armi al meglio compratore
e per i vostri amori imposti ai rotocalchi
perché la gente creda che voi c’avete un cuore
Io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
la musica era bella e le parole no
ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
e finché ci sarete, così io canterò”.
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Per quella schiuma bianca che copre i nostri fiumi
Per tutti i nostri pesci che vanno a pancia in su
E per la primavera che cede i suoi profumi
Al superdetersivo con i granelli blu.
E per i panni sporchi lavati troppo tardi
In certe lavatrici intorno al Quirinale
Che puzzano d'inganni di sangue e di miliardi
Mentre la lira scende ed il terrore sale.
Per tutta la violenza che scende nelle case
Dai cieli crocefissi da antenne di tivù
Quando non è di turno tra Cirio e Belpaese
Il papa che consiglia: votate per Gesù.
Per l'urlo del pallone che vomita la radio
Coprendo altre urla nei vostri mattatoi
Prima che ci stendiate sull'erba di uno stadio
Signori Presidenti grazie da tutti noi.
E bravi per le belle centrali nucleari
Che tutti già paghiamo e che nessuno vuole
E che circonderete di mille militari
Finché non metterete un contatore al sole.
Bravi per la giustizia, che se non tace, giace
Per la rivoluzione che ha i piedi gonfi e siede
E per aver ridotto la libertà e la pace
A tristi prostitute che fanno il marciapiede
Bravi per le colombe costrette a fare i falchi
Perché vendete armi al meglio compratore
E per i vostri amori imposti ai rotocalchi
Perché la gente creda che voi c'avete un cuore
io vi ringrazio ancora e me ne vado adesso
La musica era bella e le parole no
Ma il mondo è bello e voi ne avete fatto un cesso
E finché ci sarete, così io canterò.
Altri
testi su:
http://www.testimania.com/testi/testi_herbert_pagani_10107/testi_other_32050/testo_signori_presidenti_346983.html
Tutto su Herbert Pagani: http://www.musictory.it/musica/Herbert+Pagani
Aquele louco infeliz (e que tanta infelicidade causou) Charles Manson ouvia o Álbum Branco com a certeza de que os Beatles estavam se comunicando com ele. Eu tinha certeza semelhante, e que as analogias parem por aí, quando eu ouvia "Luz e Mistério" e "O medo de amar é o medo de ser livre": Beto Guedes está se comunicando comigo, eu devo superar a timidez e conquistar a Estrela da Manhã, epíteto que inventei para a Fatinha, colega de turma que tanto bouleversou comigo no 3o ano do Ensino Médio.
Claro, trata-se de identificação tão comum em arte, quando se percebe que sentimentos às vezes confusos e difusos estão ali tão claramente expressos.
Para todos os efeitos, Amor de Índio (1978), segundo disco de Beto Guedes, foi das coisas que mais ouvi naqueles 1985, 1986.
O disco envelheceu muito bem, ao contrário do próprio Alberto de Castro Guedes: quase uma coletânea, de tantos clássicos. Além das duas citadas que ele compôs para mim: a faixa-título, "Feira Moderna", "Gabriel", "Novena", "Só Primavera". Para fechar, a indefectível música de seu pai: "Cantar". Todas maravilhosas.
Beto, então com 27 anos, para além de escrever a maioria das canções, canta, toca violão, guitarra, bandolim, baixo e bateria. E tem a little help from some friends: o Milton, o Toninho, o Wagner. Difícil que desse errado. Não deu.
Oh! meu grande bem Só vejo pistas falsas É sempre assim Cada picada aberta me tem mais Fechado em mim
És um luar Ao mesmo tempo luz e mistério Como encontrar A chave desse teu riso sério?
Porque a vida só é possível reinventada, uma das histórias que inventei nas minhas aulas reside bem ali, no finzinho de Fried Green Tomatoes. Já assistimos ao filme, discutimos personagens planos e redondos, caracterizações, tempo e espaço, história, guerra civil, antebellum homes, racismo, homoerotismo, dentre outras coisas.
Tiro uma aula, acho que a última do projeto, para dar-lhes a receita de tomates verdes fritos e (agora a história) :
Digo para os alunos que eu e Dolores O'Riordan éramos amigos, amigos virtuais na época do orkut, onde trocávamos scraps, depoimentos e, às vezes, e-mails. Conversa vai, conversa vem, falando de filmes, descobrimos que ambos temos FGT entre nossos preferidos e, aí, sugiro a ela escrever uma canção para a Ninny. Ela meio que desconversa mas, três dias depois, me apresenta "Never Grow Old", que sairia no (ótimo) álbum Wake up and Smell the Coffee (2001).
Tudo inventado. ("Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura")
Alguns boquiabertos alunos perguntam "Séééério?!" e eu respondo tocando a música.
E aí conversamos por que a música pode ser algo como o "tema da Ninny", a diferença entre "grow old" e "grow up", enfio o "It takes a long time to become young" do Picasso, falamos da jovialidade maravilhosa da Ninny, cujas histórias transformam uma Evelyn triste e reprimida numa mulher em busca da sua voz.
Então, é isso.
Minha amiga Dolores se foi hoje. Forever young.
(vale pela música; imagens bobinhas)
Pra Keila
"Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada." (Cecília)
Resolução a posteriori : não apenas ouvir mas assimilar, nesta primeira metade pluviosa de janeiro, todas as dez sonatas do Scriabin. A oferta de versões online é cornucópica, mas decido, por amor de alguma coerência e coesão, ater-me às de Horowitz, por, pelo menos, três razões.
1) Um ucraniano tocando um russo. Não quero com isso sugerir que pianistas não possam tocar compositores de outras nacionalidades. Absolutamente. Isso seria uma visão essencialista (e tola e nacionalista) muito pequena. Mas é que, para além de conterrâneos, os dois chegaram a ser contemporâneos por doze anos.
2) Assisti a Horowitz ao vivo em Chicago em 1986, época de perestroika e de seu retorno às turnês. Ele tinha 83 anos. E dedos de 25.
3) É dele este vídeo que ora posto, em que explica, apaixonado, o que é a peça "Vers la Flamme".