
Wednesday, September 29, 2010
Extra, extra!

Saturday, September 18, 2010
COMPRAR PEANHA

COMPRAR PEANHA
Não consigo imaginar um deus que não saiba dançar.
Nietzsche
Viver é duro, navegar sempre será preciso, tamindige mondage (nambiquara: fazer amor é bom), mas comprar peanha, comprar peanha não fica muito atrás, não. Primeiro, julgaram-me fanho. Um fanho querendo uma peanha. Se eu tivesse ganho uma peanha, não precisava ter ido atrás de uma, mas imagina: Fanho ganha peanha, em que palatais líquidas umedecem o papel.
Outros pensaram ser piranha o que eu queria. Piranha? – indagavam levemente temerosos da palavra e seus dentes. Não, eu repetia: peanha. Apenas uma senhora, de uma das duas únicas garage sales de nossa cidade, atendeu às minhas súplicas.
– Tenho três – disse naquele tom inequívoco de quem entende do riscado e de peanhas.
Não gostei de nenhuma das três e de lá saí de mãos vazias. Dirão que sou muito exigente quando o assunto é peanha, mas convenhamos que uma peanha não se compra assim a primeira que aparece. Amanhã recomeço. Hoje é voltar para casa, encarar Shiva e confessar-lhe meu fracasso. Esta noite sua dança ainda queimará o universo em minha estante.
Tuesday, August 31, 2010
Sunday, August 29, 2010
Feliz Dia dos Pães!





Eia, com atraso indesculpável seguem fotos do meu segundo Dia dos Pais enquanto pai e quadragésimo-segundo enquanto filho.
Fui ao Mercado de Peixe, sentei-me só no Bar Temporal que começava mui timidamente a receber gente e tomei cerveja.
Antes Tutuca me dera presentinhos, coisinhas simples como copos de whisky turcos.
Quando ia ligar pro pai...ele ligou! Isso deve querer dizer alguma coisa.
Dani veio, qual ano passado, e fez nachos de entrada.
O pièce-de-resistance foi camarao ao curry, refogado no alho com gengibre em pó. O molho levou pimenta calabresa, chilly, folhas de coentro...
O arroz é que era muito básico, com sementes de coentro, louro e um pouco de açafrão.
Todo dia é dia dos pais. Mas todo domingo (ou um sim outro não) ele podia ser assim celebrado.
Thursday, August 26, 2010
Eyes wide open (até onde permite a conjuntivite)
Sunday, August 15, 2010
It pours
Friday, August 06, 2010
Pastoria


Ao entrar no táxi e dar o comando, o taxista, entre assustado e desconfiado, replica: "Mas eu nem espirrei...". Explico: "Não, moço, quero ir para Saúde, aquele bairro perto da Gamboa, na Zona Portuária".Seguia eu para um restaurante, que chegou para abalar o lugar (de honra) que o Nova Capela ocupa em meu coração. "Chegou" é bem modo de dizer, já que o Restaurante e Café Pastoria, mais conhecido como 28, está ali na Barão de São Félix, na Saúde (ou Gamboa?) há mais de 70 anos.
Mas só fui conhecê-lo agora, e lá levei o pai para almoçarmos.
Se o Nova Capela é um jóia, o 28 é uma jóia não-lapidada, de durezas a arestas que podem mesmo assustar. A começar pela localização, atrás da Central. Cheguei nele passando pela Rodoviária e o que se vê no caminho deixa Nova Déli no chinelo. A rua mesmo em que ele se situa é também bastante degradada, embora em meio a esse cenário de eyesores divisem-se alguns prédios, casas e detalhes arquitetônicos sensacionais.
O restaurante em si também não é de badalações. Seu charme reside no despojamento absoluto: velhos suportes para pendurar paletós (e o chapéu do Seu Inacinho), e o cardápio com os itens datilografados, em que figuram as estrelas cabrito, leitão, polvo.
Fui de polvo, meu pai caiu no leitão crocante com batatas coradas. Os pratos não dão para dois, o que pode ser uma vantagem: indo-se em dois, tem-se a chance de provar dois pratos. Em três, três, e por aí...
Os donos são dois purtugueses de Vila Real, Amândio e Jacinto, que aqui chegaram há 50 anos. Nunca voltaram a Portugal, mas dizem que ainda retornarão, de visita, o que sabemos não ser verdade.
Jacinto guerreou em Angola. Deve ser bom (interessante talvez seja palavra mais apropriada) sentar com ele depois do expediente e, em meio a cervejas e bagaceiras, ouvir-lhe histórias...
E então minh'alma servirá de abrigo

Não é que este bloguinho metido e despretensioso chegou ao tricentésimo post?
Impossível não lembrar de Mário.
"Eu sou trezentos, sou trezentos e cinqüenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei ao Piauí buscar outro!
Abraço no meu leito as melhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!
Eu sou trezentos, sou trezentos e cinqüenta,
Mas um dia afinal toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo."
Que faço agora? Rumo aos próximos trezentos? Com metas tipo um post por dia? Corro atrás de um patrocínio? Boto anúncios no orkut? Vou ao Piauí buscar um deus?
Sunday, August 01, 2010
Faltou um licorzinho
Depois ocorreu-me: na verdade, para acompanhar um café desses, café, repito, feito a partir dos grãos de café encontrados no cocô do Jacu, bom mesmo seria... um Licor de Merda!
Tomei-o uma única vez, há muitos muitos anos na casa do então amigo João Ernesto, assim chamado em homenagem, velada, ao Che.O que achei? Ora, uma merda! Repeti a dose!
Para os que estranham: o Jacu é café brasileiro, com muito orgulho (ou não). O Licor de Merda é purtuguês, de Castanhede.
Não estranhem, ora pois. Afinal, da culinária lusa saem pratos como a punheta de bacalhau (fácil de fazer, é muito querida pelos solitários), a sopa de grelos (da Beira), as caralhotas ou cacetes e, por fim, o Arroz de Pica no Chão (da dieta dos velhos, ainda que à sua revelia).
Parece sacanagem. E não é.
Vai tomar Jacu! ou Dois cafezes.
Esqueci de falar: depois do soberbo javali, pai e eu fomos à Saraiva Megastore comprar livros. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que no Café da loja, o Baroni, servem o Café Jacu. Para quem desconhece, o Jacu Coffee é o café mais especial deste país, extraído que é do cocô desta ave chamada Jacu.
Seus produtores inspiraram-se no café mais caro do mundo, o Lopi Luwak, da Indonésia, produzido a partir dos grãos encontrados no cocô do civeta, um gato selvagem. Como quem não tem gato, caça com pato, a galera do Espírito Santo faz algo análogo com o Jacu, que de praga converteu-se em solução. Uma solução ecológica, lucrativa, inteligente, uma merda. O quilo custa cerca de 240 reais.
Enfim, pode-se pedir: "Garçom, por obséquio, dois cafezes".
(Um vídeo do Globo Rural sobre este café de bosta: http://www.youtube.com/watch?v=0RiEtaS7k5s)
Friday, July 30, 2010
É nós aqui, é javali.

Recentemente me segredou que mingau de aveia causa-lhe azias terríves, o que não acontece se cai no mocotó, na rabada, na feijoada. Assim, estando ele de visita ao Rio, convidei-o para um javali no Nova Capela, o que de pronto anuiu.
O javali desceu soberbo, dávamos urras ao Obelix e, inda que eu não chegue à heresia do pai (que disse tê-lo preferido ao cabrito), confesso que, em minha próxima ida a esse templo da gula, meu coração irá balançar: ventrículo esquerdo pedindo pelo cabrito clássico e o direito suspirando pelo pujante javali.
Estivéssemos em 1989, quando Lula era Lula e o PT era PT, agora cantaria, como cantei: "É nós aqui, é java ali, é Lula lá". Mas tantos anos se passaram desde então, né?, uma maioridade, tantas águas rolaram. Da tríade do jingle fico hoje apenas com o nós e o javali, de preferência no Nova Capela a falar de livros e bebendo chope.
Thursday, July 29, 2010
As amendoeiras caducam


Quando escrevi por aqui, no dia 2 de junho, que as amendoeiras caducavam, sei que muitos pensaram que era poetagem minha, maluquice essa história de árvore caducar.Mas não. Lancei mão de linguagem denotativa, científica até, botânica... Do latim caducu, isto é, que está a cair, uma árvore caducar significa simplesmente que está a perder as folhas.
Quem mora no Rio pode contemplar o espetáculo que está a caducagem das amendoeiras. As das praias de Icaraí e das Flechas estão até tímidas, muitas muito verdes até.
Mas já há as caducas! As folhas, sempre enormes, independente da idade da amendoeira, vão do verde ao ocre, ao tijolo, ao mel, à mostarda, marrom, chegam ao ouro, ao tomate seco, ao vermelho cardinal e, por fim, chegam supremas ao escarlate, reis e rainhas, e deixam-se tombar no calçadão. Passear com Dante nesta época é quase ter que se desviar destas rainhas escarlates que tombam, mas não nos desviamos, antes tentamos colhê-las.
Quem guarda com sede, a gata bebe
Tanto a Amber Ale quanto a Pale Ale são extremamente aromáticas e refrescantes (mas sem essa de "leve", adjetivo tão empregue pelas macros brasileiras para confundir o consumidor), um banquete para amantes de birras lupuladas.
A India Pale Ale, bem... esta deixei na geladeira enquanto ia ao Picote tomar chope. Resultado: Bia descobriu e bebeu! =/
Fez ela muito bem, ilustrando com exatidão o antiprovérbio: "Quem guarda com fome, o gato come."
Saturday, July 24, 2010
Fico ao teu lado
Mas este da Cecília vai na íntegra. A Cecília não é assim, de palavras simples e exatas?
Interlúdio
As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.
Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.
Deixa o presente. Não fales.
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.
Fico ao teu lado.
Thursday, July 22, 2010
Usina (do tempo)
Em meio a um cenário de relativo abandono e decadência, encontram-se jóias como estas.
Este casarão maravilhoso de 1920 (reparem a cascata ao fundo):
Saliente-se que, como sabem, o Borel recebeu há pouco uma UPP. Não fosse, creio que essas fotos não estariam aqui assim tão impunemente...
Wednesday, July 21, 2010
Julho, julhos - a year has gone


Há ano exato descobri como passear com ele na praia era a melhor coisa deste mundão. Não que não tivesse passeado antes, mas foi a rotina dos passeios seguidos que me calou fundo na alma e criou-me calos que me são tesouros. Tive sorte ainda de as férias terem sido esticadas um pouco (a gripe).
Monday, July 19, 2010
Bar das Rolas - Usina
Words fail me para descrever as sucessivas epifanias, os sucessivos gozos, estupefações e paixões que o mineiro de Juiz de Fora me proporcionou.
Umas dessas estupefações maiores está nas páginas finais do seu último livro, O Círio Perfeito, sexto volume de suas memórias, páginas finais de suas 2565 páginas de memórias nas letras miúdas das primeiras edições da José Olympio e Nova Fronteira.
Nessas páginas que Egon (alter ego que Nava assumira) tem conversas terríveis com um misterioso Comendador. Lá estão alusões ao suicídio, ao homossexualismo, a segredos inconfessáveis. Lembro que à época fiquei tão impressionado e perturbado, sobretudo com uma frase em caixa alta na página 574 (EU SOU O COMENDADOR), que cheguei a sonhar com Nava em minha casa, no sofá da sala, a pronunciar a terrível frase (em caixa alta???): EU SOU O COMENDADOR.
Bem, terminados livro e tese, vou à Usina, falo de 1998, procurar o Bar das Rolas onde os dois travaram as conversas, na frente do rio onde depois banharam-se (e batizaram). Após alguma conversa e pesquisa, descubro-o.
Passados 12 anos, volto à Usina e procuro pelo mesmo Bar das Rolas. Continua lá (a construção é de 1880), um túmulo. Silencioso e desafiador, suicidário porém eterno.
EU SOU O COMENDADOR.
Friday, July 16, 2010
Quanto custa o sonho?
Esta é uma peça que escrevi ano passado. Enfim ela recebe sua estreia mundial!
Grande Elenco:
Marina Costa - menina
Mika Makino - padeiro
O texto:
QUANTO CUSTA O SONHO?
Peça em 1 ato. E, se possível, em 1 minuto.
Menina:
Moço, quanto custa o sonho?
Padeiro (entre surpreso e indignado; sua indignação vai crescendo, sem, contudo, tornar-se violenta):
Quanto custa o sonho? Ora, os sonhos não têm preço!
Mas... sim, um homem precisa fazer sua provisão de sonhos.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.
O que há de mais bonito nos sonhos é o encontro improvável de seres e de coisas que não poderiam encontrar-se na vida corrente; num sonho, um barco pode entrar por uma janela num quarto de dormir, uma mulher que já não está viva há vinte anos pode aparecer deitada numa cama e, contudo, ei-la a subir para o barco que se transforma ato contínuo em caixão e o caixão põe-se a flutuar por entre as margens floridas de um rio.
O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.
Ora, os sonhos são imagens. Melhor ainda, de uma maneira mais precisa, os sonhos são ao mesmo tempo os pais e senhores das imagens. Sou um homem que as imagens atacam. Faço imagens que saem da noite.
Quando, meu Sonho e meu Senhor?
Que seria de nós se não sonhássemos?
São os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem um coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu.
Menina (que assistiu a tudo sorrindo divertida, apenas muito levemente espantada) (Abrindo um lindo sorriso, pede):
Me dá dois.
Padeiro (deixando de lado todo seu ar sonhador, todo seu delírio, assumindo uma postura realista e profissional e destituída de qualquer exagero):
É pra já. (E dá de costas)
CURTAIN
Thursday, July 15, 2010
O meu ipê-roxo


Um de nossos melhores cronistas não tinha um pé de milho? Pois tenho eu meu ipê. Ele mora no Jardim Botânico, bem ali em frente ao Tabladinho. Como bom ipê, o moço se comporta o ano todo, é discreto, tem bons modos, come quieto, é todo mineirices. Mas chega agosto abre-se qual pavão, sem mistério, todo entrega e plenitude. Vale a pena, sempre, esperar pelo espetáculo, ainda que seja breve e apenas uma vez por ano.Como as temperaturas andam loucas, os ipês desta cidade se pavoneiam mais cedo, abram os olhos, aproveitem. O da frente do Instituto de Educação, na Mariz e Barros, já floriu, o do Instituto de Educação de Surdos, em Laranjeiras, também.
As duas primeiras fotos são do meu ipê, que me proporocionou epifania miguiliana em 1992. O da terceira foto é da J.J. Seabra, defronte daquela garage sale.
Há dois anos escrevi este poema, que quis extrair certo efeito das durezas de agosto. É agora anacrônico?
Fazer contigo
o que faz agosto com os ipês.
Agosto, este mês de cardos,
mês de ossos,
de duro rosto,
rende-se, enfim, à carícia que lhe sai das entranhas.
Sunday, July 11, 2010
O Galinho do Dante - Versão Giulia... alive!
No dia 2 de maio postei a versão que Giulia e Julio fizeram do "Galinho do Dante".
Esta versão faz sucesso, perguntam por aí quem são os artistas. Poi zé, pois agora tanto melhor que o duo querido veio nos visitar em manhã de sábado e, claro, tem gente que não pode ver cantor que pede logo uma canja, pedi uma canja, de pronto dada.
Reparem como tantos acontecem enquanto cantam e tocam: Dante rola, tira a meia do pé, namora Giulia, a sogra chora.
Friday, July 09, 2010
Perversos Polimórficos
Ele sempre gostou da cama grande, rolar pra lá e pra cá qual novelinho sem dono. Mas agora gostar é pouco, ele ama ser deixado na cama grande, rolar, levantar, sentar, ouvir um miado e gargalhar.
Mas mais que isso, mais mais que isso. Agora quer deitar e forçar a cabecinha contra a minha e depois ser agarrado e rodado pra lá e pra cá. A alegria é suprema, ele chega fecha os olhos, de gozo e estupefação. Ele pai e ele filho. O filho é pai do homem e o pai é filho, que confusão, melhor fechar os olhos e rolar.

Friday, July 02, 2010
Festival Comida di Buteco
Não aproveitei este Festival como merecíamos, festival e eu.
Monday, June 28, 2010
"Oh que maravilha é viver e inventar"




Sim, Saramago, que maravilha e que aventura.
O espírito do Mr. Keating baixou de vez em mim e, se a turma corresponde, aí que as invenções se sucedem e ora é um varal de poesia, ora é uma leitura de versos com direito a camisas de futebol e chutes na bola, outra hora eu me fantasio de turco para que meus alunos do 9o Ano pratiquem perguntas...
Sunday, June 27, 2010
She's leaving Home aka "You deserve the best"
Mas foi dos presentes de aniversário mais bonitos que já ganhei.
Depois posto a letra.
YOU DESERVE THE BEST
Monday morning at seven o’clock as the class begins
Silently closing our classroom door
‘Cause we were late like the classes before
We sit down at look at Evandro making a “sorry face”
Surprisingly, instead of scolding us
He was with a smile from ear to ear
You (when you are sad, we get sad)
Deserve (but we don’t know what to do)
The best (we wish we could help and could support you)
You deserve the best while living with Dante and Preta
For so many years
We saw the stories of Idgie and Ruth and we liked it a lot
Not only of them, but also Neil and Todd
Fortunato is also part of the plot
Oh captain, we stand up for you
Teacher, you changed us
Why would you treat us so perfectly
How can we thank you kindly
You (we got to know our true selves)
Deserve (a teacher like no one else)
The best (you taught us how to enjoy our lives)
You deserve the best while living with Dante and Preta
For so many years
Just like an epiphany we could realize
That you’re more than the best teacher ever
But also will be a true friend forever
Happy (is how we feel in your class)
Birthday (what you will feel we can’t guess)
Evandro (love is the one thing Juquinha’s can’t buy)
Lives will go on and time will go by
But forever you will be in our minds
You Deserve the Best…
Saturday, June 19, 2010
Tesouro

(É que ele falara sobre Camões [Que farei com este livro?])]
E ele de pronto replicou: "Ora, mas Camões antes de ser Camões também foi Luis". Só depois me dei conta (quer dizer, não me dei conta, a Bia se deu conta, por ela e por mim), que ele estava já brincando com o meu nome. (É que sou Evandro Luis, tenho que me lembrar). Ligeiro, o moço.
Passarolas
Este post não é a realização do meu desejo, mas como este texto haveria de lançar mão do Saramago, cito-o aqui, em outra tosca homenagem, em belo texto do seu romance mais belo, o Memorial.
"Não tinham medo, estavam apenas assustados com a sua própria coragem. O padre ria, dava gritos, deixara já a segurança do prumo e percorria o convés da máquina de um lado a outro para poder olhar a terra em todos os seus pontos cardeais, tão grande agora que estavam longe dela, enfim levantaram-se Baltasar e Blimunda, agarrando-se nervosamente aos prumos, depois à amurada, deslumbrados de luz e de vento, logo sem nenhum susto, Ah, e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança perdida, um soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu espigão, e agora soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então, então. O padre veio para eles e abraçou-se também,
(...) a máquina diminui de velocidade, quem diria que tão facilmente se poderia ser piloto nos ares, já podemos ir à procura das novas Indias. A máquina deixou de subir, está parada no céu, de asas abertas, o bico virado para o Norte, se se está movendo, não parece.
(...)
Desce a passarola um pouco mais, com algum esforço se observa a quinta do duque de Aveiro, é certo que estes aviadores são principiantes, falta-lhes a experiência que permitiria identificar de relance os acidentes principais, os cursos de água, as lagoas, as povoações como estrelas derramadas no chão, as escuras florestas mas lá estão as quatro paredes da abegoaria, o aeroporto donde levantaram voo, lembra-se o padre Bartolomeu Lourenço de que tem um óculo na arca, em dois tempos o vai buscar e aponta, oh que maravilha é viver e inventar,"
O Saramago e a Porca
Vamos pelo porco. Aruanda, blogueira amiga, pergunta-me se a receita original do Umngqusho leva porco. Mas como assim, original? Claro que a pergunta é válida, mas me lembro de uma baiana, fazedora e vendedora de acarajés, quando lhe contaram como era a iguaria em outros países... Ela meneava a cabeça desdenhosamente e repetia que aquilo não era acarajé, que acarajé só o dela. Que sorte, hein baianinha, nasceste justo no país onde os corretos acarajés são feitos. Ou seja, ela assumia uma posição essencialista, daquelas marco zero.
Enfim, acho que a receita original de Umngqusho não leva porco, ao menos a variante que peguei não falava no suíno, mas doravante nossa receita - minha e da Lúcia e do Saramago - levará. Mesmo porque aquele labrego de Azinhavra, que inda ontem se encantou, fez o elogio do porco em Viagem a Portugal, quando em Bragança:
"[O viajante], enfim, caiu em meditação diante das "porcas" de granito, dos "berrões", também assim chamados: famoso animal este que em vida se desmanda, fertilíssimo, em bacorinhos, ranchadas de quinzena, e em morto se desmancha em pernis, lombos, costelas, orelhas, chispes e coiratos, dadivosos até ao fim (...) Para a gente das cavernas e das toscas cabanas que vieram depois, o porco devia ser a obra-prima da criação. Mais magnífica ainda a porca, pelas razões já ditas. E quando a Idade Média levantou os pelourinhos dos municípios, pôs como base deles a porca, animal protector, emblema e algumas vezes guarda. Os povos nem sempre são ingratos."
Aproveitemos, pois, orelhas, chispes e coiratos em nosso Umngqusho, tratando-o com a dignidade que ele merece: não a idolatria essencialista, mas a reivenção.
E olha que sou vegetariano!, de araque mas sou! Tanto que caldo de carne não entrou aqui!! =)
Friday, June 18, 2010
UMNGQUSHO

- 200 gramas de milho seco (pode substituir pela canjica)
- 200 gramas de feijão manteiga
- 200 gramas de feijão fradinho
- 1 colher de sopa de caldo de carne
- 1 colher de sopa de caldo de legumes
- 2 litros de água
Coloque tudo para cozinhar em uma mesma panela. Depois de quatro horas está pronto para servir.
PS: Este post é dedicado aos Xhosas e à minha colega Mônica Lima, Xhosa exilada no Rio, que veste colares, vive intensa e gosta de Áfricas.
Friday, June 11, 2010
Miojo Aux Zimbro, Whisky et redución de Mel
Mas não era dia de cozinhar. Não me preparara. Então vamos para comida de acampamento, comida de solteiro, comida não-comida: Miojo.
Mas como, como isso não podia ficar assim, alquimizei. Daí fiz uma redução com mel de laranjeira, derramei o Macallan maravilhoso que bebia e, last but not least, espalhei Zimbro, erva sem a qual não se vive.
Wednesday, June 09, 2010
Wednesday, June 02, 2010
Agora que é junho, e as amendoeiras caducam
Uma brevíssima antologia progressiva deste agradável mês de junho, em que os dias se tornam mais breve e as amendoeiras caducam.
O Spock's Beard tem a linda balada chamada "June", deste que é porventura o seu melhor trabalho, o Kindness of Strangers, de 1997.
O Midlake tem a lisérgica "Farewell June".
E o Soft Machine tem a maravilhosa psicodélica "Moon in June", do maravilhoso "Third".
Um raro registro este vídeo.







