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Saturday, August 17, 2019

Cerveja Nevada : A Melhor do Brasil



Se o meu avô paterno inventou as Balas Juquinhas (aqui), meu materno (aqui) foi publicitário, em época que essa palavra sequer existia. Quando fui enterrar minha avó, que para estupefação geral não pôde ficar ao seu lado no Caju, vi a profissão que lhe imputaram, cousa que eu jamais vira. Devia ter escrito, não escrevi, tinha a cabeça cheia de outras coisas.

Mas é dele o "Quem bebe Grapette repete". Pelo menos no folclore confuso dos von Sydow.

Então baixou esse avô aluado, também pianista, romântico e leitor de Dante, pois lá no Pará fiz meus reclames para as cervejas locais.

Na hora foi divertido


Wednesday, January 09, 2019

Cervejas Artesanais dos Diamantes



Ninguém vai ao Alto Jequitinhonha em busca de cervejas, mas já que atualmente se esbarra numa artesanal em qualquer tugúrio, pesquisas nos indicavam já a presença de uma Diamantina de lindos rótulos na cidade de mesmo nome.

Ao chegar nesta cidade, descobrimos a existência da Capistrana, cuja pilsen não nos soube bem -- aquele gosto muito cru de fundo de quintal. A IPA da Diamantina tampouco deixou boa impressão, mas o melhor estava por vir.

Certo fim de tarde -- e como são esplendorosos os fins de tarde por lá --, enquanto aguardávamos nosso bambá do garimpo, prato tradicional criado pelo ex-garimpeiro e hoje chef Vandeca, pedimos a Biribiri, uma blond ale da Diamantina, porque eu precisava trazer aquela garrafinha pra casa, para nela plantar sempre-vivas na sala. Bem, ela harmonizou absurdamente com o fim de tarde, a costelinha, os afro-sambas do Vinícius e do Baden Powell.

Mas o melhor estava por vir: no Sêrro Frio tem um café onde servem um golden da SerroBier e, rapaz, aquilo ali entre a escadaria da Santa Rita e a monumental Igreja do Carmo põe a gente comovido... De quebra, uma IPA cigana de Milho Verde (de Milho Verde!), sem rótulo nem nada, só uma etiquetinha. Valei-me Santa Rita.

PS: Em Milho Verde mesmo, no restaurante Angu Duro, tivemos alegria ainda de encontrar uma IPA de Sabinópolis! Já não era ela a acompanhar o frango com cerveja, mas mesmo o inverso. Ali, entre os cachorros, o fogão à lenha, e o horizonte infinito onde ardiam coivaras e sempre-vivas.




Thursday, December 06, 2018

Crônicas Peruanas XV :: Cerveja Artesanal

Ollantaytambo

O conselho para o entusiasta de cerveja no Peru é simples: vá de pisco e chicha (aqui) e deixa para tomar suas birras quando voltar pra casa. Seria assim simples e sensato não estivesse o país, pari passu com sua culinária, passando também por um boom na cena da cerveja artesanal. Em Lima, em Cuzco, em Arequipa (aqui) visitamos bares com invejável oferta de locais, muitas sazonais, muitas caprichando na cor local, como a provada em Lima com aguaymanto e a de Ollantaytambo com coca. Na pequena cidade inca de Ollantaytambo, a propósito, esbarra-se com elas em qualquer restaurante, o mesmo acontecendo em Àguas Calientes.

Lima



Arequipa (plé)



Cuzco

 
Ollanta

Saturday, September 01, 2018

Crônicas Peruanas XIV ::: Chelawasi


Meu amor por Sagarana começa pelo título, neologismo-hibridismo juntando duas línguas tão imprescindíveis quanto improváveis: o nórdico saga (e daí viria o inglês say) e o sufixo tupi -rana, à maneira de, como em taturana, tatarana, à maneira do fogo, como se fogo fosse, e dez anos depois, Riobaldo Tatarana.

Então, Sagarana = à maneira de uma saga. Mas não dos deuses nórdicos, antes sertanejos e plantas e burrinho.

Assim a cervejaria Chelawasi em Arequipa, que une chela, termo coloquial para designar cerveja em castelhano, e wasi, casa em quéchua. Casa de Cerveja, onde mais se pode querer estar?

Aqui um norte-americano de Oregon e uma limenha encontraram pouso onde fazem cervejas artesanas de qualidade, bem como servem outras tantas. Antes tentaram Lima, mas Lima sabem como é, o sol não brilha, a garúa chove. Em Arequipa fazem, dentre outras, uma Cascadian Dark Ale batizada de Black Jesus, que maravilha isso. Se no Rio temos os grafites / colagens do "Jesus Pretinho", do Alberto Pereira, o menino bebê retinto nos braços da Alvíssima Maria, aqui o menino cresceu, Jesus Negão.

Gostei tanto que comprei pôsteres. Evoé, Jesus.

Pix far from good






Sunday, August 05, 2018

Crônicas Peruanas II :: A Diabólica Chicha


Antes de qualquer coisa, a não confundir: a chicha que se bebe nos restaurantes, roxa porque feita de milho roxo, não é alcoólica, é quase mesmo um refrigerante e se chama chicha morada.

A chicha alcoólica, que atende por chicha de jora, é que é a diabólica: uma espécie de cerveja de milho, feita exclusivamente por mulheres que até há pouco utilizavam a saliva para a fermentação. Dir-se-ia a cerveja inca, embora em conversas que tive com chicheras, elas hajam preferido defini-la com uma espécie de vinho. Mas está mais para cerveja, uma sour, como aquelas belgas de fermentação espontânea, grupo exclusivíssimo de birras que ocorre na região de Bruxelas e só.

Por todo o Vale Sagrado (se por todo o Peru, não sei), a produção da chicha é absolutamente informal e caseira. Sabemos onde há chicha porque penduram um saco vermelho num cabo de vassoura ou pedaço de pau qualquer. Como não amar? As condições de higiene são pra lá de duvidosas e dois guias me advertiram que amiúde punha-se álcool caseiro para acelerar a fermentação. Pegamo-nos com São Martinho de Porres (como não amar?) e caímos de boca. Uma das experiências mais memoráveis de toda a viagem na já memorável Ollantaytambo.

Nas duas chicherías visitadas, um copo pornograficamente pantagruélico saía por apenas dois soles.

Depois, em Arequipa, descobrimos que a chicha servida nos restaurantes é a alcoólica e roxa. Uma tradição tanto das picanterías (aqui) como de restaurantes chiques como o... Chicha, do chef Gastón Acurio.

Como não amar?

Dona Maximiliana


Martín, companheiro da Maximiliana






Moinho de chicha

o moinho





No restaurante de Gastón Acurio, Arequipa



Friday, May 18, 2018

Lúpulo Mantiqueira, 100% Brasileiro


Tinha grande curiosidade de beber uma cerveja feita com lúpulo brasileiro, pois se trata da primeira vez na história em que se fez cerveja por aqui usando-se um lúpulo nativo. O lúpulo, vocês sabem, é trepadeira dos países frios, de que se usa a flor feminina para conferir amargor à cerveja. Sendo também um conservante natural (o que explica a origem das IPAs), o adorável lúpulo faz dispensar os conservantes químicos,que nada agregam de bom à bebida.

Se não me engano, a Baden Baden foi a primeira a produzir com o lúpulo mantiqueira, assim batizado por ter nascido como que por acaso, espontaneamente, em uma fazenda na adorável São Bento do Sapucaí (aqui). Espontâneo ma non troppo: não se trata de passarinho que papou o lúpulo na República Tcheca e fez seu cocozinho por aqui. Não. Rodrigo Veraldi já tentara plantar a trepadeira. Não vingou, ele desistiu, descartou a planta. Passado algum tempo, ela cresceu.

Então, no TremBier, o festival de cerveja de Tiradentes, demos com a Timboo, de Juiz de Fora, com a sua Mantiqueira, uma Brazilian Pale Ale, feita também ela com o lúpulo mantiqueira.

A história é ótima e a iniciativa, assim esperamos, seja verdadeiramente ensejo para uma grande produção futura. Isso não significa dizer que a cerveja em questão fosse uma maravilha. Indecisa entre IPA e sour, muito seca, não teve o amargor esperado. No nariz, tampouco impressionou muito, embora sentíssemos frutas vermelhas. Falta acertar. Coisas de terroir talvez.




Saturday, February 24, 2018

Uma IPA na Índia ::: Crônicas Indianas XI



Claro que eu tinha que tomar uma IPA na Índia, não apenas por ser doido por elas mas porque er.... eu estava na Índia, a razão de este estilo existir, já que os colonos não podiam ficar sem sua cerveja e, para que esta aguentasse a viagem sem going off, a solução encontrada foi tacarem lúpulo. Aquelas descobertas 'acidentais' da história da gastronomia, mais ou menos como os queijos cremosos franceses ou o vinho do porto.

Não foi fácil e só consegui em minha última noite em Déli. Em primeiro lugar porque, sim, eu estava muitissimamente mal acostumado com Goa,que tem uma legislação muito mais tolerante para com o álcool. Lá esbarra-se em Kingfishers o tempo todo e, procurando, bebe-se do poderoso feni, aguardente de caju, à vontade. No norte da Índia, a coisa é diferente: entra muitas vezes aquela história de que não se pode servir / consumir álcool perto de templos e, bem, em que lugar da Índia você consegue estar distante de um altar dedicado a Shiva ou de uma mesquita?

De modo que valorizei muito cada Kingfisher encontrada. E que é, de fato, uma pilsen muito honesta.

Mas faltava a IPA.

Veio na última noite em Déli, no The Beer Café, uma rede de pubs com cervejas do mundo mais ou menos triviais. Quanto às artesanais... bem, longe de ser um nirvana, um passeio pelas estrelas com Ganesha ou que me fizesse dar pulos com Hanuman. A IPA provada foi a da Bira 91, simpática porém com muuuuito caramelo. Da torneirinha bebi uma wit, simpática também. E só.

Em minhas pesquisas descobri uma IPA em Jaipur de nome Thornbridge, que o teimosíssimo garçom do maravilhoso restaurante Handy não somente desconhecia como não acreditava em sua existência. Mesmo depois de eu mostrar-lhe a foto na internet.



Sunday, November 12, 2017

Crônicas Cunhenses III :: As Cervejas Artesanais



Inocente, saio de casa achando que era só a Wolkenburg, mas ainda na estrada Guaratinguetá-Cunha descubro que o panorama das cervejas artesanais de Cunha é bem mais vasto. Num restaurante de estrada conheço a Griga's e já no perímetro urbano de Cunha visitamos o ótimo brewpub da Reale: grandes birras, lindo growler, garrafas belíssimas que me lembram a italiana Baladin.

No dia seguinte, no Drão, acompanhamos moqueca com IPA da Black Fin, sem dúvida a estrela da parada. Antes prováramos a pilsen da própria Wolkenburg, apenas ok. O sábado ainda nos traria surpresa veramente artesanal: numa cooperativa de produtores rurais, uma cerveja com mel que acabara de ser deixada por lá para ser comercializada. Tão fresca trazia ainda abelhas aferroadas ao rótulo. No almoço no pub 81, com seis torneirinhas, uma white IPA da Black Fin escolta o hambúrger de feijão fradinho.

Então vai contando: a Wolken, a Griga's , a Reale, a Fin, a do Apiário Alto da Serra. Faltou só provar a Teixeira. Eu diria que nada mal para um município de 20 mil habitantes.