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Friday, July 22, 2022

Cervejaria De Prael :: Inclusão

 

Minha vontade de visitar a cervejaria De Prael vinha de anos. Não sei precisar de que ano, mas sim de que momento: quando soube que empregavam apenas pessoas com histórico de questões mentais. Isso me cativou. Se nunca esqueci que o Lonely Planet dizia (isso também há muitos anos): "Se você tiver tempo para uma única visita em Amsterdam, vá à casa de Anne Frank", agora adiciono "E tome sua cerveja na De Prael. Se sobrar tempo, aí sim faça a Heineken Experience"

Fosse aqui no Rio de Janeiro, não durava um ano. Em Amsterdam cresceu, abriu filiais. Fomos na do centro, onde fabricam as birras mesmo. Ao contrário da maioria dos espaços da cidade, é amplo. Amplo e aconchegante

Soube depois que empregam também ex-presidiários, o que reforça seu slogan. All in all, uma experiência maravilhosa. Ah, as cervejas muito boas também. Em país de gigantes internacionais, Amsterdam tem um cena de artesanais fabulosa

  Com o Ulysses, ex-aluno, hoje amigo e amsterdamer

Thursday, April 30, 2020

Sarapó :: Cerveja Artesanal Amazônica


Peixe-elétrico para mim sempre foi o poraquê, mas em Novo Airão descobri que o elétrico da área atende pelo nome de Sarapó. Peixe poderoso e misterioso, com uma descarga que pode matar um cavalo.

Mas isso tudo eu descobri por causa da cerveja artesanal de Nova Airão que, tcharam, tem o nome do peixe.

Fomos muito bem recebidos na pequena fábrica, o dono todo ele cheio de ideias e planos, de modo que fica imperioso voltar. Pra conhecer Velho Airão, pra voltar a Anavilhanas, arquipélago infinito, pra sentar à margem do Rio Negro degustando Sarapós, que eletricidade também pode funciona na interação entre pessoas e entre pessoas e rios.

Notas de degustação? Uma cerveja bem-intencionada, mas que ainda precisa de acertos. Que com certeza virão.







Saturday, August 17, 2019

Cerveja Nevada : A Melhor do Brasil



Se o meu avô paterno inventou as Balas Juquinhas (aqui), meu materno (aqui) foi publicitário, em época que essa palavra sequer existia. Quando fui enterrar minha avó, que para estupefação geral não pôde ficar ao seu lado no Caju, vi a profissão que lhe imputaram, cousa que eu jamais vira. Devia ter escrito, não escrevi, tinha a cabeça cheia de outras coisas.

Mas é dele o "Quem bebe Grapette repete". Pelo menos no folclore confuso dos von Sydow.

Então baixou esse avô aluado, também pianista, romântico e leitor de Dante, pois lá no Pará fiz meus reclames para as cervejas locais.

Na hora foi divertido


Wednesday, January 09, 2019

Cervejas Artesanais dos Diamantes



Ninguém vai ao Alto Jequitinhonha em busca de cervejas, mas já que atualmente se esbarra numa artesanal em qualquer tugúrio, pesquisas nos indicavam já a presença de uma Diamantina de lindos rótulos na cidade de mesmo nome.

Ao chegar nesta cidade, descobrimos a existência da Capistrana, cuja pilsen não nos soube bem -- aquele gosto muito cru de fundo de quintal. A IPA da Diamantina tampouco deixou boa impressão, mas o melhor estava por vir.

Certo fim de tarde -- e como são esplendorosos os fins de tarde por lá --, enquanto aguardávamos nosso bambá do garimpo, prato tradicional criado pelo ex-garimpeiro e hoje chef Vandeca, pedimos a Biribiri, uma blond ale da Diamantina, porque eu precisava trazer aquela garrafinha pra casa, para nela plantar sempre-vivas na sala. Bem, ela harmonizou absurdamente com o fim de tarde, a costelinha, os afro-sambas do Vinícius e do Baden Powell.

Mas o melhor estava por vir: no Sêrro Frio tem um café onde servem um golden da SerroBier e, rapaz, aquilo ali entre a escadaria da Santa Rita e a monumental Igreja do Carmo põe a gente comovido... De quebra, uma IPA cigana de Milho Verde (de Milho Verde!), sem rótulo nem nada, só uma etiquetinha. Valei-me Santa Rita.

PS: Em Milho Verde mesmo, no restaurante Angu Duro, tivemos alegria ainda de encontrar uma IPA de Sabinópolis! Já não era ela a acompanhar o frango com cerveja, mas mesmo o inverso. Ali, entre os cachorros, o fogão à lenha, e o horizonte infinito onde ardiam coivaras e sempre-vivas.




Thursday, December 06, 2018

Crônicas Peruanas XV :: Cerveja Artesanal

Ollantaytambo

O conselho para o entusiasta de cerveja no Peru é simples: vá de pisco e chicha (aqui) e deixa para tomar suas birras quando voltar pra casa. Seria assim simples e sensato não estivesse o país, pari passu com sua culinária, passando também por um boom na cena da cerveja artesanal. Em Lima, em Cuzco, em Arequipa (aqui) visitamos bares com invejável oferta de locais, muitas sazonais, muitas caprichando na cor local, como a provada em Lima com aguaymanto e a de Ollantaytambo com coca. Na pequena cidade inca de Ollantaytambo, a propósito, esbarra-se com elas em qualquer restaurante, o mesmo acontecendo em Àguas Calientes.

Lima



Arequipa (plé)



Cuzco

 
Ollanta

Saturday, September 01, 2018

Crônicas Peruanas XIV ::: Chelawasi


Meu amor por Sagarana começa pelo título, neologismo-hibridismo juntando duas línguas tão imprescindíveis quanto improváveis: o nórdico saga (e daí viria o inglês say) e o sufixo tupi -rana, à maneira de, como em taturana, tatarana, à maneira do fogo, como se fogo fosse, e dez anos depois, Riobaldo Tatarana.

Então, Sagarana = à maneira de uma saga. Mas não dos deuses nórdicos, antes sertanejos e plantas e burrinho.

Assim a cervejaria Chelawasi em Arequipa, que une chela, termo coloquial para designar cerveja em castelhano, e wasi, casa em quéchua. Casa de Cerveja, onde mais se pode querer estar?

Aqui um norte-americano de Oregon e uma limenha encontraram pouso onde fazem cervejas artesanas de qualidade, bem como servem outras tantas. Antes tentaram Lima, mas Lima sabem como é, o sol não brilha, a garúa chove. Em Arequipa fazem, dentre outras, uma Cascadian Dark Ale batizada de Black Jesus, que maravilha isso. Se no Rio temos os grafites / colagens do "Jesus Pretinho", do Alberto Pereira, o menino bebê retinto nos braços da Alvíssima Maria, aqui o menino cresceu, Jesus Negão.

Gostei tanto que comprei pôsteres. Evoé, Jesus.

Pix far from good






Sunday, August 05, 2018

Crônicas Peruanas II :: A Diabólica Chicha


Antes de qualquer coisa, a não confundir: a chicha que se bebe nos restaurantes, roxa porque feita de milho roxo, não é alcoólica, é quase mesmo um refrigerante e se chama chicha morada.

A chicha alcoólica, que atende por chicha de jora, é que é a diabólica: uma espécie de cerveja de milho, feita exclusivamente por mulheres que até há pouco utilizavam a saliva para a fermentação. Dir-se-ia a cerveja inca, embora em conversas que tive com chicheras, elas hajam preferido defini-la com uma espécie de vinho. Mas está mais para cerveja, uma sour, como aquelas belgas de fermentação espontânea, grupo exclusivíssimo de birras que ocorre na região de Bruxelas e só.

Por todo o Vale Sagrado (se por todo o Peru, não sei), a produção da chicha é absolutamente informal e caseira. Sabemos onde há chicha porque penduram um saco vermelho num cabo de vassoura ou pedaço de pau qualquer. Como não amar? As condições de higiene são pra lá de duvidosas e dois guias me advertiram que amiúde punha-se álcool caseiro para acelerar a fermentação. Pegamo-nos com São Martinho de Porres (como não amar?) e caímos de boca. Uma das experiências mais memoráveis de toda a viagem na já memorável Ollantaytambo.

Nas duas chicherías visitadas, um copo pornograficamente pantagruélico saía por apenas dois soles.

Depois, em Arequipa, descobrimos que a chicha servida nos restaurantes é a alcoólica e roxa. Uma tradição tanto das picanterías (aqui) como de restaurantes chiques como o... Chicha, do chef Gastón Acurio.

Como não amar?

Dona Maximiliana


Martín, companheiro da Maximiliana






Moinho de chicha

o moinho





No restaurante de Gastón Acurio, Arequipa