Saturday, October 20, 2018

Mulheres Contra Bolsonaro na Cinelândia


O movimento do primeiro turno (aqui), no mesmíssimo local, estava bem mais cheio, é verdade, mas o de hoje não foi menos bonito e emocionante. E divertido, porque a gente se diverte, mesmo com as nuvens pretas no céu da política do país porque não sabemos ser de outro modo e nem queremos, por unha sequer, nos assemelhar aos eleitores do Coprófilo.

Teve gritos de guerra, muita cantoria, teve dança, teve leitura de manifesto e uma pequena apresentação do Teatro do Oprimido. Depois a caminhada para a Lapa.

( Sim, haja vista a cumplicidade podre do STF e do TSE, é possível que a vitória não venha. Mas não vamos entregar sem luta. E a luta não cessará )





















Monday, October 15, 2018

Athos Bulcão : Quantas coisas as pessoas podiam fazer e não fazem


Uma festa para os olhos a exposição do centenário de Athos Bulcão no CCBB de São Paulo. Veio de Brasília, deve chegar ao Rio, então verei novamente, mesmo porque me interessa ver possíveis diferenças entre as montagens.

Estavam lá os azulejos, claro, ou não seria. Mas estavam também muitas pinturas, antigas e recentes, croquis, depoimentos (ótimos; iluminam, acalmam), peças de roupa, uma sala só para as fotomontagens, e aí é impossível não lembrar de Jorge Lima. Estava lá capa de disco para os poemas de Vinícius e Paulo Mendes Campos. Estava lá imenso cubo, todo ele azulejos athos bulcão, em redor do qual meninas brincam e se escondem.

Sabe-se que Athos incentivava os pedreiros / operários a colocar os azulejos como bem quisessem, de modo que uma elipse que começa aqui não termina necessariamente ali, talvez nem termine, talvez seja outra que comece. Há uma parede no Sambódromo assim. Pesadelo para os pacientes de TOC de organização. Paraíso para crianças e andorinhas.

Eu gostei muito de Brasília. Fiquei hipnotizado com aquela falta de paisagem, o céu, esta vastidão. (...) Eu acredito muito em disciplina, no vai lá e faz alguma coisa. Eu fico imaginando quanta coisa as pessoas podiam fazer e não fazem.

Só foi mais complicado acertar como começar. Depis ficou fácil. É só colocar tudo invertido. Espero que fique bom. ( João Alves dos Santos, pedreiro responsável por assentar os azulejos na sede da Fiocruz, em Brasília-DF )
























MAHLER nas paredes do metrô (ou quase)

Toronto

MAHLER GROOVES pichado na pilastra de um viaduto em Washington D.C. impressionou tanto um jovem que por ali passava todos os dias no ônibus da escola que ele cresceu e tornou-se respeitado crítico de música erudita. Foi só pelo grafite? Claro que não mas que Alex Rossi é mahleriano dos bons isso pode ser comprovado neste seu texto aqui para a New Yorker de 1995.


Todos sabemos do revival de Mahler nos EUA -- e de lá para o mundo -- no final dos anos 60 e começo dos 70. O curioso é que o grafite / pichação em questão era do final dos 70, bem no ano em que a disco music dava as caras.

Se a intenção do grafiteiro Zach Smith era chamar a atenção dos passantes para o atormentado compositor, bem.

Muitos anos depois, já estamos no século XXI, pichações semelhantes aparecem em Toronto, espero que no caminho de ônibus escolar.

Eu mesmo fiquei com ganas de fazer uma aqui no Grajaú, este bairro que vota fascista, mas enquanto não me vem a coragem, faço esta postagem.  


Toronto

Washington

Friday, October 12, 2018

Grafites da Paulicéia


Quando o papo reto é grafite, arte urbana, São Paulo pode aparecer tranquilamente entre as 10 cidades mais expressivas do planeta. E olha que a disputa é acirrada (e todos saímos ganhando) e isso sem necessariamente ir ao Beco do Batman (aqui).

Mais que necessário para uma cidade que vota cada vez pior.

A colheita daqui é basicamente toda em Pinheiros. Os galãs do roquenrol (Jim ganhou até estalinho!) estão no Centro.

Reencontrei a Panmela Castro, de quem já falei aqui, conheci a Grazie. O restaurante indiano é o Bawarchi.















Gozando Junto com Athos Bulcão ::: Goz Junt # 36


Série bem pequena de registros na grande exposição do centenário de Athos Bulcão no CCBB de São Paulo. Série pequena, mas ainda que fosse apenas a foto acima, já valeria destaque.




Wednesday, October 03, 2018

Num balão com Camila e Dante



Gosto de pensar presentes. Para o aniversário da Camila deste ano, encomendei ilustração da Anna Cunha, que superou expectativas.

Já nem lembro como a conheci, essas redes virtuais. Lembro que mandei-lhe fotos, sugeri o tema, meti o bedelho aqui e ali sem interferir com seu estilo, que tende para uma paleta de cores em tons mais pastéis.

Achei a ocasião pedia limerique e, daquela, vim com este ::

Nem ônibus metrô ou avião
Tuc-tuc é legal mas agora não
Só queremos no momento
Isto é, havendo vento,
Celebrar os 90 num balão

O trabalho da Ana pode ser conhecido aqui.

Monday, October 01, 2018

TUTAMÉIA Ou Como um Fraquejada derrota os Truculentos



Foi seu amigo Paulo Rónai quem disse, acerca de Tutaméia, que "cada qual descobrirá dentro das quarenta histórias a sua, a que mais lhe desencadeia a imaginação", ficando ele mesmo ("Seja-me permitido citar as duas que mais me subjugaram pela sua condensação") com "Antiperipléia" e "Esses Lopes".

Acabei de ler Tutaméia pela terceira vez. Na primeira, em 88, fiquei aturdido demais e talvez seja apropriado dizer que não é livro para se iniciar em Rosa, mas mais apropriado é que não há o livro para se iniciar em Rosa. A segunda, sete anos depois, foi profunda. Mas porventura interessada demais: era livro para o ingresso no mestrado na PUC-Rio. A terceira foi esta, totalmente desinteressada, naquela hora entre 6 e 7 da manhã, papagaios e sabiás em algazarra por sobre meu ombro esquerdo.

Eu amei essa nonada toda, esses ossinhos de borboleta, eu quero agora voltar pro Serro.

E "Esses Lopes", o que é isso? Como sublinha com exatidão estes nossos dias, como deve inspirar a quem quiser lutar contra a misoginia chancelada por grande parte da população. (Ver aqui)



Má gente, de má paz; deles, quero distantes léguas

Quero falar alto

Com eles, nenhum capim, nenhum leite.

Ainda achei o fundo do meu coração

Regi de alisar por fora a vida

Custoso que nem guardar chuva em cabaça, picar fininho a couve


Que em meu corpo ele não mexa fácil

#EleNão :: Machismo Escorraçado às Dentadas em Tutaméia


De todo redundante defender a permanência de Guimarães Rosa no atual panorama das letras brasileiras. Mas a atualidade de "Esses Lopes", décima estória de Tutumaéia, no panorama social, político e, vá, literário brasileiro, é veramente assombrosa.

Senão vejamos.

O conto trata de mocinha de nome Flausina, mas ela nem gosta do nome, queria chamar-se Maria Miss. Assediada, menina ainda, por um Lopes, "má gente, de má paz", ela é enfim estuprada e arrastada para sua companhia. Seus pais nada podem fazer.

Flausina aguenta o repuxo (Ninguém põe ideia nesses casos: de se estar noite inteira em canto de catre, com o volume do outro cercando a gente, rombudo, o cheiro, o ressonar, qualquer um é alheios abusos), mas faz suas tramas e suas beberagens: mata o bruto.

Varri casa, joguei o cisco para rua, depois do enterro.

Depois vêm outros dois Lopes, irmão e primo do brutamontes primeiro. Maria Miss enreda a ponto de colocá-los em duelo mortal. Não sem antes fazer seu pé-de-meia.

Vem o velho, o patriarca e, assegurada de que agora "só muito casada", dá a ele o que ele pedira: "gordas, temperadas comidas, e sem descanso agradadas horas".

O velho morre da morte macaca.

Uma mocinha, uma fraquejada, derrota toda a raça dos Lopes: UM PAI E TRÊS FILHOS.

Hoje vive com seu amor, não quer nem os filhos perto de si (também são Lopes), quer o bom-bocado, quer gente sensível, pois achou o fundo do seu coração.


Quero falar alto. Lopes nenhum me venha, que às dentadas escorraço.




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