Wednesday, August 20, 2014

O Vasco faz 116 Anos, parte II


Mais alguns registros em comemoração aos 116 anos :: São Janú, Sede Náutica, Madureira e, bonito de ver, a presença em cidadezinhas da Chapada Diamantina, Bahia.









Iraquara - BA

Palmeiras - BA



O Vasco faz 116 Anos. Parte I



Em homenagem ao aniversário de 116 anos do C.R. Vasco da Gama, alguns registros do que tenho colecionado. Poderia, assim reza a tradição, colocar 117 fotos (mole), mas isso daria um blog inteiro. Seguem 22, em duas partes.

Ao contrário deste post aqui, ora coloco alguns registros em botequins. E fotos de casa, de um modo ou outro.



Bar da Lurdinha :: Marechal Hermes

Bar do Batata ::: Morro do Pinto


Café e Bar Batista :: São Cristóvão

Café e Bar Valente : São Cristóvão

Bar do Mariano : Grajaú



Meu pai, leitor



Meu pai é o maior leitor que já conheci, à frente de todos os professores que tive, somados. Durante meu mestrado, enquanto meu orientador me indicava xerox de textos, ele me indicava livros, que o Sr. professor doutor orientador desconhecia. Meu pai é leitor onívoro e voraz. Acho que suas preferências são história, psicologia, espiritismo, literatura, budismo, artes, crítica literária, teosofia, biografia. Nunca foi um grande leitor de poesia, mas gosta de Pessoa e Bandeira. Quando um autor cai nas suas graças, faz a coleção. Não gosta de 'coisa difícil', de modo que nunca fez a coleção de  Rosa ou Conrad. Com ele aprendi, desde pequeno, a "correr os sebos". Em viagem de férias a Natal, comprou 74 livros nos sebos de lá. Isso, um sujeito vai veranear na esquina do Brasil e volta com 74 livros. E não por serem os sebos natalenses especiais. Sempre comprou mais do que podia ler, outra coisa que herdei. Vítima de médicos carniceiros e barbeiros e, em menor parcela, do tempo (senectus ipsa morbus est, gosta de citar), hoje caminha com grandes dificuldades, de modo que já não pode correr os sebos. Apresentei-lhe descrente à Estante Virtual. Amou.

No Dia dos Pais presenteei-lhe com Homem Comum, do Philip Roth (de quem bloguei aqui). Devido aos nossos horários apertados, almoçamos frugalmente em casa pasteis de tilápia com cerveja. 

Já no Rio recebo a mensagem pelo whatsapp às 19:05: "O livro veio na hora certa me induzindo a muitas reflexões sobre a minha velhice".

Ele já tinha terminado a leitura.


Sunday, August 17, 2014

Gozando Junto IIIIIIIIII


Continuando a série, para o gozo conjunto ::: selfie, sombra, debaixo do bandeirão, espelho, flor.







O Pelicano do Grajaú



Meus conhecimentos de ornitologia são mais escassos do que eu queria, mas ou muito me engano ou este pássaro de louça há anos empoleirado no alto de uma casa no Grajaú é um pelicano.

O que é verdadeiramente assombroso.

Muitas casas do fim do XIX e começo do XX eram adornadas por águias, daí a minha coleção (aqui). Mas, pelicano?

O pelicano, todos o sabemos, é um símbolo cristão. Pelo fato de o penoso ter uma mancha no peito, associaram o bicho a Jesus, com a metáfora de que ele arrancaria um pedaço de si mesmo para alimentar a prole. Metáfora engenhosa.

Strindberg valeu-se dela em sua peça O Pelicano, de 1907. Uma porrada. Adélia Prado, embora muito católica, parece ter passado ao largo disso em seu poema homônimo.

Tenho hipótese para a presença do pelicano ali na rua onde morei. Tenho também notícias de um outro pelicano (será o mesmo?) em prédio oitocentista na Rua do Lavradio. E recém vi pelicanos na Oficina Brennand.

Isso tudo fica pro segundo post sobre o assunto. Por ora o poema da Adélia.




O pelicano
                        Adélia Prado

Um dia vi um navio de perto.
Por muito tempo olhei-o
com a mesma gula sem pressa com que olho Jonathan:
primeiro as unhas, os dedos, seus nós.
Eu amava o navio.
Oh! eu dizia. Ah, que coisa é um navio!
Ele balançava de leve
como os sedutores meneiam.
À volta de mim busquei pessoas:
olha, olha o navio
e dispus-me a falar do que não sabia
para que enfim tocasse
no onde o que não tem pés
caminha sobre a massa das águas.
Uma noite dessas, antes de me deitar
vi - como vi o navio - um sentimento.
Travada de interjeições, mutismos,
vocativos supremos balbuciei:
Ó Tu! e Ó Vós!
- a garganta doendo por chorar.
Me ocorreu que na escuridão da noite
eu estava poetizada,
um desejo supremo me queria.
Ó Misericórdia, eu disse
e pus minha boca no jorro daquele peito.
Ó amor, e me deixei afagar,
a visão esmaecendo-se,
lúcida, ilógica,
verdadeira como um navio.




Saturday, August 16, 2014

Um homem feliz será aquele em meio a azulejos

Antonio Maluf :: São Paulo


O Inferno sei bem como é, já li duas vezes o Dante. O Purgatório comecei mas não terminei, enquanto que o Paraíso sequer comecei mas conheço por outras vias, bem como algo do limbo. Se essa divisão post-mortem existir mesmo, não creio estar qualificado para ir lá pra cima.

Portanto, sigo aqui fazendo o meu Primo Mobile.


Athos Bulcão :: Brasília

Athos Bulcão :: Brasília

Niemeyer :: Curitiba

Brennand :: Recife

Anônimo :: boteco em Benfica

Friday, August 15, 2014

Igrejinha de N. S. de Fátima, Brasília



Recém-escrevi sobre a igrejinha aqui. Estive lá para conhecer a azulejaria de Athos Bulcão e acabei levando algo mais. 

A igrejinha fica entre a 307 Sul e a superquadra modelo, a 308. O projeto é do Niemeyer, os azulejos do Athos, o projeto paisagístico (da quadra) do Burle Marx. A pintura era do Volpi.

A igreja nasceu de uma promessa da então primeira-dama, Sarah Kubitschek. Vejam que maravilha, você faz uma promessa e depois contrata Niemeyer, Athos, Volpi. Quem pagou a promessa?

A pintura era do Volpi. Seu mural abstrato deu lugar a pinturas de Francisco Galeno, verdadeiramente adoráveis os carretéis (em nada Iberês) e as pipas e as bandeirinhas. Mas se a igreja foi tombada em 1982, como assim retiram o Volpi?




Brasília, com filtros Instagram (Ou InstaBrasília)











Algo de novo talvez sobre Brasília. E algo do velho sempre bom.

Wednesday, August 13, 2014

Nilton Bravo, pintor de botequins ::: Soneto


Où coule au lieu de sang l'eau verte du Léthé
Charles

pro Rixa


pintor de botequins, o Nilton Bravo
acolhe em suas sombras homens gastos
que se deixam estar qual velhos gatos
para suas choupanas e castelos
para suas ruínas e flamboyants
voa a alma daquele homem só
que lentamente bebe sua cerveja
é mesmo bom essa total ausência
da figura humana de suas telas
uma mulher talvez lembrasse a amada
que mastigou o coração do homem
que lentamente bebe sua cachaça
que pinga em suas veias em filetes
e preguiçosamente forma o Letes





PS :: enfim um soneto para o Nilton Bravo. Não está pronto, mas é aquela história, blog não é livro etc. Ilustra-o um Bravo que até agorinha eu tinha na pasta das "dúvidas". Ao examiná-lo agora decifro a assinatura no lado direito. É, pois, outro Bravo legítimo, situado no bairro de Vasco da Gama, ao pé mesmo de São Januário. Alguns Bravos do blog são citados aqui.




Monday, August 11, 2014

Igrejinha de N. S. de Fátima :: Athos Bulcão



Falar de igreja em Brasília será, invariavelmente, remeter à Catedral Metropolitana, uma das obras maestras de Niemeyer.

Mas antes mesmo que Brasília ficasse pronta, mais precisamente dois anos antes, já estava de pé a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, ali na Asa Sul.

Ficou pronta em 100 dias. O projeto é também do Niemeyer e, se não tem o voo daqueles três anjos maravilhosos, cobre-a externamente, do chão ao teto, azulejaria do Athos Bulcão, artista carioca que tanto se identificou com Brasília.

Esses azulejos são os únicos figurativos de Athos e, embora ele ponha a voar um pássaro branco sobre fundos azuis de diferentes tonalidades, voos descendentes que nos fazem pensar no Espírito Santo, não o serão tão facilmente figurativos assim.

A capela é pequena e acolhedora, parece casa de boneca. O efeito total é enternecedor.

Eu morava ali. Mole.