Friday, December 11, 2015

Dois Limeriques para Dante e Lara


Enfim conheci a Lara, a namorada do Dante. Esses meninos são assim, tempos modernos, começam a namorar antes de comunicar aos pais. Fazem muito bem. 

No pequeno musical, Lara era ninguém menos que Mamãe Noel, enquanto Dante, ajudante na fábrica de brinquedos. Deu no que deu. Tempos modernos, fazem muito bem.

Descubro que Lara adora rimar!

Dois limeriques para eles. O segundo viola abertamente o esquema AABBA. Mas em compensação tem as últimas palavras em ara, era, ira, ora, ura.


Lara e Dante fazem alegre rebu
Igual nem no Leblon ou no Caju
E vejam que coisa chique
Eu fiz este limerique
Pro mais lindo casal do Grajaú.

Pequena grande amiga é a Lara
Tudo acontece quando não se espera
Alegria que ninguém tira
Saber que a primeira nora
Causa no Dante alegria pura 



Monday, December 07, 2015

Sonhei com Borges esta noite



Sonhei com Borges nesta noite. No sonho, assombrosamente nítido, ele já completamente cego, em algum lugar da serra fluminense (Penedo?). Camila também estava no sonho e no sonho já estivera com ele. Ele me mostrando as coisas, uma espécie de comunidade alternativa. Havia crianças e vacas. 

O Borges, doido pela Islândia, na única comunidade finlandesa da América Latina. Certa verossimilhança aqui, pois. Mesmo que hoje restem apenas vagos traços de Finlândia em Penedo, o cego tiraria de letra e logo construiria todo um vasto espaço piranesiano de habitantes de fala difícil.

Conto ao meu pai o sonho, que imediato pergunta que língua falávamos. No que responde de imediato "castelhano", embora eu não tenha menor certeza disso, ele logo emenda ter sido um sonho de qualidade.

"Bem no fundo do sonho estão os sonhos. A cada
noite quero perder-me nas águas obscuras
que me lavam do dia"


De manhã chove muito e no andar de baixo a vizinha toca Satie. Depois que boto o Dante para a escola deito-me no sofá para ler os seus poemas, que eu quisera estivessem em livro de areia.

Saturday, December 05, 2015

Um Museu para Manoel Félix Igrejas ::: A Casa do Minho



Assim como o Bar Arco Teles poderia ser informalmente considerado um verdadeiro museu da obra de Nilton Bravo, pelo fato de posssuir nove paineis do mestre, proclamo hoje que a Casa do Minho, aquela casa portuguesa muito recuada no Cosme Velho poderia, com sobras, ser um Museu Manoel Félix Igrejas, dada a generosa quantidade de suas obras ali.

São sete obras : seis paineis azulejares e uma tela (!). Simplesmente fantástico, inda mais se consideramos que seu trabalho ali se estende por quatro décadas.

Esta que provavelmente é uma das obras mais importantes do Manoel em nossa cidade -- um lindo painel de 140 azulejos com sua típica moldura colocada no restaurante Costa Verde -- é de 1971. Neste mesmo ambiente uma pintura sua a óleo (!) retratando moinhos minhotos, de 1983. Nota-se que a pintura já sofreu cortes. Antes de se chegar ao restaurante, um belo painel dedicado à Nossa Senhora da Conceição do Sameiro, de 2010, onde Manoel, ao retratar os anjos, pode dar voz à sua veia naïf.

Colocado no alto de uma escadaria, só sendo possível a visualização para quem desce, outro grande painel quadrado de 121 azulejos de 2009 em que o pintor português homenageaia sua mulher Margarida, que o ajudava com as tintas.

Subindo um pouco mais, descobrimos um fonte com outro painel do Manoel, desta feita de 2005. Novamente motivos minhotos, a pudica minhota ounvindo os flertes de um Santos Dumont. Em local a que não tive acesso, outro pequeno painel com poema tecendo loas ao Minho. 

E só na saída nos deparamos com outra pequena, notável, obra do Igrejas, de 2012. Na entrada, porém perceptível apenas para quem sai : um Afonso Henriques de espada na mão, incomum em Igrejas por ser no tradicionalíssmo azul e branco português.

Não por acaso Manoel Félix Igrejas foi homenageado com uma sala de cultura.























Ontem saí pra passear no Méier



Ontem saí pra passear no Méier, saltei ali no começo da Dias da Cruz e resolvi voltar um pouquinho. O suficiente para estar no Lins. Como sói acontecer, andei pra cacete e, quando vi, estava sob o Engenhão, isto é, Engenho de Dentro. Andei mais algumas jardas e depois peguei táxi para voltar pro Grajaú, mas desci no meio do caminho. Estava no Engenho Novo.

Então de Méier Méier mesmo, não teve nada. Ou teve, que tem horas que ninguém sabe direito que bairro que é.