Wednesday, June 13, 2018

República de Pinheiros, SP


Temos Camila e eu uma ligação afetuosa com Pinheiros, que tão bem nos acolhia quando ela ainda morava em São Paulo. Mas teríamos mesmo se não fosse ali que ficássemos. Em Pinheiros está a melhor empanada chilena, bem, mas bem melhor que as do Chile e Uruguai. Em Pinheiros sebos deliciosos, como o Avalovara. Em Pinheiros, o paraíso da cerveja artesanal, com o Empório (parte das minhas cinzas quero-as aqui) e a Nacional. Em Pinheiros aqueles prédios de apartamento pequenos, três andares só, onde quem não moraria? Em Pinheiros, o melhor botequim de Sampa, o Cu do Padre, empata com o do Hugo no Itaim, que tão bem soube fazer adaptações sem conspurcar a alma.

Em Pinheiros os ipês florescem mais cedo












Réquiem para Radim Hladik



Na pequena cena progressiva tcheca / tcheco-eslovaca dos anos 70, reprimida por um daqueles odiosos governos 'comunistas' de então (bem, um mérito ao menos aqueles burocratas do estadão têm: não permitiam que se cantasse em inglês! =) ), sobressai fácil o Modry Efekt, com seu virtuoso Radim Hladik.

Já definido como uma mescla do melhor Akkerman com o melhor Santana, Hladik é capaz de uma sonzeira diabólica e um lirismo doce e terno. Ele tocava numa banda obscura da Europa Oriental. Fosse Inglaterra.... gente, quem seria Jeff Beck na fila do pão?

Por estes dias descobri que faleceu em 2016, aos 70.


Monday, June 11, 2018

Paranapi, então, também acaba?



Leminski escreveu "Amor", que é assim:

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Que eu rasuro:

Paranapi, então,
também acaba?
Não que eu saiba.

E seguem alguns registros da Vila de Paranapiacaba, distrito de Santo André, Serra do Mar, tantas neblinas.

Diadorim, minha neblina




















Sunday, June 10, 2018

Gozando Junto XXXII (SP e Paranapiacaba)


Não é como estar em locais onde todos tiram fotos freneticamente, talvez por isso a euforia de encontrar cliques no Anhangabaú, nas escadarias do Teatro Municipal, no grafite do Kobra.

E ainda teve Paranapiacaba.






 Mais da série: aqui, aqui e aqui.


Tuesday, June 05, 2018

Manfred Mann :: Cantar como um Galo na Madrugada



Henry David Thoreau, leitura tão indispensável para resistir no Brasil hoje, postou no início do Walden:

I do not propose to write an ode to dejection, but to brag as lustily as chanticleer in the morning, standing on his roost, if only to wake my neighbors up.

Não foi outra coisa que Manfred Mann fez no início de The Good Earth, trabalho de 74, que tinha a responsabilidade de suceder Solar Fire: postou o canto de um chanticleer para acordar os vizinhos para a ecologia, então incipiente, para a injustiça na sua África do Sul e para a beleza de uma banda que começara beat e que agora fazia um progressivo da melhor qualidade.

Que disco maravilhoso. Lamentável que até hoje muitos só lembrem desta banda por causa dos covers de Dylan e Bruce Springsteen. Maravilhoso de fio a pavio. Começa apenas rock and roll e na mesma música de abertura (são 8 minutos) se transforma. E ainda tem todo o lado B, com as duas partes de "Earth Hymn" que recebem entre elas "Sky High" e "Be Not to Hard" (obra-prima sobre a qual escrevi aqui).

Prestigie os artistas comprando seus trabalhos e indo aos seus shows. Posto o link para que conheçam.



Sunday, June 03, 2018

O Estilo Missões por aí ::: Nova Série

Santa Teresa

Não sei bem por quê, mas uma postagem de dois anos atrás sobre o estilo Missões, aka neocolonial hipânico (aqui), é das mais lidas de todos os tempos. A ela seguiu-se outra, só com exemplares de Quintino (aqui). Então fui espanar uns arquivos por aqui e vi que já dava, com sobras, para uma outra seleção, do imponente semi-palacete de Santa Teresa às casinhas de subúrbio.

Engenho de Dentro
Engenho de Dentro

Higienópolis

idem

Madureira (e as duas seguintes)



Maria da Graça

idem


Olaria

idem

Paquetá

também

Praça Seca

idem

Rio Comprido


Tijuca

idem

Vila da Penha

Mestre Cascudo e Coelho Neto



Dentre os livros do Cascudo da biblioteca do meu pai que estavam endereçados à Livramento e que subtraí no caminho (aqui), o ótimo Gente Viva, primeira edição, Recife, 1970. Livro original na vasta bibliografia original do mestre Luís da Câmara. Aqui ele escreve 41 perfis de homens (nenhuma mulher) que admirou, do seu tio Chico Pimenta ao Coelho Neto. Por aqui descobri que ele só chamava o Guimarães Rosa de Sagarana e só por isso meu roubo justificava-se.

Com Coelho Neto, autoproclamado "o último heleno", foi generoso, sem no entanto deixar de ser crítico ("Para exibir um flor, trazia todo o jardim"; "Irritava a mania de citar a Grécia e seus modelos"). 

Quando ele escreve "Mandou para mim livros, cartas, com aquela letra incomparável de desenho heráldico", lembrei que tenho edição autógrafa do Coelho Neto, de 1927, e que sua descrição é precisa. 

Nunca li.