Sunday, July 20, 2014

Pastel de Jaca, sim. Não duvidem



Houve quem duvidasse do pastel de jaca, relegando-o à condição de poetagem minha. Nada disso, tretarca, o pastel existe sim senhora, é tradição culinária viva de todo o Vale do Capão. Tão tradicional quanto o acarajé em Salvador.

Mas deve ser provado no Capão. Já provou você o acarajé do alto da Sé de Olinda? Esquecível. Ou inesquecível para se tornar dispensável. Horizonte Perdido, não pode sair de lá.

Isso serão poetagens, reconheço, mas é questão de terroir. Terroá, ótimo café. Mas isso já é para outro post.





O café

A Dona Helena faz pastel de jaca (Ou por que nunca se conheceu a Cachoeira da Fumaça)



a Dona Helena faz pastel de jaca
com a mesma massa com que faz o pão
amassa os dentes da cansada faca
resgata a culinária do Capão
a Dona Helena mora na passagem
que leva os caminhantes pra Fumaça
adverte esperta à porta essa viagem
é muito longa desconheço raça
de gente que despreze um bom descanso
vem entra aqui demora um pedaço
que já te trago um pastel de jaca
vai ser do frito ou vai ser do assado?
Dois de cada :: e uma cerveja também
fique a Fumaça pra amanhã. Amém.

Saturday, July 19, 2014

Gataria :: Fotos



Não foi só porque conheci lugarejo de nome Conceição dos Gatos. Nem porque em um dos lugares fiquei na Rua dos Gatos. Sempre tirei foto dos bichanos mesmo e nesta viagem não foi diferente.

Os salvadorenhos me pareceram ligeiramente preguiçosos, ao passo que o de Recife é muito atento, todo senhor de engenho e de si, um verdadeiro puma.

Mas o pulo do gato foi em Conceição.
 
 
Pelourinho

Pelourinho
 
Recife
 
Olinda

Conceição dos Gatos
 

Thursday, July 17, 2014

Soneto da Moqueca de Jaca (Ou Antes não tinha mas agora tem)



Dona Maria inventou moqueca
de jaca coisa que ninguém mais faz
em todo o vasto Vale do Capão
a sua mãe de noventa e quatro anos
já soletra que o tempo é capaz
de tudo ela que tirou criança
para a luz ensurdecedora da
vida e ela que ainda puxa o terço
em português mestiço e latim terso
ora (direis) moqueca sabe a sal
e moqueca de jaca não existe
Dona Maria é cúmplice do vento
antes não tinha mas agora tem
a tradição é coisa que se inventa




D. Maria com o marido, o doceiro Ivo

Dona França, mãe da Maria

Ora (direis), jacas!



Por seis dias e seis noites realizamos o sonho infantil de morar no alto de jaqueira centenária. Seis dias e seis noites trepando na jaqueira do Vale do Capão. Não fizemos da vecchia signora objeto de culto fitomórfico, antes tratamos a velha com intimidade, a ponto de usar seus galhos que se multiplicavam pelo quarto como varal.

Uma velha senhora reumática de 120 anos. Nas madrugadas de vento, como gemeu. Ao pé da cama crescia uma jaca. Demos sonoras cabeçadas nela ao nos levantar para as visitas noturnas ao banheiro. Porque não é toda noite que.... Depois acostumamos. Ou não. A jaqueira causa ainda estranhezas e na impossibilidade de transportá-la nas mochilas, trouxemo-la no coração.
 



 
PS bobinho :: Numa noite assistimos a uma comédia espanhola muito pueril com a Penélope Cruz. Filme que faturou Óscar de melhor estrangeiro. História de soldado desertor que cai em uma casa cheia de mulheres. A única coisa digna de lembrança ::: o soldadinho abandonou seu exército na cidade aragonesa de... Jaca. Então, tá.

Wednesday, July 16, 2014

Olinda ::: Pisos



Aos lugares bonitos vale a pena retornar muitas vezes, que sempre direcionamos o olhar para diferentes pontos. E somos surpreendidos de maneiras diferentes.

Eu já subira e descera ladeiras de Olinda, mais de duas vezes até.
Mas só agora reparo os pisos de azulejo hidráulico. Não só em igrejas, mas também em casas e restaurantes.









Tuesday, July 15, 2014

Gozando Junto IIIIIIIII


Mole (epa) gozar junto no Pelourinho, mormente se é Copa do Mundo, e no Farol da Barra, todo dia é dia foda-se a Fifa, tal a profusão de câmeras.

Mas acho que meu destaque aqui fica pras mãos que focam o anjo azul no claustro de Olinda. E pro pai amoroso que registra a filha na cachoeira do Capão. Sua câmera rosa, a saia rosa.
 

Farol da Barra :: Salvador

Farol da Barra :: Salvador

Pelourinho

Pelourinho

Pelourinho

Capão

Capão

Olinda

Chapada, Olinda ::: Botecos

Venda em Palmeiras-BA


Na Chapada Diamantina, em Olinda, Recife, Salvador, as dificuldades para encontrar botequins tradicionais são as mesmas do Sudeste. Botequins tradicionais conservados, bien sûr, isto é, que retenham elementos elencados aqui. Não foi menor a dificuldade em Fortaleza (post aqui e aqui).

A tese, portanto, de que a falta de poder econômico acaba causando a conservação treme em suas bases de barro. Assim como a galera entra no crediário das Casas Bahia para comprar aquela tela plana que ocupa toda a parede da sala, o dono de botequim penhora até os fios da barba para substituir o azulejo hidráulico e os cobogós pelas horrendas lajotas brancas que fazem dos botequins enfermarias.
 
Mas sempre se encontra aquela joia encravada. No Capão o Bar do Capão tem em suas pilastras e paredes externas afrescos do grande pintor local (embora paulista) Salomão Zalcbergas.

Descubro em Palmeiras (Chapada) vetusta venda conservada em formol, em que o forte são os itens de açougue. Em Palmeiras, ainda, no Bar do Lêlê, um vascaíno traz sua paixão no taco.

Em Recife, a Venda do Seu Vital mostra que Poço de Panela é mesmo uma cidade dentro da cidade. Inacreditável.

E em Olinda chove muito no Bar dos Quatro Cantos, reduto do Sport.

E a Bodega de Véio, a uns cinquenta passos, é dos melhores botequins-armazém. Misto de Armazém do Senado, Cardosão, Casa Paladino. Mas com folheto de cordel inda molhado do mimeógrafo. Vale a viagem. E na quinta-feira lota como carnaval.

Bar do Capão

Bar do Capão

Bar do Capão

Bar do Capão

Bar do Lêlê - Palmeiras
Venda do Seu Vital
Bar dos Quatro Cantos

Bar dos Quatro Cantos

 

Bodega de Véio (e todas as demais)