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Wednesday, August 21, 2019

As 10 mais do progressivo sueco Pós-70


Passada a fase "áurea" do movimento, que na Suécia, ainda mais que na Itália, estava visceralmente ligada a questões políticas, continuou-se a fazer ótimo rock progressivo no país. Continua-se. Coloco áurea entre aspas porque felizmente não sou como aqueles apegados a numerologia ou que consideram o rock progressivo um "estilo de época", como o Arcadismo.

Não foi nada fácil fazer esta lista, escolher apenas uma de cada. Há grande variedade, mas percebe-se como a galera é chegada a um mellotronzinho. 

Tenho um carinho muito especial pelo Anglagard, principalmente o segundo disco. Não ligo muito para o Beardfish, embora tenha quase tudo. O Moon Safari é um tesouro, o Liquid Scarlet eu toco em sala de aula. "Flora Majora" me é tão especial que a usei como trilha-sonora para um vídeo que fiz para as pessoas que amo neste mundo. Do disco do Ritual podia fechar os olhos e pegar qualquer. Mas esta é fueda.

ANEKDOTEN - "Wheel"

ÄNGLAGÅRD - "Kung Bore"

BEARDFISH - "The stuff that dreams are made of"

FLOWER KINGS - "Flora Majora"

GÖSTA BERLINGS SAGA  - "Svarta hål och elljusspår"

LIQUID SCARLET - "Lines are drawn again" 

MOON SAFARI - "Methuselah's children"

MORTE MACABRE - "Symphonic Holocaust"

ØRESUND SPACE COLLECTIVE - "Rumble"

RITUAL - "Infinite Justice"







Wednesday, March 28, 2018

Traffic de Mellotron


Foi Camila quem me aproximou do Traffic, que eu conhecia apenas perfunctoriamente, enquanto ela, bem pelo contrário, tinha o Steve Winwood na conta de muso-mor do seu panteão progressivo, ao lado do Carl Palmer. Houve mesmo junho em São Pedro d'Aldeia, em 2013, que teve The Low Spark of High-heeled Boys como trilha-sonora de sexta a domingo.

Entre tantas audições, reparo numa música com um lindo mellotron e daí vou direto à bíblia Planet Mellotron para descobrir que são pelo menos quatro as canções em que o Tron brilha: três do primeiro disco de 67 ("House for Everyone", "No Face no Name no Number" e "Coloured Rain") e outra do último, sete anos depois, "Dream Gerrard".

Em todas elas o mellotron é de enfartar. Em "Dream Gerrard" o suingue é mais traffic que nunca, embora fosse já o Schwanengesang da banda.
PS: Com esta postagem inaugura-se oficialmente a 'tag' mellotron!

Friday, January 05, 2018

Uma Joia Bretã recheada de mellotron



Aqueles que amam o mellotron de verdade sabem que, durante ou depois de uma crise de abstinência, deve-se apagar as luzes (ou desligar o sol) e deixar que Spring, Morte Macabre, Änglagård, The Virgin Suicides, "Watcher of the Skies" ou "Mysterious Semblance at the Strand of Nightmares" pingue lentamente em nossa pele de modo a restabelecer alguma normalidade.

Bem, segue agora outra dica: a banda bretã Flamen Dialis, que em 1979 lançou o álbum Symptome-Dei.

Algo como Magma meets Wapassou, para ficarmos só entre os franceses.

Não digo que seja tão bom quanto Magma ou Wapassou. Ou quanto os demais citados. Mas que vai aplacar qualquer fissura por mellotron, mon Dieu....


Wednesday, January 03, 2018

Messin' (1973) :: Manfred Mann



Progheads costumam considerá-lo o álbum da virada : uma banda mais rock e blues goes prog, nada incomum naquele ano de 1973. O disco seguinte, Solar Fire, já seria o da plenitude progressiva, e é bastante emblemático que ele abra com uma canção completamente reformulada, completamente outra canção, do Bob Dylan, de quem Manfred Mann já vinha fazendo covers desde sempre (aqui).

Também aqui há um cover de Dylan, fato interessante, a música just fine.

Voltando ao Messin': um discaço, que deixa tatuada no acetato a sua condição mestiça de disco de transição. (Mas todo o rock progressivo é mestiço.) Um lado A bem mais prog, um lado B mais blues-rock. Era bom poder dar sentido à história de dois lados. Vide Felona e Sorona, vide outros tantos, the medium is the message, aqui não sei se intencional, como no caso do Le Orme, o que pouco importa, pois a message cabe a nós dar sentido.

Destaques: 

A primeira música, que dá título ao álbum: ótima, politizada e com três minutos de um dos mais lindos solos de guitarra ever.

"Buddah": bluesão pesado. Lots of moog.

"Cloudy Eyes": ótima instrumental.

Do Lado B, a "Black and Blue", sobre a qual escrevi aqui. É notável que num blues eles insiram um bocado de moog lá no final. Transição é isso. E no álbum seguinte, seria mellotron. Transição é isso.

Quem curtir o som deveria comprar o álbum, de modo a prestigiar o artista. Ainda que quarenta anos sejam passados.




Wednesday, December 27, 2017

De covers e originais : Father of Day, Father of Night




Dos casos em que o cover supera em muito a versão 'original' (não acredito em versão original), creio ser emblemático "Me and Bob McGee", escrita por Kris Kristofferson e imortalizada pela Janis, que a cantou poucos dias antes de morrer, a voz maravilhosa como nunca.

(Também não precisavam ter vaiado o Kris no Festival da Ilha de Wight, que dó assistir àquilo)

Outro caso: a faixa que abre o excelente Solar Fire (1973) da Manfred Mann's Earth Band, "Father of Day, Father of Night" é um cover de uma canção de Bob Dylan de 1970. A música do Nobel de Literatura é uma canção folk na voz dele. Fine. A versão do Manfred Mann -- um épico progressivo com todos os ingredientes que o mágico ano do nosso senhor jesus cristo de 1973 permitia, incluindo, por óbvio, um mellotron acachapante -- faz a ""versão original"" parecer uma paródia de uns colegiais bêbados num porão de Oklahoma.




Friday, December 08, 2017

O Ondes Martenot no Rock Progressivo (Canadense)




Ressaltei na postagem anterior (aqui) que o Ondes Martenot foi de todo ignorado pelo movimento progressivo mundo afora. Com exceção, em termos percentuais isso daria zero anyway, do movimento prog em Quebec na primeira metade dos anos 70. Se os compositores eruditos franceses usaram o instrumento inventado por um Professor Girassol francês, nada mais esperado que Quebec fizesse o mesmo. Aquela história: ser mais realista que o rei, mais papista que o papa, já que nem a nata do prog francês usou o misterioso Ondes Martenot.

No progressivo canadense há pelo menos dois registros: a banda one-shot Et cetera (1976) e... o Harmonium! Detalhe: em ambos os casos tocado pela mesma Marie Bernard Pagé, que na primeira banda é integrante (também canta) e, na banda maravilhosa do Serge Fiore, uma convidada.

O que dizer do resultado? No Et cetera, até onde percebi, o Ondes Martenot tem proeminência nas duas últimas faixas. Na última, então, algo como aquele final assombrado e assombroso da "Dancing with the monlit knight". Só que com o Martenot. 

Já no Harmonium, neste álbum duplo chamado L'Heptade que perdeu um pouco a mão, aparece em "L'Exil". Sobre uma camada, grossa, de mellotron, Marie toca o Ondes Martenot. Saiu do estúdio e virou a primeira porta à esquerda. Para entrar na História.






Monday, April 17, 2017

Jethro Tull e o Mellotron (ou não)



Ontem na cozinha preparando nossa moqueca de banana da terra para o almoço de Páscoa, meio correndinho que alguém aqui ainda tinha que ir para o Engenhão, ouvindo Jethro Tull, que deve ocupar metade dos 160 gigas do iPod da Camila. Súbito, em "Cross-Eyed Mary", que eu já conhecia, claro, estanco: "Opa, isso aí é mellotron". Era.

Curioso que o Jethro Tull praticamente não usou o instrumento, nem na virada de 60 para 70. Uma possível razão pode estar em o Ian julgar de todo supérfluo sons sampleados de, er..., flauta. Mas mellotron não é só para isso.

A ausência de mellotron na extensa discografia do Jethro é reconhecida na bíblia sobre o instrumento Mellotron - The Machine and the Musicians that Revolutionised Rock (2008), obra maravilhosa de Nick Awde. Na bíblia virtual, o site Planet Mellotron, a banda não é sequer citada (Elton John é), não há uma única resenha (o Abba tem). 

Enfim. Fiquemos com a Maria Vesga e, para não deixá-la só, "Witch's Promise". E nesta aqui ele aparece com algum destaque.

"Lend me your ear while I call you a fool...". Talvez os tolos que ficam procurando o Tron em tudo. "Keep looking, keep looking for somewhere to be"...