Sunday, July 08, 2018

No meio do caminho tinha uma paineira




Cheguei da rua animado para escrever sobre a paineira da Mearim esquina com a Itabaiana. A grande senhora espinhuda, já quase sem folhas, nevava flocos de algodão na quietude da manhã. O chão à sua volta, um tapete de nuvens. Aí veio essa história do Lula, ficamos excitadíssimos aqui em casa, mas agora volto à paineira, agora já noite fresca e ela, árvore sagrada na mitologia maia, ainda lá, uns frutos grandes como abacates, os flocos de algodão em doce voo.

Drummond fez o seu elefante -- massa imponente e frágil -- de madeira, algodão, doçura e paina. Então abaixei-me e catei o que pude da paina no chão. Não para fazer elefante, quem me dera essas habilidades, mas travesseirinhos. Um pro Dante, outro pra Lelê, outro pra Lara. Outro pra Páti, outro pro Francisco.

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos moveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.

< carlos >

Lelê

Páti

Lara

paina

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