Tuesday, November 15, 2016

Casa dos Poveiros : Ali morava o charlatão Almendra



Já escrevi sobre a Casa dos Poveiros aqui. Mas que alegria redescobri-la em Nava, primeiro capítulo -- Campo de São Cristóvão -- do Chão de Ferro. Sensacional.

Outro, que faturava fortunas, com um pêndulo de cristal, era o faladíssimo Seu Almendra. Deste me lembro porque acompanhei minhas tias várias vezes a sua tenda. Tenda? Era verdadeira mansão, casarão de sombras propícias. Creio não errar dizendo que é o palacete de número 302 da Rua do Bispo -- onde fica atualmente a Casa dos Poveiros. O charlata era um português muito míope, a que o pincenê e a barbicha davam vagas semelhanças com Machado de Assis. Ouvia muito, falava pouco, mandava a doente deitar num sofá -- não! senhora, assim mesmo vestida -- passava por cima dela um pêndulo fio de seda e bola de cristal, explorava suas oscilações sobre as vísceras, sobre o plexo solar, ia à mesa, receitava uma homeopatia qualquer, embolsava a nota de vinte e mandava com Deus. Abria a porta da varanda apinhada. Chamava: Outra! ou Outro! E lá entrava nova figura radiosa de esperança.

Dante e a Tradição do Iogurte



Não sei se sabem, mas constitui o iogurte um dos alimentos mais tradicionais de todo os povos do vale do Grajaú, que se estende do sopé do Pico do Perdido até os limites do Andaraí Grande. Sendo franco, desconheço se há alguém mais que se alimente desta delícia búlgara por aqui. Para todos os efeitos, Dante come por todos.

De maneira que uma das tradições desta casa, também conhecida por Szerelem Szerelem, está em que as visitas devem dar o iogurte ao pequeno. Para grande alegria deste, das visitas e, claro, deste que vos escreve, pois, repito, quem beija meus filhos minha boca adoça, nem que seja de iogurte cremoso com polpa de fruta.

Se esqueci alguém, protestem. O Felipe aparece duas vezes não por preferência mas é que este ano completamos 30 anos de amizade e back in 1986 não existiam nem iogurtes ainda.

Fiuza

Victor e Ju

Cleiton. A camisa é do Vitória

Iranair

Maíra
Aline

Márcia
Seacelo

Lúcia

Barrosão

Monday, November 14, 2016

Um Limerique para o Renato ( e o Pell Mell )



Eu já escrevi sobre o Renato aqui, há exatos dois anos, ocasião de aniversário. Mas é que estes voltam e agora, pasmem pasmai pasmemos, agora chega ele às bordas do cinquentenário, nós que, em 1982, concorremos para o grêmio do São José com a chapa PAVE: Partido Anti-Velho.

Fiz limerique para ele, aliás três. Não podia faltar menção ao Pell Mell. Então no vídeo aqui, em ensaio antes da festa, tento praticar a recitação.

O limerique ::

Marcha soldado cabeça de papel
Se não marchar direito vai preso no quartel
Mas tenho ideia melhor
Um castigo bem pior
Ficar com o Renato ouvindo Pell Mell.
 
 Sei que não se deve rir das próprias piadas. Mas, enfim, não sou obrigado.



 


Crônicas Espanholas VI :: Azulejos de Madri IV :: Um Serviço Imelhorável



Dos azulejos madrileños já escrevi sobre o Tablao Villa Rosa, as Bodegas Melibea e a Estação de Metrô do Retiro. Como diria amiga de minha mãe: 'Cada qual mais lindo'. Só ele falava assim e era somente cada qual mais lindo, nunca a ouvi dizer cada qual mais feio ou cada qual mais idiota. Ora seguem painéis de estabelecimentos comerciais. Como ficamos perto do coração da Madri castiça, foi possível ainda encontrar alguns, imagino a festa que eu não faria há 50 anos. Levaria meia hora para vingar um quarteirão.
















Sunday, November 13, 2016

Nossa Senhora da Internet ( e outras que tais )

Valença


Na catedral infinita de Toledo descobri, no coro, uma Nossa Senhora linda, sorrindo feliz com o seu bebê. Ambos se amam e por isso se acarinham e sorriem.

É o que chamam de La Virgen Blanca, imagem de alabastro do século XIV. Nem todas as invocações da mãe do menino são assim tão felizes, isso já sei de tanto folhear o 112 Invocações da Virgem Maria no Brasil, de Nilza Megale. É um sorriso enigmático como o da Gioconda, pero mucho más feliz.

Mas não é que, na matriz de Valença, descobri uma Nossa senhora da Glória que, se não tem o sorriso da Blanca, parece dançar como Shiva? Amei. Nem a Nossa Senhora dos Prazeres, de Maceió, tem essa alegria. 

E o notável é que sua representação difere de muitas da Glória por aí, incluindo o que creio ser duas de nossas principais: a do Outeiro da Glória e a do Largo do Machado.

E no quilombo, ainda em Valença, descubro ainda que têm eles os quilombolas uma... Nossa Senhora da Internet. Curti, amei duas vezes. Afinal, quem nunca quis uma Nossa Senhora para invocar assim? 

Toledo



Quilombo



Saturday, November 12, 2016

Chão de Estrelas

Tijuca

Ao preparar nova série de pisos de caquinhos (aqui), eram tantas as estrelas que achei mereciam postagem à parte. (Mas sempre lembrando que na grande maioria das vezes os pisos de caquinhos, sempre belos, não chegam a formar desenhos / padrões algum.) No Lins e no Grajaú as estrelas têm como que um rabo e a isso chamamos cometas.

PS: As estrelas da série (plé) continuam sendo os gatinhos da Tijuca. Já mereceram postagem aqui, mas botei mais uma foto anyway.

Grajaú

Jacaré

Jacaré

Lins

Méier

Olaria
Ramos

Rio Comprido

Tijuca
Bonsucesso

Tijuca

Pisos de Caquinhos :: Nova Série



Mais uma pequena seleta de pisos de caquinhos garimpados por aí. 

Algumas contumazes trilhas, geometrias, estrelas (post em separado, aqui). No Méier eles formam asteriscos. Jacaré, que já recebeu postagem exclusiva pelos seus caquinhos (aqui), mitou com umas ondinhas, e Maria da Graça fez graça com caquinhos nos degraus e no rodapé do muro.

Em Honório Gurgel e Madureira, dois exemplos mais insólitos de muros de caquinhos (para 'revolução dos caquinhos', aqui): ali em combinação matadora com cobogós; aqui, como que fazendo uma bandeira de escola de samba. O que não seria inapropriado.

Há um único exemplar da Zona Sul. Mas é numa barbearia.

Higienópolis

Honório Gurgel




Laranjeiras


Lins

Madureira


Maria da Graça

Maria da Graça

Maria da Graça


Méier


Olaria


S. Cristóvão

S. Cristóvão


Vila Valqueire