








Ao entrar no táxi e dar o comando, o taxista, entre assustado e desconfiado, replica: "Mas eu nem espirrei...". Explico: "Não, moço, quero ir para Saúde, aquele bairro perto da Gamboa, na Zona Portuária".
Tomei-o uma única vez, há muitos muitos anos na casa do então amigo João Ernesto, assim chamado em homenagem, velada, ao Che.
Esqueci de falar: depois do soberbo javali, pai e eu fomos à Saraiva Megastore comprar livros. 


Quando escrevi por aqui, no dia 2 de junho, que as amendoeiras caducavam, sei que muitos pensaram que era poetagem minha, maluquice essa história de árvore caducar.
Saliente-se que, como sabem, o Borel recebeu há pouco uma UPP. Não fosse, creio que essas fotos não estariam aqui assim tão impunemente...


Esta é uma peça que escrevi ano passado. Enfim ela recebe sua estreia mundial!
Grande Elenco:
Marina Costa - menina
Mika Makino - padeiro
O texto:
QUANTO CUSTA O SONHO?
Peça em 1 ato. E, se possível, em 1 minuto.
Menina:
Moço, quanto custa o sonho?
Padeiro (entre surpreso e indignado; sua indignação vai crescendo, sem, contudo, tornar-se violenta):
Quanto custa o sonho? Ora, os sonhos não têm preço!
Mas... sim, um homem precisa fazer sua provisão de sonhos.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.
O que há de mais bonito nos sonhos é o encontro improvável de seres e de coisas que não poderiam encontrar-se na vida corrente; num sonho, um barco pode entrar por uma janela num quarto de dormir, uma mulher que já não está viva há vinte anos pode aparecer deitada numa cama e, contudo, ei-la a subir para o barco que se transforma ato contínuo em caixão e o caixão põe-se a flutuar por entre as margens floridas de um rio.
O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.
Ora, os sonhos são imagens. Melhor ainda, de uma maneira mais precisa, os sonhos são ao mesmo tempo os pais e senhores das imagens. Sou um homem que as imagens atacam. Faço imagens que saem da noite.
Quando, meu Sonho e meu Senhor?
Que seria de nós se não sonhássemos?
São os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem um coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu.
Menina (que assistiu a tudo sorrindo divertida, apenas muito levemente espantada) (Abrindo um lindo sorriso, pede):
Me dá dois.
Padeiro (deixando de lado todo seu ar sonhador, todo seu delírio, assumindo uma postura realista e profissional e destituída de qualquer exagero):
É pra já. (E dá de costas)
CURTAIN


Um de nossos melhores cronistas não tinha um pé de milho? Pois tenho eu meu ipê. Ele mora no Jardim Botânico, bem ali em frente ao Tabladinho. Como bom ipê, o moço se comporta o ano todo, é discreto, tem bons modos, come quieto, é todo mineirices. Mas chega agosto abre-se qual pavão, sem mistério, todo entrega e plenitude. Vale a pena, sempre, esperar pelo espetáculo, ainda que seja breve e apenas uma vez por ano.
No dia 2 de maio postei a versão que Giulia e Julio fizeram do "Galinho do Dante".
Esta versão faz sucesso, perguntam por aí quem são os artistas. Poi zé, pois agora tanto melhor que o duo querido veio nos visitar em manhã de sábado e, claro, tem gente que não pode ver cantor que pede logo uma canja, pedi uma canja, de pronto dada.
Reparem como tantos acontecem enquanto cantam e tocam: Dante rola, tira a meia do pé, namora Giulia, a sogra chora.
Ele sempre gostou da cama grande, rolar pra lá e pra cá qual novelinho sem dono. Mas agora gostar é pouco, ele ama ser deixado na cama grande, rolar, levantar, sentar, ouvir um miado e gargalhar.
Mas mais que isso, mais mais que isso. Agora quer deitar e forçar a cabecinha contra a minha e depois ser agarrado e rodado pra lá e pra cá. A alegria é suprema, ele chega fecha os olhos, de gozo e estupefação. Ele pai e ele filho. O filho é pai do homem e o pai é filho, que confusão, melhor fechar os olhos e rolar.

Não aproveitei este Festival como merecíamos, festival e eu.