Showing posts with label Sebos. Show all posts
Showing posts with label Sebos. Show all posts

Saturday, January 06, 2018

A Feira do Subsolo da Berinjela




Numa cidade que perde seus botequins, seus Nilton Bravos, seus sebos, seu jongo e seu céu e que vai, pari e passu com o resto do país, tornando-se presa fácil de um obscurantismo religioso odioso, ter ainda um evento como a Feira do Subsolo do Sebo Berinjela é um alento.

Fui para ver qual era e voltei carregado com duas sacolas, com doze livros saindo pelo ladrão, sendo um verdadeiramente monumental: A Escrita da Memória.

E a Poesia Sempre de Portugal, que eu ainda não tinha, os poemas do Portinari, a edição de 1954 do Mafuá do Malungo, uma primeira edição do Armando Freitas Filho autografada, um Afonso Félix de Souza autografado que pertenceu ao João Cabral, a primeira edição (1989) do Salvador Janta no Lamas também autografada e dois Bergmans, que já é hora dos von Sydows começarem a celebrar o centenário do cineasta aqui em casa.

Não sou rico, sou professor. É que nesses dias todos os livros de arte têm desconto de 50%. Os demais, 30%. E há ainda uma bancada a 3 reais cada (Cenas de um Casamento Sueco estava lá). Tudo isso perto do mosaico do Paulo Werneck. E com direito a café e brownie.

Não bastasse, ali no caixa dou ainda de cara com o livro de "poemas" cometidos pelo poltrão golpista, sua capa devidamente obliterada.


Friday, July 31, 2015

Gozando Junto XXI ::: Uruguai I - Colonia del Sacramento



Não fiz tantos registros como, por exemplo, em Istambul (ver aqui), quando tive tantas fotos que tive que desdobrar em três postagens. Mas não por falta de motivos. Dois minutos na Calle de Los Suspiros já poderiam dar ao gozador dezenas de fotos. Sigh. Enfim, não há tantas, pero ainda assim dividi entre a capital e a belezinha que é Colonia del Sacramento, de onde inclusive vem a foto de abertura que julgo ser das melhores ever. E não faltou da dita Calle.






Sunday, January 11, 2015

Meu Autógrafo de Lima Barreto



Compro João Ternura no sebo Lima Barreto e à contumaz alegria de chegar em casa e topar com o pacote fechado some-se a de o dito pacote portar carimbo muy especial, com a cara do atormentado (menos na obra que na vida) escritor carioca. Gostei.

Do Lima tenho o que talvez seja o exemplar mais valioso da minha humilde coleção de primeiras edições e edições autógrafas :: a segunda de Recodações do Escrivão Isaías Caminha, primeiro romance seu. A encadernação em couro, que se desfaz ao toque, peca por não ter a capa original. Em compensação, temos o autógrafo do romancista, ao grande cartunista Vasco Lima. A primeira edição é de 1917. Esta é de três anos depois. Quem já leu diários do Lima sabe quanta fé ele não punha nesses livros oferecidos...




Saturday, May 11, 2013

O Mais Antigo Sebo de São Paulo ::: Calil



O meu sebo paulistano preferido ainda deve ser a Casa do Livro Azul, que ficava, acho, em Pinheiros e cujas portas se fecharam há muitos anos.

Mas gosto também um bocado do Calil, no coração do coração da cidade e o mais antigo dela. Estive lá na época em que conheci a Casa Azul e nisso quase 25 anos. Voltei depois doutorando goês e estive agora.

Para meu desencanto, não há mais na loja as primeiras edições autografadas. Porque as pessoas arrancavam as páginas. Arrancavam as páginas! Hoje esses livros são conservados à parte. Não se pode chegar, tocar, cheirar, descobrir. Pelo site pode, mas aí convenhamos.

A culpa é das pessoas que arrancavam as páginas. L'enfer.

O atendimento é gentil. Profissional e gentil. O espaço é um oásis. Não vá em busca de pechincha. Aqui sabem das coisas. Mas paguei só 15 reais pela primeira edição do Guia Poético da Cidade do Rio de Janeiro, do Luiz Paiva de Castro, que tem soneto pro Grajaú. Pechincha ou não?

Paguei bem mais pela primeira edição do Imaginário a Dois, do Affonso e da Marina. E por um livro de azulejos. Na hora de pagar, repito o que aprendi com o pai :: pedir desconto. Assim agi há 25 anos para receber a resposta "Não trabalhamos com desconto". Não digo tenha sido grosseira. Mas imperativa de tal modo que ainda lembro do tom e das modulações das vogais. E eu nem 20 anos tinha.

Aí, desta feita, na hora de pagar... só de molecagem, que cresecemos e mais moleques, ou não valerá a pena, perguntei se davam desconto.

Deram! Nem 5%, mas deram!

E tem gente que diz que não há Deus.

Friday, January 14, 2011

Al-Fárábi





Eu já conhecia o Al-Fárábi, nele comprara A Arte de Goa, Damão e Diu, assim como já conhecia o Maurício desde os seus tempos de Berinjela. Eu já bebera um chopp no Al-Fárábi, desfrutando deste luxo que é tomar chopp em meio a livros.

Mas desde que o simpático sebo, situado na Rua do Rosário, passara a trabalhar com cervejas especiais, eu ainda não tinha ido.

Chego cedo, entrando nas 10 horas (da manhã!), vindo a pé do Santos Dumont, o que de pronto me faz indagar: a que horas mesmo minha religião permite que eu comece a tomar cerveja? Quando é dia de Bola Preta, quando é dia de clube, sei que os horários são mais permissivos e premite-se mesmo que os trabalhos sejam abertos ainda pela hora do café. Mas e hoje? Enrolo um pouco, mas logo não resisto: peço um Backer Brown, cerveja que nunca me encheu os olhos e continua a não o fazer.

Percorro o sebo. A seção de literatura estrangeira é ótima. Para se ter ideia, há dois títulos diferentes de Dino Buzzati, o grande escritor italiano difícil de se encontrar por aí. O Al-Fárrábi, corram que vai esgotar, tem também livro de 1975 sobre arte uzbeque, quando ainda existia a URSS. Por aí, repito, se avalia o quão gostoso é correr suas estantes com um copo na mão.

Quando encontro livro da chinesa Shan Sa (A Jogadora de Go, em ótimo estado por apenas 13 pilas), resolvo fazer um upgrade nas birras. Por sugestão do Maurício, abro uma Brew Dog, escocesa simplesmente excepcional. A vida se me torna boa, o estresse, ainda morno do aeroporto, parece distante. Depois emendo uma Flying Dog. Ora, sou grande apreciador desta cerveja norte-americana, em especial da Double Dog, uma double pale ale. Mas o que Maurício me apresenta é uma edição de aniversário, uma Indian pale ale, meu estilo preferido, e ainda por cima Belgian Style! Uma cerveja estupenda, arrasa-quarteirão, que atende pelo nome doce e carinhoso de Raging Bitch.

Quem souber reponde: em que outro lugar se pode tomar cervejas como essas (a carta é extensa, eles têm todas as trapistas), namorar gravuras de Carybé e comprar um romance de Shan Sa? Tudo em um dos espaços mais deliciosos do Rio...