Sunday, May 15, 2022

Alguns botequins da Feira de Honório Gurgel

Em postagem de sete anos atrás (aqui) fiz pequeno apanhado dos botequins dignos desse nome em Honório Gurgel, incluindo uma joia de azulejos enxaquetados na rara combinação roxo-amarelo. Chamava-se Lanchonete da Valéria e tenho eu hoje coragem de ver se continuam lá? Azulejos e Dona Valéria?

Não sei. Ontem fui pela primeira vez na feira que tem por lá aos sábados. Que feira. Me dissessem eu estava em Tacaratu, acreditava. Subindo e descendo a feira encontrei esses botecos

Gostei tanto do Bar da Amendoeira (tantos na cidade, mas melhor que Cantinho dos Amigos) que prometi farei meu aniversário lá. Um bolinho de feijoada daqueles a três reais. E na esquina das ruas Marapé com Jurubaíba. Como resistir? Melhor não

?
Bar da Amendoeira (e as 5 seguintes)






Bar da Cyntia (e a seguinte)





Saturday, May 14, 2022

RUA TACARATU

Volto à Rua Tacaratu, dois meses depois da descobri-la quando fui com o Dante no Parque de Madureira

Tacaratu! Onde estive em 2019 para ter com os Pankararu (aqui)! E onde Mário de Andrade esteve, na mesmíssima Aldeia Brejo dos Padres que visitei, em sua mítica viagem etnográfica de 1928-29

Já tava bom, né? Tem mais

Foi nesta rua o cativeiro do embaixador suíço sequestrado por Lamarca em 1970

Hoje há por lá imenso batalhão da PM, o que poderia nos fazer pensar: uai, os caras iam fazer um cativeiro justo numa rua de batalhão da PM?

O batalhão (que já tem um péssimo histórico) decerto veio depois. Tentativa de apagar a história revolucionária do país, nada diferente do batalhão erguido na Praça da Harmonia, onde Prata Preta, no começo do século XX, ergueu suas barricadas



Wednesday, May 11, 2022

BUTECO VIVE II ~ COMIDA DI BUTECO 2022 II

Edinho do Caranguejo ~ Duque de Caxias

Ah, nesta parte 2 permitam-me lembrar que seria bom ter menos bolinho na edição do próximo ano. Bolinho é bom, tudo pode terminar em bolinho, ouvi isso do bicampeão David, do Chapéu Mangueira, que este ano veio com... bolinho.

E, em nossas longas peregrinações pelo Grande Rio, Rixa e eu encontramos um tesouro na figura de um velho botequim, relíquia daquela que amamos e com a qual sonhamos, perto do Edinho do Caranguejo, em Duque de Caxias, o Buteco do Raimundo. Não fazia parte do Festival, sequer serve comida.

Raimundo comprou o bar para beber com os amigos (havia dois ali). Só abre quando quer, fecha a hora que tiver vontade. Recebeu-nos bem e, tricolor doente, lembrava a final do Campeonato Carioca de 1971 entre Botafogo X Fluminense, que culminou com a vitória deste e a conversão do Rixa ao Botafogo, como se o jogo tivesse sido ontem.

Depois uma mosca deve ter-lhe picado e mudou de tom, lembrando-nos que era ex-sargento e tinha porte de armas e outras doçuras. Plé.

 

Tô Careca de Saber ~ Cachambi

Quintal do Stuart ~ Cachambi

Folia do Boi ~ Cachambi

Cachambeer ~ Cachambi

Empório do Bacalhau ~ Irajá

Boemia Social Clube ~ Vila da Penha    

Rei do Bacalhau ~ Encantado


Boteco Bendito Jamón ~ Vista Alegre

Boteco do Teixeira ~ Duque de Caxias

Cevina ~ Duque de Caxias

Cantim BH ~ Belo Horizonte

Carrancas Mercado ~ Montes Claros

Bar do Chacal ~ Montes Claros


E o botequim off the beaten track ::


BUTECO VIVE ~ Comida di Buteco 2022



Domingo passado marcou o fim (chuif) da edição de 2022 do Comida di Buteco, intitulado "Buteco Vive", de modo a celebrar a volta do festival. Em 2020 até teve um pouquinho, só por entregas, e ano passado teve também um retorno presencial, mas tudo dentro das possibilidades e da responsabilidade, não chegando aos números pantagruélicos da presente edição: 40 cidades, 730 participantes, pouco mais de uma centena só no Rio de Janeiro.

Tiquei 28, média nada má de quase um por dia. Pela primeira vez fui à Baixada: prestigiei os três de Duque de Caxias, mas não consegui visitar os de Nova Iguaçu. Pela primeira vez fui a duas outras cidades: Belo Horizonte e Montes Claros, onde, é claro, só comi os que tivessem pequi. Pela primeira vez levei o Dante comigo em alguns próximos, com resultados nem sempre ótimos, mas valeu muito a tentativa.

Para além do Dante, tive a companhia frequente do Rixa, botecólogo e nilton-bravólogo de primeira, que, parece, quebrou seu récorde, visitando a ninharia de 68.

Se a sanidade e a civilidade prevalecerem nas eleições deste ano, fizemos a promessa de que em 2023 faremos TODOS os botecos participantes do Rio. Aliás, imagino alguém tentando fazer todos os do Brasil, mas isso seria romance do Georges Perec.

Das avaliações: me senti preso no 8. Tá gostoso, bem gostoso...8! Como sempre, valorizei a originalidade, o que me impediu de dar um 10 para o.... risoto do Salete, o seu prato tradicional. O Cachambeer também teve um pouco de preguiça e surfou na sua especialidade, a costela. Mas eu dei 10, por motivos que respondo a quem perguntar. E 10 pro Folia de Boi e 10 pro Boemia Social Clube. E 10 pro Enchendo Linguiça, sempre original, porque fazer um petisco de casca de pizza chamado "Porras de Linguiça" não é brinquedo, não.

 

Bar do Mariano ~ Grajaú

idem

Bar du Barão ~ Grajaú

Bar Santo Remédio ~ Grajaú

idem

 
Bar do Raoni ~ Grajaú

Enchendo Linguiça ~ Grajaú

Em Nome do Pai e do Filho

Em Nome do Pai e do Filho ~ Andaraí


Bar Bobô ~ Méier

Empório Quintana ~ Benfica

Dom Pedro ~ Benfica

Zinho ~ Benfica

Pescados na Brasa ~ Riachuelo

Costelas ~ Praça da Bandeira

Noo ~ Praça da Bandeira

Salete ~ Tijuca


Sunday, May 08, 2022

Itacambira : Onde Diadorim foi batizada I

Uma das passagens mais bonitas do 'Grande Sertão' é quando, morta Diadorim, Riobaldo, como que para apaziguar desesperos, vai atrás de quem tivesse conhecido Diadorim menino. Ou melhor, de quem tivesse conhecido Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins menina

 
Assim chega a Itacambira, onde ela fora batizada
 
Conhecer a igreja onde Diadorim foi batizada é qualquer coisa de indizível
 

 

Tuesday, May 03, 2022

Paredão (Estivesse Dia Claro)

É fácil associar Paredão a morte, é mesmo óbvio : foi neste arraial desolado, de casas vazias e capim no telhado da igreja, que teve lugar o combate final entre o bando de Riobaldo e o de Hermógenes. Diadorim consegue enfim vingar a morte do pai, nisso sendo ferida de morte. Este combate marca também a morte de Riobaldo Urutu-Branco enquanto jagunço

Mais

Paredão é também espaço do amor. Foi aí que, na véspera desta trágica batalha, Riobaldo, tomado e desnorteado por aquela amor três-tantos impossível, cego de tanta neblina, dá com a língua nos dentes e declara, numa daquelas casinhas, seu amor por Diadorim, para logo em seguida levar um pito

E tudo impossível. Três-tantos impossível, que eu descuidei, e falei: - ...Meu bem, estivesse dia claro, e eu pudesse espiar a cor de seus olhos... -; o disse, vagável num esquecimento, assim como estivesse pensando somente, modo se diz um verso

Diadorim repreende "O senhor não fala sério!", mas logo ficam de bem. E saem para andar, airar um tanto, ouvindo o cochicho do Rio do Sono


PS: eu ainda paquerava Pampi e jogava meus verdes, quando, há dez anos, escrevi no blog citando esta mesma passagem (aqui). Era pra ela, que percebeu e não ralhou. Ainda paquero, ainda jogo meus verdes