A crítica especializada italiana sói ser bastante azeda em relação ao vocal das suas bandas de rock progressivo. Já no primeiro livro que li, Paolo Barotto elogiava o Museo Rosenbach, com exceção do vocalista, segundo ele problema frequente da cena italiana dos anos 70.
Façam-me o favor, Signor Paolo Barotto e todos os demais surdos para o fato de que reside precisamente na voz uma das forças e características mais marcantes disto que deixou de ser apenas uma cena para ser todo um gênero em si próprio: o rock progressivo italiano.
Gosto de dividir essas vozes em três categorias: a dos 'roufenhos' (Alvaro Fella do Jumbo; Stefano Galifi, do Museo; Vito Paradiso, do De De Lind), a dos suaves e melódicos (Cabanes, do Reale Accademia di Musica; Aldo Tagiapietra, do Le Orme; Marcello Dellacasa, do Latte e Miele) e a dos inclassificáveis (Alan Sorrenti, Francesco Di Giacomo, Demetrio Stratos).
Leonardo Sasso, do Locanda della Fate, é a síntese perfeita entre as duas primeiras categorias. Pelo timbre da voz, um roufenho, quase um baixo (e aqui penso num Enzo Capuano). Pelo caráter dir-se-ia pastoral da música, um melódico. Mais que isso, una dolcezza infinita.
Vê-lo e ouvi-lo ao vivo cantando as músicas que ouço ininterruptamente há mais de trinta anos foi emoção grande e não fossem as fotos e autógrafos eu diria que, numa noite de sexta-feira, exagerei no vinho e sonhei com tudo aquilo.
Mas foi bem mais bonito que um sonho.
| Amor que uma vida não dá conta |



















