Monday, June 28, 2010

"Oh que maravilha é viver e inventar"





Sim, Saramago, que maravilha e que aventura.

O espírito do Mr. Keating baixou de vez em mim e, se a turma corresponde, aí que as invenções se sucedem e ora é um varal de poesia, ora é uma leitura de versos com direito a camisas de futebol e chutes na bola, outra hora eu me fantasio de turco para que meus alunos do 9o Ano pratiquem perguntas...

Sunday, June 27, 2010

She's leaving Home aka "You deserve the best"

Por favor, não vejam aqui autopromoção ou coisa do gênero.

Mas foi dos presentes de aniversário mais bonitos que já ganhei.

Depois posto a letra.



YOU DESERVE THE BEST

Monday morning at seven o’clock as the class begins
Silently closing our classroom door
‘Cause we were late like the classes before
We sit down at look at Evandro making a “sorry face”
Surprisingly, instead of scolding us
He was with a smile from ear to ear

You (when you are sad, we get sad)
Deserve (but we don’t know what to do)
The best (we wish we could help and could support you)
You deserve the best while living with Dante and Preta
For so many years

We saw the stories of Idgie and Ruth and we liked it a lot
Not only of them, but also Neil and Todd
Fortunato is also part of the plot
Oh captain, we stand up for you
Teacher, you changed us
Why would you treat us so perfectly
How can we thank you kindly

You (we got to know our true selves)
Deserve (a teacher like no one else)
The best (you taught us how to enjoy our lives)
You deserve the best while living with Dante and Preta
For so many years

Just like an epiphany we could realize
That you’re more than the best teacher ever
But also will be a true friend forever

Happy (is how we feel in your class)
Birthday (what you will feel we can’t guess)
Evandro (love is the one thing Juquinha’s can’t buy)
Lives will go on and time will go by
But forever you will be in our minds
You Deserve the Best…

Saturday, June 19, 2010

Tesouro


Quando me encontrei com o Saramago, dei-lhe um exemplar de meu livro Taipa, dizendo-lhe "Não é nenhum Camões, mas...".

(É que ele falara sobre Camões [Que farei com este livro?])]

E ele de pronto replicou: "Ora, mas Camões antes de ser Camões também foi Luis". Só depois me dei conta (quer dizer, não me dei conta, a Bia se deu conta, por ela e por mim), que ele estava já brincando com o meu nome. (É que sou Evandro Luis, tenho que me lembrar). Ligeiro, o moço.

Passarolas

Há muito desejo escrever sobre passarolas e rock progressivo, não sobre este e depois aquelas, mas sobre a relação entre os dois.

Este post não é a realização do meu desejo, mas como este texto haveria de lançar mão do Saramago, cito-o aqui, em outra tosca homenagem, em belo texto do seu romance mais belo, o Memorial.

"Não tinham medo, estavam apenas assustados com a sua própria coragem. O padre ria, dava gritos, deixara já a segurança do prumo e percorria o convés da máquina de um lado a outro para poder olhar a terra em todos os seus pontos cardeais, tão grande agora que estavam longe dela, enfim levantaram-se Baltasar e Blimunda, agarrando-se nervosamente aos prumos, depois à amurada, deslumbrados de luz e de vento, logo sem nenhum susto, Ah, e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança perdida, um soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu espigão, e agora soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então, então. O padre veio para eles e abraçou-se também,

(...) a máquina diminui de velocidade, quem diria que tão facilmente se poderia ser piloto nos ares, já podemos ir à procura das novas Indias. A máquina deixou de subir, está parada no céu, de asas abertas, o bico virado para o Norte, se se está movendo, não parece.
(...)

Desce a passarola um pouco mais, com algum esforço se observa a quinta do duque de Aveiro, é certo que estes aviadores são principiantes, falta-lhes a experiência que permitiria identificar de relance os acidentes principais, os cursos de água, as lagoas, as povoações como estrelas derramadas no chão, as escuras florestas mas lá estão as quatro paredes da abegoaria, o aeroporto donde levantaram voo, lembra-se o padre Bartolomeu Lourenço de que tem um óculo na arca, em dois tempos o vai buscar e aponta, oh que maravilha é viver e inventar,"

O Saramago e a Porca



Por onde começar? Quero falar do Saramago, não sei por onde. Passarolas, porcos, soldados ou jangada?


Vamos pelo porco. Aruanda, blogueira amiga, pergunta-me se a receita original do Umngqusho leva porco. Mas como assim, original? Claro que a pergunta é válida, mas me lembro de uma baiana, fazedora e vendedora de acarajés, quando lhe contaram como era a iguaria em outros países... Ela meneava a cabeça desdenhosamente e repetia que aquilo não era acarajé, que acarajé só o dela. Que sorte, hein baianinha, nasceste justo no país onde os corretos acarajés são feitos. Ou seja, ela assumia uma posição essencialista, daquelas marco zero.


Enfim, acho que a receita original de Umngqusho não leva porco, ao menos a variante que peguei não falava no suíno, mas doravante nossa receita - minha e da Lúcia e do Saramago - levará. Mesmo porque aquele labrego de Azinhavra, que inda ontem se encantou, fez o elogio do porco em Viagem a Portugal, quando em Bragança:


"[O viajante], enfim, caiu em meditação diante das "porcas" de granito, dos "berrões", também assim chamados: famoso animal este que em vida se desmanda, fertilíssimo, em bacorinhos, ranchadas de quinzena, e em morto se desmancha em pernis, lombos, costelas, orelhas, chispes e coiratos, dadivosos até ao fim (...) Para a gente das cavernas e das toscas cabanas que vieram depois, o porco devia ser a obra-prima da criação. Mais magnífica ainda a porca, pelas razões já ditas. E quando a Idade Média levantou os pelourinhos dos municípios, pôs como base deles a porca, animal protector, emblema e algumas vezes guarda. Os povos nem sempre são ingratos."



Aproveitemos, pois, orelhas, chispes e coiratos em nosso Umngqusho, tratando-o com a dignidade que ele merece: não a idolatria essencialista, mas a reivenção.

E olha que sou vegetariano!, de araque mas sou! Tanto que caldo de carne não entrou aqui!! =)

Friday, June 18, 2010

Aquele ribatejano, da aldeia de Azinhaga... se encantou.

Preciso falar do Saramago querido.

UMNGQUSHO


No dia da estreia do Brasil na Copa achamos que pegava bem comermos um Umngqusho, prato sul-africano de origem Xhosa e um dos favoritos do Mandela.

Embora Lúcia e eu achássemos a receita muito conservadora quanto aos temperos, não carregamos muito a mão, pois, sendo a primeira vez que fazíamos Umngqusho, convinha ser mais fiel que inovador. Para ver como ficava e, doravante, ir inventando e transformando.

Usamos pimenta de cheiro, pimenta branca e, claro, louro. Da próxima vez vamos encher nosso Umngqusho de pedaços de porco rumo à felicidade coletiva pois a vida é uma só e o porco é sagrado para nós pagãos.

Ficou muito bom, tudo belissimamente acompanhado por quibebe (mais Áfricas) e frango grelhado untado de geléia de physalis. Para beber, Austral, uma cerveja chilena da Patagônia, tão boa e aromática que ganhará post em separado. A geleia de physalis também. Não fujamos do assunto que a estrela da vez é o Umngqusho, de que Lúcia gostou tanto que fará em sua casa para o próximo jogo do Brasil. Aliás, aqui instituo (este Talisker e esta lua põem a gente comovido como o diabo): jogo do Brasil na África será dia de comer Umngqusho.

Segue a receita para quem quiser aderir. À galera do copidesque que achar que repeti demais a palavra Umngqusho: foi de propósito, para que todos aprendêssemos de vez grafia e pronúncia.


- 200 gramas de milho seco (pode substituir pela canjica)
- 200 gramas de feijão manteiga
- 200 gramas de feijão fradinho
- 1 colher de sopa de caldo de carne
- 1 colher de sopa de caldo de legumes
- 2 litros de água

Coloque tudo para cozinhar em uma mesma panela. Depois de quatro horas está pronto para servir.

PS: Este post é dedicado aos Xhosas e à minha colega Mônica Lima, Xhosa exilada no Rio, que veste colares, vive intensa e gosta de Áfricas.

Friday, June 11, 2010

Miojo Aux Zimbro, Whisky et redución de Mel

Domingo é dia de pedir comida, Santa Lúcia n'est pas chez nous. Mas houve falha de comunicação, eu queria um coisa, o atendente do Jambeiro dizia não ser possível, daí desliguei e fui cozinhar.

Mas não era dia de cozinhar. Não me preparara. Então vamos para comida de acampamento, comida de solteiro, comida não-comida: Miojo.

Mas como, como isso não podia ficar assim, alquimizei. Daí fiz uma redução com mel de laranjeira, derramei o Macallan maravilhoso que bebia e, last but not least, espalhei Zimbro, erva sem a qual não se vive.

Wednesday, June 09, 2010

(Dante descobre) O Fascínio dos Livros



Filho e neto de bibliófilos, rodeado de livros e ganhando livros de presentes, não causa espécie que o mocinho enfim os descubra e já os comece a ler, sensorialmente.

Vejam como os escolhe, com que gozo e rigor.

Wednesday, June 02, 2010

Agora que é junho, e as amendoeiras caducam



Uma brevíssima antologia progressiva deste agradável mês de junho, em que os dias se tornam mais breve e as amendoeiras caducam.

O Spock's Beard tem a linda balada chamada "June", deste que é porventura o seu melhor trabalho, o Kindness of Strangers, de 1997.

O Midlake tem a lisérgica "Farewell June".

E o Soft Machine tem a maravilhosa psicodélica "Moon in June", do maravilhoso "Third".

Um raro registro este vídeo.

Sunday, May 30, 2010

Uma Criança Feliz

Dante sempre faz suas refeições principais ao som do Grupo Olá. O disco inteiro tem quase uma hora. Assim, uma refeição leva, geralmente, o disco todo e mais algumas canções repetidas.

Neste pequeno vídeo, ouve-se o pai assobiando a última, linda, música, "Maria", a única que originalmente não fazia parte do disco, mas nem por isso menos ótima. Ou seja, o disco acabara de acabar (seus 57') e ainda faltava uma colherada. Colherada que reúne a raspa do prato. Raspasse mais, os desenhos do prato vinham junto.

Uma criança feliz.
PS: ah, e reparem que o Dante também está feliz.

Saturday, May 29, 2010

Nós, que do sol fugíamos



Não faz muito, saíamos cedo, muy temprano, às vezes antes mesmo das sete, para passear.

Agora não dá para sair antes das nove. E o passeio da tarde, infelizmente cada vez mais abreviado, começa cada vez mais cedo. Nós, que descíamos às cinco, hoje já pensamos em voltar por esta hora!

E nós, que do sol fugíamos, vamos à cata dele, que cedo se esconde por detrás dos espigões.

E inverno nem começou. Imagina quando 21 do 6 chegar e as amendoeiras da praia se puserem a caducar...

Barroso D'après Monterroso



Bem que eu desconfiava. O Felipe, Felipe Barroso, este mesmo de quem recém falei por aqui, parodiou o menor conto do mundo!

Que é, relembrando:

"Quando acordou, o dinossauro ainda estava ali."

Eis a paródia, sexista, machista, insuportavelmente politicamente incorreta e genial:

"Quando acordou, a baranga ainda estava lá."

Prefiro o "ali" do original ao "lá" do Felipe (a paródia da paródia, o intertexto do interetexto e assim escrevemos o mundo). O título, que o Felipe não deu, só pode ser, claro, "Ressaca". Ou "Carnaval".

De qualquer modo, o guatemalteco que me perdoe, mas assim como Janis fez com a canção de Kris Kristofferson, "Me and Bob McGee", é este um dos casos em que o cover supera o original.

Porventura a Mais Triste

Nas notas de produção da peça The Glass Menagerie (difícil tradução para o português, recentemente escolheram O Zoológico de Vidro: horroroso), o autor Tennessee Williams dá dicas de montagem sobre iluminação, recursos extra-palco e música. Quando trata desta, escreve “it is the lightest, most delicate music in the world and perhaps the saddest.” Daí, quando trabalho esta peça com meus alunos, peço que se imaginem como diretores e tragam para aula o que julgam ser “a música mais leve, delicada e porventura a mais triste do mundo.” O resultado é geralmente bastante diversificado. Em que pese a subjetividade, algumas escolhas nada têm de triste, enquanto outras são francamente interessantes.

Eu também mostro as minhas, que costumam ser:

1) O tema principal de L’Amant, trilha belíssima de Gabriel Yared.
2) Deste mesmo autor, o tema principal do filme Sylvia. Cuidado!
3) A trilha para o primeiro episódio do Decálogo, do Kieslowski, do compositor Preisner. Muito cuidado!
4) Na área do rock progressivo, um pequeno trecho da “Epitaph”, do King Crimson, de 4:00 a 5:14, justo o trecho sem mellotron – eu, que adoro mellotron! Reparem como o fagote passa a bola para a flauta – bom demais.

No campo da música clássica, duas imbatíveis:

5) O Adágio para Cordas, do Barber.
6) O Adágio da Nona Sinfonia do Mahler.

Em relação ao adágio do Barber, o David Lynch pegou pesado ao usá-lo como trilha na cena final de O Homem Elefante. A cena já é triste, a música, tristíssima, juntar as duas é covardia, para chorar a água de uns dois cocos...

Sunday, May 23, 2010

My friend Laph


Ontem voltei a ter com o Laph, my friend Laph, short for Laphroaig (diga /léf-rói/), soberbo malte escocês.

Se toda bebida alcoolica é um gosto adquirido (nem de cerveja se gosta de primeira, eu detestei), whisky é um gosto adquirido dentre as bebidas alcoolicas.

Se todo whisky é um gosto adquirido, single malts, em oposição a essas bobagens perfumadas que atendem por Ballantine's e Johnny Walker, são um gosto ainda mais adquirido.

Se todo single malt é um gosto adquirido, os de Islay, dado o acentuado sabor de turfa e sal, o são ainda mais.

Se todo single malt de Islay é um gosto adquirido, o Laphroaig o é ainda mais, dado o seu forte componente "medicinal" (iodo) presente no nariz e na boca.

Sei que pode parecer mistificação, mas não é. Basta lembrar que durante a Lei Seca nos EUA, o Laph continou sendo exportado para lá, legalmente, sob a prerrogativa de que se tratava de um... medicamento!

O que não deixa de ser verdade...

Aliás, se é um gosto tão adquirido assim, elevado à quinta potência, como fazer para adquiri-lo?

Bem...

Friday, May 21, 2010

140 toques


Não estou no twitter, não sei se vale a pena, já tenho brinquedinhos internéticos demais.

Entanto, a ideia de escrever microcontos, com no máximo 140 toques, seduziu-me. Antes de mostrar, lembro (e reproduzo, não tomará muito espaço) o menor conto do mundo, do guatemalteco Augusto Monterroso, pré-twitter, pré-internet:

"Quando acordou, o dinossauro ainda estava ali."
Tem 48 toques (na tradução). Perto dele, alguns meus são odisseias.

São eles:

Depois de 139 toques, entreolham-se exangues e lascivos: − A saideira? (71)

Após sonoro arroto, Dantinho enrubesce ao ouvir o passarinho: − Bem-te-vi! (74)

Depois de sua broxada, Caio, outrora orgulhoso de suas gozadas, leva uma gozada. (80)

Exímia cozinheira (poeta), Sylvia prepara gostoso lanche para os dois filhos e em seguida enfia a cabeça no forno. (115)

E o velho proctologista (com clínica à Rua Dedo de Deus, 140) incorpora o twitter às suas aulas: economia nos toques, senhores! (127)

Este conto tem exatos 140 toques mas, pobre em enredo, falho em caracterização e sem clímax, não ganharia nem se fosse apaniguado do Sarney. (140)

Thursday, May 20, 2010

Pacote II ou Felipe

O Felipe do pacote (ver post abaixo) é amigo feito em Chicago em 1986. Como ele havia sido também exchange student na área e estava de volta para estudar suas pós, ele fuchicava as brasileiras do AFS que iam morar por lá (a grande maioria nos subúrbios, só o papai sortudo aqui em Chicago mesmo). Mas resolveu conhecer este então rapazote também.

Foi com Felipe que tomei minha primeira Heineken (eu ainda under 18) na noite em que nos conhecemos. Difícil acreditar que estava ali alguém que gostava de poesia, literatura, línguas, ópera, votava nas esquerdas (quando as havia), e ainda por cima era gaiato e piadista insuperável.

Com ele sempre renovo meu léxico cearense. Com ele, claro, aprendi uma de minhas expressões diletas, que sempre divulgo: "Tá mais difícil que emprenhar uma velha em pé numa rede."

Quando ele morava na Inglaterra, segunda metade da década de 90, mandou-me o pedido que eu lhe fizera: Cds do Michael Nyman (Prospero's Book e The Cook).

Então vejam:a primeira Heineken, os primeiros Michael Nymans, duas de minhas paixões perenes.

A ele repito os versos de Vinícius para o Bandeira, que caíram como luva em nosso exílio chicaguense e ainda hoje:

Não foste apenas um segredo
De poesia e de emoção
Foste uma estrela em meu degredo
Poeta, pai, áspero irmão.

Wednesday, May 19, 2010

Dia das Mães (atrasado)

Claro que, a despeito do céu plúmbeo, comemoramos o Dia das Mães, segundo do Tutuca.

Na véspera, acordamos, ele e eu, papo de homem, que o dia pedia mais presentes para a casa, daí a mãe ter ganho espremedor (já ia escrevendo espremedeira) e cafeteira. Como falar em casa é falar nesse molequinho ubíquo (em breve post sobre isso), vieram também DVDs: Snoopy, Cocoricó, Backyardigans.

Na foto, assitem a este último. Vejam como presta atenção, por algum tempo.

Tuesday, May 18, 2010

Nasce a terça-feira

Como do ventre escuro brota
luz azul
e o neon
se derrama sobre as almofadas da sala,
dizemos
que a terça-feira nasceu.
De parto natural. Mãe
e filha passam bem.

Um bem-te-vi rouco,
não se acostuma a esses sustos,
entoa-lhe loas.

Pacote




Poucas coisas me deixam mais feliz do que receber um pacote pelo correio. O dia de ontem foi cheio. A começar, segunda. Ainda que eu não mais as tema, acordar na segunda às 5:10 é sempre acordar na segunda às 5:10. E o ônibus demorou, perigou de eu ir em pé. Stress começou cedo.

Dia muito ocupado, cheio, só volto para casa às 8:30 da noite. Para se ter ideia, não vi Dantuca acordado. (Se bem que o vira de madrugada, ou seja, o dia começara bem antes das 5...).

Mas tem um pacote sobre o revisteiro. Não é de todo surpresa, posto que prometido, mas na alegria detectam-se, vai explicar, laivos de inesperado. Porque nada garantia que chegaria hoje, não sabiam minhas pupilas que iriam encontrá-lo sobre o revisteiro. Daí dilataram-se.

O pacote é do Felipe, velho amigo cearense. Mimos. Para além de dois livros devolvidos, o cabra me presenteia com sete (se-te) livros: contos, poesias, xilogravura. Teve o cuidado ainda de que alguns dos livros (Móbiles, de Luciano Bonfim; Quanto todos acidentes acontecem, de Manuel Ricardo de Lima; Manual de Acrobacia n.1, de Carlos Augusto Lima) chegassem a mim com dedicatórias do autor.

Vamos ser maniqueístas? É a vitória do bem sobre o mal, é o triunfo do entusiasmo sobre as fadigas. Porque eu precisava, como sempre, de poesia, e ela estava ali.

Não bastassem os livros, uma camisa de futebol, do Oeiras Atlético Clube, time da segunda divisão do Piauí. Amarela e azul, com brasão por escudo, terá a camisa suas pretensões helvéticas e medievais, mas o símbolo do clube -- o gavião Carcará -- nela assinala, com ferrete, o sertão. Não que este e medievalismos se excluam, já temos Suassuna e os 12 Pares de França, e era isto então que eu tinha em minha sala, nesta noite de segunda-feira.

Hoje visto a camisa para o passeio matinal com Dantinho. Cruzo com camisas de clubes cariocas, cruzo com uma camisa da Inglaterra, outra do Real Madri, mas só eu, eu e Dantinho, temos a camisa do Oeiras, clube do sertão do Piauí, e esta glória, a glória de ter um amigo que mora perto da linha do Equador, onde pendura suas cuecas para secar, e me manda pacotes, ah, esta glória ninguém nesta praia tem.