Friday, August 09, 2019

Haicais para o bolsonaro


Escrevi uns haicaizinhos para o presidente deste país. Em todos mantive o metro de 17 sílabas (5-7-5), rimando o primeiro com o terceiro. Nos três primeiros ousei, à la Guilherme de Almeida, uma rima interna no segundo verso.

Em breve tem mais. Faça o seu!


Elegeu-se a besta
Mente lerda a falar merda
de sábado a sexta

E vejam que graça
O presidente sem dente
é pura desgraça

Da questão o cerne:
O bolsonaro, meu caro,
não passa dum verme.

Relincha o truão:
'A embaixada americana
é do meu filhão'

Mamata acabou!
Grita quem aos 33
Se aposentou

Wednesday, August 07, 2019

As Crianças do Céu (Marajó-PA)


 Meninos e meninas do Céu de nome Cristiano Micael, Aleph, Murilo e Andressa. E outros que esqueci. Dos nomes, que dos pequenos ceuenses não esqueço.

Não tem como não lembrar do Led Zeppelin::


My my my I'm so happy
We gonna join the band
We are gonna dance and sing in celebration
We're in the promised land. 

E vejam como é a biblioteca. É assim por causa da Andressa e do Aleph? Ou eles são o que são por causa dessa biblioteca palafita de sonho?

Esta postagem continua esta primeira aqui 









Tuesday, August 06, 2019

Chegar ao Céu, povoado do Céu-PA


Desconheço o que atualmente vendem os tomos de teologia, mas tenho informações fresquíssimas de como chegar ao Céu. Eu, que achava que nunca chegaria e amiúde me perguntava se queria. 

Para chegar ao Céu: de Soure, vá a Pesqueiro, de preferência de mototáxi ou bicicleta. Lá pergunte pelo Catita, pescador que já foi picado 24 vezes por arraias mas que também já pegou daquelas grandes, de 60 quilos. Catita é um Caronte às avessas, de modo que, ao menos até aqui, não precisa da moeda entre os dentes. Ele oferece a ida direta, que deixa na praia, ou a pelo igarapé, mais longa, que deixa no povoado. Fomos pelo igarapé, claro, e voltamos pela praia.

O que é aquela praia? E para além dela, as casinhas e as crianças. Estivéssemos no México, com certeza un pueblo mágico. E eles têm ainda um boi, um boi-bumbá, de nome Areia Branca. Por isso voltarei muitas vezes.

Céu não desbancou Milho Verde, entranhada em meu coração. Mas sinto ciúmes já e faço esta postagem cheio de dúvidas.

Foram muitos os registros, de modo que dividirei em três postagens.
















Sunday, August 04, 2019

A Cachaça De Jambu e sua íntima relação com o Deep Purple





Quase tão ubíqua quanto o açaí, o filhote, o tucupi e a farinha bragantina, a cachaça de jambu só recebe atenções redobradas ali onde nasceu, no Bar Meu Garoto, coração da Cidade Velha de Belém, de propriedade de Leodoro Porto, que a concebeu durante um almoço (pato no tucupi e cachaça) na época do Círio. Ocorre que o pato de Leodoro estava bastante carregado no jambu, o que o fez pensar numa bebida com tal combinação: a força da pinga aliada à dormência do jambu. Ou vice-versa: a dormência da pinga aliada à força do jambu, de tal modos mestiçados que se pudesse mesmo falar na força do jambu aliada à dormência da cachaça.

Passado um período de intensa experimentação -- eram os clientes do Meu Garoto as cobaias felizes --, Leodoro chegou à cachaça de jambu, que, tecnicamente falando, MAPAs e burocracias, sequer pode ser denominada assim, de vez que não é "cachaça de jambu". Ficou "bebida alcoólica mista", com graduação alcoólica de 38%, o mínimo exigido para uma cachaça. Leo a faz assim, mais 'fraca', para equilibrar com a porrada que já é o jambu. Ficam todos felizes. E fortes e dormentes.

Hoje produzem versões com aquelas delícias paraenses, como o cupuaçu e o açaí, bem como uma outra, mais forte, destinada exclusivamente à cozinha, mas que muitos pinguços ingerem longe do fogão.

Com o sucesso, Leo Porto colocou-se no centro do Panteão dos grandes inventores, entre Newton e Pemberton, Da Vinci e Descartes.

Sendo difícil explicar uma sensação, tentemos: a invenção de Leodoro Porto é como aquela introdução de órgão do Jon Lord em "Speed King" (0:43 a 1:30), quando tudo e todos parecem suspensos num mundo mais ameno.



Saturday, August 03, 2019

Pasífae



Todo búfalo carabao
aquele dos compridos cornos
terá o seu dia de glória
O de Brinquedo com certeza
foi o ápice de sua história
Ele tão tímido no estábulo
recebe a visita da moça
a mais gostosa icamiaba
que seu rijo dorso vingou
a moça de coxas roliças
logo é gozo que não acaba
sob o veludo azul do céu
Brinquedo tão sério a levava
sem outros pensamentos seus
que levar a moça mais leve
leve leve mesmo mais leve
que os guarás que às vezes pousavam
sobre as duras costas das bestas
Sentindo-se livre, a amazona
num movimento mais que lépido
arranca do corpo o vestido
e como que lendo do búfalo
os pensamentos mais recônditos
ligeiro se livra da sela
ah quantos suspiros do búfalo
que desejava nada houvesse
entre seu pelo e a pele dela
E a menina com fala de S
atira bem longe a calcinha
calcinha de renda minúscula
e seus lábios seus lábios úmidos
imprimem secreto sinete
na grossa pelagem do búfalo
os chifres mais tesos que nunca
Brinquedo era tristonho búfalo
hoje se desfila orgulhoso
pois se todo burrinho tem
a marca do xixi do Cristo
Brinquedo tem bem mais que isso
E assim com seus chifres em riste
com seus longos chifres eretos
ele traz impressa em seu dorso
a marca que a moça deixara
orgulhoso pra todo o sempre
debaixo dos céus marajoaras

Friday, August 02, 2019

Azulejos de Belém (que graça eles têm)


Ainda que a mera ideia de açaí salgado com peixe desagrade, se você aprecia azulejos uma visita a Belém já se justifica, o que não deveria causar espécie dada a sua proximidade de São Luís e Alcântara. Trata-se mesmo de uma das cidades do país mais ricas em azulejaria histórica. Uma flanada pelo centro velho será recompensada com exemplares de até uns duzentos anos de idade, quem sabe mais. O destaque fica por conta de alguns solares e palacetes, como o esplendoroso Palacete Pinho. O Mercado da Carne também tem os seus e a cercadura art-noveau nos faz apostar numa proveniência belga.

E, para as loucas dos azulejos de santos, encontrei ainda uma cartela de São Miguel redonda, formato que eu jamais vira em milhares de quilômetros percorridos pelo suburbário carioca.

Fiquei tão feliz (e corajoso) que atravessei a rua e, Ver-o-Peso nas mãos, cai de boca num filhote. Com açaí salgado.







Palacete Pinho (e duas seguintes)
















Mercado da Carne (e seguinte)