Tuesday, July 23, 2013

Gozando Junto III

Cá estamos de volta com novas fotos da Série "Gozando Junto", que já mereceu até nota de pé de página em um jornal da periferia de Bucareste.

Reparem que o gozador pegou (epa!) até umas freirinhas da Jornada Mundial!

Morro da Penha - Niterói

São Januário

DéliBeer

Sto. Antônio do Pinhal-SP
Centro do Rio

Icaraí

Grajaú

Sunday, July 21, 2013

Estou farto de semideuses





Almoço com A, perfeito libertário do facebook que promete a libertação da Palestina para antes da Copa
Vou a um show com B, que tudo conhece de poetas e poesia em seu pétreo conhecimento
Tomo chopp com C, que come três mulheres por dia

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?












O Dia em que Rubem Braga comeu pavão



Há alguns meses visitei o Affonso Romano em sua cobertura de Ipanema e de lá ele me mostrou uma outra mais famosa e mítica cobertura: a de Rubem Braga, aquela em que, quando perguntado no fim da vida como receberia os curiosos, respondeu: a bala.

Acho que valeria a pena o risco, afinal, não se sabe se o Fazendeiro do Ar tinha boa pontaria, ainda mais depois de uns whiskies.

Se ele errasse os primeiros tiros, eu lhe perguntaria se foi verdade aquela história do pavão em Goa. Explico ::: descobri semana passada crônica do Rubem datada de fevereiro de 1990 chamada "De Goa a Ipanema". Nela o cronista conta que, quando em Goa, em 1965, recebeu convite de casal português para comer peru. Passadas garfadas, a dona da casa confessa que os enganara: não era peru coisa nenhuma, mas pavão, ave que Rubem diz ser "relativamente comum lá". Ele come até o fim. Mas com remorsos.

Nas duas vezes em que estive em Goa não vi pavão nenhum, nem solto nem em baixelas. Se eu teria comido? Isso é outra história.

Aliás (e quem conhece a crônica entenderá muito bem este aliás), certa vez eu e meu cunhado fizemos algo semelhante: servimos coelho à minha mãe dizendo tratar-se de galinha da angola. Quando contamos, ela ficou furiosa, como jamais vi.

E assim, de Goa a Angola se faz a crônica, à falta do talento (e de uma cobertura) do Rubem.

Saturday, July 20, 2013

A tarde é este livro aberto



a tarde Pampi é este livro aberto
estes sonetos não se cansam de
falar de tardes noites e manhãs
porque eu não canso de sorver as tardes
as noites as manhãs quando passadas
contigo :: o livro aberto tem as páginas
em branco :: iremos escrevê-las tarde
adentro e resguardamos o ardor
quando as almas enfim apaziguadas
(corpos jamais) descemos com os pés
descalços encharcados desta tarde
crianças insaciáveis para jogar
a sinuca do velho bar da roça
e depois a gente incendeia o mundo

Friday, July 19, 2013

Rua Goulart - Tijuca

A Rua fica na Tijuca, bairro onde meus pais se conheceram, bairro onde estudei e que eu dizia odiar.

A mitologia idiota até hoje permanece... Junto a "classe média"..."tijucano" e, pronto, temos a origem de todo o mal do país. Se for tijucano classe média então, ferrou.

Pois a Tijuca tem coisas belas, belas como um copo de ouro.

Mas como ouro, hay que garimpar.








E rasurando Bandeira:


Homens ricos do Rio de Janeiro
Que dais quinhentos contos para conhecer Praga,
Está certo,
Mas dai dinheiro também para a Rua Goulart.

Grãs-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
e meio conto por uma permanente no Baldini,
está tudo muito centro,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Rua Goulart.
(Nossa Senhora da Saens Peña vos acrescentará...)



Wednesday, July 17, 2013

Fecha as janelas, amor, deixa apenas



fecha as janelas amor deixa apenas
a luz coada das treliças verdes
me vem de blusa branca os cabelos
o rio negro e volumoso que
não há conter :: o rio vasto e negro e sonho
te escorrem pelas costas infinitos
perto da cama larga os teus chinelos
ao lado dos meus deixa que namorem
e se segredem coisas dos seus donos
agora vem e deita e fecha os olhos
para que no escuro te venham cores
que como nunca se repetirá
deita ao lado :: eu te dedilho o clitóris
e o Glenn Gould : sempre ele : dedilha Bach


Glenn Gould toca Brahms. Com introdução de Bernstein.



Um dos episódios mais marcantes da história da música erudita ocidental :: não apenas a performance de Glenn Gould tocando o concerto de Brahms (toda performance de Gould facilmente entra no nicho de episódio marcante, principalmente, creio, aquelas que ninguém ouviu tirante o próprio), mas a fala de Leonard Bernstein e seu notório disclaimer.

Muita água já correu. Muitos admiradores de Gould repudiam até hoje Bernstein por ele ter dito o que disse apenas minutos antes do início do concerto. Ter atirado o hipersensível Gould às feras.

Não sei. Bernstein age como o típico entertainer. Típico entertainer norte-americano, tipo a música já é tão dramática, bora dar uma relaxada? Fazer isso às custas do pianista pode ser complicado. O maestro passou o resto da vida afirmando que não teve qualquer intenção mesquinha e que o próprio Gould aprovara sua fala. Não sei.

Sei apenas que Gould insistiu para que tudo fosse tocado devagar. A única indicação de Brahms para o tempo é.... maestoso, um tanto vago.


 

Tuesday, July 16, 2013

Ao meu lado Camila lê Neruda




ao meu lado Camila lê Neruda
e ele a lê por detrás dos seus sonetos
ambos me furtam a clave do sossego
não há dormir ou ler assim :: a poesia
tão carne viva e mineral palpita
coração do tempo na eternidade
pela janela a sucessão de espaços
árvores luas crianças e pássaros
desenham halo em torno de quem lê
a viagem aqui apenas começa
de tudo me desligo :: sobre a amada
e a poesia fundo a minha cidade
o resto dos dias passarei insone
e nada mais peço à eternidade

Wednesday, July 10, 2013

is 48

São Pedro d'Aldeia :: junho 2013
12

Alex, Neal, Christensen têm seu 12
mesmo que doze meses eu tivesse
jamais conseguiria esta dose
de talento, mas fico na vontade

de rascunhar poema assim tão doce
tal que eu pudesse colocar ao lado
das canções e poema chamados 12
mas sempre fico aquém (ou mesmo além,

soneteiro que sou) fico no 12
ao menos neste e, sim, tá, já sei
isto soneto não é (but a rose
by another name would still smell the same?)



(claro que só se entende esta bobagem de circunstância com isto aqui)

Felicidade a R$3,01



Com o quilo da vagem-manteiga saindo por R$9,89 no supermercado mais perto de você, 305 gramas sairão por R$3,01, que é o de quanto Dona Alaíde precisa para fazer seus bolinhos imapagáveis.

Depois dizem que dinheiro não compra felicidade. Ah meu ódio pela facilidade das frases feitas (inda que paremiólogo) :: não compra o cacete!

São necessários três reais e um centavo.

Da minha obsessão por eles já escrevi aqui.

is 36




Dá 36 ou algo próximo a isso a soma da maravilhosa canção do Alexi Murdoch de seu primeiro álbum (12), o lindo poema da Inger Christensen (12) e a soberba música do Neal Morse (12).

Do Alexi : há muito penso em um post sobre esse brilhante singer-songwriter escocês. Bem, fica o teaser aí.

Da Inger: ela tem uma coroa de sonetos chamada Sommerfugledalen que foi musicada. Como essa combinação poesia / música é um killer para um rapaz como eu, em breve algo mais sobre ela aqui.

Do Neal já escrevi aqui. 12 não é apenas uma de suas melhores músicas, é a prova de que talvez valha mesmo a pena. O seu começo é de uma doçura infinda. E depois, aos 3:21 temos um solo EXCEPCIONAL do Steve Hackett. E aos 5:28 temos um moog LITERALMENTE  BÊBADO.

 

12

life, the air we inhale exists
a lightness in it all, a likeness in it all,
an equation, an open and transferable expression
in it all, and as tree after tree foams up in
early summer, a passion, passion in it all,
as if in the air's play with elm keys falling
like manna there existed a simply sketched design,
simple as happiness having plenty of food
and unhappiness none, simple as longing
having plenty of options and suffering none,
simple as the holy lotus is simple
because it is edible, a design as simple as laughter
sketching your face in the air

(Inger Christensen, Alphabet, tradução de Susan Nied)



Sunday, July 07, 2013

DeliBeer e Duas Cabeças (Feitas)




Nas duas edições anteriores bati na trave, neste ano eu não podia falhar: o DeliBeer seria não apenas em Niterói como, de quebra, em local que sempre quis conhecer :: o Casarão de Charitas, construção histórica de meados do século XVIII que serviu de sede da Fazenda Jurujuba.

Embora o Casarão atenda hoje pelo pavoroso nome de NEC Multiplace, eu não podia falhar.

O evento contou com a participação de bares expecializados em cervejas especiais (virtuais como BeerShop e físicos como o Cervisia 1516, daqui de Niterói), e das cervejarias Fraga, Ravache, Eisenbahn, Duas Cabeças, Rasen, Invicta, Baden Baden e, claro, fazendo as honras da casa, a Noi.

De todas estas, a única que eu não conhecia sequer de nome era a Duas Cabeças, cujas IPAs Hi 5 e Maracujipa foram o ponto alto da tarde. Que a Maracujipa leve maracujá em sua receita é óbvio desde o (ótimo) nome, mas a Hi5 também tem toques da fruta da paixão, devido ao uso do lúpulo Simcoe, coisa que eu já sentira em algumas Brewdogs antológicas. Terá sido isto, aliás, o que me fisgou, já que ela é um misto de American IPA  e Stout e Stout é, definitivamente, um estilo que não me encanta. A não ser, claro, esteja eu em Dublin bebendo direto das tetas da vaca preta e lendo Beckett.

Trouxe para casa ainda (estou falando apenas da Duas Cabeças) uma saison. E olha que pra fazer saison no país da skol tem que ter culhão!

Perdoem-me o trocadilho fácil, mas seja a Duas Cabeças como o deus romano Jano :: uma face olhando para o passado, para a tradição dos mestres cervejeiros, e a outra olhando para a frente, em busca de espaços ainda não pisados.






Duas Cabeças


Saturday, July 06, 2013

Beto

Estive no show do Beto Guedes ontem, primeiro sábado de julho deste ano na Cinelândia.

Este não foi meu primeiro show do Beto :: estive em um mítico (para mim) no Parque Lage em 1985 em que a banda de abertura era o Sagrado Coração da Terra. A galera vaiou vaiou o Sagrado e eu do alto da minha timidez absurda (e não bebia cerveja) mandava todos à merda.

O Beto foi importante para mim nessa época e por isso ainda o é hoje.

O show de ontem.... bem, me fez pensar o quanto é bom ter seus vinis e Cds, pois o show em si é muito ruim. Nem digo pelo fato de sua presença de palco ser algo perto da desastrosa, porque isso já sabemos e o amamos mesmo assim (e por isso). Lo que pasa es que ele e sua banda pasteurizam as músicas de tal maneira que já não haverá distinção entre o agito de "Feira Moderna" e a caixinha de música de "Gabriel". Beto & banda jogam tudo no liquidificador e o que sai é aquele som insosso de uma apresentação ao vivo insosssa. O que salvou foi, amiúde, a galera que, saudosa, cantava junto. Ou seja:: às vezes era mais reconfortante ouvir o público a ouvir as versões cool e sem ritmo da Beto & Banda.

Não sou um chato que quer ouvir ao vivo a reprodução mimética do estúdio. O que não quero ouvir é todas as canções absurdamente iguais e cantadas de modo a destroçar ritmo, melodia e harmonias.

Um bom momento foi "Cantar", do Godofredo, o primeiro bis, Beto um pouco mais solto. "Paisagem na Janela" foi o final apoteótico, mas essa música, com seus backing vocals de motel, é uma boa merda.






Friday, July 05, 2013

Batizando Bem-te-Vis

São Pedro d'Aldeia ::: junho de 2013


talvez a tarde insistente a pedir
que nomeássemos o bem-te-vi
que não falha nesta nossa varanda
é ele :: sonha-se-se galo :: a bicar
a casca da manhã é ele miúdo
voyeur a fixar nossos amores
da manhã tarde noite e madrugada
é ele gotas quentes do céu sobre
o peito a inquirir-nos mas o corvo
de Poe não é ::: ele apenas nos lembra
que os dias se tecidos de incertezas
no canto desperto nos fazem vivos
chamo-lhe José (ele apenas é)
a alegria dos gestos redivivos

Wednesday, July 03, 2013

A Casa da Flôr - São Pedro D"Aldeia

Ela está lá, mal escorada por estacas derrapantes que se enfiam solo adentro. Se é difícil preservar igrejas e museus, o que dizer de casa pobre de preto pobre visionário que trabalhava nas salinas?

O que a salvou / salva do olvido eterno foi o compararem-na a Gaudí. A chancela de que tanto gostamos. Aí aquele monte de caco e caos de conchas ganha respeito e mesmo atrai visitantes. Em dias nublados.

Gabriel dos Santos e sua casa trazem-me à mente rol de coisas. Já antes de conhecer, imaginai agora. Mas me traz o Quintana de "Todas as artes são manifestações diversas da poesia -- inclusive, às vezes, a própria poesia".

Gabriel dos Santos era um poeta. E não quebrava nada. Construía com os cacos que lhe chegavam às mãos. Nada o fazia mais feliz. Criança. Sábio. Velho sábio getulista, o precursor da geladeira em São Pedro d'Aldeia, o precursor da ecologia, o nefelibata à margem da estrada. Vivendo à beira.

Engraçado só falarem de Gaudi pra lá e pra cá. A tal da chancela. Gaudí é fueda. Visionário, místico, mas um erudito. Sem querer criar dicotomias, se é para tecer comparações, se é para irmanar, fazer famílias, vêm-me à mente antes Arthur Bispo do Rosário e o Profeta Gentileza.

E os três hoje colorem o céu por detrás das nuvens pretas.









Dos Sonetos Rimados


N. S. da Penha :: Niterói ::  junho 2013


os sonetos rimados me aborrecem
eu proclamo em perfeito decassílabo
aquele em que as riminhas se entretecem
da maneira mais lógica e previsível
sobre as rimas já discorreru Montale
maçantes insistentes sempre as mesmas
e o gaúcho em seu baú de espantos
noticiou o encontro de duas delas
que se olham atônitas comovidas
Mil vezes rimar livre com alpiste
:: deixo aqui meu elogio às toantes
mais discretas e sóbrias :: mas mesmo antes
conseguir rimar a palavra trôpega
com a corda sensível de quem lê

Monday, July 01, 2013

No meio do caminho tinha o Minho



no meio do caminho tinha o Minho
rio antigo que flui no coração
do rio antigo :: e assim me rio
e assim nomeio e assim me embriago
de vinho farto ao som das caldeiradas
e me perco transido de azulejos
os azulejos :: azul e desejos
voo azul de desejos pela moça
que tanto coça o pensamento aqui
recebe sob as pálpebras da tarde
este bilhete em forma de soneto
e nada impeça que este verso queime
que teime em repetir o que já sabes
de cantar o que em mim já não se cabe