Este que é provavelmente o bairro preferido de Niterói e aonde não canso de voltar
Thursday, June 20, 2013
Wednesday, June 19, 2013
Gozando Junto II
A série Gozando Junto continua. A primeira coleção está neste post aqui.
Seguem algumas recentes, misturadas.
Seguem algumas recentes, misturadas.
Tuesday, June 18, 2013
Beijar teus seios como se em queda
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| Guanabara :: junho 2013 |
beijar teus seios como se em queda
o tempo exíguo para a exatidão
que não esteja errado a ponto de
me afastares a cabeça pro lado
e que não seja certo a ponto do
suspiro que acompanha o saciar
beijar teus seios como se em queda
essa queda dos sonhos :: só não quero
acordar : deixa eu ficar vagabundo
nada mais a fazer nesta manhã
senão beijar estes mocinhos graves
que impenetráveis me contemplam graves
nada a fazer :: beijá-los e beijá-los
lábios e língua silentes vassalos
Molotov
Agora que o clichê é meter o pau nos coqueteis molotov, acho que faltou e falta coquetel molotov. Com a amiga Ana Lúcia, não se faz omelete sem quebrar ovos. Mas que haja precisão nos arremessos :: um coquetel molotov nos olhos da imprensa falaciosa, vendida e oportunista. Um coquetel molotov no rabo de Bolsonaross e Felicianoss, que usam dinheiro público para disseminar preconceitos e cizânias. Um coquetel molotov na genitália do nosso empresariado, mancomunado sempre com ditaduras políticas ou econômicas (classe alta, senhores, e não a média). Um coquetel molotov na boca da bancada evangélica (eleita pelas classes baixas e não pela média) que arrasta o país para o atraso e sectarismo. Um coquetel molotov em Sarneys e Calheiros, representantes de oligarquias e plutocracias de 500 anos. E um coquetel molotov na nossa corrupção diária, que nos faz ter gatonets e carteiras de estudante falsas, já que corruptos são os outros.
Monday, June 17, 2013
O menino que olha pro alto
Este nem é meu. Pela segunda vez escrevem poema para o menino. O primeiro foi este aqui.
O que segue não é meu, é de Pampi, é mistério, mistério que a vida me emprestou.
O MENINO QUE OLHA PRO ALTO
O menino que olha pro alto
Olhos amendoados, pé-de-moleque
Besuntam beijos nos dedos untados
E ele se ri, recebe amor na mão aberta
Recebe amor no umbigo raso
Ai, vagalhãozinho de enseada
adentra ventre à noite fria
amanhã te dou à luz de novo
se prometeres
olhar pra cima
Sunday, June 16, 2013
A Concha de Swansea
A CONCHA DE SWANSEA
Repousa a concha sobre a estante.
À noite colamos o ouvido à sua concavidade calcária
para receber o rumor e o sal daquele gélida baía.
Mas é de madrugada após o golpe do sono
que a concha
tocada pelos dedos do vento
vibra pelo quarto a voz do bardo
a sussurrar grave com os lábios molhados de algas e anêmonas
I learnt the verbs of will, and had my secret;
The code of night tapped on my tongue;What had been one was many sounding minded.
Virá daí talvez o atordoo da manhã
virá daí talvez o desejo desvairado de amar
virá daí talvez o tatear mapas como sexos
para neles encontrar (talvez) nosso destino
Tuesday, June 11, 2013
Mutum, o Filme :: Uma Resenha
A prova maior de que não sou e nunca fui cinéfilo está aqui: adaptaram o meu conto preferido em 2007 e só agora me interessei em assistir.
Falo de Mutum, filme de Sandra Kogut adaptado do conto / novela "Campo Geral", primeiro do Corpo de Baile de João Guimarães Rosa.
Aproveitando ser hoje véspera do Dia dos Namorados, aproveitando que meu níver se aproxima, aproveitando que o céu aqui é o que mais perto pode ser de um céu romano: azul e frio :: adorável. Aproveitando isso tudo de bom, para dizer que só mesmo com muita boa vontade posso dizer que o filme é razoável. (Fosse agosto sob céu chuvoso, qual seria minha avaliação?)
Sem entrar naquela discussão tola das adaptações. Aquela história das linguagens diferentes. Não tola por errada, mas por óbvia. Se é para adaptar um autor para as telas, senhores, que o "respeito", que a "fidelidade" resida menos na diegese que no ethos da obra. Impossível? Coppola fez isso soberbamente bem com Apocalypse Now, "adaptação" (aspas imprescindíveis) de O Coração das Trevas, de Conrad. Para ficarmos por aqui, Luiz Fernando Carvalho brilhou com seu Lavoura Arcaica, adaptação do romance homônimo de Raduan Nassar.
O filme de Sandra, na pretensão cool de querer fazer mais com menos, faz menos com menos. A secura das tomadas, o fraco desempenho do elenco, a ausência de trilha-sonora, se pretendiam traduzir a secura do sertão, escorregam de maneira lamentável. O sertão de Rosa não é o de Graciliano Ramos, Rachel de Queirós, José Américo de Almeida. Não o é geograficamente e muito menos na linguagem. O sertão de Guima é barroco, é cornucópico, é exuberante. É a gritaria dos quero-queros nos buritis. É a invencionice desvairada de Miguilim. E não o que se vê aqui.
Falei em Miguilim? POR QUE CARGAS D'ÁGUA O FILME TROCOU OS NOMES DE MIGUILIM E DITO, CHAMANDO-LHES DE THIAGO E FELIPE????? Para mim, o erro mais sórdido. Guima já havia dito que tudo que tinha nome o pegava. Nome, para ele, não era apenas tudo. Era muito mais que isso. Será que Sandra ou alguém da brilhante equipe de pesquisa se deu ao trabalho de consultar Recado do Nome, de Ana Maria Machado?
E como assim : Thiago e Felipe? Então na literatura os nomes não têm importância? Não é aqui Dito o dito, e Miguilim, o não-dito? Não é por isso que Dito morre e Miguilim vive? Porque ele ainda tem muito a dizer? E os insípidos nomes Thiago e Felipe (perdoem-me os amigos do nome, sobretudo o Ponce e o Barroso, que hão-de me compreender) querem dizer o que aqui?
(Ouvir "Felipe está no céu" em vez de "Ditinho está em glória" e "Thiago é piticego", em vez de "Miguilim, você é piticego" é uma afronta que não há céu de junho que amenize)
Se a intenção era "universalizar", então pra que chamar o filme de Mutum? Pra que ir para o norte de Minas filmá-lo? Ficássemos com Thiago e Felipe num play da Tijuca! Pronto! O sertão está em toda a parte!
Só pra terminar: mostrar os meninos tentando ensinar o papagaio a falar o nome do Dito (Felipe é o cacete!), sem depois mostrar que ele só o aprende depois que este morre, para desespero do Miguilim (Thiago é o caralho!) é pior do que contar fofoca pela metade.
Por fim, se o filme foi tão incapaz de traduzir o ethos roseano, colocando uma sucessão de cenas a priviliegiar a diegese, por que no fim não mostrar que Tio Terêz e a Mãe ficam juntos???
Ou seja, não serve nem como novela das 7.
Agora que terminei o texto, não acho o filme razoável, mas sim uma bela porcaria.
Monday, June 10, 2013
Aprender palavra quirera
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| São Francisco Xavier :: maio de 2013 |
viajar viajei cumpri os votos
a que me impus quando ainda garoto
correr o mundo virá-lo do avesso
pousar no fim sabendo que é o começo
menosprezei os óbvios destinos
:: pro inferno cabo frio cancun miami ::
em troca de lugares mais canhotos
tunísia malta goa sri lanka
e são gonçalo do rio das pedras
depois veio o menino a viagem
maior se deu ainda que eu mal fosse
da cozinha à sala e desta ao quarto
agora na tua minha mão espera
juntos aprender palavra quirera
Friday, June 07, 2013
Bairro dos Souza - Monteiro Lobato-SP
Conhecer cidadezinhas é legal, mas o melhor é conhecer os seus distritos. A caixinha dentro da caixinha. Senão onde tomar cerveja sob pau-brasil roçando ombros e alma com igrejinha consagrada a Santa Rita de Cássia? Detelhe: igreja rosa. A primeira que atopo em décadas de visitações a igrejas históricas. Não por acaso Santa Rita, a dos impossíveis. Meu padrasto, ateu ferrenho até quase o fim da vida, era devoto. Pode ser que eu agora, quem sabe.
Ou onde encontrar geladeira roxa roxinha e tomar caipirinha de tangerina com pimenta?
Outros (não eu!) a pedra bruta cortem. Vou conhecendo lugarejos.
Thursday, June 06, 2013
São Francisco Xavier - São Paulo
O simpático distrito de São Francisco Xavier abrevia-se SFX. Isso não se fala, se escreve. Que o distrito continue distrito, escondido na Mantiqueira, sem ganas de municipalizações. Lá é frio e no inverno os dias são de um azul absurdo e às noites enxerga-se a Via-Láctea.
O turismo é uma indústria insidiosa. Faz bem, mas pode fazer mal. Não vire SFX uma Tiradentes, um Pelourinho. Não vire SFX um shopping a céu aberto só lojinhas e restaurantes para turistas. Não expulsemos os xavierenses de gerações para a periferia, deixemos que continuem morando no centro, em suas casinhas.
Como assim, "deixemos"? A cidade é deles, os visitantes passamos, fazemo-la nossa ao passar mas não se torne SFX cidade que abre às sextas e fecha aos domingos.
Continue São Francisco Xavier da Barbearia Magalhães, das violas, das saíras e das estrelas.
O céu aos poucos sabe ser incêndios
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| São Francisco Xavier-SP ::: maio de 2013 |
o céu aos poucos sabe ser incêndios
a chamuscar as doidas criaturas
que se perdem nas tardes renascidas
a não saber se a chama que perdura
nos buritis é mero derramar
de segredos que sonham espavoridas
ou se é mesmo algo talhado no ar
como saber? e para que saber?
difícil imaginar devoração
mais mútua entre amantes (entre eles)
e entre eles e a tarde toda incêndios
amar é como ter bolsos furados
e neles guardar todos os compêndios
neles guardar avisos e cuidados
Wednesday, June 05, 2013
O rio nos salpica de saliva
e se o amor faz barulho mergulhamos
nossos pés no tapete dessas águas
que eles têm sedes :: com eles eu preciso
as palavras todas da manhã :: trago-as
à flor da pele e só a ti revelo
quando a vida se resume à beira
do rio que nos salpica de saliva
as palavras são ecos dos anelos
já nem sei se o rio é sob os pés
ou se é aquilo que te flui do olhar
lição :: o esencial é o visível
aos olhos à pele e aos ouvidos
o esencial é nos provarmos vivos
nenhum céu parecer inacessível
Tuesday, June 04, 2013
A noite somos eu e a gata
à noite somos eu e a gata apenas
sozinhos neste apartamento enorme
(o menino nas águas suas dorme
e ressona a doçura dos fonemas)
a gata amadurece faz-se velha
mas mesmo velha se fará menina
a gata amadurece fescenina
e se oferece ao me olhar de esguelha
passados seis anos que lhe ensinei?
nada :: nada que ela já não soubesse
(em minhas tolas pretensões tentei
mas nada pude contra as sete vidas)
ela que ensina com sua fala em S
e agasalha a noite em suas retinas
Comprar pijama pra filho
Quando o pai entra na loja de roupas infantis para comprar pijama para o filho recebe menos boa-tardes interesseiros que olhares desconfiados. Pai não deve sair por aí comprando pijamas quentinhos para seu filho, isso é coisa de mãe. Ou de tia, dinda, vovó. Pai só entra para comprar pijama fofo para seu filho acompanhado da mulher. Com sua imensa cara de tédio. Depois ele se lembra de inspecionar as vendedoras, ver se tem alguma interessante e ao menos assim garante-se a briga à saída da loja.
Quando o pai entra na loja de roupas infantis para comprar pijama para seu filho que é sua vida e já estamos em junho e o olha que o inverno se aproxima pensam, claro, que ele entrou em loja errada ou então irá pedir informação (mas não tem gente só pra isso?) tipo a escada rolante é pra lá?
Pai que é pai não compra pijama pra filho pijama camisa e calça comprida porque mesmo no Rio as noites podem ser friinhas e o piàzinho rebelde não se cobre não há santo que o faça, antes se descobre a si e ao mundo a pouco e pouco e o pai descobre que vive em sociedade em que comprar pijama para filho gera desconfiança embora seja ele o guardião embora o filho durma mais de 80% das noites com ele.
E a escola continua endereçando os recados para a mãe. Não muito diferente do que fazia a pediatra, Dante era tão pequerrucho, e escrevi aqui.
Monday, June 03, 2013
São Francisco Xavier (quem diria) acabou em São Paulo
Acredito não ser possível fazer tese sobre Goa, seja sobre geologia, economia ou tá, literatura ou teologia, sem mencionar São Francisco Xavier. Talvez por seu corpo conservar-se incorrupto na Igreja de Bom Jesus (eu vi) mas talvez mais que isso.
Aqui na Tijuca, em local que se chamou Engenho Velho, há uma igreja grande dedicada ao santo basco e, não podia deixar de ser, um pedaço de seu corpo, não lembro qual. Em minha tese saí-me com a história de que o corpo do sujeito era metáfora e metonímia da diáspora goesa, que assim achava meios de carregar consigo Goa e seu legado.
Foi uma viagem, na verdade duas, mas deparar-me com São Francisco Xavier na Serra da Mantiqueira não o foi menos.
Jamais me esqueço da devota goesa que arancou o dedão do Xavier com uma mordida e que depois foi encontrada graças às manchas de sangue que lhe pingavam da boca. Em Um Estranho em Goa o narrador de Agualusa compra o coração do santo e o transporta numa caixa.
Até agora não sei qual o pedaço do santo que se conserva em São Paulo. Sou dado a esses detalhes mórbidos, é que não tive mesmo tempo de conversar com o cura.
Sei que bem abocanhei o que encontrei na linda e singela igreja a ele consagrada.
Lugar que se chama Cafundó
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| Cafundó-SP ::: junho de 2013 |
se há capela no alto da colina
de lugar que se chama Cafundó
ir vê-la quando o dia se termina
ou a vida meu amor será só
um vácuo de erros e rotinas
podendo ser tão mais podendo ser
o azul mesmo da capela que se funde
ao azul deste céu que mais profundo
se desenha pois se adivinha findo
os azuis que se amam são como os corpos
que se confundem quando assim tingidos
se sonham reses para ser tangidos
apenas como doidas andorinhas
que diariamente inventam seus caminhos
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