Passados 150 dias e quase na hora já de outros voos e cadernos, algumas fotos dos lançamentos de Voo Sem Pássaro e Caderno de Sonetos, na noite de 20 de dezembro de 2012 na livraria Al-Fárabi e aqui.
As fotos foram todas tiradas pela grande (epa!) Maria Ruch. Quais postar aqui? Guiou-me o único princípio de "candid picture", isto é, na foto nem eu nem o pobre enganado que está a comprar o livro sabemos que estamos sendo fotografados. Embora soubéssemos, claro. Arte é artifício.
E o que eu falava assim de tão importante para as pessoas? (Algumas expressões são verdadeiramente adoráveis) Ora, nada de relevante: trata-se de um estratagema de render esse negócio todo, por amor de as pessoas pensarem que a fila de autógrafos estava enorme. O poeta é um fingidor.
João
Maria
Letícia descobre que está na página 75
Luiza e Marina :: na aula eu não tinha 1/4 dessa atenção
Fui a Santa Cruz, de trem, na caça ao boteco Matadouro. Conforme se vê aqui, não me decepcionei, pois o botequim está extremamente bem conservado, mais do que (re)compensando a longa jornada. Fosse Europa, talvez chegasse já a outro país (principalmente se de Euro Star), aqui nem saí do município oh como acordei ufanista hoje!
Bem, pero lo que pasa é que, a caminho e descaminho do boteco, encontrei cousas muy interessantes de se ver. Santa Cruz é bairro que merece visita mais demorada e cuidadosa.
E olha que nem me refiro ao patrimônio histórico pp. dito, como o Mataduro Industrial e o Palacete Princesa Isabel, construções do século XIX, a Ponte dos Jesuítas, de meados do XVIII (!) e, pasmai!, o Hangar do Zeppelin, do século XX.
toda a tarde te espera :: como quando
me deito (sempre tarde) e espero o sonho ::
pão e água de prisioneiro que se
conhece a ponto de mais nada ser
toda a tarde te espera :: os elementos
naturais ficam como que suspensos
obedientes a lógicas só suas
todas árvores e seus galhos pensos
todos pássaros e seus cantos sóbrios
o crepúsculo e seus matizes densos
toda a tarde te espero e se adormeço
sonho sonho ligeiro que chegaste
quando as cores do sol são mais difusas
e a tarde se afrouxa em suas costuras
Uma das pérolas da humilde coleção, CD comprado com Eric na deliciosa feirinha da Calixto há alguns anos, os Fresh Maggots eram dois rapazes ingleses de apenas 19 anos que em 1971 lançaram seu único trabalho. Ou seja, mesmo há mais de 40 anos nem sempre música de grande qualidade emplacava.
Estilo? Folk Rock. Melhor: Acid Folk, já que usam um bocado de guitarra elétrica (o Bob já dissera que podia...)
Amo "When She Laughs". Tão apropriada e verdadeira. Os grifos na letra são do papai aqui.
When she laughs her face lights up
Face lights up
When she laughs her face lights up
Face lights up When she laughs the sun and the stars Are put to shame by the brightness of her smile
Of her smile
And I love her, she’s all mine.
When I’m sad she makes me laugh
Makes me laugh
When I’m sad she makes me laugh
Makes me laugh
When she laughs all my problems
Are swept away by the brightness of her smile
Of her smile
And I love her, she’s all mine.
When she laughs she makes life worth while
Life worth while
When she laughs she makes life worth while
Life worth while
When she laughs all my problems swept away
By the brightness of her smile
Of her smile
And I love her she’s all mine.
Escrevi recente sobre cornucópias nas fachadas cariocas aqui, mas parece que o tema se desdobra cornucopianamente.
É preciso ser um die-hard fâ do Black Sabbath para saber que eles têm música chamada... "Cornucopia", escondida no Lado 2 depois da clássica "Snowblind". "Snow", aliás, era para ser o nome do anódino (falo do nome!) Volume 4, mas a galera da gravadora vetou já que snow aqui pode ser muita coisa, anos depois seria até nome de albino, mas nunca aquele fenômeno metereológico típico dos países frios.
Voltando à "Cornucopia", a letra do Butler trata da sociedade de cosnsumo, de maneira, claro, crítica.
Too much in the truth they say
Keep it 'till another day
Let them have their little game
Illusion helps to keep them sane
Let them have their little toys
Fast sports cars and motor noise
Exciting in their plastic place
Frozen food in a concrete maze
Evidente que se pode enxergar "referência" aí à cornucópia. Neste desejo sempre renovado pela mídia e propaganda de se possuir cada vez mais. Mas, a-há, tal qual em "Changes", é na forrma que o conteúdo melhor se expressa. Porque, como diria Conselheiro Acácio, forma é conteúdo. "Changes" fala de mudanças na vida amorosa. mas é musicalmente -- a primeira vez que o Black Sabbath usava mellotron -- que vemos as mudanças, isto é, a banda procurava novos caminhos. (Para grande dissabor do Ozzy.)
Também aqui. Não é só ao criticar a sociedade de consumo que temos "referência" ao corno que simbliza abundãncia e prosperidade e fertilidade. Mas ao empregar uma série ABSURDA de riffs, a música é a plenitude em pessoa. Enquanto muitas bandas medíocres lutavam e lutam para encontrar um riff marcante para uma música (algumas extremamente medíocres encontravam um riff para o resto da carreira, cf. "Satisfaction"), Mr. Iommi não apenas nos deleita com o riff obrigatório (o soturno e pesadíssimo inical não parece descrever um monstro com dor de cabeça tendo que pagar o imposto de renda?) como nos fornece bônus. E, qual o plural de bônus?, bônuses.
Tanto assim em menos de 4 minutos.
É Dio quem lembra, anos depois, claro, que certa vez, Toni lhe oferecia infinidade de riffs que ele já tinha gravado em fita cassete, como que a dizer: "Just pick one, pal". E Dio termina a lembrança afirmando que aquele era o Mr. Riffman em pessoa.
Escrevi sobre azulejo de botequim em geral aqui, post que, se os números não estão tresloucados, foi já lido por 396 pessoas (!).
Depois achei que era hora de micromonografias e escrevi aqui apenas sobre a combinação azul / verde piscina e aqui sobre a combinação azul / rosa, a qual denominei "constantemente amanhecendo", com direito a poema da Adélia.
É chegada portanto a hora dos botequins com a rara combinação branco / roxo que, tal como as acima, tem até o momento apenas três registros.
O primeiro é o Café e Bar Varnhagen, o mais conhecido dos três, não por etnocentrismo, mas por já ter servido de cenário para comerciais, por participar do Comida di Buteco e por conquistar merecida estrela no Rio Botequim do Guilherme Studart.
Café Bar Varnhagen - Tijuca
Café e Bar Varnhagen - Tijuca
Bem menos conhecido, embora em região central, na verdade, atrás da Central, é o Café e Bar Pradana. Nome a ser confirmado ainda, fiquemos com o que consegui arrancar do desconfiadíssimo dono.
Café Bar Pradana - Central do Brasil
E nas franjas da nossa cidade, depois de Bangu, Campo Grande e mesmo Paciência, o Bar e Restaurante Matadouro, no bairro de Santa Cruz. O que acontece neste grande bar, de pé-direito altíssimo, é que como se não bastara a azulejaria em todas as paredes, há ainda um excepcional painel de azulejos coloridos, realizado por um tal de J. Celino. O painel retrata típica estância gaúcha. Um dos motivos de o atual dono, Seu Chico, se fazer passar por Gaúcho, para seu agrado.
nunca estás só, viajas
e teus desejos mais tresloucados são teus pajens
que te pegam pela mão como a uma criança
para a beira do abismo
um passo
e a pele é pasto
de carne onde me dessedento
apenas quando as pálpebras se fecham juntas ouvimos
(no sono)
que o vizinho da frente assoviava
assovia
o barbeiro de sevilha
Fumaria um cigarro com Szymborska
se eu fumasse
se eu fumasse um cigarro com Szymborska
o mesmo cigarro
se eu recebesse Krótkie Zcie Naszch Przodków
como beijo
de seus lábios tisnados de nicotina
não seria pequena a chance
de tornar-me
poeta
(e após perder o guarda-chuva
no metrô
discursar no Achados e Perdidos
sobre outras maiores perdas)
Antes da confirmação dos shows do Black Sabbath no Brasil, envolvi-me numa pequena discussão no Facebook por causa do Bill Ward. Nas redes sociais, todos o sabemos, a esquerda está sempre certa e não tolera divergências, a direita idem, e aqueles para quem tanto faz como tanto fez o Black Sabbath com seu baterista, também.
Os shows estão confirmados e, Megadeth de abertura e odioso site responsável pela venda de ingressos à parte, estou empolgado.
Mas eu queria mesmo é que o Bill viesse também.
I just love Bill e depois que tive a ideia de escrever este post fiquei pensando em porquês mas sabemos que amor não é chegado a porquês.
Talvez tenha sido a estupefação com o Paranoid. Nunca, nunca eu e meu irmão tínhamos ouvido tanta bateria assim num disco de rock. Verdade que eu tinha apenas 12 ou 13 anos, e avaliem o que uma "War Pigs", uma "Electric Funeral" não podem fazer num menino ainda cheirando a cueiro.
Talvez seja porque sei que nesses anos iniciais, em que os rapazes passavam fome em Birmingham e eles tocavam em bares onde ninguém ligava (como recém aconteceu com o Focus em Juiz de Fora), o Bill invertia as baquetas só pra fazer mais barulho e ver se aqueles idiotas prestavam atenção.
Talvez tenha sido o pôster enorme do Black Sabbath circa 1978 que eu tinha em meu quarto no Andaraí. O palhaço showman fazia uma careta. O Toni e o Geezer tinham as caras de paisagem de sempre. E o Bill, gordo e calvo, era o cara que, se você esbarrasse com ele no metrô, jamais diria que ele tocava numa banda de rock, ainda por cima bateria. The guy least likely to rock in town. Elvis Costello included.
Talvez pelo fato de eu ter lido, em Black Sabbath: an Oral History, sobre sua luta com a cocaína. Aquela história de snowblind pra cá snow pra lá deixa marcas. À época ele estava numa halfway-home, isto é, tentando voltar para casa.
Ele, um dos melhores bateristas do mundo. O peso do Bonham com a técnica naïf de um lunático como o Keith.
Mas talvez eu me ressinta tanto assim do fato de o Black Sabbath não vir realmnete completo para o Rio, quando, miraculosamente e contra todos os prognósticos, os quatro ainda estarem vivos, seja por causa de uma tarde.
Por causa de uma tarde, provavelmente maio de 1983. Estávamos em Visconde de Mauá, mais precisamente em Maringá, mais precisamente no Torto. Voltávamos para o acampamento, lá pelas quatro, numa tarde de sábado quando, ao entrar no camping, ouvimos vindo de um carro a música "It's All Right", uma das duas de toda a discografia do Sabbath cantada pelo Bill. Reparem: o sujeito, provavelmente um paulista, não ouvia apenas Black Sabbath, o que já seria extraordinário naquela época. ELE OUVIA 'IT'S ALL RIGHT' DO BILL WARD. Joguei o saco plástico que carregava para cima e pus-me a pular. O Renato gritou e deu cambalhotas. O André abriu o Maravilha de São Roque e o Marcelo pegou o celular para pedir a Biba em casamento,embora celulares ainda não existissem.
Depois fomos molhar os pés nas águas puras do Rio Preto. Só pra ver se ficavam tão lavados quanto a alma.
Pede a namorada poema
e não aceita que eu me esquive
diz que eu escreva qualquer coisa
porém que seja em verso livre
é melhor cumprir a tarefa
temo que de beijos me prive
ah logo eu que ando tão doido
amando como nunca estive
pena flutuante no vento
alucinado bateau ivre
como eu gostara de pedir
que a vida me guarde e me livre
desses caprichos de amada
de flechas Tião meu corpo crive
mas não peçam a um soneteiro
um poema de verso livre
só por ser ela assim tão linda
só por ser ela tão incrive
só por ter ela a certeza
de ter my heart captive
que fiz o meu dever e bom
namorado, não me contive:
bonitinha que tem besourinhos do céu nos olhos tanto tanto te amo me deixa te beijar para além me deixa te amar para além dos calendários e que cinco vezes cinco vinte e cinco vezes cinco cento e vinte e cinco de anos juntos pra começar só pra começarmos
quando o pássaro azul entrou em casa
talvez fosse sábado :: Dante e eu
nos entreolhamos ainda incertos
se haveria mensagem em seu canto
grave e pausado :: na rede sonhávamos
com pequena praça clara estendida
preguiçosa do lado de uma praia
em que se contam histórias de bichos
e de gentes e de árvores em línguas
de bichos e árvores quando o sol
coado pelas tramas da cortina
veio lamber-nos a face e era
sábado azul a nos entrar em casa
talvez fosse pássaro
O meu sebo paulistano preferido ainda deve ser a Casa do Livro Azul, que ficava, acho, em Pinheiros e cujas portas se fecharam há muitos anos.
Mas gosto também um bocado do Calil, no coração do coração da cidade e o mais antigo dela. Estive lá na época em que conheci a Casa Azul e nisso quase 25 anos. Voltei depois doutorando goês e estive agora.
Para meu desencanto, não há mais na loja as primeiras edições autografadas. Porque as pessoas arrancavam as páginas. Arrancavam as páginas! Hoje esses livros são conservados à parte. Não se pode chegar, tocar, cheirar, descobrir. Pelo site pode, mas aí convenhamos.
A culpa é das pessoas que arrancavam as páginas. L'enfer.
O atendimento é gentil. Profissional e gentil. O espaço é um oásis. Não vá em busca de pechincha. Aqui sabem das coisas. Mas paguei só 15 reais pela primeira edição do Guia Poético da Cidade do Rio de Janeiro, do Luiz Paiva de Castro, que tem soneto pro Grajaú. Pechincha ou não?
Paguei bem mais pela primeira edição do Imaginário a Dois, do Affonso e da Marina. E por um livro de azulejos. Na hora de pagar, repito o que aprendi com o pai :: pedir desconto. Assim agi há 25 anos para receber a resposta "Não trabalhamos com desconto". Não digo tenha sido grosseira. Mas imperativa de tal modo que ainda lembro do tom e das modulações das vogais. E eu nem 20 anos tinha.
Aí, desta feita, na hora de pagar... só de molecagem, que cresecemos e mais moleques, ou não valerá a pena, perguntei se davam desconto.
se somos bichos que sejamos baixos
como os bichos da terra tão pequenos
baixezas não sonhadas neste maio
que nos faz grandes quando somos menos
humanos :: quando despidos de todos
cálculos raciocínios e ensaios
somos apenas toque e língua e cheiro
depois de amar na tarde escancarada
seu sexo escancarado sobre nós
espiar da janela deste oitavo andar
a rubra morte das espatodeias
possam elas então nos amparar
no sol das erosões no sal na carne
afinal
nunca soubemos
pousar
Inicio a série Gozando Junto, que consiste em fotos de humanos tirando fotos. De outros humanos ou não. Em geral, não. Tenho já algum acervo, mas por amor de alguma coesão e coerência, ora posto apenas algumas tiradas em São Paulo, locomoção de minha vida.
A belíssima instalação do Cai Guo-Qiang Nunca Aprendi a Pousar fornece vasto material para a série, pois não vejo quem consiga ficar de câmera ou celular no bolso ao ver as maravilhosas máquinas voadoras do chinês pelos céus do CCBB. O Mercado Municipal também pode ser um ótimo lugar, mas aí já é por conta do portentoso sanduíche de mortandela com meio quilo da Ceratti.
PS: Algumas fotos não estarão grande coisa, muito ruído. Mas gozando junto é igual a pizza e fim-de-semana ::: mesmo quando é ruim é bom.
No sábado último tive o privilégio de assistir à ópera Ça Ira, do Roger Waters. Vejam bem, não se trata de uma ópera-rock, mas de uma ópera-ópera mesmo, aliás, no melhor estilo oitocentista italiano, com pitadas de musical.
Só isso já bastaria para enriquecer ainda mais o currículo de Waters: em vez de tomar o rock, ou o rock progressivo que seja, como estilo e ficar fazendo plágio de si mesmo, ele procura sempre novos meios de expressão, o que será típico do artista inquieto. E "artista inquieto" há-de soar como redundância.
Esta foi a segunda vez que esta ópera foi encenada no Brasil. A primeira foi em Manaus, em 2008, e serviu para o Roger fazer diversos acertos no trabalho. Creio que isto já nos coloca, ufanismos à parte, numa posição de destaque no coração do Roger. Ainda mais.
A cenografia desta montagem foi belíssima, inda que econômica. Para uma ópera excessivamente narrativa, a cenografia é de grande importância, ou corre-se o risco da monotonia. Para uma ópera excessivamente narrativa, teríamos que ter, forçosamente, um ótimo narrador. E isso o barítono Leonardo Neiva fez muitissimamente bem.
Alías, todas as vozes estavam maravilhosas. Senti falta apenas do coro infantil, tão bonito no terceiro ato, aqui a cargo das sopranos. Ficou bom, para quem não conhecesse já (e por elas esperasse) as vozes das crianças em "To take you hat off".
Que Roger Waters tenha preocupações sociais, socialistas (e anti-belicistas, conforme escrevi neste antigo post aqui), é óbvio. Tais preocupações, que jamais afloraram explicitamente durante o período Pink Floyd, surgem na carreira solo em canções como "Each small candle", "Flickering flame" e "Lost boys calling". O perigo, aqui, é escorregar para um terreno muito panfletário. E mesmo didático. O final da ópera, digo-o com maldade, poderia ter como palavras finais "Campanha da Fraternidade 2013". Se perdoo Roger? Mais que perdoo. (E, tá, sei que o libretto não é dele, mas a ópera, ao fim e ao cabo, é).
Outro pequeno problema / contradição é que a parte musical mais linda da obra é a ária cantada pelo Rei Luís XVI quando preso. É uma carta que o monarca (tirano, não?) escreve para seu primo, um Bourbon da Espanha. O tema é tão bonito que surgirá novamente no final do terceiro ato (ou seja, no final da ópera), quando este mesmo rei vai ser executado. Claro, um tema musical bonito não se desperdiça assim, e um compositor de ópera, ainda que iniciante, saberá disso.
Mas então, como assim? Não fica parecendo que há uma simpatia pelo monarca? Como também por Maria Antonieta, quando também ela sabe que vai perder a cabeça e canta "Adieu my good and tender sister"?! Não fica parecendo simpatia pelo Ancien Régime? Ou é este contraponto que, pelo contrário, irá livrar Roger da acusação de maniqueísta? Ou é algo como transcendência, no melhor estilo perdoemos nosso inimigos, só amor constrói, e, com Pelé e Romário ao marcar o milésimo, pensemos nas criancinhas?
Se eu "perdoo" o Roger? Mais que perdoo. Roger Waters é um dos artistas mais sensíveis e competentes daquela geração mágica surgida nos anos 60. E quando ele subiu no palco ao fim do espetáculo (até o fim esperamos... Ça Ira! Ça Ira!), acho que ninguém gritou Bravo tão alto como este blogueiro pateta aqui.
É aquela história: ir atrás de coisas assim tornam-te ET e as pessoas te olhariam com menos desconfiança se chegasses a elas dizendo "A bolsa ou a vida."
Mas chega-se ao Edifício Via Normanda, após perguntar aqui e ali, após enfrentar a numeração maluca que se interrompe para que a Praça da República possa passar. E vale a pena.
Para azulejófilos, prato cheio, transbordante, de vez que a decoração de azulejos do artista Antonio Maluf está nas paredes externas do primeiro e segundo andares do Edifício Vila Normanda, na Rua Ipiranga, e mesmo em trechos da garagem.
Há aqui rigor e fantasia. Há aqui algo de Volpi e lembremos que este dizia que suas bandeirinhas eram, na verdade, um retângulo do qual foi retirando um triângulo. A preocupação formal, portanto, é enorme.
E não faltam aqui triângulos, nas cores azul, branco e cinza, em diferentes tamanhos, a criar tramas que se abrem e fecham, parecem avançar e depois recuam. A poesia da matemática. Se eu fosse professor da disciplina, botava os meninos em fila e os trazia pra cá.
Ilusão de ótica, shantala a pedir que meditemos em meio à loucura paulistana.
Símbolo mítico da prosperidade, abundância e fecundidade, a cornucópia pode ser encontrada nos frontões de algumas fachadas de antigas construções civis cariocas. Por antiga aqui, não se enteda coisa muito vetusta, não. Início do século XX eu diria, e isso já permite o uso da palavra 'centenária'.
Em passeio pelo centro ontem, encontrei quatro.
As fotos não estão lá muito boas, pois as cornucópias geralmente ficam bem no alto.
A primeira fica na Rua da Carioca, 62, antigo Cine Ideal, inaugurado em 1909.
A segunda na Rua Dom Manuel, 25: das cornucópias jorram não apenas flores, frutos e alimentos, o que é muito comum, mas também livros! Riqueza é isso aí!
A terceira fica na Rua da Alfândega, 42. Antiga sede do Banco Alemão Transatlantico. O ttrabalho aqui não é em estuque mas de... serralheria! Dos cornos saem flores e ramos de café.
A última fica no Largo São Francisco de Paula, 4. Reparem que dos chifres não saem moedas ou alimentos ou frutos, mas luvas e leques!, o que parece sugerir que aqui funcionou luvaria.