Showing posts with label Viagens. Show all posts
Showing posts with label Viagens. Show all posts

Wednesday, August 14, 2019

A Feira de Açaí de Belém


O Ver-O-Peso é conhecido e louvado no mundo inteiro, a Feira de Açaí, que acontece nas madrugadas de Belém, é ainda um dos best-kept secrets da cidade. Assim permaneça, amém.

Parei por lá depois de levantar tempraníssimo para conseguir passagens para Marajó. Havendo dúvidas se se está no caminho certo, é ver paraenses sorrindo de orelha a orelha com sacolas carregadas com os preciosos frutinhos.

Mas a feira é mesmo para os atacadistas. Para os restaurantes, para as lanchonetes, para os quiosques e locais sem-conta que servem o açaí, salgado, rascante, roufenho.

Para quem ama feiras, TOP 5. Os vendedores, tão feirantes, ficam jogando açaís um nos outros, isso antes de envolverem-se num campeonato mundial de purrinha.

Pinto no lixo, tomei ainda um baratíssimo (só no preço!) mingau de tapioca. Fechei os olhos, de gozo, e, ao reabri-los e colocá-los no rio, jurei estar em Varanasi
















Wednesday, August 07, 2019

As Crianças do Céu (Marajó-PA)


 Meninos e meninas do Céu de nome Cristiano Micael, Aleph, Murilo e Andressa. E outros que esqueci. Dos nomes, que dos pequenos ceuenses não esqueço.

Não tem como não lembrar do Led Zeppelin::


My my my I'm so happy
We gonna join the band
We are gonna dance and sing in celebration
We're in the promised land. 

E vejam como é a biblioteca. É assim por causa da Andressa e do Aleph? Ou eles são o que são por causa dessa biblioteca palafita de sonho?

Esta postagem continua esta primeira aqui 









Tuesday, August 06, 2019

Chegar ao Céu, povoado do Céu-PA


Desconheço o que atualmente vendem os tomos de teologia, mas tenho informações fresquíssimas de como chegar ao Céu. Eu, que achava que nunca chegaria e amiúde me perguntava se queria. 

Para chegar ao Céu: de Soure, vá a Pesqueiro, de preferência de mototáxi ou bicicleta. Lá pergunte pelo Catita, pescador que já foi picado 24 vezes por arraias mas que também já pegou daquelas grandes, de 60 quilos. Catita é um Caronte às avessas, de modo que, ao menos até aqui, não precisa da moeda entre os dentes. Ele oferece a ida direta, que deixa na praia, ou a pelo igarapé, mais longa, que deixa no povoado. Fomos pelo igarapé, claro, e voltamos pela praia.

O que é aquela praia? E para além dela, as casinhas e as crianças. Estivéssemos no México, com certeza un pueblo mágico. E eles têm ainda um boi, um boi-bumbá, de nome Areia Branca. Por isso voltarei muitas vezes.

Céu não desbancou Milho Verde, entranhada em meu coração. Mas sinto ciúmes já e faço esta postagem cheio de dúvidas.

Foram muitos os registros, de modo que dividirei em três postagens.
















Sunday, August 04, 2019

A Cachaça De Jambu e sua íntima relação com o Deep Purple





Quase tão ubíqua quanto o açaí, o filhote, o tucupi e a farinha bragantina, a cachaça de jambu só recebe atenções redobradas ali onde nasceu, no Bar Meu Garoto, coração da Cidade Velha de Belém, de propriedade de Leodoro Porto, que a concebeu durante um almoço (pato no tucupi e cachaça) na época do Círio. Ocorre que o pato de Leodoro estava bastante carregado no jambu, o que o fez pensar numa bebida com tal combinação: a força da pinga aliada à dormência do jambu. Ou vice-versa: a dormência da pinga aliada à força do jambu, de tal modos mestiçados que se pudesse mesmo falar na força do jambu aliada à dormência da cachaça.

Passado um período de intensa experimentação -- eram os clientes do Meu Garoto as cobaias felizes --, Leodoro chegou à cachaça de jambu, que, tecnicamente falando, MAPAs e burocracias, sequer pode ser denominada assim, de vez que não é "cachaça de jambu". Ficou "bebida alcoólica mista", com graduação alcoólica de 38%, o mínimo exigido para uma cachaça. Leo a faz assim, mais 'fraca', para equilibrar com a porrada que já é o jambu. Ficam todos felizes. E fortes e dormentes.

Hoje produzem versões com aquelas delícias paraenses, como o cupuaçu e o açaí, bem como uma outra, mais forte, destinada exclusivamente à cozinha, mas que muitos pinguços ingerem longe do fogão.

Com o sucesso, Leo Porto colocou-se no centro do Panteão dos grandes inventores, entre Newton e Pemberton, Da Vinci e Descartes.

Sendo difícil explicar uma sensação, tentemos: a invenção de Leodoro Porto é como aquela introdução de órgão do Jon Lord em "Speed King" (0:43 a 1:30), quando tudo e todos parecem suspensos num mundo mais ameno.



Friday, August 02, 2019

Azulejos de Belém (que graça eles têm)


Ainda que a mera ideia de açaí salgado com peixe desagrade, se você aprecia azulejos uma visita a Belém já se justifica, o que não deveria causar espécie dada a sua proximidade de São Luís e Alcântara. Trata-se mesmo de uma das cidades do país mais ricas em azulejaria histórica. Uma flanada pelo centro velho será recompensada com exemplares de até uns duzentos anos de idade, quem sabe mais. O destaque fica por conta de alguns solares e palacetes, como o esplendoroso Palacete Pinho. O Mercado da Carne também tem os seus e a cercadura art-noveau nos faz apostar numa proveniência belga.

E, para as loucas dos azulejos de santos, encontrei ainda uma cartela de São Miguel redonda, formato que eu jamais vira em milhares de quilômetros percorridos pelo suburbário carioca.

Fiquei tão feliz (e corajoso) que atravessei a rua e, Ver-o-Peso nas mãos, cai de boca num filhote. Com açaí salgado.







Palacete Pinho (e duas seguintes)
















Mercado da Carne (e seguinte)