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Sunday, June 23, 2019

O de-Janeiro e a Casa de D. Vera



Conversei com Brasinha, em seu museu-de-tudo em Cordisburgo (aqui) por comprida meia-hora, em que ele me falou que das coisas de que mais gosta na obra do Rosa é isso dos lugares, dos nomes dos lugares, e falou na Serra das Araras e do Córrego Batistério, que ele achava que tinha esse nome no romance porque ali como que se dá o batismo do Riobaldo na jagunçacem e depois ele descobre a sempre existência do córrego com esse nome. É tudo ligado.

Comigo é o mesmo. O ponto alto desta minha segunda viagem ao sertão do Rosa foi conhecer o Rio de-Janeiro, lugar mítico na obra por ser o encontro primeiro entre Riobaldo e Diadorim, eles meninos ainda. Riobaldo apavorado que a canoa podia virar (canoa de peroba, que, ao contrário das outras, se virar afunda) e ele não sabia nadar. Diadorim tampouco sabia nadar, mas dá ordem ao canoeiro, uma palavra só, firme mas sem vexame: -- 'Atravessa!'

O menino Riobaldo andava por lá esmolando, a pedido de sua mãe que fizera promessa caso ele sarasse de doença. Ele lembra: "é uma beira de barranco, com uma venda, uma casa, um curral e um paiol de depósito".

Pois essa casa existe e nela moram Dona Vera e o cachorro Marimbondo. Uma casa muito velha, casa fora do tempo.

É sentir amor daqueles que doem












Friday, May 03, 2019

Gozando Junto no Recife ~~ Gozando Junto # 40 ~~


Seria injusto dizer em Pernambuco, quando o grosso do gozo foi mesmo no Recife Antigo, em tarde de domingo infinita.

As exceções ficam por conta das três últimas fotos: a coruja e o maravilhoso bolo Souza Leão em Olinda, meu amigo Bau em Caruaru.









Tuesday, April 30, 2019

Lembra-te que afinal te resta a vida :: Paisagens Humanas (Pernambucanas)


São todxs pernambucanxs, como Lula: Dona Norma que lembra histórias de Lampião (roubou as joias da sua avó), o vaqueiro que ainda usa chapéu de couro na feira de Caraibeiras, o feirante vascaíno com muito orgulho, os índios pankararu, a galera do maracatu, o moço do leite maltado, o amigo fã do Moacyr Franco, os feirantes que tomam pitu enquanto comem cabeça de bode em Taquaritinga, as loiceiras Nila e Cida do Altinho, Seu Preguinho na sua varanda de azulejos enxaquetados na combinação que nenhum boteco carioca tem. Todos pernambucanos, menos Lampião, vendedor de cordel, que é paraibano.

O título da postagem roubei-o do soneto que Carlos Pena Filho fez pro Brennand, tão a propósito e que termina assim:

Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.














Thursday, April 18, 2019

Aquarela da Fátima Vollu


Foto feita na Rua Gurupi, rua pequena onde tantas vezes passo, quase incontornável entre a casa e a escola do Dante. Uma casa em ruínas que parece ser hoje local de ocupação. Casa que desde sempre (e meu sempre aqui significa anos 70) me chamou a atenção por ostentar em seu frontispício pequena placa com a inscrição VERITAS.

Veritas em ruínas, tão a cara destes dias.

Vi a foto "pronta", mas passei por ela. Tomei coragem, voltei e fiz, um click apenas.

Prestou um pouco, postei no insta.

Aí veio a Fátima Vollu e dela fez, sem que eu soubesse, uma aquarela.

Fosse música, seria daqueles casos em que o cover supera o 'original': Janis cantando 'Me and Bobby McGee'.





Friday, April 05, 2019

O distrito do distrito : Barra da Cega


Milho Verde, todos lo saben, é distrito do Serro e oxalá continue assim, pequena.

Mas também ela tem um "distrito" que atende por Barra da Cega, um quase nada, a que se chega, e aqui a história fica bonita, pegando a estrada de Minas, pedregosa, à esquerda da Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, onde Chica da Silva foi batizada. De modo que é um feixe de coisas e nomes bonitos. Como viajamos de Viação Canela, sentamos em frente da igreja, que tem sineira externa, para pedir carona. Havia exaltações de andorinhas. Serão andorinhões?

Em Barra da Cega não há mínimo centrinho, só casas poucas, espalhadas. E também uma cachoeira linda, a do Piolho. E, vejam só, uma cooperativa de bordado, tocada à frente por 23 mulheres.

Foi lá que comprei camisa bordada branca pra passar o Ano Bom.

Porque minha avó dizia assim: Ano Bom.