Wednesday, May 16, 2018

Mosaico na Haddock Lobo



Que a Haddock Lobo tem suas joias é óbvio. Mas óbvio para olhares atentos, óbvio para ledores e reledores de Pedro Nava, já que ali ficava a Pensão Moss (no mesmo número 252), ali ficava e fica o Palacete do Pavão (ver aqui, aqui), que este humilde blogueiro tem por mais bela casa do Engenho Velho, ali ficava a Farmácia Capelleti, ali ficam os Capuchinhos, que simplesmente guardam o marco da cidade.

Então é andar de olhos atentos.

Aí descobri esses mosaicos. 

Registros feitos com a anuência dos desconfiados porteiros, em meio a dois portões de grades pontudas. De modo que não deu para caçar assinaturas nas extremidades inferiores.

Mosaico é já trabalho fino. Este, reparai, como faz uso de tesselas de diferentes formas.



Sunday, May 13, 2018

Gozando Junto XXXI ::: em Tiradentes


Segue mais uma da série. Conforme o título, toda em Tiradentes, menos a do casório que é na vizinha São João Del-Rei.












Wednesday, May 09, 2018

(Um novo) Igrejas


Não, não se trata propriamente de um novo painel azulejar dos Félix Igrejas - António ou Manoel - que ambos já estão deitados, dormindo, profundamente. É uma nova descoberta, em sobrado num canto quieto de Vila Isabel. A moldura de pastilhas ajuda.

O irmão aqui é o Manoel. Painel de 36 peças, datado (1983) e assinado no canto esquerdo. Como de costume, ele retratou bem a paisagem do lugar: a casinha sob a imensidão dos Alpes e suas neves eternas, com a qual, provavelmente, sonhavam os personagens do Marques Rebelo.

Para quem está chegando agora, outras postagens sobre a azulejaria naïf dos Igrejas: aqui e aqui e também aqui.

Monday, May 07, 2018

Memórias do Cárcere ::: Ontem como Hoje



Esta, a primeira edição do Memórias do Cárcere, publicada em 1953 pela José Olympio, em quatro volumes, com capas diferentes do Santa Rosa. Saiu poucos meses depois da morte do Velho Graça. No ano seguinte a obra ganharia prefácio de Nélson Werneck Sodré, que então saudou o escritor alagoano como "homem cuja inteireza foi comprovada pelo sofrimento".

As capas das edições não recebiam qualquer proteção, de modo que hoje são necessários grandes cuidados, pois os volumes que como vão soltando pedacinhos. Comprei em 1992, se não me falha a memória num sebo muito empoeirado ali no Jardim de Alah, pertinho do onde aconteciam os sabadoyles.

Cada volume recebe um título: Viagens; Pavilhão dos Primários; Colônia Correcional; Casa de Correção.

Dir-se-ia nossa Recordações da Casa dos Mortos. À espera de um Janáček que a transforme em ópera. Mário Ferraro, Eli-Eri Moura, fica a sugestão.


Em 1984 virou filme de Nelson Pereira dos Santos. Com Carlos Vereza (epa!, vejam as voltas que o mundão dá) e, claro, Glória Pires, que esta deve ser a única atriz que temos, por isso ela é mulher do Graça, namorada da Elizabeth Bishop e Nise da Silveira.

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Pela manhã, de volta do banheiro, atravessando um corredor, avistamos o comandante em companhia de um homem alto, magro, sério. Enviamos-lhe um cumprimento, e ele nos deteve, nos apresentou:

-- General, estes senhores...
Finda a apresentação, o homem alto pregou-me um olho irritado:
-- Comunista, hem?
Atrapalhei-me e respondi:
-- Não.
-- Não? Comunista confesso.
-- De forma nenhuma. Não confessei nada.
Espiou-me um instante, carrancudo, manifestou-se:
-- Eu queria que o governo me desse permissão para mandar fuzilá-lo.
-- Oh! general! murmurei. Pois não estou preso?





Sunday, May 06, 2018

(Duas Vezes) Cinco Sentidos em Tiradentes


Sem dúvida de que a velha São José Del-Rei, digo Vila de São José do Rio das Mortes, alvoroça com os cinco sentidos de qualquer caboclo: ouvir o órgão da Matriz, ver a arquitetura das igrejinhas contra o céu mais azul, cheirar as sacristias velhas, provar do molho pardo da Beth (aqui), tocar nos alcatruzes que conduzem as águas do chafariz.

Talvez por isso, quem sabe, a pintura no forro deste que é porventura o mais bonito dos monumentos civis: a Casa do Padre Toledo. (Disse 'o mais bonito'? Apaga. E o chafariz?) Pintura representando os cinco sentidos com figuras da mitologia greco-romana. Grande, e justa, importância dada à pintura na atual configuração do museu: espelhos e sofá confortável para o visitante se perder ali.

E, cousa curiosa, um pouco adiante, na mesma rua que já se foi do Sol, há casinha térrea com o mesmíssimo tema de pintura no forro da sala. A casa, onde residiu o compositor Custódio Mesquita, é hoje loja de panelas e artesanatos de pedra-sabão.

A diferença de conservação entre as duas pinturas é gritante, de dispensar legendas.










Saturday, May 05, 2018

Raja Mircha



Quase estragamos tudo.

Ao preparar nosso peixe paquistanês (aqui), pensamos em abrir enfim a pimenta que trouxéramos de nossa visita ao Nagaland's Kitchen, bravo representante da culinária naga em Nova Déli. Aliás, eu devia é ter feito postagem sobre esse jantar, mas perdi o timing. Um jantar interessantíssimo sob o ponto de vista antropológico, mas nem tanto quando o papo é fruição de sabores para se dizer 'Que delícia'. Enfim, comemos nossos bambus lá, nada nada de fritura e trouxemos a pimenta.

Que pensamos usar em nosso robalo assado. Desistimos, nem lembro por quê. Acabei pingando-a sobre o meu peixe já no prato.

É uma porrada, equivalente talvez a uma mordida de Mike Tyson na orelha. É insuportável, dolorosa, onipresente. Desfiadora, interessante. Por sorte foram só três gotinhas, aplacadas com cerveja e muita água. Suei a água de três cocos.

Fui pesquisar depois. É a pimenta mais forte do mundo. Quatrocentas vezes mais ardida que Tabasco. Na escala Scoville que mede a ardência das pimentas (pense Ritcher para os terremotos, IBU para amargor de cervejas), ela ultrapassa um milhão. Um milhão de SHUs.

Na Índia perduram-na seca nas cercas de mourão para afugentar elefantes selvagens. Em 2015, usaram uma granada feita com ela para desentocar terrorista que se escondera em caverna. Sente o nível.

Uma pimenta para afugentar elefantes e desentocar terroristas. Nem o melhor aluno da ESPM criaria slogan melhor.

Friday, May 04, 2018

O Primeiro Peixe Paquistanês A Gente Nunca



Nunca tive interesse pela culinária paquistanesa, certamente por não ter igualmente interesse pelo país, a Partição de 47, as rixas com a Índia, essas coisas. Mas desinteresses tolos, reconheço, quase preconceitos. Quando vi, no entanto, este livro lindo com este nome tão bonito, o desejo foi imediato: simplesmente precisava ter aqueles verões sob as tamarindeiras, receitas e memórias paquistanesas em minha cozinha. Fiz o pedido, chegou incrivelmente rápido e logo o folheávamos maravilhados, ora eu, ora ela, até Camila Rahmanzai parar na página 122: 'Você tem que ver isto'. Vi.

Hoje é dia de feira e como livro de culinária, por lindo que seja, existe para ser usado e lambuzado de curry e masala, compramos nossos robalinhos e fomos à luta.





Thursday, May 03, 2018

(Fazendo as Pazes com) São João Del-Rei


Falar em desamor é exagero, mas indiferença. Sempre nutri grande indiferença por São João Del-Rei, desde quando, fedelho descobrindo abobado as cidades velhas e as questões de patrimônio, encontrei ali monumentos isolados mas pouco conjunto digno de nota. Eu vinha, claro, de experiências fresquíssimas com Outro Preto e Tiradentes.

Hoje, corridos trinta anos, em que tiro leite de pedra catando o mínimo e o escondido no suburbário carioca, a São João retorno e faço as pazes.

Para mim, cidade muito mais de Otto Lara Resende ("Eu sou um pobre menino do Matola, de São João Del-Rei") que dos Neves.