Tuesday, April 18, 2017

Páscoa no Engenho de Dentro



Não é de hoje que as federações regionais tentam acabar com os campeonatos estaduais, por meio de regulamentos esdrúxulos e uma subserviência ante a Globo que deixa masoquista no chinelo. Difícil superar a doideira deste ano, quando os vencedores da Taça Guanabara e da Taça Rio terão ainda que participar de um quadrangular decisivo, sendo que a vantagem do empate nessas semifinais tampouco cabe a um desses vencedores. Bem.

Estive domingo passado na final da Taça Rio no Engenhão. Era uma daquelas tardes, dir-se-ia tarde de maio já em abril, que nós, primitivos, queremos carregar como se fora o maxilar inferior de nossos mortos.

No Setor Superior Leste havia uma mulher gorda, muito gorda, como a mãe de Gilbert Grape. Ao seu lado o pequeno Gilberto sofria com o sol inclemente que às 4 horas incidia sobre nós. Gilberto é pequeno, muito pequeno, terá os seus dois anos e a camisa sobre a sua cabecinha não lhe traz alívio algum. Olho a primeira vez, demoro o olhar numa segunda e quando vou olhar com olhos tristes de cão azul ainda uma terceira vez, ele já não está lá.

Há uma senhora que vai e vem no corredor, esfrega as mãos, não senta de nervoso.

À minha esquerda, há mãe e filha, aquela passa o jogo inteiro mexendo no celular (não viu os gols), esta é a coisinha mais sorridente que conhece todas as músicas que as organizadas à nossa esquerda e abaixo de nós entoam. Pula e aplaude e quando Luís Fabiano faz o segundo gol, as palminhas de suas mãos fiquem da cor de um jambo, mas ela é só alegria.

Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos. 
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera
























Monday, April 17, 2017

Jethro Tull e o Mellotron (ou não)



Ontem na cozinha preparando nossa moqueca de banana da terra para o almoço de Páscoa, meio correndinho que alguém aqui ainda tinha que ir para o Engenhão, ouvindo Jethro Tull, que deve ocupar metade dos 160 gigas do iPod da Camila. Súbito, em "Cross-Eyed Mary", que eu já conhecia, claro, estanco: "Opa, isso aí é mellotron". Era.

Curioso que o Jethro Tull praticamente não usou o instrumento, nem na virada de 60 para 70. Uma possível razão pode estar em o Ian julgar de todo supérfluo sons sampleados de, er..., flauta. Mas mellotron não é só para isso.

A ausência de mellotron na extensa discografia do Jethro é reconhecida na bíblia sobre o instrumento Mellotron - The Machine and the Musicians that Revolutionised Rock (2008), obra maravilhosa de Nick Awde. Na bíblia virtual, o site Planet Mellotron, a banda não é sequer citada (Elton John é), não há uma única resenha (o Abba tem). 

Enfim. Fiquemos com a Maria Vesga e, para não deixá-la só, "Witch's Promise". E nesta aqui ele aparece com algum destaque.

"Lend me your ear while I call you a fool...". Talvez os tolos que ficam procurando o Tron em tudo. "Keep looking, keep looking for somewhere to be"...


Friday, April 14, 2017

Nos 45 Anos de Darwin!



E dove l'aria in fondo tocca il mare
lo sguardo dritto può guardare


Se 1972 e 1973 são os anos mágicos do rock progressivo italiano (e mundial) e se o Banco é um dos marcos miliários desta cena, não há erro: assistimos aqui a não apenas um, mas a dois lançamentos no mesmo 1972, dois capolavoros incontestáveis, recheado daquilo que norteava a busca dos irmãos Nocenzi: produzir sons jamais ouvidos antes.

Pode parecer pretensioso (crítica de resto já tão surrada ao rock progressivo), mas no contexto italiano faz total sentido, de vez que as bandas perceberam que só ganhariam respeito de público e crítica e projeção, a partir do momento em que se libertassem da onipresente influência inglesa, isto é, deixassem de ser derivativas.

Com estes dois lançamentos conseguiram mais do que respeito e projeção. E se a partir de então já não tínhamos o Banco del Mutuo Soccorso influenciando toda uma geração de novas bandas italianas (isso até rolou), mas também as inglesas, é porque sabemos como é injusta a assimetria de influências.

De Darwin! destaco a segunda faixa do lado A: "La conquista della posizione erette", porventura a música mais diabolicamente descritiva já produzida no bel paese. Incluindo Vivaldi.





O blog já tinha postagens para o Banco: aqui e aqui.

Thursday, April 13, 2017

O Primeiro Livrinho em Sotho



O sotho é uma das 11 línguas oficiais da África do Sul e A língua oficial de Lesotho (sotho / lesotho). Na Clarke's (aqui), gamei no livrinho assim que bati os olhos na capa: o menino e o pai. O título, com efeito, Tate wa Jafta, significa O Pai de Jafta.

Só outro dia, tarde chuvosa de outono, contei a história pro Dante. Hoje ele a ouviu da Camila.

Às vezes recorremos às imagens, lindas, que o nosso sotho do Ensino Médio já enferrujou um pedaço.

A propósito, o sotho é língua interessantíssima. São 9 sons vocálicos e 39 consonantais. Incluindo um clique (clique aqui).

Tuesday, April 11, 2017

Elton Jones 4Ever



Ele nem tocou as minhas favoritas, "The One", "Circle of Life" e "Song for Guy". E choveu muito, mas muito mesmo, confirmando as previsões da manhã, quando vi o arco-da-velha (aqui). Houve breve interregno de lua e estrelas. Breve. Juntando com o show do James Taylor e com o intervalo entre os dois, foram mais de quatro horas sob uma chuva torrencial e quase ininterrupta. Noves fora, um show maravilhoso, uma noite inesquecível, que, se tudo desse errado, já valeria pela memória da minha mãe.

Ela sempre disse Elton Jones. No começo eu corrigia, "É John, mãe: Elton JOHN", mas depois, num raro rasgo de sensatez, deixei pra lá, não por achar (outro rasgo) que isso era coisa de papagaio velho que não aprende a falar, mas por perceber que esse era o seu Elton John, digo Elton Jones, o seu 'léxico familiar', na expressão feliz de Natalia Ginzburg (aqui), valendo-se de rasura toda sua neste meio de expressão, a língua falada, de resto tão autoritária.

E lá estávamos eu e Camila, mais Cris e Marcelo, este o maior fã e conhecedor ali da Apoteose, encharcados e radiantes, nesta demonstração de que nem toda música pop é descartável e epidérmica e só presta se cantada por modelos. A propósito, seu solo de piano foi qualquer coisa.

No final, acho que mesmo por causa do dilúvio, ele emendou o bises. Tem um trechinho da gente fazendo lalações de "Crocodile Rock". Se parece pouco, grosso engano. Estávamos exaustos e felizes e, se Elton Jones quisesse, ficávamos até as 4. Eu, Camila, Cris, Marcelo. E minha mãe.













Sunday, April 09, 2017

Um Lençol ao Cair da Tarde

Bar Big - Praça Seca


Há quem pregue o fim do Carioca, talvez o fim de todos os estaduais, por razões as mais diversas. Fala-se em prejuízos, desmotivação, estádios vazios, violência, erros de arbitragem. Não é pouco. Bem, se fosse para acabar com um campeonato por causa de erros de arbitragem, aí já não teríamos nem copas do mundo, onde, supostamente, encontram-se os melhores juízes e bandeirinhas.

Concordo que os regulamentos podem ser bem esquisitos. O deste ano é particularmente sem sentido: um time pode conquistar os dois turnos e ainda assim terá que disputar um quadrangular final. Nem Kafka.

Mas o futebol é teimoso, insiste em surpreender também com coisas boas.

Esse lençol de Gilberto sobre Diego é dessas.

A reparar que a jogada reúne o que Italo Calvino propôs para este terceiro milênio : leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência.

Reparar também a alegria dos torcedores, como se fora um gol. Aliás, foi. Não houve empate.


PS: O título deste texto roubei-o ao ótimo "Uma bicicleta no cair da tarde', do Luiz Antonio Simas.

Friday, April 07, 2017

Grajaú em Velatio



Mesmo que se saiba de antemão, ainda causa certa surpresa, sobe assim um frisson, ao ver toda uma igreja, no caso a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Grajaú, com seus lindos afrescos do Antonio Maria Nardi, toda ela em velatio, imagens cobertas por grosso pano roxo. Há algo de Quaresma mineira (ou sevilhana) aqui.

E embora o contexto seja um pouco distinto, lembrei-me dos versos terríveis do Nava:

Dêem-me coroas de pano.
Dêem-me as flores de roxo pano,
angustiosas flores de pano








O Tucano do Grajaú



Embora sem óculos, percebi que aquele movimento nos galhos da figueira não era de bem-te-vi ou sabiá. Mico seria pouco provável, dada a altura. Pensei macaco, potencialidades tremendas. No átimo em que não nada pensei, vi, olhos míopes, o grande bico curvado, de uma cor que nem o sumo de dez laranjas faria igual. Em seguida outro, eu mesmerizado. 

A gente chama logo de casal quando vê um par assim, mas talvez fossem apenas amigos, duas fêmeas (o que não inviabiliza o casal), dois machos (tampouco), mãe e filho, ou filha, pai e filha, ou filho, embora parecessem do mesmo tamanho, mas isso acontece também entre nós. Quem sabe irmãos. Enfim, as combinações são muitas. Os dois lá, pulando nos galhos, o coração descompassado para vê-los melhor.

Não demorou muito o primeiro alçou voo, leve leve, e foi pousar mais adiante, em outra figueira. Logo depois o outro, que são casal, e parou mais adiante.

Eu já fizera a foto e, como o Thomas do Blow-Up, depois procuro algo em meio a folhagem. Ali.

Isso tudo às 6 da manhã.


Thursday, April 06, 2017

Apocalypse Now : Café Vietnamita



Um dos meus quadros preferidos do Thyssen-Bornemisza, e a disputa aqui é braba, é o Cavaleiro em uma Paisagem, até 1919 atribuído a Dürer e hoje reconhecido como de Carpaccio. O que mais gosto neste ambiente simbólico é a doninha a seus pés, próxima do latim Malo mori quam foedari.

Fui reencontrar a doninha, este animalzinho já muito interessante, em um café trazido do Vietnã por amigos queridos. Se por aqui temos o delicioso Jacu Coffee (sobre o qual já escrevi aqui), os vietnamitas, para não ficar por baixo, botaram as asinhas para fora e saíram-se com o café vietnamita de doninha, cujo princípio é basicamente o mesmo do de jacu: pegam-se os grãos praticamente inteiros no seu cocô.

Acaloradas discussões no Lonely Planet advertem sobre as falsificações, ressaltando que não basta o desenho de uma doninha na embalagem como garantia que tem cocô de verdade ali. Ou seja, pode-se pegar um dinheirão (café dos mais caros do mundo) e levar para casa uma falsificação de merda. (Sorry)

O meu, provado na primeira manhã de abril ("Agora que é abril, e vão morrer / as formosas canções dos outros meses"), garanto que é do legítimo. 

cocô da doninha com grãos do café Robusta

Detalhe do Carpaccio

Wednesday, April 05, 2017

Dante e o Museu do Ingá



Acabei de ler que o Museu do Ingá fecharia as portas para o publico "espontâneo", passando a atender apenas a grupos agendados, o que me entristece muito.

Enquanto moramos no bairro, Dante e eu fomos espontâneos bastante frequentes, principalmente nas tardes de domingo de 2012. Ele tinha acabado de conquistar a posição ereta, mas não aguentaria a (pequena) caminhada até lá. Íamos os dois de velocípede ou carrinho.

Ali pensei em muitos poemas que viriam a formar os dois livros lançados no fim do ano. Pensava também na moça que eu acabara de conhecer virtualmente. Ali ele foi à sua primeira exposição. Dali ficaram registros que ora revisito com carinho.









Tuesday, April 04, 2017

Morre Yevtuchenko pt. II



Mas existe um Yevtuchenko que guardo no coração (porque fui duro com ele aqui), e este é o autor de "Babi Yar", poema épico escrito exatos vinte anos depois do brutal, inominável, imenso massacre de judeus realizado pelos nazistas em 1941.

O assunto era tabu na União Soviética. Foi o poema de Yevtuchenko que, nas palavras de Shostakovich, destruiu o silêncio. 'Arte destrói o silêncio', e para ter certeza dessa destruição o grande compositor russo incorporou o poema em sua décima-terceira sinfonia, no primeiro movimento.

Talvez digam que Shostakovich faz, na música, o que Yevtuchenko fez com as palavras. Já não o acusaram de cousas semelhantes na quinta e sétima sinfonia? Isso eu morro sem admitir, mesmo que me afoguem em um poço. E sobre isso já escrevi aqui e aqui, mas nem precisava citar minhas postagens, basta ouvir o que Dmitri faz com a tuba no quarto movimento.


Morre Yevtuchenko



Também eu quis fazer pequena postagem sobre o poeta russo Yevtushenko, nascido na Sibéria, morto há três dias. Para isso, peguei o que tenho aqui em casa: Poesia Russa Moderna, antologia dos irmãos Campos e Boris Schnaiderman publicada pela Brasiliense no final da década de 80, e Stolen Apples, comprado em Chicago no meu aniversário de 1987, no fim do meu exílio (já que mencionei Sibéria) em Chicago.

Ontem li os quatro poemas da antologia brasileira; hoje, levei a antologia norte-americana para ler a caminho da escola. 

Acho que nunca li no 439 poemas tão ruins. Não há contextualização (guerra fria etc) que salve. Fui direto para o "Cemetery of Whales", onde encontrei versos cetaceamente piegas como no poema que anseia pela união entre URSS e EUA:

"Really, do we need a new Hitler
to unite us
    again?"

Ao que ele responde:

"A price
like maybe
     much too high..."


No fim do poema:

"Russia and America,
     Swim closer!"

É a retórica mais botininha, mais walt-disneylesca, grandes olhos de bambi, que se pode imaginar: Amigos, camaradas, companheiros, tovariches, vamos dar as mãos por um mundo melhor! (E depois ainda vem a explicação: um mundo melhor, companheiros, é um mundo sem guerras).

Pode ter sido rebelde fazer loas aos Estados Unidos na União Soviética, como entendo que possa ter sido sinal de rebeldia traduzir / adaptar esses poemas para o inglês nos anos 60, e isso explica John Updike e Ferlinghetti no rol dos tradutores de Stolen Apples, como foi rebeldinho, eu pirralho, comprar o livro em Chicago. Mas tudo isso envelheceu muito mal.

Ao menos tem dedicatória do Haroldo para mim

Monday, April 03, 2017

Isolda



Uma das cenas memoráveis de Tomates Verdes Fritos, e aqui as temos a mancheias, é aquela em que Ninny revela a Evelyn que tivera um filho, Albert, portador de necessidades especiais. Quando ele nasceu, o médico a aconselhara que não o visse, já que sua mente não desenvolveria para além dos cinco anos de idade e que ele deveria ser institucionalizado, pois criar filho assim seria um fardo muito pesado ("the burden of raisin' a child like that would be too great"). Talvez nem mesmo o colocassem em uma instituição (isso não está no filme, sou em quem diz agora), mas simplesmente o deixassem morrer ali, no frio de uma bancada de hospital, já que, até Reagan (logo ele!) assinar a Emenda Baby Doe, em 1984, pais e médicos podiam, se quisessem, deixar essas crianças morrerem.

Mas Ninny é diferente. Contrariando seu sábio médico, sorri para ele e pede para ver seu bebê. Oh, como alguém pode pensar que aquela coisinha preciosa poderia ser um fardo? Ah, desde seu nascimento, Albert foi a alegria da minha vida, o maior presente de Deus. Não acredito que tenha jamais havido uma alma mais pura no planeta...

Me lembrei disso tudo ontem, me lembro disso agora, a respeito da Isolda, que ontem fechou aqueles zoião amarelo para sempre. Aliás, eu sempre pensei isso dela. Que não houve nunca, jamais, um gatinho mais doce, mais dócil, vivendo neste planeta.
 


Saturday, April 01, 2017

O Bom Soldado Švejk



Não lembro se é por toda Praga, mas ao menos um pedaço da cidade faz com Švejk o que a Vila Isabel faz com Noel, isto é, espalha-o por toda a parte. Foi lá, naturalmente, em 1999, que conheci o soldadinho e, turista, comprei camisa (que usei até puir) e duas canecas que existem até hoje.


Tomei uma coisa com ele e passei a usar seu nome e imagem em tudo que era lugar: foi meu avatar no Orkut, acho que até hoje é meu nome no Youtube. Depois o vi na parede do Tablado e, há três anos, tornei a reencontrá-lo sob muita neve em Sófia, talvez ainda mais lindo em cirílico.


Isso tudo para dizer que, sim, er, já não era sem tempo que enfim eu empreendesse a leitura do romance de Jaroslav Hašek.



Era aqui que eu queria chegar



Pampi sempre reclama quando eu cochilo durante os filmes, isso lá pelas 10 horas. Às vezes já pergunta, antes de começarmos, 'Mas vc não vai dormir não, né?', ao que respondo baixando a cabeça, sem graça. Em contrapartida, sempre acordo antes das 6 e ela naquele sono grosso.

Nesta hora Pampi tem um cheirinho morno, um cheirinho de murta, suave como pelúcia, acorde que nunca finda, um acorde que não acorda, mesmo com os beijos, que se demoram no rosto, no cabelo, nos ombros.

Então desço da cama e vou para a poltrona da sala, onde gosto de reclinar e ficar uns minutos. Chovia e fiquei preocupado com o show de hoje à noite do Elton John, Elton Jones que é como minha mãe sempre falou, já imaginando que teríamos que comprar aquelas enormes capas plásticas nos ambulantes, como a que comprei para o show do Roger Waters, mas a chuva nunca veio.

Percebo que a chuva aperta, mas que há manchas azuis no céu, como retalhos em uma calça jeans. Imagino como seria bom viesse um arco-íris, vou ter com a gata, que continua em silêncio e sem comer, e volto para o cheirinho morno. Pampi continua no sono grosso, mas quando, em resposta aos beijos, os lábios desenham sorrisos, me pergunto no que estará a sonhar.

Abro um pedacinho mínimo da cortina para tentar ler ao seu lado, ao que ela franze a testa. Lembro-me de um personagem de Knut Hamsun que, após ter construído cabana onde passará sozinho o longo inverno, e isso depois de ter pintado a casa de uma mulher por quem se apaixonara, esse personagem se pergunta: "Era aqui que eu queria chegar?".

Saio do quarto novamente, faço o café, me sento ao computador. Quando me viro para espiar o Perdido, o arco-íris.

Era aqui que eu queria chegar? Era.