Sunday, August 14, 2016

Crônicas Marroquinas II :: Cerveja no Marrocos

Riad Andalib, Fez


Na Turquia a cerveja corre generosa, havendo mesmo incipiente nicho artesanal (aqui). Na Tunísia, onde estive há 15 anos, a coisa não é tão fácil, mas consegui até copo (Celtia), pérola da coleção. Sofri mesmo foi no Marrocos: um calor que chega mole aos 46 e nem uma pilsenzinha ordinária. Quer dizer, há, mas restritíssima a alguns hotéis, a pouquíssimos restaurantes e restaurantes de hotéis. E aí é estar com muita sede para desembolsar 60 derhans (6 euros; 22 reais) por garrafinha de 300 ml.

Isso significa muita água para aplacar o calor (até aqui, tudo bem), mas também schwepps ou suco de laranja para acompanhar seu cuscuz de cabrito, seu tagine de frango e mesmo seu hambúrguer de camelo. Significa comer peixe e camarão grelhado fresquíssimos em Essaouira com coca-cola. Sigh.

Quando havia, a Casablanca. Quando descobrimos a Flag Spécial, também da cidade de 'play it again', um pouco mais barata, foi para logo constatar que a garrafinha é de 250 ml. Nunca vinham geladas; fresquinhas, no máximo. Meu amigo Victor, que por lá andou um pouco antes, pediu gelo. No hotel em Fez havia também a Stork, esta sim geladíssima, prazer inenarrável.

As explicações para tamanha carência quase sempre recaíam nos motivos religiosos, o Estado islâmico não proíbe de todo, como na Mauritânia, mas evita conceder a licença para marroquinos, fazendo-o apenas para estrangeiros (?!). Evitar-se-ia também o consumo de alcool no interior da medina ou próximo a mesquitas ou a medersas (escolas religiosas). Mas vai encontrar um local em Marrakesh ou Fez que não seja próximo a uma mesquista ou medersa. Ou seja.

Casablanca, Flag, Stork: todas pilsens. Honestas. Deixam a tríade da AmBev no chinelo. Artesanal? Nem pensar. Fazê-la em panelas no quintal da sua casa seria algo como um beijo gay em público. E tome chária no lombo.

E à noite os cafés ficam abarrotados de homens de todas as idades. Que conversam tomando água e chá de menta.

Hotel em Marrakesh

Café em Marrakesh, pareceu-nos clandestino

Essaouira

Drink de boas-vindas : chá de menta

Saturday, August 13, 2016

Crônicas Espanholas I ::: Azulejos de Madri I



Para quem ama azulejos, prato cheio: grandes painéis em 'botequim', no caso a Bodega Melibea, na Porta do Sol. É mais azulejo do que se poderia esperar em espaço tão exíguo com temas para lá de insólitos.

Mas em meio à orgia azulejar (nos dois sentidos), camisa preta com cruz de ponta-cabeça. Essas coisas de black metal? Isso nem incomoda tanto, kids will be kids. Mas e se for coisa em memória de Millán-Astray (“¡Viva la muerte!”)? Tô fora. E prefiro pensar que não. Aliás, a presença de garrafas de cerveja no canto dos painéis fazem mesmo pensar que não.













A caminho de Essaouira



o velho cavalga o seu burrico
sob um imenso besouro amarelo
cravado no azul

que horas são?
125 a.C.

Friday, August 12, 2016

Crônicas Marroquinas I ::: Praça em Fez



O coração da velha Marrakesh é, escusado lembrar, a medina e o coração desta é a Praça Jemaa el-Fnaa, o coração do coração, Patrimônio Mundial da UNESCO, mais badalada que o bar de Casablanca onde japoneses ainda pedem ao Sam que play it again.

Tá certo, diria o Bandeira, tá tudo muito certo. Também estivemos lá, no primeiro dia, qual americanos que mal desembarcavam no Galeão e já entravam no táxi balbuciando 'Bracarense'.

Tivemos nossa cota de alumbramentos, qual crianças recém-chegadas na Tivoli Park, nossa cota de um pôr-do-sol fabuloso, nossa cota de suco de laranja a 4 dirhams, nossa cota de aborrecimentos, de encantadores de cobras impertinentes (eles não estas), de músicos de estupenda música que querem 20 euros por foto.

Mas está certo. Ir a Marrakesh e não ir à praça é como vir ao Rio e não comer o cabrito no Nova Capela ou a feijoada de feijão branco na Adega Flor de Coimbra.

Mas depois teve Fez, onde nos hospedamos numa praça cujo nome ainda não sei. Não vi um japonês. Vi o bulício sem-fim de marroquinos, grandes e pequenos, muito velhos e muito pequenos, vivendo a vida de Fez. O fim da tarde, que traz  a fresca, e a noite. Os marroquinos de Fez.






















Gozando Junto XXIII (em Marrocos)



Esta série estava meio abandonada, a última sendo do Uruguai, pouco mais de um ano (aqui). Nem pensava em retomar, mas é o momento que pede e assim deve ser.