Friday, June 10, 2016

Três Painéis de Gryner em Laranjeiras



Andando por Laranjeiras, esbarro em prédio com três painéis musivos do artista polonês Rachmil Mende Gryner. O do centro, de pastilhas, de maior destaque, é notável sobretudo pelo seu andamento, ou seja, a maneira como as tesselas foram colocadas. É possível perceber dois níveis: o inferior, de gosto cubista, e o superior, de formas arredondadas e sinuosas, como os morros da cidade, que tanto encantavam o olhar estrangeiro. Será o painel todo abstrato? Percebo fácil moça deitada na rede ou reclinada na areia da praia. 

Os painéis laterais apresentam o problema que é o abrutalhado de suas tesselas, no caso, pedras, portuguesas ou quase, a princípio incompatíveis com a arte refinada dos mosaicos. Bem, que pedras portuguesas possam servir para lindos mosaicos, os portugueses e nossa orla e a 28 de Setembro já o demonstraram há anos. Mas levá-las às paredes? Gryner se sai incrivelmente bem, lançando mão de pedras menores, pretas, com belo efeito de contraponto.






Adamastor e Caravelas ::: Grande Painel de Manoel Félix Igrejas



Há um mês publiquei levantamento que fiz sobre painéis azulejares apenas com caravelas (aqui), ainda entusiasmado com a conquista do bicampeonato pelo C.R. Vasco da Gama.

Hoje encontrei enorme painel de Manoel Félix Igrejas, no Liceu Literário Português (o de Laranjeiras, não o do centro). Contrariando o estilo naïf do artista, muito chegado à policromia, o painel segue o usual, mas sempre belo, azul e branco da tradição purtuguesa. Faz sentido.

Para dar conta do gigante Adamastor, seis caravelas e muita poesia, o painel haveria de, forçosamente, ser espaçoso: temos aqui trezentas e doze peças. Os trechos poéticos são de Miguel Torga, Jaime Cortesão, Guerra Junqueiro e, claro, de Fernando Pessoa e do Bardo maior e seu célebre Canto Quinto.

Ah, descoberta propícia, pois justo hoje descobri que os painéis de MFI na Casa do Minho (aqui) serão tombados. Será o primeiro tombamento de obras dos Irmãos Igrejas.

Peça assinada, de 1989.






Thursday, June 09, 2016

Cabelos Crespos


Circula à boca pequena que o cabelo crespo dos von sydow domingues veio da Espanha. Da Espanha, pois, da Galícia, a macular o lisinho dos suecos / alemães sydows.

Minha irmã Daniele e minha sobrinha Karol tinham cabelos crespos. Tinham. Recorreram a tudo para alisá-los. Hoje são lindos, mas sempre me deixam a impressão de que até ferro de passar roupa manobrou por ali.

É preciso alisar o cabelo.

Sou padrinho da Patrícia Ananda, outra sobrinha, e seu cabelo é crespo e lindo, lindo e crespo como ela. Na visita mais recente tive que enfrentar as duas irmãs no elevador falando dos procedimentos para alisar os cabelos da pequena. O chato é que partimos do 12o  andar, então a jornada foi longa. Quase chegando ao destino, eu quase sem respiração, joguei "Mas qual o problema do cabelo crespo?', pergunta recebida com carinhoso desdém. "Tem dia que ela acorda que nem o Bozo".

Mais Bozo menos ferro de passar, por favor.

Vai uma Macadâmia aí?

Bar do Peixe


Mas Piraí não é só torresmo (aqui), tem também a macadâmia. Muitos dirão que não é apenas macadâmia, tem o torresmo. Não importa. Mesmo porque, num almoço completo, este pode preceder àquela, se elazinha vem como molho dos peixes. (Claro, porque se ela vem pura, ela será tão aperitivo quanto a pele do porquinho.)

Piraí é o único lugar do Rio que produz essa noz de origem australiana. Apenas 2% ficam entre nós, então é correr para aproveitá-la assada e salgada. O sabor, claro, lembra o amendoim e a castanha-de-caju, ao mesmo tempo que tem características muito deliciosamente suas.

No Bar do Peixe, ele é servida com os peixes de água doce. No Manequinho ela reina com a tilápia. A batida de macadâmia é também deliciosa. Se tomar mais de duas, capaz de você sair relinchando.

Seu nome, todos o sabemos, homenageia o naturalista australiano de origem escocesa John MacAdam, com o gaélico mac significando 'filho de'. O mesmo que o O' irlandês, o van holandês, o von alemão (olha nós aí). De modo que, pensei, após a segunda batida, o Bar do Adão aqui do Grajaú seria, em tradução livre para o gaélico: Bar MacAdam. Rarrarrá.

Manequinho

Pra fazer em casa

Sunday, June 05, 2016

Brizolão de Piraí ::: Pintura



Na estrada Piraí-Barra do Piraí, o Ciep Brizolão Professora Margarida Thompson. Passei por ali na hora do recreio, quando muitos jogavam bolinha de gude cheios de seriedade e brincadeira. E vi a grande pintura na parede, cheinha de tradições e linda. Não descobri o nome do pintor.



Piraí por aí



Não precisa de muito conhecimento de tupi, basta o primeiro período, para saber que 'ita' é pedra e 'pira', peixe. No segundo semestre a gente aprende que 'y' é rio e entende rapidinho que Piraí nos faz crer que ali o negócio é piscoso.

Fui pela primeira vez. Já tem postagem dos botequins(aqui) e do torresmo (aqui), então procurei não repetir fotos.










Alguns Botequins de Piraí e Barra do Piraí



Só o Rei do Torresmo (aqui) já paga a viagem: a crocantíssima pele do suíno acompanhada de boa cerveja e uma carta de branquinha respeitável.

Mas pra fazer jus ao nome, há que se provar os peixes de rio no Bar do Peixe. Nada de salmão ou badejo, estamos falando de acará, bagre, cascudo, piau e as estrelas traíra e tilápia. Um desses com molho de macadâmia tomando uma batida de macadâmia na varanda coberta de azulejos é experiência nirvânica (e macadâmica).

Para mais tilápias com macadâmia, o Manequinho.

O Bar do Dinho é pé-sujo de unha feita, na estrada que leva para Barra do Piraí. Mantém viva a tradição da pintura de botequim.

No Bar do Miguel, já em Barra do Piraí, os clientes podem fazer insensatas apologias à ditadura militar, mas a gente olha praquelas prateleiras de madeira, pros escudos do Vasco, e releva. Ou quase.

O Bar e Mercearia Derla também é todo vintage e tem uma sinuca. Vende pipas. E Pipo se eleva sobre o balcão e se sente muito homenzinho assim.

O Bar do Birita é bar Botafogo. Também vende pipas e reúne a nata dos pinguços da região.

Isso pode melhorar? Claro. A cervejaria Röter, excelente artesanal da região, pode caprichar na distribuição local (encontra-se fácil em lojas especializadas aqui, mas não nesses citados) e abrir-se a visitações.

Rei do Torresmo (e as duas seguintes)



Bar do Peixe

Bar do Dinho (e duas seguintes)


Bar do Miguel (e duas seguintes)



Pipo e pipas : Derla

Bar do Birita (e duas seguintes)


Manequinho

Saturday, June 04, 2016

O Torresmo de Piraí



Então, tem esse botequim que se proclamou Rei do Torresmo em Piraí. A edição de 2012 do Guia Rio Botequim, dedicada aos Novíssimos, sendo quase metade para os de outros municípios, o inclui com louvor.

Fui checar e lá estava Seu Geraldo. E seus torresmos, com casca crocantíssima e interior de comer todo. Sim, comer, porque os torresmos que rolam por aí a gente apenas mastiga porque mamãe já ensinava que não se pode nunca engolir chiclete.

O do Rei do Torresmo é perfeito, a gente repete. Não sobra nada.

Diz a lenda que a dica é chegar cedo e pegar a primeira fritada do dia. Como gosto de dicas,cumpri. Deixei o pequeno na escola e voei para o ônibus. Peguei a primeira saída.

O bar fica na Praça de Santana. Lá em cima, a igreja da vovó de Jesus. Soube mesmo que, ao cheiro da primeira fritada, a própria Nossa Senhora Santana, metamorfoseada em coelha, desce os 85 degraus e dá suas mordidinhas.



O que que tá acontecendo aqui? ::: Violência contra a Criança



Numa pequena lista que ora faço com músicas que tematizam violência contra crianças, "What's the matter here?", do 10,000 Maniacs (aqui) tem que ocupar posição de destaque. Não estou interessado em competição, é só uma maneira de elogiar, de dizer o quanto amo a Natalie Merchant aqui.

Já toquei em sala da aula. A mesma atividade que faço com "Luka", da Suzanne Vega: ponho a moçada pra ouvir e escrever palavras soltas sobre sentimentos que a música proporciona. Não se trata de tentar adivinhar o conteúdo da letra, muitíssimo pelo contrário. Aí aparecem  coisas como freedom, love, joy, happiness, dance. Depois eu dou a letra e toco de novo e ficamos todos impactados.

Porque a música (não somente a letra) não é 'apenas' sobre um menino espancado em casa. É sobre um menino espancado em casa e a nossa conivência.

(E olha que a lista incluía "Cousin Kevin" (The Who), "Daughter" (Pearl Jam) e "Barbarism begins at home" (The Smiths).)


That young boy without a name
Anywhere I'd know his face
In this city the kid's my favorite
I've seen him, I've seen a
I see him every day

Seen him run outside
Looking for a place to hide
From his father
The kid half naked
And said to myself
"Oh, what's the matter here?

I'm tired of the excuses
Everybody uses
He's your kid
Do as you see fit
But who gave you the right
To do this?

We live on Morgan Street
Just ten feet between
And his mother, I never see her
But her screams and cussing
Well I hear them every day
Threats like
If you don't mind
I will beat on your behind
Slap you, slap you silly
Made me say
"Oh, what's the matter here?

I'm tired of the excuses
Everybody uses
He's your kid
Just do as you see fit
But get this through
That I don't approve
Of what you did
To your own flesh and blood

Oh I have heard the excuses
Everybody uses
He's your kid
Just do as you see fit
But get this through
That I don't approve

Of what you did
To your own flesh and blood

Well if you don't sit
In your chair straight
I'll take this belt
From around my waist
And don't you think
That I won't use it

Answer me and take your time
What could be the awful crime
He could do at so young an age?
If I'm the only witness to your madness
Offer me some words to balance
Out what I see and what I hear
All these cold and rude
Things that you do
I suppose you do
Because he belongs to you
And instead of love
And the feel of warmth
You've given him these cuts
And sores that don't heal with time or his age
And I want to say, "Hi"
Want to say
"What's the matter here?"
But I don't dare say
"What's the matter here?"
But I don't dare say




Thursday, June 02, 2016

Jambalaya é por amor, digo puro amor



Existem hoje três pratos na imensa urbe que Camila e eu podemos chamar de nossos. Por serem nossos queridos e por serem nossos frequentes. São eles: o camarão na moranga do Antigamente (às quintas), o arroz de pato do Adegão e a jambalaya do Bar da Frente. Quase entra na lista o cabrito do Capela, que eu amo desde que nasci, mas a ficha só foi cair para a Camila mesmo na última vez, então não acho justo incluir agora.

Destes, andamos brincando de fazer já o arroz de pato, que registrei aqui. Nosso pato caseiro ficou bom, quá quá, mas não roça ombros ainda com o do Adegão.

E outro dia fizemos a jambalaya. Em bem da verdade, a ideia é fazê-la no próximo níver deste que vos escreve, quando estarei completando 84 primaveras. Fizemos foi um teste-drive.

Que ficou simplesmente sen-sa-cio-nal.

Agora é esperar 25/6. Com muita cajun music.