Ainda no espírito das comemorações do bi, segue pequena messe do que tenho recolhido por aí. A presença do C.R. Vasco da Gama nos botequins da cidade é ainda majoritária, dada a origem dos primeiros donos, mas para que não digam que sou clubista, também documento, com muito prazer, os botequins que fazem questão de se mostrar de todos os times (ver aqui e aqui).
Bar Cantinho dos Amigos : Grajaú
Bar do Navega :: São Cristóvão
Pensão Paraíso :: São Cristóvão
idem
Café e Bar Américo Tomás :: Engenho Novo
Bar MK :: Bonsucesso
Bar Araruna :: Piedade
Lanches Jojo da Piedade :: Piedade
Padaria em Abolição
Café e Leiteria Brasil-Portugal ::: Olaria
Adega e Pastelaria Ribeirense - Cascadura
Bar e Mercearia Encontro do Juramento ::: Vicente de Carvalho
A conquista do bicampeonato ontem me traz à mente lembranças muito vivas de outro bi, o de 1988. Por diversos motivos.
Em primeiro lugar, foi o único jogo em toda a minha vida em que fui de geral. Explico: naquela noite eu tinha apresentação de seminário na UERJ, onde cursava Psicologia, e eu convidara ninguém menos que representantes do grupo Tortura Nunca mais para exibir um filme (que acabou não acontecendo devido a problemas técnicos) e debater. Em que pese a não-exibição, o debate foi um sucesso e, registre-se, Cecília Coimbra, a então presidenta do TNM fora presa e torturada enquanto estudante de Psicologia. De lá, voei para o Maraca e, após rápida conversa com 2 PMs, eles franquearam-me a entrada. Eu nem sabia pra onde! Quando vi, estava na geral. A tempo de xingar o Renato Gaúcho, ver o Cocada entrar, fazer um golaço, tirar a camisa e ser expulso.
Eterno.
O vídeo é interessantíssimo. Estão ali, do lado do bom time rubro-negro, Bebeto e Renato Gaúcho. Aquele seria campeão com o Vasco no ano seguinte, enquanto que este quase o foi como técnico, muitos anos depois. Estão ali também Zinho e Jorginho, campeões pelo Vasco ontem. As tais das voltas que o mundo dá.
Do lado vascaíno, Acácio, Paulo Roberto, Zé do Carmo, Mazinho, Vivinho, Romário. Um ótimo time, que faria um ótimo brasileiro.
Ah, e o Cocada.
Reparem que o seu gol foi, realmente, fantástico. No meio de quatro jogadores, ele não passou a bola para o Romário. Incrível. Se calhar, entra sem favores na lista dos 10 mais do Vasco de todos os tempo, e não apenas pelas circunstâncias.
Já estou com caquinho aqui para mais meia dúzia de postagens, mole. O que tenho encontrado de coisa interessante por aí....
Na postagem mais recente (aqui) procurei privilegiar casos em que os caquinhos, quase quase sempre vermelhos pretos e amarelos, recusam-se a ser apenas piso. Ora acho digno privilegiar interessantes casos em que os caquinhos compõem muros, em Todos os Santos e em Paquetá, aqui figurativos. Em ambos os casos, são de cores para além das já comuns citadas.
Todavia, mode não perder viagem, um pouco mais do mesmo, que nunca é o mesmo: piso de caquinhos nas cores triviais mas em lindos padrões no bairro de Ipiranga, Sampa.
"Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo. Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar." (Adélia)
Há quase um ano escrevi sobre Celino, pintor de azulejos, aqui. Nestes dez meses novas ótimas descobertas.
Em Vila Isabel um pequeno painel de temática religiosa : 12 azulejos de cores muito vivas e singela moldura de pastilhas. No Lins um painel maior, de 35 peças, com a habitual e pitoresca paisagem de gosto escapista, tão comum também nos Irmãos Igrejas. Tudo indica que pertencia a uma casa recentemente posta abaixo. Oxalá o espigão ao menos mantenha o painel.
E a coisa só melhora: em manhã de frustração (sobre a qual escrevi aqui), descobri na Tijuca (ou Vila Isabel ou Aldeia Campista que ali nem os moradores precisam o que é) dois pequenos painéis que fogem às habituais temáticas religiosas ou paisagísticas: um de peixes e outros seres do mar e o segundo uma paisagem sim, porém inglesa, com seu indefectível cottage / inn de thatched roof (não dá para traduzir por casinha de sapê). Celino revela aqui técnica para além do naïf, na palheta de cores e no uso do pontilhismo. Duas pequenas joias, insolitamente emolduradas por pedras São Tomé.
E, por fim, um imenso painel no edifício Monterey, no Flamengo de quase mil peças. Tudo é incomum: a dimensão, o uso exclusivo da cor ocre, a temática (algo como as maravilhas do progresso) e mesmo a localização. Não se espera um painel desses em uma prédio de apartamentos. Lamentável apenas o esforço dos condôminos em obstruir a visão.
De quebra, segue um painel de Paquetá. Não está assinado, mas com jeito de Celino.
Saí de casa não em busca dos habituais azulejos, botequins, pisos, casinhas e outros que tais, saí de casa em busca de um campo de futebol. Não qualquer um, mas aquele que pertencera a dois times do subúrbio carioca: o Adélia e o Engenho de Dentro e em cuja inauguração como estádio deste, em 7 de setembro de 1946, o Vasco derrotara o Flamengo por 4 a 2. Pelo que consegui apurar, o campo ainda existia e servia como local de peladas.
Cheguei com dois anos de atraso. Um grande condomínio feioso (não merece sequer registro) soterrou esse quinhão da história do futebol carioca. Uma lástima.
A Rua Henrique Scheid situa-se hoje na sombra do Engenhão. Não causa espécie que a construção do estádio (no terreno onde havia o esquecido Museu do Trem) tenha dado ensejo à especulação imobiliária do entorno. Possivelmente há quem goste e se beneficie disso. Bem, hoje o próprio Engenhão encontra-se precoce e criminosamente abandonado. E eu preferia o campo do Engenho de Dentro E.C. ao feio condomínio. Mas claro que, trocadilho inevitável, numa cidade há anos fadada à verticalização, que agora atinge áreas até então preservadas, algo essencialmente horizontal como um campo de futebol não haveria de sobreviver.
A manhã de 7 de setembro de 1946 bem como as milhares de peladas dos finais de semana permanecem vivas nas memórias de São João Batista, Santo Antônio, São Sebastião, São Cristóvão e São Francisco de Paula, espectadores (e torcedores) privilegiados do alto de suas platibandas.
Cachambeer : coxinhas com quatro recheios diferentes, menos frango
Segue pequeno balanço parcial desta 16a edição da Comida di Buteco no Rio. Quem minimamente acompanha minhas seriíssimas pesquisas em botequins sabe que sou defensor incondicional de azulejos, cobogós, pisos, pinturas, fórmicas, lambris, mão francesa, estuque e mármore. Quando o papo é o de-comer, no entanto, não me dói se por um mês os botequins criem seus petiscos com raios gourmetizadores. Afinal, como já dizia o Padre Voador, 'Oh que maravilha é viver e inventar'.
Dessas invenções agradam-me sobretudo as feitas com respeito a um já tradicional prato / petisco do lugar. Explico: acho digno que o Bar Urca faça um bolinho de seu risoto e justo que o Cachambeer, uma coxinha recheada com sua famosa costela. Mais legal do que um estabelecimento que nunca serviu nada do mar nos venha com um caldinho de bouillabaisse. Mas também não perderia o sono por isso.
Destaques :: Bode Cheiroso; Antigamente; Imortais e Cachambeer
Decepção : Pavão Azul
Bode Cheiroso (Tijuca) : ouça a crocância desses gurjões de pernil
idem
Bar dos Amigos (Horto) : bolinho de frango com brie
idem
Antigamente (Centro) : porquinho desfiado com melaço na cestinha