Sunday, September 25, 2016

Os Mosaicos do Mausoléu de 32


Bem, você não precisa ser defensor da Revolução Constitucionalista de 32 assim como não precisa ser católico para se deslumbrar com os maravilhosos painéis de mosaicos no interior da cripta do Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, onde estão as cinzas daqueles que lutaram contras as forças federais.

São três belíssimos painéis da autoria de Galileo Ugo Emendabili. A confecção foi feita no Studio Padan, em Veneza.

Trabalhos de grande refinamento e sensibilidade, inaugurados em 1957. Um tesouro literalmente escondido, tanto que um excelente blog inteiramente dedicado a mosaicos brasileiros tem uma postagem intitulada "Roteiro Turístico do Mosaico em São Paulo" e não os inclui.

Bem, fica aqui a contribuição. Em frente ao portão 2 do Parque Ibirapuera, de modo que as multidões que com muita justiça deleitam-se com o grafite dos Gêmeos podem só atravessar a rua e igualmente deleitar-se com as tesselas de Emendabili.

































Wednesday, September 21, 2016

Ommadawn para dois Pianos



Não sem temor e desconfiança, em iguais dosagens, acerquei-me da versão para dois pianos de Ommadawn, obra-prima que Mike Oldfield, então com 22 anos, lançou em 1975 (lembrei dos 40 anos aqui). Não foi preciso um minuto de audição para que eu sequer lembrasse que um dia experienciei na vida sentimentos como desconfiança e temor.

A versão funciona muito bem. O temor de que descambasse para uma EZ listening de consultório de dentista não se confirma. E o arranjo mais do que se sustenta por si mesmo, a ponto de a peça poder passar como original, se é que me expresso bem. E vou além: a ponto de a peça lembrar-me, em caráter geral, "Lir", do Wim Mertens.

Todo o lado A aqui, incluindo a percussão africana e aqueles vocais magnéticos.

Não sei se chegaram a tentar o lado B. Aquele início, para mim o auge, seria difícil, mas nunca se sabe.

A versão do youtube, algo misteriosa, credita o feito a Carsten Gerlitz. Terá ele tocado os dois pianos?


Tuesday, September 20, 2016

Crônicas Espanholas V :: Azulejos de Madri III : O Tablao Villa Rosa



Um ótimo lugar para uma apresentação de flamenco na capital espanhola é o tradicional Tablao Villa Rosa. Mesmo que o cante, o toque, o baile, as palmas e o sapateado não fossem bons, mesmo que em alguma noite lhes falte o duende (na feliz expressão de Lorca), o que está longe de ser o caso nas apresentações a que assisti, restaria sempre o consolo dos maravilhosos painéis azulejares externos e internos. Dir-se-ia um museu espontâneo, presente das musas, inflamado e alegre.

No exterior, obras de 204 peças representando ciudades españolas, datadas e assinadas por Alfonso Romero, 1928.

Na parte interna, sempre muito escura, durante as apresentações ou não, painéis mais recentes representando cenas do flamenco e outras típicas da Andaluzia. Trabalhos de 1987, assinados por Julian Santa Cruz e Alfredo Ruiz de Luna, da Cerámicas Villa de Madrid, a qual, se não me engano, é a responsável pelos azulejos dos nomes das ruas madrileñas.

Que os azulejos externos sejam os originais de 1928 e os internos, reposições, é cousa que causa grande assombro. Que os externos tenham resistido às chuvas, às cusparadas borrachas, às mijadas de Cipión e Berganza, ao calor de 44 graus e ao horror das falanges franquistas, e os internos tenham que ter passado por restaurações e reposições sessenta anos depois é algo que me escapa.


A não ser, claro, que os azulejos internos do Tablao Villa Rosa da Plaza Santa Ana tenham se se deteriorado ao ponto do irreconhecível ante a paixão dorida do flamenco, quando, antes de leis antitabagistas, multidões mercúrias fumassem sem termo, bailassem paredes acima e garrafas de sangria voassem pelo salão para espatifaram-se contra as paredes, onde já não se distinguia o que era sangue, o que era vinho. 

Bons tempos.







Málaga, cidade do avô que inventei