Wednesday, July 13, 2016

Novos Haikais para o Lago Rodrigo de Freitas



Seguem os haikais escritos pelos grandes mestres desta elegante forma poética de origem japonesa que atende por haikai. Como no ano passado e ao contrário de todos os outros anteriores, levei-os, aos mestres, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas que houvemos por bem fingir tratar-se de um lago, já que 'lake' é mais poético e sonoro que 'lagoon'.



I wonder how far
The water can take the boats
While I’m stuck

(Beatriz Hisho)

The lake makes a move
You capture
With one look

(Camila Bashō)

Noises and voices
Coming in the way
Of thoughts

Sshhiu
Lake tries to talk
No ones listen

(Helena Watashi)

Under the lake
Beautiful
Silence

Tall trees
Reflecting
The blue lake

(Sofia Kotobuki)

As the water flows
All our fears
Just go

Mountains and sky
Only watch
As we pass by

(Issa Ricci Sintoshi)

 Danger
I may be walking
With strangers

Blowing with the wind
The little bird
Follows me

(Maria Assataro Banku)

Tiny boats on the lake
The warmth feels so nice
So peaceful

Teenagers by the lake
Writing haikais
Must be Evandro’s class

(Isa Cunha Mataro Caxa)


Green trees
Horizon
The other bank

The wash-wash
Shakes the rocks
Lake waves

(Rogeriō Fujiro Nakombi)


Oh I see me
Like a mirror
The lake could be

(Beatriz Bōr Sashimi)

Wind blows
Duck floats
I, the same

Our fears
Are broken
By the lake

(Belalbuquerque Mishima)


 A lonely man
Reflects
The lake

Duck falls
In love
We fall

 (Evandro Sake)

Looking at the lake
Feeling the wind
A leaf fell on my face

Ducks swim
Looking for food
Waves on the lake

(Dener Daissuki)

Shallow lake
Brown
Of uncertain thoughts

Brown, green, yellow
Branches
A flower in your hair

(Clarice Sayonara)

The lake reflects the sky
I ask myself why
I cannot write haikai

 (Alice ア系アメリカ人である)







No 460 / Só o 4 / Se senta

Sunday, July 10, 2016

A tarde que caía era frágil



a tarde que caía era frágil
lembrança de outros julhos deste bairro
o céu a esta hora é mais ágil
e copia contornos caravaggios
minha alma nômade parece se as-
sentar e erra entre o passado e o presente
em decassílabos desequilibrados
a tarde que ora cai aqui se sente
e dói e dói e dói a dor dos cardos
armados contra a pele da memória
a tarde eleva os olhos para o céu
onde pouco ou nada vejo de meu ::
 nuvens gordas soletram a sintaxe
desmesuradamente rosa deste ipê

Saturday, July 09, 2016

Sabe o Leme? Onde morou Clarice



Frequentei muito o Leme há coisa de 20 anos, por ocasião de aulas particulares. Depois houve grande interlúdio, interrompido há pouco em volta com novos olhares e o inseparável Nokinha. O que é bom e mau. Tivesse eu o mesmo olhar há 20 anos (mas que grande bobagem), com certeza teria encontrado botequins com mais dos elementos que hoje procuro, mas em contrapartida não sei se teria subido o Chapéu Mangueira e o Babilônia como subi. E, de qualquer modo, encontrar no Café e Bar Recreio do Leme o padrão de azulejos enxaquetados verde-piscina e branco foi já surpresa suficiente.

Seguem alguns registros. Sobram botequins, faltam os tradicionais restaurantes, é verdade.



























Friday, July 08, 2016

Painéis em Mosaicos de Paulo Werneck



Em março de 2007 a Prefeitura tombou, em um pacotão, 24 painéis de Paulo Werneck, ação que atualmente esperamos, nos dois sentidos, seja tomada em relação às pinturas sobreviventes de Nilton Bravo (ver aqui).

O nome de Paulo Werneck sempre evocou em mim painéis modernos / modernistas abstratos como os encontrados no Edifício Marquês do Herval (o primeiro que conheci, graças à Livraria Leonardo da Vinci), o da Candelária e um em Laranjeiras (no edifício onde morou??). De modo que conhecer hoje estes dois monumentais painéis indianistas na portaria do Edifício Maracati no Leme causou pequena comoção cá dentro.....

Num momento histórico em que era preciso convencer uma classe média que morar em edifícios poderia ter lá o seu charme, digamos que painéis como esses fizeram o seu trabalho muito bem....

Candelária

Candelária
Laranjeiras

Leme (e seguintes)




E curioso que a poucos metros do edifício, na Rua Anchieta, um outro pequeno painel do P.W., desta vez no 'velho estilo'.

Rua Anchieta (e o seguinte)


Dedico esta postagem à Bebel, que me ajudou a convencer o porteiro a convencer o síndico de que seriam apenas algumas fotinhos....

Friday, July 01, 2016

Os Limeriques da Jambalaya

Para receber, minha melhor camisa


No disputado convite da Jambalaya dos 84 lia-se algo como "Para ser franco, a entrada não é franca. Os convidados devem compor um limerique para o aniversariante, a ser lido na entrada".

Quase todos cumpriram. Só Eric cumpriu com a leitura na entrada, e olha (ou por isso mesmo) que ele foi quem veio de mais longe, da Rua do Grito, no Ipiranga.

Juliana e Victor escreveram o deles a quatro mãos, o mesmo acontecendo com a Claudia e o Dudu. Maíra fez o dela na hora, talvez instigada pelo leitura dos convivas (ou quem sabe pelos cabernets). O mesmo acontecendo com a Pampi. Renato fez pequena epopeia em quartetos.

A todos, muito obrigado.

Tem muita coisa em mente
cerveja: primeira conexão
ele gosta de montão.
Juntos,
fico contente

O que temos em comum vou te dizer:
viajar, ler, ensinar, beber...
Com nossos alunos vibramos
Com cerveja nos emocionamos
amar, aprender, brincar, comer...
(Ju e Victor)

Ao mestre dos limeriques
E suequices
que clica o bando
parando ou caminhando
com seus Bancos i Dik Diks

 Evandro Halford gente boa
Sempre numa Goa
Porque goza junto
Fotografa em conjunto
Até mesmo numa Goa
(Eric)

Vascaíno que adora cervejas
tem uma linda mulher que beija
muitas são gostosas
só ela é formosa
Que sortudo, bendito seja!
(Claudia e Dudu)

Nos anos 80 conheci o Evandro
ouvíamos rock e vivíamos viajando
Mauá era o nosso lugar preferido
Na primeira vez dele eu já tinha ido

Circo Voador e Cascadura
Eram os lugares de maior loucura
Não ia de carro nem de moto
E olha que nesse lugar também ia o Otto

Um dia me enviou um cartão de Chicago
Tinha o Lago Michigan e um recado
Daqui a pouco tô voltando por aí perambulando
mas mesmo assim demorou mais de um ano

Um dia foi pra Espanha estudar galego
Muita disposição assim sair do seu lar seu aconchego
E ficar muito tempo num lugar distante
coisa mesmo de viajante

E assim se passaram os anos
Sem saber onde andava o Evandro
Ninguém tinha notícias daquele malandro
se vivia alegrias ou desenganos


Quero dizer muito mais
que tudo passou num instante
falar sobre a vida, a Camila e o Dante
mas tá hora de levar seu pisco
e não esquecer também seu disco
(Renato)

Ao mestre dos limeriques
E suequices
que clica o bando
parando ou caminhando
com seus Bancos i Dik Diks
(Eric)

No CAp nunca fui sua aluna
E não sei se consigo fazer rima alguma
Um recomeço e as brincadeiras com o Dante
O Grajaú com lembranças a cada instante
E a alegria de viver e estar vivendo. Fim.
(Maíra)

Rimar Evandro com brando
é rimar amor com dor
Eu prefiro escafandro
que ele é estranho
e dorme sem cobertor.

Ele ouve Turid
mas não é lá tão triste
Assim o descobri
Mas só eu sei o que vi:
Melhor coisa que existe.
(Pampi)

Aí para agradecer um pouco fiz este aqui ::

Alegria solta sem tramela ou trinco
Há muito tempo que eu assim não brinco
Então está decidido
Conte à mulher e ao marido
No mês que vem farei 85.





Durante o sarau. Vejam que Pampi escreve

Lelêlinda