Wednesday, June 15, 2016

A casa de e.e. cummings (Ou Olhai este tolo no mês de junho)



Ela me perguntou o que eu ia querer de Nova York e, para além da água da vida (aqui), pedi-lhe uma foto em frente da casa de e.e. cummings (aqui e aqui), onde ele morou por quase trinta anos.

Imagens do Patchin Place, em Greenwich Village, consegue-se fácil no Google. Eu queria com ela à frente, claro.

Fui atendido.

Olhai, pois, este tolo que, neste mês de junho, tendo ouvido certas estrelas e planetas, caiu em meio aos verdes dos crepúsculos... Nunca te amei assim, dear, como hoje amo.


behold this fool who,in the month of June,
having certain stars and planets heard,
rose very slowly in a tight balloon
until the smallening world became absurd;
him did an archer spy(whose aim had erred
never)and by that little trick or this
he shot the aeronaut down,into the abyss
-and wonderfully i fell through the green groove
of twilight,striking into many a piece.
I have never loved you dear as now i love

Tuesday, June 14, 2016

Hillrock ::: Single Malt de Nova York



Camila viajando para Nova York pensei em pedir o usual Islay, um Speyside, quem sabe um Islay raro. Depois, on a second thought, pensei 'bobage, sendo New York um dos centros do mundo, minha chance de pedir um indiano (ver aqui), talvez revisitar um belga (aqui)'. Ainda bem foram pensamentos desprovidos de ações. Porque, num third and final thought, atinei... quem sabe um whiskey americano?

Negócio é que sempre desprezei bourbon e não estava a fim de romper com isso. Não quero saber de milho em minha cerveja, muito menos em meu whisk(e)y. Mas aí é que optei por um single malte norte-americano (sim, isso existe!) e isso materializou-se no Hillrock, adquirido pela moça na fantástica Astor.

A destilaria de Hillrock fica a umas duas horas ao norte de Nova York. O mestre de lá é o Dave Pickerell, que trabalhou na Maker's Mark por muitos anos. A parada é tão artesanal (ou ao menos, rararará, quer se passar por) que cada garrafa é numerada e assinada por ele. A minha é do barril HS-4.

Tal artesania faria com que cada garrafa, ou ao menos cada barril, tivesse uma expressão diferente, de vez que, fato, foram expostas à turfa por tempos diferentes....

Gosto dessas coisas. Mas não senti nadica de turfa na minha linda garrafinha.... Será que foi o lote de menor exposição? Até aí, tudo bem, pois eu não estava mesmo atrás de turfa ou teria pedido um Islay.

No nariz, couro, couro molhado e grama, molhada. Algum efeito madeleine aqui me trouxe à memória o campo do América, quando havia campo do América em Vila Isabel.

Na boca, ele é suave, mas com um sabor forte de pimenta. Pimenta branca, pimenta-rosa. Pode até enjoar um pouco, mas a experiência geral é muito boa.

PS: Ah, e aquele outro whiskey transparente na foto? Numa garrafa que parece um vidro de maionese?

Fica para a próxima.



Monday, June 13, 2016

1,2,3,4... Novena / Dezena de Santo Antônio



Sem a pretensão de atingir a popularidade de um São Jorge ou de uma Nossa Senhora de Fátima nos azulejos da cidade, São Antônio, de Pádua ou de Lisboa, não está nada mal na fita. Destaque para o painel de Brás de Pina, do seu homônimo António Félix Igrejas, em que a figura da pastorinha parece emprestada de uma representação de Fátima.

Abolição

Andaraí (e dois seguintes)



Brás de Pina

Morro do Livramento

Méier

Todos os Santos
Grajaú
Penha

Sunday, June 12, 2016

(Alguma Coisa de) Laranjeiras



Bem antes que me chamem de elitista, por claramente privilegiar neste bloguinho a parte mais nobre da cidade -- os subúrbios --, segue algum apanhado do que andei registrando em Laranjeiras.

A messe é assistemática e quase anárquica.

Nem o Raul Félix seria capaz de legendar todas as fotos. Mas, se conseguir, fica convidado para um pescoço de peru. Iguaria, aliás, documentada aqui e, até onde me recordo, só servida nestas bandas.











O pescoço de peru com batatas e agrião






Friday, June 10, 2016

Três Painéis de Gryner em Laranjeiras



Andando por Laranjeiras, esbarro em prédio com três painéis musivos do artista polonês Rachmil Mende Gryner. O do centro, de pastilhas, de maior destaque, é notável sobretudo pelo seu andamento, ou seja, a maneira como as tesselas foram colocadas. É possível perceber dois níveis: o inferior, de gosto cubista, e o superior, de formas arredondadas e sinuosas, como os morros da cidade, que tanto encantavam o olhar estrangeiro. Será o painel todo abstrato? Percebo fácil moça deitada na rede ou reclinada na areia da praia. 

Os painéis laterais apresentam o problema que é o abrutalhado de suas tesselas, no caso, pedras, portuguesas ou quase, a princípio incompatíveis com a arte refinada dos mosaicos. Bem, que pedras portuguesas possam servir para lindos mosaicos, os portugueses e nossa orla e a 28 de Setembro já o demonstraram há anos. Mas levá-las às paredes? Gryner se sai incrivelmente bem, lançando mão de pedras menores, pretas, com belo efeito de contraponto.






Adamastor e Caravelas ::: Grande Painel de Manoel Félix Igrejas



Há um mês publiquei levantamento que fiz sobre painéis azulejares apenas com caravelas (aqui), ainda entusiasmado com a conquista do bicampeonato pelo C.R. Vasco da Gama.

Hoje encontrei enorme painel de Manoel Félix Igrejas, no Liceu Literário Português (o de Laranjeiras, não o do centro). Contrariando o estilo naïf do artista, muito chegado à policromia, o painel segue o usual, mas sempre belo, azul e branco da tradição purtuguesa. Faz sentido.

Para dar conta do gigante Adamastor, seis caravelas e muita poesia, o painel haveria de, forçosamente, ser espaçoso: temos aqui trezentas e doze peças. Os trechos poéticos são de Miguel Torga, Jaime Cortesão, Guerra Junqueiro e, claro, de Fernando Pessoa e do Bardo maior e seu célebre Canto Quinto.

Ah, descoberta propícia, pois justo hoje descobri que os painéis de MFI na Casa do Minho (aqui) serão tombados. Será o primeiro tombamento de obras dos Irmãos Igrejas.

Peça assinada, de 1989.






Thursday, June 09, 2016

Cabelos Crespos


Circula à boca pequena que o cabelo crespo dos von sydow domingues veio da Espanha. Da Espanha, pois, da Galícia, a macular o lisinho dos suecos / alemães sydows.

Minha irmã Daniele e minha sobrinha Karol tinham cabelos crespos. Tinham. Recorreram a tudo para alisá-los. Hoje são lindos, mas sempre me deixam a impressão de que até ferro de passar roupa manobrou por ali.

É preciso alisar o cabelo.

Sou padrinho da Patrícia Ananda, outra sobrinha, e seu cabelo é crespo e lindo, lindo e crespo como ela. Na visita mais recente tive que enfrentar as duas irmãs no elevador falando dos procedimentos para alisar os cabelos da pequena. O chato é que partimos do 12o  andar, então a jornada foi longa. Quase chegando ao destino, eu quase sem respiração, joguei "Mas qual o problema do cabelo crespo?', pergunta recebida com carinhoso desdém. "Tem dia que ela acorda que nem o Bozo".

Mais Bozo menos ferro de passar, por favor.

Vai uma Macadâmia aí?

Bar do Peixe


Mas Piraí não é só torresmo (aqui), tem também a macadâmia. Muitos dirão que não é apenas macadâmia, tem o torresmo. Não importa. Mesmo porque, num almoço completo, este pode preceder àquela, se elazinha vem como molho dos peixes. (Claro, porque se ela vem pura, ela será tão aperitivo quanto a pele do porquinho.)

Piraí é o único lugar do Rio que produz essa noz de origem australiana. Apenas 2% ficam entre nós, então é correr para aproveitá-la assada e salgada. O sabor, claro, lembra o amendoim e a castanha-de-caju, ao mesmo tempo que tem características muito deliciosamente suas.

No Bar do Peixe, ele é servida com os peixes de água doce. No Manequinho ela reina com a tilápia. A batida de macadâmia é também deliciosa. Se tomar mais de duas, capaz de você sair relinchando.

Seu nome, todos o sabemos, homenageia o naturalista australiano de origem escocesa John MacAdam, com o gaélico mac significando 'filho de'. O mesmo que o O' irlandês, o van holandês, o von alemão (olha nós aí). De modo que, pensei, após a segunda batida, o Bar do Adão aqui do Grajaú seria, em tradução livre para o gaélico: Bar MacAdam. Rarrarrá.

Manequinho

Pra fazer em casa

Sunday, June 05, 2016

Brizolão de Piraí ::: Pintura



Na estrada Piraí-Barra do Piraí, o Ciep Brizolão Professora Margarida Thompson. Passei por ali na hora do recreio, quando muitos jogavam bolinha de gude cheios de seriedade e brincadeira. E vi a grande pintura na parede, cheinha de tradições e linda. Não descobri o nome do pintor.