Saturday, December 05, 2015

Um Museu para Manoel Félix Igrejas ::: A Casa do Minho



Assim como o Bar Arco Teles poderia ser informalmente considerado um verdadeiro museu da obra de Nilton Bravo, pelo fato de posssuir nove paineis do mestre, proclamo hoje que a Casa do Minho, aquela casa portuguesa muito recuada no Cosme Velho poderia, com sobras, ser um Museu Manoel Félix Igrejas, dada a generosa quantidade de suas obras ali.

São sete obras : seis paineis azulejares e uma tela (!). Simplesmente fantástico, inda mais se consideramos que seu trabalho ali se estende por quatro décadas.

Esta que provavelmente é uma das obras mais importantes do Manoel em nossa cidade -- um lindo painel de 140 azulejos com sua típica moldura colocada no restaurante Costa Verde -- é de 1971. Neste mesmo ambiente uma pintura sua a óleo (!) retratando moinhos minhotos, de 1983. Nota-se que a pintura já sofreu cortes. Antes de se chegar ao restaurante, um belo painel dedicado à Nossa Senhora da Conceição do Sameiro, de 2010, onde Manoel, ao retratar os anjos, pode dar voz à sua veia naïf.

Colocado no alto de uma escadaria, só sendo possível a visualização para quem desce, outro grande painel quadrado de 121 azulejos de 2009 em que o pintor português homenageaia sua mulher Margarida, que o ajudava com as tintas.

Subindo um pouco mais, descobrimos um fonte com outro painel do Manoel, desta feita de 2005. Novamente motivos minhotos, a pudica minhota ounvindo os flertes de um Santos Dumont. Em local a que não tive acesso, outro pequeno painel com poema tecendo loas ao Minho. 

E só na saída nos deparamos com outra pequena, notável, obra do Igrejas, de 2012. Na entrada, porém perceptível apenas para quem sai : um Afonso Henriques de espada na mão, incomum em Igrejas por ser no tradicionalíssmo azul e branco português.

Não por acaso Manoel Félix Igrejas foi homenageado com uma sala de cultura.























Ontem saí pra passear no Méier



Ontem saí pra passear no Méier, saltei ali no começo da Dias da Cruz e resolvi voltar um pouquinho. O suficiente para estar no Lins. Como sói acontecer, andei pra cacete e, quando vi, estava sob o Engenhão, isto é, Engenho de Dentro. Andei mais algumas jardas e depois peguei táxi para voltar pro Grajaú, mas desci no meio do caminho. Estava no Engenho Novo.

Então de Méier Méier mesmo, não teve nada. Ou teve, que tem horas que ninguém sabe direito que bairro que é.

























Friday, December 04, 2015

A querida amiga se chama Lara



Dante tem na escola uma amiga muito querida chamada Lara. Diz ela, a seu jeito, que o ama. E eu acredito no amor das crianças. Vinícius, moço, também acreditou e escreveu num dos seus quatro sonetos de meditação:  "Uma mulher me ama e me ilumina". Dante assim iluminado pelo amor de Lara. Lara, ainda mais linda e iluminada.

Este post dedico aos que amam. Mas também dedico àqueles que não desejam e/ou acreditam na educação inclusiva. Só nas duas últimas semanas Dante e eu ouvimos quatro nãos de escolas daqui do Grajaú. Não é mole.

Mas este post quer ser doce, como a "Cidade Ideal", dos Saltimbancos : "E, quem me dera, os moradores / E os prefeitos e os varredores / Fossem somente crianças."

Não sei fazer colagem tão bonita como a que Lara fez pro Dante. Daí fiz este limerique aqui.



A querida amiga se chama Lara
gotinhas de mel nesta vida amara.
Enquanto mastigo amora
Pergunto : Dante namora?
Ele nada diz, mas faz uma cara....


Esta a Lara

Thursday, December 03, 2015

Teu pai ali na cabeceira



teu pai ali na cabeceira, sempre
distante que o poder assim se faz
mais doloroso se distante e próximo
teu pai ali distante a embebedar-se
no almoço domingueiro de rotina
o rosto altivo a contemplar o espaço
enquanto os seis demais olhos cravados
no triste vácuo do ainda cheio prato
assim são os almoços brasileiros
assim a tradição assim família
assim propriedade. Bebe teu suco
mastiga tua carne este insípido
pasto da família cristã e casta
domingo opaco como um paralelepípedo