Monday, April 18, 2016

Café e Bar São Judas Tadeu ::: Pinturas



O botequim, que atende por Café e Bar São Judas Tadeu, fica ali na Maia de Lacerda, no Estácio, não precisa subir muito. Ele tem dois ambientes, ambos com teto de gesso e, em um deles, estes impagáveis frisos em afresco retratando cenas pra lá de, digamos, árcades e mesmo sensuais. Não encontrei assinatura. É muito bom o estado de conservação.

Estive lá há quatro anos e voltei agora. O boteco passou por reforma e, graças, mantiveram as pinturas.

O mesmo não se deu com trabalho semelhante que havia no Café e Bar Parada Delícias no Grajaú, no começo da Visconde de Santa Isabel. Em conversa afável, fiz o sujeito prometer que não tiraria a pintura (como fiz também nas duas vezes no Estácio). Mas aí, sabe como é, às vezes o estabelecimento é vendido e o novo proprietário, com ânsias modernizantes, passa o rodo. Triste.

Para mais botequins com pintura, ver aqui e aqui. E, claro, o Bravo aqui.









Grajaú

Grajaú

Saturday, April 16, 2016

Revisitando o Palácio do Pavão



Hoje o Relógio da Glória fez 111 anos e não pude ir vê-lo. Por amor de compensar, enfim adentrei o "Palácio do Pavão", na Haddock Lobo, tão maravilhosamente descrito por Pedro Nava em Balão Cativo (e que eu já citara aqui).

Porque falar do Relógio é falar do Pedro, escritor maior.

Não bastasse ver o pavão de perto, tocá-lo, descobrir azulejos lindíssimos no alpendre, registrar a casa de ângulos privilegiados, descobri ainda um imenso painel azulejar do Manoel Félix Igrejas, com cerca de 500 peças. Datado de 1990, não é contemporâneo nem do menino nem do velho Pedro e nem da menina esquiva e orgulhosa que pulava corda nos primeiros anos do século XX.

Mas nem por isso me foi menos querido.

Para mais postagens dos Igrejas, aqui, dentre outras.














Friday, April 15, 2016

(Hoje encontrei) A Maior Obra do Nilton Bravo da Cidade



Lembrei-me de um conto do Roald Dahl, um de seus contos tipicamente terríveis -- terrível de bom, terrível de perturbador -- intitulado "Parson's Pleasure" em que um sujeito, colecionador de móveis Chippendale, certa vez se depara com a peça mais absurdamente bem conservada no local mais improvável.

Lembrei-me do filme Fahrenheit 451, quando o idiota do Captain Beatty encontra na casa da senhora uma venerável biblioteca, daquelas que ele ouvira falar como se lenda fossem, e seus olhos e boca salivam.

Eu que há anos persigo por toda a cidade (e muito escrevo neste blog, o inventário está aqui), e atravessá-la-ia se preciso, novas obras do Nilton Bravo, tinha defronte meus olhos todo o interior do castelinho, dois andares, cobertos de afrescos do mestre. Dos mestres, pois pai e filho trabalharam nas pinturas. Um total de 16 por 7 metros cobertos, da metade da parede ao teto, dos temas queridos do Michelângelo dos botequins: muitas árvores, muita água, o velho bucolismo de sempre.

Não bastasse, um chão de mosaico, de pequenas e delicadas tesselas. E azulejos e madeirame lindos.

Depois dizem que não há Deus. Eu mesmo andei dizendo.

Agradeço imenso à Irmã Carmen, tão gentil em permitir a visita. E também à Marluci, que ajudou desde o início, e à Luciana. Desejo felicidades ao Colégio Santa Marcelina. Eu mesmo fiquei com vontades de morar ali.

PS: Tenho aqui minhas dúvidas se as pinturas do segundo pavimento serão mesmo do Bravo. Não apenas não havia assinatura, como o estilo, de maior apuro formal, se distancia do que estamos acostumados a ver no nosso autodidata dos subúrbios. Vou pesquisar e examinar por aqui.

PS2: Pela vez primeira estive face a face com um Bravo sem uma cerveja por perto. Bem, a escola é católica, então talvez pudesse eu sonhar com uma trapista -- piadinha inevitável. Mas não. Prefiro rasurar o Drummond :

Como se não houvesse outras sedes
e outros bebidas
Meu repasto é interior
tudo, no coração, é ceia



Segundo pavimento






de volta ao primeiro

PS (ainda) : fique esta postagem presente pro Rixa, nilton-bravólogo que aniversaria manãna. E pro Ivo.

Monday, April 11, 2016

Por que Nem Toda Rua será Rua do Nome sem Graça (parte 7)

Virundum

Este pequeno inventário de nomes de rua divertidos insólitos poéticos literários e outros-que-tais andava meio parado, mas quando se encontra a Rua Flor Encantada, no bairro do Virundum (aka Ipiranga) na capital paulista, percebe-se que são horas de assoprar o borralho

outras duas da série aqui e acolá

Del Castilho

Cachambi

Cachambi

Cachambi

Cavalcante

same

Virundum

Isla Negra

Sunday, April 10, 2016

Steve Wilson ao Vivo



No dia seguinte eu estava rouco e Camila mangando de mim, imitando o que não viu, como se eu fosse uma daquelas mocinhas em preto-e-branco gritando histéricas num show dos Beatles.

Ela tinha razão, perdi a voz no show do Steve Wilson de emocionado que gritei. Em transe.

Porque enfim, enfim a chance que tive de ver ao vivo o membro que faltava da Santíssima Trindade do progressivo contemporâneo. Os outros dois são Neal Morse e Roine Stolt, a quem assisti juntos no show histórico do Transatlantic, também em São Paulo (escrevi aqui).

Se os chamo de Trindade do progressivo, isso se dá não apenas à qualidade da música que fazem, mas à absurda quantidade e a todo o trabalho envolvendo produções e projetos paralelos. No que concerne apenas à qualidade da música, o garoto Steven Wilson ("born in 67 / the year of Sargeant Pepper") leva mesmo vantagem sobre os dois (não que eu goste de competições aqui), porque consegue, ao contrário de Stolt, manter a inventividade em tudo que faz, no fillers allowed, e, ao contrário de Morse, não quer converter-nos ao sangue de Jesus.

Steve Wilson é um gênio. Gênio com o Porcupine Tree, com o Blackfiled e na carreira solo. Seu show, o terceiro por aqui, sempre em São Paulo, e o primeiro a que assisti, é experiência épica em todos os sentidos para todos os sentidos. 

Steve pergunta-nos se o achamos triste / melancólico (miserable) para convercer-nos de que não o é. Eu já sabia. Steve dá alfientada no heavy metal, confirmando que é impossível uma banda de HM não cair na mesmice repetitiva. Eu também já sabia, mas bom ouvir assim de uma autoridade que não apenas faz rock progressivo, nunca formulaico, como tem uma atitude visceralmente progressiva.







Time flies, de outro show :::