
Wednesday, December 30, 2009
A Felicidade do Leiteiro ou Não Amarás

A foto aclássica de botequim
Foto clássica de botequim todos sabem como é: copo cheio em punho levantado. Com meu pai é diferente: livro em punho. Clássico dele. O livro é... bom, dá para vocês verem. Eu tencionava dar-lhe de presente; ele, como sempre mais rápido, me deu.
O "botequim" não é bem botequim, é restaurante, embora já tenha constado em edições do Rio Botequim. Aqui escrevi o poema no guardanapo do post abaixo. Quem descobrir o nome do restaurante, ganha chopp no dito cujo. Pista (para além da foto que já é pista e tanto): é o meu favorito, onde espero que deixem (pedido em testamento lavrado no 9o Cartório) parte de minhas cinzas quando morto estiver meu corpo. Se eu der a pista do prato carro-chefe da casa, perde a graça...
Tuesday, December 29, 2009
A poesia sopra onde quer
Sunday, December 27, 2009
Uma razão para 2010
Passei dois dias pensando em um post para Prokofiev, já tinha título e tudo, e eis que este sobre Mahler atropela o russo.Não que eu ande atrás de efemérides ou prestigie apenas números redondos, mas é que 2010 já tem uma razão de ser: é o sesquicentenário de nascimento do grande Mahler, Gustav Mahler. "Sesquicentenário" é palavra esquista, a mim sempre lembrou "seiscentos", quando, na verdade, vocês sabem, quer dizer cento e cinquenta.
Estranho isso também... só 150? Então quase fomos contemporâneos, e não estou brincando...
Há 150 anos nascia este homem irascível, difícil, extremamente sensível. Amou uma Alma e por ela perdeu a sua. "Previu" a morte dos filhos nos fantasmagóricos Kindertotenlieder. Vivia em guerra com Deus e o mundo, literalmente, e foi, acima de tudo, apátrida, três vezes apátrida. Lembrei-me de que em Taipa escrevi um poema chamado... "Apátrida", do qual citarei apenas os dois primeiros versos: "Ler tua poesia me é triste / Como um adágio de Mahler."
Gosto tanto, mas tanto de Mahler, que quase não o ouço. É uma música de que realmente tenho medo. Tenho dificuldades para encarar de frente a Sexta, a Quinta, a Primeira e, principalmente, a Nona, embora eu faça de tudo para assistir se forem tocar ao vivo.
Aliás. E a propósito. E desanuviando un peu o post que está pesado: assistir aos ensaios da Nona Sinfonia pela Orquestra da Petrobrás, em 2007, foi um prazer e uma honra indescritíveis. Graças à harpista Rafaela, que deve comentar por aqui...
Tu sarai grande
Por este blog celebramos alguns mensários do Dante, não é justo que não se fale de seu aniversário, seu primeiro aniversário. Em 2008, numa tarde de sexta, fomos ao Dr. Paulo e ele, sempre muito tranquilo e sorrisos, nos diz que o bebê está maduro. Às seis da tarde, uma hora aberta, Dante já está neste mundo confuso e belo. Era 19 de dezembro.
À festa compareceram pessoas queridas, um bobo, muitos bichinhos.
Ao meu filho dedico estes versos do Locanda Delle Fate, que fecham este que é um dos discos mais bonitos, maduros, apaixonados e apaixonantes do rock progressivo italiano dos anos 70, o Forse le Lucciole Non Si Amano Più, no improvável ano de 1977. Aliás, agora que escrevi sobre a data, me ocorre que estes versos fecham não apenas este álbum, mas a própria cena progressiva italiana dos anos 70:
Tu sarai grande più di Icaro,
ti guarderai volare.
Saturday, December 26, 2009
Orkut à Moda Antiga
Vejam que interessante. Colei uma foto minha com o Dantuca no gavetão do arquivo da Equipe de Inglês na Sala dos Professores. Aliás, dizer "uma foto" é errar: colei a foto ou esta foto que acaricia este blog. (Sim, tenho outras fotos com o patifinho, mas que no momento é esta a minha fave.) E aí, um dia depois, encontrei um recadinho junto a ela, a que se seguiram outro e outro e outro e outro. Acho que depois desta foto ainda teve outros. Colegas que tiveram ganas de comentar alguma coisa e foram deixando scraps...Friday, December 25, 2009
Um Flamboyant passou por aqui
Wednesday, December 23, 2009
Dolce Acqua
Ontem, meio que do nada, peguei para ouvir uma banda que não ouvia há muito: o Delirium. O Delirium me traz lembranças muito nítidas de 1985 e de 1998. Falarei apenas destas últimas. Ana Beatriz e eu acabáramos de chegar de nossa primeira viagem à Itália. Chegamos nós, porque todas as três malas haviam se extraviado, o que nos causou imensa consternação. A mim porque uma delas continha APENAS CDs. Uma mala estourando de CDs. Já em casa, passadas algumas horas, nos ligam do aeroporto dizendo que duas malas haviam, enfim, aterrissado. Voamos para lá e eis que... a dos CDs chegara, que alegria! Em casa, ponho logo para tocar o Delirium, que eu não ouvia desde....85, mas que guardava na alma como se tivesse escutado no dia anterior. Tanto que, ao final da música "Jesahel", canto junto "one, two, three, four", para meu espanto (nem eu sabia que lembrava tão bem) e para espanto e raivinha da Ana, já que a mala de roupas dela não chegara. Percebo meu egoísmo e refreio minha empolgação. Mas sua mala chegaria no dia seguinte.Tirei a letra de ouvido, o que a torna sujeita a erros. Fossati canta apenas isso. Mas quem canta com aquela voz que há um verde prado dentro de si e anuncia fim de tempestades precisa dizer mais alguma coisa?
Monday, December 21, 2009
Concerto para Cigarras e Orquestra em Sol Maior
Saí do Grajáu por duas vezes: em 1980, quando minha irmã casou, e em 1995, quando casei eu. Da primeira vez, voltamos em 1985, depois de uma estada no Andaraí. Dentre outras coisas, preocupava-me sobretudo sair do bairro para outro em que não houvesse tantas cigarras. Porque as do Grajáu, ah, eram copiosas. E boas cigarras que eram, rebentavam de cantar não apenas na hora clássica do crepúsculo, mas também em plena madrugada quente! A lembrança de ouvi-las às 2 da manhã é indelével. Neste ponto, e em outros muitos, o Ingá não me desaponta. A cigarrada por aqui é onipresente e, tal qual as de lá, recusa-se à cantoria da hora costumeira apenas (mas que é a hora que mais dói), ciciando de dar gosto pela manhã, principalmente por volta das 10.
As do museu são tão absurdamente loquazes (lembrai-vos da Cecília que queria, como elas, morrer de cantar) que sobrepujam amiúde a música (sempre alta, a me estourar os tímpanos) que me vem do fones de ouvido.
Daí a ideia de escrever um Concerto para elas. Em Sol Maior, claro.
Rafinha tocará harpa.
Giulia, violão.
Alguém mais se habilita?
(Ah, Dante eu e ensaiaremos as cigarras)
Sunday, December 20, 2009
O coco do Valdecir
Era 996 e chovia

Tão logo entrei no ônibus percebi que os passageiros evitavam os lugares preferidos, mesmo em uma cidade perigosa: as janelas. Pudera, chovia nos assentos dos cantos! O sistema de ar condicionado gerava pingos e fios d'água que encharcavam os bancos! Pequeno prenúncio do torozão que ainda estava por vir do lado de fora do ônibus.
Consegui assento no corredor, mas, no que o ônibus vai enchendo aos poucos, mesmo os assentos sujeitos a chuvas e trovoadas são tomados, embora eu gentilmente avisasse aos que vinham se sentar do meu lado: "Ó, tá chovendo...".
Quando o ônibus está para pegar a ponte, foi o que se vê na foto: abrem-se guarda-chuvas! E começam a tocar "La Valse D'Amélie", do Yann Tiersen, no acordeão! Palmas estalam por todo o veículo. Eu e a passageira do lado (que, sim, está levando pingos na cabeça) começamos a conversar ("Pode isso?" "Bem, se até em Paris tem" "Pelo menos não é funk" "Nem hip-hop"). Ela é Roberta, uma... antropóloga, que trabalha no Viva Rio e vai tentar o doutorado em breve. Não hesito: conto-lhe acerca das minhas muitas antropologices amadoras pelo sertões de Goiás e pelas praias (quando as havia) do Ceará...
Então é isso: chove no ônibus, tocam Amélie Poulain e ao meu lado descubro uma antropóloga.
It's not every day, that's what they'd say...
Friday, December 18, 2009
TPA
Tutuca Miguilim



Friday, December 11, 2009
Nick, Árvores & Ingratidão

Nick Drake é, hoje, referência incontornável no mundo dos singer-songwriters. Sem fazer muita pesquisa, cito de cabeça aqueles normalmente lembrados como influenciados por ele: Ray Lamontagne, José González, Elliott Smith, Jack Johnson, Fionn Regan, Bon Iver, Alexi Murdoch. Destes, acho que o Jack não tem nada a ver com o Nick, quase o mesmo acontecendo com o Ray. O Elliott Smith é notável, mas tem um lado meio punk de todo ausente em Nick.
Alexi Murdoch, o mais "recente" do grupo, tem um timbre de voz muito semelhante e ótimas canções. Tem um disco só, Time without Consequence, mas já fez a trilha-sonora do Away We Go, filme do Sam Mendes que deve chegar por aqui em fevereiro de 2010.
O Andrew Bird e o Damien Rice, que nem botei na lista, são os melhores, mas suas canções são cada vez menos folk.
O José González, com os discos In Our Nature e Veneer, também é o melhor e, este sim, carrega na alma o ethos nickdrakeano. José González é genial.
Porém o mais interessante disso tudo é que toda essa enorme influência do Nick não poderia ter sido jamais imaginada por ele, por sua família, por seus esparsos conhecidos, por seu pequeno público. Nick passou a carreira quase que inteiramente despercebido. Já completamente desiludido, ele deixou as fitas masters do Fruit Tree na portaria da gravadora e se mandou. Como quiseram dar-lhe mais uma chance, ele gravou o disco em apenas duas sessões, da meia-noite às duas da manhã. Imaginem o frio e o silêncio do estúdio. Este frio e este silêncio ouvem-se nas canções, ainda que sua voz aveludada nos traga certo calor.
Depois deste disco ele percebeu que nada mais tinha a fazer neste mundo.
Foi só em 1999, depois que a música "Pink Moon" apareceu num comercial da Volkswagen, que o sucesso veio. Com o reconhecimento, seus discos passaram a vender. E hoje todos querem ser Nick. Mesmo os que não querem têm que lidar com sua figura, in a way or another.
Já usei a palavra "interessante", então direi que o mais incrível nisso tudo é que ele próprio já previra esse sucesso póstumo na canção "Fruit Tree", a penúltima do Five Leaves Left.
"Fame is but a fruit tree, so very unsound
It can never flourish till its stalk in in the ground
So men of fame can never find a way
till time has flown far from their dying day."
O refrão perfeito:
"Forgotten while you're here, remembered for a while
E a assombrosa última estrofe:
Don't you worry, they'll stand and stare when you're gone
Fruit tree, fruit tree, open your eyes to another year
They'll all know that you were here when you're gone."
E como palavra puxa palavra, esta solitária fuit tree me traz à mente uma outra árvore, A Árvore Generosa, belíssima tristíssima história de Shel Silverstein. Gostava de contá-la em 1991, para a turma do Arthur, da Julia Pelajo, Julia Dornelles, Juliane, Antonio Manoel, Rafinha (que tudo ouvia), Carol, Alice, Alicinha, quando eu trabalhava no Tabladinho. Contava até eles, que tinham quatro anos, chorarem. O Arthur, levadíssimo espertíssimo, fazia biquinho e coçava os olhos, dizia que tinha entrado cisco. Nunca me esqueci dessa história, mas o livro se perdeu ou o deixei como legado na escolinha. Foi só bem recentemente que o nome do livro (este sim eu esquecera) me veio cristalino numa manhã de sexta. Chequei na Estante Virtual, o próprio. Descobri edição nova pela Cosac Naify, com a mesma tradução do Fernando Sabino e com as mesmas ilustrações.
A história, naturalmente, permite diversas leituras. É fácil ver no menino representação exemplar da ingratidão, mas essas facilidade não retira dessa leitura sua validade. O menino é um ingrato, ao menos salva-o (será?) o fato de que ele permance menino por toda a narrativa, mesmo quando já se tornou um velhinho curvado com dentes fracos demais para maçãs (que a árvore, ao final apenas um toco, já não tinha). Essa leitura de que o menino não cresce encontra suporte nas palavras mesmas da árvore: "Venha, Menino, depresa, sente-se em mim e descanse." e nas do narrador, em sua visão-com a árvore: "Foi o que o menino fez".
Exigir que o menino tenha seu momento epifânico como King Lear (afinal, o maior relato já escrito sobre ingratidão) é pedir demais de um menino, mesmo porque a história acaba e não nos parece razoável imaginar o que aconteceria em páginas náo escritas.
E a árvore, que tampouco é uma Cordelia (again, Shakespeare), apenas cumpre seu destino. Ela é aquela mulher sem nome do conto "Death in the Woods", do Sherwood Anderson.
Não pensem que leio apenas Drummond, mas não há como fugir desses versos:
"Este o nosso destino: amor sem conta,
Ah, o livro é dedicado a um... Nick.
E este blog o que é? (É ladrão de muié?)
Wednesday, December 09, 2009
Going Indian for a Change

But if I could it wouldn't be a change, for I'd go Indian every day!Tuesday, December 08, 2009
Carrinho-Fantasma ou As Monções estão chegando
Monday, December 07, 2009
Aquele inglês triste de Burma
Mesmo assim, dada a dificuldade, vou começar citando Tom Verlaine (e olha que este entendia do riscado): "You know, Nick Drake was the very best of all".
Claro que aí entra a questão do gosto, sempre pessoal e intransferível (e por isso mesmo passível de discussões), mas que este inglês pernalta triste, nascido em Burma (!) em 1948, escreveu canções belíssimas, dentre as mais belas do vasto repertório dos singer-songwriters, isto é fato, ou algo próximo a isso.
Dos seus três álbuns apenas (ele deixou este mundo triste aos 26 anos), recomendo em especial o primeiro, Five Leaves Left, de 1969, e o terceiro, Pink Moon, de 1972. Parece que parte da crítica exalta mesmo é o segundo, o Bryter Later, que eu acho um tanto estragado por uma produção que o queria jazz, algo que Nick definitivamente não era. Essa produção / superprodução também tenta estragar um pouco algumas canções do Five Leaves, com orquestrações pesadas e edulcoradas, mas a voz e o violão do Nick felizmente falam mais alto. No último, deixaram-no no estúdio como ele era no mundo: sozinho. O resultado é um punhado de canções descascadas e pungentes. Ouvi-las é como mergulhar numa piscina vazia.
É difícil falar em Nick, é difícil falar em canção preferida do Nick, mas esta bem que podia ser a assombrosa "Fruit Tree", tanto que sobre ela escreverei post em separado.
Saturday, December 05, 2009
O sogro que não tive
Meu reino por uma Pratinha

Quando estive na Escócia, em 1o de janeiro de 2007, tive a oportunidade de provar sua cerveja com urzes, isto é, heather. Ou será o contrário?: heather, isto é, urzes? Enfim, provei, re-provei e aprovei, porque uma preciosidade destas só se encontra mesmo na terra do Nessie. O Stevenson (sim, aquele do médico e do monstro e que também foi parar no Pacífico) escreveu um poema para esta cerveja, simplesmente chamado "Heather Ale", por aí avaliem. Reza o folclore, numa terra que o tem em grande conta, que seria ela invenção dos Picts. Não sei. Na dúvida, quando encontro, bebo.
E eis que descubro que aqui, em terras tupi-guaranis, já foi feita também uma cerveja com urzes! Cruzes! Muy apropriadamente denominada "Scottish Ale", a bichinha é criação / representação da Cervejaria Colorado, o que não causa espanto nenhum.
Monday, November 30, 2009
O nome dela é Turid


Sunday, November 22, 2009
Um Safári à Lua / A Safari to the Moon
Sei e não sei bem por quê, mas desde o dia 22, há exato 1 mês, sinto-me compelido a, estando no 996, estando em casa e, principalmente, passeando com o Dante, ouvir apenas um seleto grupo de músicas OVER AND OVER AGAIN (Ih, inglês, sorry!...).
São elas:
1) Do Yes - "Soon" (na verdade trecho da suíte "The Gates of Delirium", mas a tenho em formato single, que é a que ouço). Foi esta a que detonou o processo. Nos dias 22 e 23 e 24 de outubro fui tomado por uma vontade irresistível de ouvir esta canção 500 vezes.
2) Do Formula 3 - "Cara Giovanna".
3) Do Locanda della Fate - "Cercando un Nuovo Confine" - porque esta é uma das "músicas para crianças" mais lindas do Ocidente!
4) Damien Rice - "Grey Room"!
5) Gabriel Yared e Marta Sebéstyen - "Szerelem, Szerelem" .
6) Michael Nyman - não podia faltar! "Big My Secret" e "Love Doesn't End" .
7 Flower Kings - "Flora Majora"!
e, principalmente, COMPULSIVAMENTE:
8) Van der Graaf Generator - não podia faltar! "Refugees" (versão single) e "Childlike Faith in Childhood's End".
9) Yes - "I've Seen All Good People".
10)Midlake - "Paper Gown", "Excited but not Enough", "Simple", "Roller Skate (Farewell June)".
11) Moon Safari - a sequência "Moonwalk", "Bluebells" e "The Ghost of Flowers Past" .
12) Blackfield - "Once", "Miss U", "Hello" e, principalmente, "Where is My Love?" (duas versões diferentes, que escuto uma atrás da outra, ainda encontrando diferenças).
Entendam que continuo comprando CDs. E que, claro, escuto outras coisas também. Mas acho que nunca fiquei assim tão colado a algumas canções como estou. E esta fase extraordinária da minha vida ficará indelevelmente marcada por esta trilha-sonora.
O Moon Safari, por exemplo, faz-me sentir imortal, perdoem a breguice. Passear com o Dantuca na praia ouvindo as canções que mencionei é uma experiência simplesmente epifânica, daquelas em que o céu se rasga e dele cai uma chuva de pétalas de rosas. Dantuca está no carrinho, com os pezinhos pra cima (ver post anterior) e as músicas me transportam para uma região onde sinto uma harmonia, uma paz e um amor transbordantes. Sinto-me é bêbado, isso sim, daquela embriaguez que Baudelaire afirmara que deveríamos sempre sentir: a da poesia. Todas as preocupações cotidianas me parecem tão comezinhas, pois o que me ocupa a alma é a visão de Dante, a brisa e as harmonias vocais do Moon Safari! Até inventei uma história para "Bluebells"! Inventei que Dantuca tem um pijaminha com sininhos azuis (que não tem) e que seria ele, portanto, o "Bluebells" me chamando para casa, pedindo que eu saia de reuniões, de plenárias, de conselhos um pouco mais cedo para poder ficar com ele. Esta é a minha versão de "Bluebells", porventura mais bonita porque inventada.
O Moon Safari, conheci-o em julho do ano passado, em visita a Progress Records, em Estocolmo. À época, chapei. Hoje chapo ainda mais. De nítida influência do Yes e do Flower Kings, os rapazes fazem um som que pertence à face solar, clara, alto astral do rock progressivo. Não há aqui otimismo ingênuo, mas sim uma verve, uma garra, um delírio transfigurador nas harmonias vocais, nas guitarras orgásmicas, no Hammond devastador, no Mellotron (sim, também tem!!!), no baixo a prenunciar motivos e na bateria que não posso senão render-me incondicionalmente e deixar levar-me para este país somewhere I had never traveled, gladly beyond...
Saturday, November 21, 2009
Ruído

Friday, November 20, 2009
Dante (e) Bento

Tuesday, November 17, 2009
O que de Goa mais saudade sinto

Sunday, November 15, 2009
Vasco, Dante, Midlake & Outras Epifanias
Saturday, November 07, 2009
SONETO DAS TRINTA ANDORINHAS

Dante pede às andorinhas que adornem
seu sono, de mel e de paina feito.
E o que era ânsia represada até
agora, esfarinha-se no rumor
dos barcos que navegam silenciosos
entre o azul líquido e semovente
e este azul maior que engolfa o tempo e
que nos terá um dia. Dante dorme.
As andorinhas nada dizem, voam
e em seus voos barrocos vão tecendo
tênue teia que lhe protege o sono.
As andorinhas nada dizem, velam
diligentes o seu sono, todo ele
paina, mel, auréola e trinta andorinhas.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Acho que desaprendi a fazer sonetos, se é que um dia. A ilustração é da Cora, aluna querida que torce pelo América e tentou encher nossos tomates verdes de pimenta branca (isso vocês já sabem de outros posts).
A inspiração (oh, como se isso existisse) veio dos passeios que faço com Dantuca lá no MAC. Acertei os versos e a métrica (desacertei talvez seja melhor palavra) nas idas e vindas no 996, ao som do Blackfield.
Daylight Saving Time

HORÁRIO DE VERÃO
O gato,
ignorante dos ponteiros adiantados,
Vem pedir-me comida
com uma hora de atraso.
Arqueia-se o dorso, levanta-se
a cauda peluda, faíscam
enormes olhos
onde cabem
mil enormes olhos.
Acho graça.
Mas reconheço
que há
sadismo neste meu sorriso.
Amanhã que faço?
Enquadro o gato no mundo dos homens?
Ou respeito-lhe ternuras, súplicas, desejos e fomes anacrônicas?
Ternuras, súplicas, desejos e fomes anacrônicas.
A questão talvez seja idiota
e sequer mereça poema.
Isolda e eu nos olhamos
com enormes olhos
onde cabem.
Je le resterai jusqu'au bout! Je ne capitule pas!
Tuesday, November 03, 2009
Dave & Clarice

A foto (foto de foto, não tenho scanner) mostra-nos conversando, nos primeiros dias de 1987, somewhere between Pensylvannia e Washington D.C. O fato de a foto estar pouco nítida confere-lhe contornos fantasmáticos e vejam que bonita aquela casa lá atrás.
Ele tinha 8 anos a menos do que tenho hoje.
E poucas vezes esta canção do Pink Floyd fez tanto sentido como hoje:
"You know that I care for what happens to you
And I know that you care for me too
So I don't feel alone
Or the weight of the stone
Now that I've found somehwere safe
To bury my bones
And any fool knows a dog needs a home
A shelter from pigs on the wing."
Sunday, November 01, 2009
Morri. Estou entrando no Céu.
Só posso escolher uma, mesmo o Paraíso terá suas limitações.
Está tocando "Refugees", do Van der Graaf Generator. Versão single.
Ou está tocando a #10 do The End of the Affair, do Michael Nyman. Love doesn't end.
Não precisa ser a versão do CD. Pode ser a versão amadora de um teclado tocado quase à meia-noite. Amador = feito com amor? Love doesn't end.
Disse que só poderia escolher uma, escolhi duas. Assim engano o Paraíso.
Fritando Tomates Verdes





Saturday, October 31, 2009
A Arte da Levitação

Dante,
o dia me traz suas fadigas:
o desdém do aluno
a arrogância do médico
o hip hop que me persegue no ônibus.
Mas a ti retorno.
Existe o quarto, existe
o berço
existe a noite que atravessamos juntos.
São nosssos os viventes da madrugada:
as rodas a deslizar no asfalto molhado
o pássaro misterioso a chamar solitário
o bêbado que passa mastigando a noite
querendo copular com Deus.
Por fim o galo que bica insistente a casca da manhã.
Dante, perdoa-me
os momentos de tristeza.
Te peço
como se pai
e não filho
fosses.
E assim é.
Continua a ensinar-me
tua didática de gestos frágeis
e firmes.
E eu que era pesado
que temia o tempo e suas urtigas
com um teu fio de cabelo
ato meu pé a esta cadeira
antes que pela noite saia levitando
como os apaixonados de Chagall.
Sunday, October 25, 2009
Vita Regum

Saturday, August 29, 2009
Dois Poemas para Dante e um Terceiro
Um certo jeito de mexer os lábios
um certo jeito de acender os olhos
certo jeito de tecer doçuras.
Olavo tinha razão
e Augusto também:
Inania verba, a idéia esbarra
no molambo da língua paralitica .
Ainda não inventaram palavras para
um certo jeito de recém-nascer.
E este poema se chama
Dante sorri.
II
Reza a definição:
recém-nascido é o bebê com até 28 dias de vida.
Mente o dicionário, erra a definição, tergiversam os homens.
Ao acordar nesta tarde
Dante é recém-nascido como
na primeira hora.
È neonato anche Dio.
III
Dominar o léxico, a semântica, a sintaxe, a fonética
não é suficiente
para saber a língua dos homens –
esta língua de acordos tácitos,
de anuências aprendidas sabe-se lá onde.
Desconhecer esta língua empurra-te
para a quina das mesas, para a margem dos acordos,
para o almoço mastigado a sós.
Mas de lá, da franja das tardes
percebes
aquele sorriso fugaz que mal chegou aos lábios, aquela
cigarra tardia (ou precoce?) ardendo confusa, aquele
violoncelo a murmurar no terceiro movimento do quarteto.
Tudo isso – sorriso, cigarra, murmúrio –
ignoto
dos que a falam.
Monday, August 17, 2009
Some Poems
These are the poems I read with my students in class. They're supposed to come here, choose one and write a comment about it.
In case you're not a student of mine, feel free to leave your impressions as well.
THE DAY IS DONE
H.W. Longfellow
The day is done, and the darkness
Falls from the wings of Night,
As a feather is wafted downward
From an eagle in his flight.
I see the lights of the village
Gleam through the rain and the mist,
And a feeling of sadness comes o'er me
That my soul cannot resist:
A feeling of sadness and longing,
That is not akin to pain,
And resembles sorrow only
As the mist resembles the rain.
Come, read to me some poem,
Some simple and heartfelt lay,
That shall soothe this restless feeling,
And banish the thoughts of day.
Not from the grand old masters,
Not from the bards sublime,
Whose distant footsteps echo
Through the corridors of Time.
For, like strains of martial music,
Their mighty thoughts suggest
Life's endless toil and endeavor;
And to-night I long for rest.
Read from some humbler poet,
Whose songs gushed from his heart,
As showers from the clouds of summer,
Or tears from the eyelids start;
Who, through long days of labor,
And nights devoid of ease,
Still heard in his soul the music
Of wonderful melodies.
Such songs have power to quiet
The restless pulse of care,
And come like the benediction
That follows after prayer.
Then read from the treasured volume
The poem of thy choice,
And lend to the rhyme of the poet
The beauty of thy voice.
And the night shall be filled with music
And the cares, that infest the day,
Shall fold their tents, like the Arabs,
And as silently steal away.
ANNABEL LEE
Edgar Allan Poe
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of ANNABEL LEE;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
THE ROAD NOT TAKEN
Robert Frost
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
THIS IS JUST TO SAY
William Carlos Williams
I have eaten
the plums
that were in
the icebox
and which
you were probably
saving
for breakfast
Forgive me
they were delicious
so sweet
and so cold
1st poem
e. e. cummings
somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skillfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
2nd poem
e. e. cummings
i like my body when it is with your
body. It is so quite a new thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like,, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,
and possibly i like the thrill
of under me you quite so new
HAPPINESS
Carl Sandburg
I asked professors who teach the meaning of life to tell what is happiness.
And I went to famous executives who boss the work of thousands of men
They all shook their heads and gave me a smile as though as I was trying to fool with them.
And then one Sunday afternoon I wandered out along the Desplaines river
And I saw a crowd of Hungarians under the trees with their women and children and a keg of [beer and an accordion.
THE APPLICANT
Sylvia Plath
First, are you our sort of a person?
Do you wear
A glass eye, false teeth or a crutch,
A brace or a hook,
Rubber breasts or a rubber crotch,
Stitches to show something's missing? No, no? Then
How can we give you a thing?
Stop crying.
Open your hand.
Empty? Empty. Here is a hand
To fill it and willing
To bring teacups and roll away headaches
And do whatever you tell it.
Will you marry it?
It is guaranteed
To thumb shut your eyes at the end
And dissolve of sorrow.
We make new stock from the salt.
I notice you are stark naked.
How about this suit----
Black and stiff, but not a bad fit.
Will you marry it?
It is waterproof, shatterproof, proof
Against fire and bombs through the roof.
Believe me, they'll bury you in it.
Now your head, excuse me, is empty.
I have the ticket for that.
Come here, sweetie, out of the closet.
Well, what do you think of that ?
Naked as paper to start
But in twenty-five years she'll be silver,
In fifty, gold.
A living doll, everywhere you look.
It can sew, it can cook,
It can talk, talk , talk.
It works, there is nothing wrong with it.
You have a hole, it's a poultice.
You have an eye, it's an image.
My boy, it's your last resort.
Will you marry it, marry it, marry it.
Monday, August 10, 2009
Feliz Dia dos Pães!


Saturday, August 08, 2009
Monday, August 03, 2009
Vídeo Exclusivo sobre as Duas Posições acerca do Sono dos Bebês
O vídeo é autoexplicativo. Irei concorrer com ele no Festival do Minuto, na seção Besteirol hors-concours.
Cast:
Defensora da Posição Silenciosa - Lívia Maria
Defensora da Posição Franciscana - Francisca Maria
Câmera - Igor José
Ajudantes no shshshshshsh - Kátia Maria, Lourdes Maria, Igor José e Isolda Maria.
Argumento - Doravne Suli.
Patrocínio - Casa Lidador; José Sarney.
Friday, July 31, 2009
Árvore azul, cachorro amarelo, gato cinza

Tuesday, July 28, 2009
7 meses, 70 centímetros
Mas, e quando ele tiver 8 meses? Terá 80 centímetros? E 90 cm aos 9 meses? Um metro, creio, com 10 meses? E metro e 20 com 1 aninho?
Não riam, a situação é preocupante: aos 2 anos Dante poderá estar medindo 2 metros e 40 centímetros, pouco mais alto que o pivô da seleção de basquete da Geórgia.
Preocupado, fui pesquisar camas (não se pode falar em berços) nas Casas Bahia, mas eles só têm tamanho até 2 metros.
A culpa será, porventura, do chá de bambu que andamos ministrando em doses cavalares. O chá de bambu (漢字/汉字) é ancestral receita chinesa da província de Huhan ( 許慎/许慎). O tratamento bambuesco já foi interrrompido (周禮/周礼).
Friday, July 24, 2009
MEDICINA $.A.

Estou terminado o romance Perturbação, de Thomas Bernhard, obra dura (e maravilhosa) que faz jus ao título. Na página 179, encontro este trecho que se coaduna com o que eu desejava escrever. São palavras do príncipe Saurau: “E ainda hoje creio que os médicos são sempre os homens mais afastados da natureza humana, os que menos conhecem a natureza humana.”
A medicina é uma “ciência” falida, uma prática mercantilista, um espaço em que a incomunicabilidade entre os seres humanos e a indiferença, quando não desprezo, pelo Outro se fazem notar de maneira clara. Óbvio que há exceções, a provar a regra.
Dante teve já o dissabor de conhecer alguns desses desprezíveis profissionais, legião é seu nome, ainda que tenha também contato com os de outra estirpe. Segue um breve resumo de alguns desses médicos.
DRA. RAIZ
A doutora Raiz é uma boa pediatra. Boa para gripes e resfriados. Quando a coisa aperta, Dra. Raiz repete que é tudo “ansiedade materna”. Brilhante, não? Quando Dante teve em seu consultório uma série de espasmos, Dra. Raiz ficou repetindo que isso era ansiedade materna, ou seja, meu filho tem espasmos porque a mãe está ansiosa! Talvez pudesse ser tragicômico, mas é apenas trágico. Quando solicito que ela examine os olhinhos do Dante (durante a crise), ela sequer se levanta! Pede que a Bia o leve no colo para ela! Ah, Dra. Raiz, se isso não foi negligência e arrogância, já não sei o que serão arrogância e negligência...
DRA. ILCEBERG
Doutora Ilceberg é neuropediatra. Neu-ro-pe-di-a-tra. Se toda especialidade médica é importante (ou deveria ser), o que não dizer desta? Dra. Ilceberg, seu nome já diz tudo, ou quase. Esta é capaz de revelar os prognósticos mais terríveis do seu filho como se estivesse relatando as compras que fez no shopping: “Comprei um casaco azul, depois umas botas, porque agora o tempo está esfriando, né?” Dra. Ilceberg talvez precise ser lembrada que do outro lado de sua mesa existem pessoas que amam o seu filho e que poderiam receber tais “notícias” de uma maneira mais suave, amiga, amorosa. Não me venham com “realismo”. É falta de humanidade mesmo.
DR. COME-QUIETO
O Dr. Come-Quieto é esperto, foi direto para o filão rico da medicina: os exames de laboratório, é dono de um deles. É direito dele, bem sei, eu também gostaria de ser rico, mas esse aí só com faturamento está interessado. E aí, faturando os tubos, Dr. Come-Quieto se esquece, ou finge esquecer, que também é médico e age como técnico de laboratório. Dr. Come-Quieto é tecnicista. E assim, de vozinha melíflua e babosa, entrega-lhe os resultados dos exames como se entregasse um folheto na rua COMPRO OURO, mesmo sabendo o resultado do exame, mesmo sabendo das imensas esperanças (baldadas!) depositadas naquele exame. Eu disse “entrega”? Não, Come-Quieto não entrega nada, manda as recepcionistas entregarem, muito ocupado que está com os outros exames a serem feitos. COMPRO OURO E CAUTELAS. Se, porém, sua presença é solicitada, ele vem aporrinhado, e fica repetindo, como se fôramos idiotas, que seu papel ali não é o de prescrever tratamento blablablá. Outro exemplo claro de indiferença ao sofrimento dos seus pacientes.
Que a terra lhes seja leve. Com o Corcovado por cima e o Pão-de-Açúcar de quebra.
A Entrevista Exclusiva
Pensando naqueles que não conhecem a linguagem dos bebês ou que já dela se esqueceu (embora essa linguagem seja um idioleto, ou seja, ter conhecido a de um bebê não significa que você vá entender a de outro), traduzo aqui, com exclusividade, a entrevista exclusiva do meu neném exclusivo.
Vou logo avisando que, yes!, fiz aquela pergunta fatídica e odiosa -- "Você gosta mais do papai ou da mamãe?".
Trechos:
E: Dantuca, meu besourinho do céu, agora que você completou sete meses, diga: O que você mais gosta de fazer?
D: Papai, meu papaizinho peludinho, o que mais gosto é de ficar, tão logo acordo, na cama grande de vocês dois. Mas ficar de barriga pra cima! Quando começam com essa história de vira pra cá vira pra lá vira desvira, vocês cansam!
E: Tá bom, Dantinho, obrigado pela sinceridade, agora diga: O que você não gosta de fazer?
D: Ah, ainda bem que você perguntou isso: detesto quando vocês ficam tentando me fazer dormir e eu não quero dormir. Responda: alguém força você a dormir, papai?
E: Er, Dante, quem faz as perguntas aqui hoje sou eu... Diga: Você gosta muito de passear?
D: De táxi, adoro! De carrinho gosto também, embora essas calçadas esburacadas e cocozadas me estressem um pouco.
E: Qual sua comida preferida?
D: Tototó!
E: E sua bebida?
D: Aquele leite que saía do peito da mamãe eu tô enjoando um pouco.... Gosto de leite de mamadeira e de suquinho de laranja. Não sou muito fã de água, ô coisa sem graça.
E: E sua música?
D: Ih, papai, que difícil. Acho que é a do tataré, a da casinha torta, das mãozinhas que conversam, mas de preferência na voz da mamãe, que é mais afinada. Falando em mamãe, conta pra ela que já enjoei daquelas do Pink Floyd for Babies.... De CD, adoro Tudor Lodge, a trilha-sonora do Benjamin Button (triste!) e Andrew Bird, porque ele assobia!
E: Você gosta de receber visitas?
D: Adoro, de preferência depois das 3.
E: E da Isolda você gosta?
D: Isolda?
Thursday, July 23, 2009
Sete é conta de mentiroso!
This is just to say
to keep the blog
as it deserves
to be kept
but here we'
re
back!
delicious
so sweet
so cool





