Saturday, June 20, 2009


Vô agora falar do Vô. Dante tem três vós e um vô. Queriam que eu fizesse uma adversativa ("três vós mas só um vô"), mas não faço porque esse vô é o Vovô Hélio.
Pelo sangue domingueiro que pelas nossas veias corre (Vovô Hélio - euzinho aqui - Dantuca) transmite-se, dentre outros amores, o amor aos livros.

É meio caminhandado

Dante está meio caminhandado, assim como se diz "meio jururu" ou "meio desconfiado". Mas que jururu ou desconfiado, mané jururu, foram só exemplos. Sendo ontem dia 19, 19 é Dia D, Dia de Dante: completou ontem o mocinho seis meses, 1/2 ano, já não falarei que parece mentira, que o tempo voou porque isso é clichê demais.
Mas parece mentira, o tempo voou.
Parabéns, Dantuca!

Saturday, June 13, 2009

A melhor coisa do mundo



Pouco, bem pouco antes de o Dante nascer, coisa de um dia, meu amigo Marcelo Beauclair cruza comigo na rua. O diálogo rápido "E aí?" "Tá quase." "Você vai ver, é a melhor coisa do mundo."

Naturalmente não dei muito crédito às suas palavras, ou não as tomei ao pé da letra. Estava ele, como tantos outros, sendo simpático. Um outro amigo, Stefan lá da Suécia, me dissera algo semelhante: "You will see, the best part of your life is about to begin." I just grinned.

Mas tanto um quanto o outro não estavam apenas sendo simpáticos ou repetindo clichês. A foto prova-0.

Tuesday, June 09, 2009

O Dente do Dante


Antes mesmo que ele nascesse, tivera eu já a idéia deste post, ou, ao menos, do nome deste post. Porque o que nos pega são os nomes. Aliteração fácil, dirão alguns, mas reconheçam que tem lá seus encantos.
Mas ainda que poesia (como se isto aqui fosse...) se faça de palavras, não de idéias, falemos do fato em si: Dantuca tá botando dentinhos! Ou Dantinho tá botando dentucas! Dois de uma vez, na arcada inferior. Isso dá ao voraz patifinho ensejo para morder ainda mais! E tudo botar na boca! Ele bota os dedos na boca, as mãos na boca, tudo que lhe cai nas mãos na boca, inclusive este pai(ele tenta).
Bem, não sejam esses dentinhos e os outros que virão arruinados prematuramente como foram os meus por Juquinhas! =)

Falando em comida, ontem na pediatra, ela mandou começar a dar carne! Batemos pé: carne vermelha, não! A pediatra, uma doçura com o Dante, quis puxar briga, mas quando supliquei: "Uma cocó... Uma cocozinha, hein?", ela... anuiu!!!!
Então, mesmo com Dentucas, Dantinho será vegetariano!!! E Juquinha só de quando em vez!!!


Saturday, June 06, 2009

(Escreveram) um poema para o Dante

E não fui eu. A querida Giulia Drummond (o nome ajuda) escreveu um lindo poema para o Dante,
que ora reproduzo:

O ÉDEN DE DANTE
Da casa, o menino via a rua.
Algo naquele todo gerava toda aquela música.
Ele sabia que seus pais sentiamo perfume, então nada falou.
O silêncio doce expressou sua alegria.
Na sua idade, o menino existia intenso.
Lindo, como um personagem encantado.
Seus pais escreviam um poema conjunto
E ele é menino: música e perfume.

O gosto da tarde molha seus sentidos
E a delícia da existência inunda-lhe de Pink Floyd.
O menino tateia seus versosE se faz obra-prima, a cada dia.
O éden além-baía mal saciasua pressa de vento.
Calma, menino!
Olha a rua com mais calma,divague mais nas suas fantasias
Pra depois montar no seu cavalo
e sair pra explorar a tarde.

(Seu blog: http://giubileeline.blogspot.com/)

Adoração dos Reis Magos


Hoje, dia seis do seis, cinco meses depois do seis do um, chegam com algum atraso os três reis magos para adorar o Dantuca. Questionadas sobre tamanho atraso, a vó Lourdes Melchior (aka vovó Lelé), primeira à esquerda, foi econômica: "Culpa da ponte", apressou-se a justificar. A tia-avó Gilda Gaspar, primeira à direita, trouxe mirra (alguém sabe o que é isso? Não vale guglar!) e uma caixinha de música com um palhacinho, que Dantinho adorou. Já a vó Chiquinha Baltazar, só pode ser a do meio, está usando uma camisa minha, vejam que folga! (Reconhecem o soldadinho Svejk?).

Saturday, May 30, 2009

Não sei se quero escrever sobre isso. Perguntam-me, quase sempre sinceramente, e tenho o...


Bem, neste exato momento já não quero mais. O post seria sobre a medicação, o tratamento do Dante mas acabei de descobrir que não quero escrever aqui sobre isso... Aos que perguntaram, mandarei respostas individuais, ainda que, neste caso, falar me seja imensamente menos doloroso que escrever.

Wednesday, May 27, 2009

Navegar em Nava



O Nava ficou pequenininho, perto do seu amado relógio da Glória, onde escolheu, aliás, despedir-se desta porca vida, como diria ele.

Como gosto de Pedro Nava, um dos meus escritores de todos os tempos. Foi no final de meu mestrado, 97-98, que pus tudo de lado para mergulhar, encharcar-me de Nava. Jamais me esquecerei das manhãs e tardes passadas no sofá da sala da Paulo Alves devorando Balão Cativo, Chão de Ferro, Baú de Ossos, Beira-Mar, Galo-das-Trevas e O Círio Perfeito. No fim deste, eu já estava tão obcecado que o sonhei em minha sala a dizer-me soturnamente: "EU SOU O COMENDADOR". Quem leu o "Círio" entenderá. Aí um dia peguei um ônibus e enfiei-me na Usina disposto a descobrir onde ficava o famoso "Bar das Rolas" e sua cascata. Descobri-o fechado, suspenso, intacto no ar.

Por que isso tudo? Uma amiga pediu-me uma epígrafe para sua dissertação sobre polidez. Quem trata de polidez, de palavrões fala. E lembrei-me que mestre Nava tem umas tiradas memoráveis sobre palavrões, dizendo que são o tempero da língua etc. Bem, vasculhei, escaniei dois volumes e nada descobri. Mas descobri isto daqui, que ora reproduzo. Ou seja, o homem que urrava sem pudor "FODAM-SE SUAS BESTAS!", era também de um lirismo extremo. Este o trecho, vejam como evoca o cummings citado logo abaixo:

"(...) feita como era daquele material perecível, precioso, frágil, sem compatibilidade com o da vida -- o material absurdo dos seus olhos, da sua pele, do seu corpo e sobretudo da seda miraculosa de seus cabelos raios de luz onda do mar." (Balão Cativo, p. 108)

Roubo, já modificando, essas linhas para o Dante: "o material absurdo dos seus olhos, da suas mãos".

Sunday, May 24, 2009

Má influência


A mãe, a vó (materna), a madrinha, todas muito caretinhas, acharão esta foto um mau caminho para o pequeno: o cabelo despenteado, a camisa pelo avesso (a vó supracitada tem horror a isso, acho que é TOC!), pero me gustan a luz que incide sobre minha camisa (do avesso), o patifinho em movimento, eu a sussurrar-lhe carícias, Fernando Pessoa às minhas costas ("Quanto do teu sal...?"), meus CDs ao fundo...
Para quem falar que elogio em boca própria é vitupério, ora, mas não fui eu que tirei a foto! =)

Friday, May 22, 2009

Este o poema lindo do e. e. cummings, meu companheiro de anos:

"somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skillfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands"


E agora a tradução bela do Augusto de Campos.
O Zeca Baleiro musicou, ficou bonito também.

"nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas"


E por quê isso?
Porque sempre achei que uma das chaves para se entender este poema belíssimo -- um poema de amor -- é percebê-lo como um poema para uma criança.

Este é o poema de amor que dedico ao Dante, such small and soft and tender hands.

Friday, May 15, 2009

Há mais de um mês não atualizo o blog.
Há exato um mês tivemos nossas vidas viradas pelo avesso.

Mas o blog vai continuar. Peço desculpas ao Dantuca por um mês sem posts.

O meu amor incondicional.

Sunday, April 12, 2009

Feliz Páscoa! E Mãescoa também!


Dantuca estava muito excitado com essa história de coelhinho. Assim, tendo deitado bem cedo no sábado (por volta das... 5 da tarde!), acordou logo às 9 e depois às 11 e depois à 1 e depois às 3:50. Sempre perguntado pelo roedorzinho. Sua insistência não foi em vão. Não é que o coelhinho passou por aqui mesmo? Bem que ouvi uns miados diferentes da Isolda por volta das 4:30. Dante ganhou um ovão e um ovinho. E um coelhinho recheado. Ele não poderá comê-los porque, pobrecillo, está de dieta. A mãe também está. A gata anda para doces (mas deve ter tentado morder o coelho), de modo que esse chocolate sobrou para... sobrou para...

Friday, April 10, 2009

Decibéis nem sempre descem bem

Em virtude (virtude?!?!?!) do refluxo oculto e das cólicas, Dantuca tem chorado. O choro de um bebê pode chegar a 90 decibéis. Isso pode levar Dantuca para o xadrez. Como meu ronco também não fica muito atrás, pode ser que eu faça companhia a ele no xilindró. E esta casa aqui ficaria inteirinha para as mulheres: Lica, Isolda, Lúcia.
No entanto, como temos ambos o tar do curso superior, é possível que não seja desta vez ainda a vitória feminina. Elas não podem levar isso assim tão fácil...

Monday, April 06, 2009

Wrote Dante a poem



WROTE DANTE A POEM

It’s 3 o’ clock, we’re rocking the chair
In the night that is pitch black.
Purring a sweet sleep of dreams,
Mum sleeps and so does the cat.

Though the night is crisp and still
A bird cries out in the dark.
Never had I thought I could love so much
As a rivulet of love outflows from my heart.


(Se acharem os versos ruinzinhos -- o que verdadeiramente são --, curtam ao menos a ilustração feita pela minha aluna Cora... Thx, Cora!)

Thursday, March 19, 2009

Viva São José!


Hoje é dia de São José. Hoje Dantuca completa 3 meses. 3 meses são 25% de 1 ano. Eu sou um ateu convicto. Ando p. com a Igeja. Eu sou devoto de São José.


Wednesday, March 04, 2009


Todos sabemos como, do Zimbábue à Suécia, as mulheres sofrem com a dupla jornada de trabalho.
A foto acima ilustra bem esta dolorosa dupla jornada: depois de dar aulas naquelas saunas lá do colégio, chego em casa para cuidar do Dantuca (o que é maravihoso), da Isolda (o que é sensacional) e da lactante (o que é inenarrável). Na foto, dou canjica à Bia, enquanto ela amamenta nosso patifinho. Aliás, vejam a cara dele: parece assustado!

Ateiam fogo no arrondissement


O post enjoadinho, logo abaixo, dediquei-o à Soraya e suas duas lindas filhotas. É sempre uma delícia visitar as anjinhas, seja na Gávea, seja em Paris.


Thursday, February 26, 2009

Haja babadouro


Fotozinha ordinária: um pai dando mamadeira pro filho. Pero reparai que o pai também veste babador.

Post enjoadinho


Já recorri ao Vinícius, quando parafraseei sua "Elegia Triste" e disse que Dante tinha olhos como besourinhos do céu.
Ao Vinícius retorno, e é impossível não o fazer, já que há anos, muitos anos, muitos anos, carrego este poema comigo. Cheguei a declamá-lo a uma amiga paulista que eu conhecera no Vale do Pavão, quando ela teve um filho. E isso, meus amigos, foi em 1986.

Agora chegou a vez de declamá-lo para mim.

Poema Enjoadinho


"Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
(...)
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!"
ps: este post é dedicado à minha amiga Soraya, cujas duas filhas lindas chupam gilete, bebem shampoo e ateiam fogo no arrondissement.

Sunday, February 22, 2009

G.R.E.S. FAMÉLICOS DA ZÉ PEREIRA


Fundamos hoje, pouco antes do meio-dia, o bloco do Dante e da Isolda: Famélicos da Zé Pereira. Explico.
Isolda amou essa história de a gente acordar de madrugada para cuidar do Dante: empina o rabo e manda a miada. Ou seja, pede comida a noite inteira, basta perceber que estamos de pé. Às vezes dá peninha, ela mal abre os zoião (eu também!), mas lá está, quase como o corvo de Poe, a pedir comida.
Bem, e o Dante? Dantuca mama no peito, na mamadeira e, nos intervalos, come as mãos. Daí o bloco.
Já escrevi o estribilho do samba-enredo:
"Comer é o melhor remédio
Dizem o mocinho e a garota
Porque a vida é um imenso tédio
Entre uma refeição e outra."
Para facilitar: o samba-enredo deverá ser cantado no mesmo ritmo do samba-enredo de 1965 do Paraíso do Tuiuti.